Hugo Vieira no Benfica.
É fácil dizer que é mal comprado, porque não tem nome e, no Benfica, para os adeptos, o nome é o mais importante – porque, quando não conhecemos mais nada do jogador e sabemos pouco de futebol, como é o caso de 95 por cento de nós, o nome é tudo o que temos para nos orientar.
É provável que dê em nada. Não sei se terá estofo para ganhar um lugar no Benfica.
Mas não é possível garantir, à partida, que venha a ser um fracasso. Noutros tempos, quando se comprava um terço dos jogadores que se compra hoje e quando se comprava a pensar num plantel de 20 jogadores, e não de 40, ir buscar um jogador sem escola era motivo de esperança. Lembro-me, por exemplo, do Paneira, que veio da III Divisão. Actualmente, quando a lógica é diferente – comprar por atacado e antecipação à espera que um em cada três pegue – é motivo de desconfiança.
Em termos puramente futebolísticos – se considerar o facto de contar como português e de ter saído a custo zero – há algumas coisas a favor dele: joga nos dois flancos; dizem que tem instinto para o jogo (o que é melhor que ter escola); parece-me suficientemente burro para não perceber bem a dimensão do desafio que tem pela frente, o que é bom, porque é a melhor maneira de não se borrar todo.
Probabilidades: 90 por cento de ser um flop; 10 por cento de ser a revelação do ano. Não há meio-termo. É o Benfica.
Por outro lado, a contratação de um português barato para suplente dá indicações sobre duas coisas que podemos esperar neste Verão: a saída de Saviola, que é menino para ganhar uns 300 mil por mês, e a contratação de um avançado de grande categoria com o dinheiro da diferença.
Devo dizer que vejo o Benfica a trabalhar bem – com um critério próprio, com autonomia, a pensar de dentro para fora e não de fora para dentro, e sem se preocupar em demasia (para já) com as capas dos jornais.
O caso Ola John está a ser a excepção. Está a fugir do controlo em termos mediáticos e, neste momento, a não-contratação do jogador (o que é sempre uma possibilidade dado o custo e a concorrência) já seria um fracasso, apesar de não haver nada que indique com certezas que a sua contratação fosse benéfica. Chama-se a isto dar o flanco. Se chegar lá um Manchester qualquer ou um Bayern o Benfica, que nunca teria hipótese sequer de concorrer com algum deles, fica a parecer perdedor, mesmo que nem sequer esteja no mesmo campeonato. Isto repete-se vezes demais, e por uma única razão: porque ainda não se impôs um exemplo suficientemente claro para todos os empresários perceberem que, se falarem, perdem o negócio. Tem de ser num caso como este, de perfil elevado, para ser suficientemente audível e compreensível para toda a gente. «Se abres a boca antes da hora, deixamos-te cair no segundo imediatamente a seguir.»
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O Sporting perdeu a final da Taça pela mesma razão que vai perder o campeonato do ano que vem: porque não campeões de autocarro. Com doze meses de antecipação, prevejo a conclusão que o Jorge Baptista (um valor seguro na chamada «análise daah…») vai tirar, na SIC, em relação à época do Sporting: «O Sporting não jogou mal, tem uma equipa arranjadinha, que luta muito, à imagem do seu treinador, mas não se pode ser campeão a perder tantos pontos em casa contra as equipas chamadas pequenas. O Sporting, à imagem de outros anos, voltou a demonstrar uma incapacidade flagrante para marcar golos em casa contra defesas muito fechadas, que é o pão nosso de cada dia no campeonato português.»