Não estranhem a ausência. Na passada 2.ª feira, à noite, após uma facada nas costas e um momento de introspecção, decidi começar um período de desintoxicação.
Voltarei a escrever neste blog depois da final da Taça de Portugal, ou seja, depois de acabar a época.
Agora, do que eu preciso é de observar, não é de falar sobre treinadores, árbitros, mafiosos ou doentes (eu incluído, daí o tratamento necessário).
O período de 15 dias que começou antes do jogo com o Estoril e que acaba no jogo com o Moreirense é o mais definidor do futuro do Benfica desde há muitos anos. Vai marcar, pelo menos, a próxima década. Por isso, é altura de ver, pensar e aprender, para tentar aproveitá-lo.
Além disso, eu também preciso de me acalmar. Dei por mim a falar de árbitros todos os dias, e encarei isso como um sintoma.
E não é que eu já não tenha aqui dito, há tempo suficiente, o que penso que vai acontecer nos próximos cinco dias, e porquê. Por isso, se alguém tiver dúvidas, é ir ao arquivo.
Até já.
P. S. - Mas não se preocupem, esta desintoxicação é como aquelas das gajas alcoólicas de Hollywood: só vão para a clínica para limpar o organismo e depois poderem voltar a beber que nem uns cachos, com força revigorada.
Religião Nacional
Crónicas liberais sobre o futebol português, opiniões sem complexos em redor da verdadeira religião nacional
Sábado, 11 de Maio de 2013
Segunda-feira, 6 de Maio de 2013
E Deus, dará?
O futebol é pressão.
Quem não consegue lidar com a pressão só ganha alguns jogos, nunca ganha nada
de importante sem ser por acidente ou por favor.
Já aqui escrevi muitas vezes (as vezes suficientes, diga-se)
que a classe é fazer o que é preciso ser feito no momento em que é preciso ser
feito. O facto de eu escrever essas coisas quando o Benfica ganha leva os
inquisitores do benfiquismo (que também os há) a responderem: «Bom, então
quando se ganha tem-se classe, e quando se perde não se tem classe!»
Por isso, neste momento, eu vou repetir aquilo que já disse
50 vezes. Só para parecer um gajo muito pretensioso.
Há duas coisas que as grandes equipas, com classe, têm de
saber fazer para serem grandes equipas.
A primeira é saber como cada jogo tem de ser jogado. Ou
seja, jogar cada jogo de acordo com as suas características e aquilo que o
envolve (o adversário, o cansaço, o resultado necessário, etc). O que implica, muitas vezes, ter a personalidade suficiente para ir contra o senso comum.
A segunda é executar essa estratégia, de forma colectiva. O que implica saber executar os gestos e os movimentos adequados sob pressão.
O Benfica não é uma grande equipa porque não tem classe.
Não tem classe porque joga todos os jogos da mesma maneira,
e porque não sabe executar o que tem de executar nos momentos em que é
necessário.
É uma equipa que joga ao deus-dará.
É-o há quatro anos e continuará a sê-lo durante mais
quarenta, se for caso disso.
Se Deus der o campeonato, dá. Se Deus não der, não dá.
É o pressuposto da fé.
Domingo, 5 de Maio de 2013
Genial, Professor Pardal!
Grande jogada psicológica do Professor Pardal, a mostrar
muito respeito por uma equipa com um orçamento dez vezes inferior ao da sua e
com mais vinte pontos no campeonato. Uma jogada à sua altura. Uma jogada que resultou em
pleno: com a vitória da equipa mais mentalmente forte sobre a equipa
mentalmente inferior. A dele.
Não quero ser (muito) faccioso, mas se algum treinador do
Benfica, mesmo no último lugar, tivesse a ousadia de dizer que o Paços de
Ferreira era favorito, independentemente das manobras psicológicas envolvidas,
em qualquer circunstância, contra o Benfica, não era com o resultado do jogo
que teria de se preocupar.
O Sporting que continue a apostar no «Professor». Vai
ensinar muitas coisas positivas àquela miudagem. Sobretudo a pensar em grande.
Este é o tipo de coisas que o Jesus não diria nem com uma
arma encostada à cabeça.
*
Hoje vi uns cinco jogos de futebol enquanto ia tratando de
burocracias. Nesses cinco jogos vi dezenas – atenção, eu disse dezenas – de
jogadas em que os jogadores se agarram mutuamente, se embrulham e caem. Em
cerca de metade o árbitro marcou falta, na outra deixou seguir. Mas no
Benfica-Sporting é suposto aquela jogada ser penálti indiscutível. Porquê?
Porque o Benfica está a ganhar o campeonato ao Porto. É esse o único critério,
certo?
Nesses cinco jogos também vi os árbitro, na maior parte das
vezes, a marcarem falta ao atacante quando este põe a perna entre o defesa que
vem ao corte e a bola. Mas quando o Volkswagen sai da sua linha para meter a
perna esquerda à frente do Garay, que já vem lançado, estamos a assistir,
segundo o Bernardo Ribeiro, do Record, um lagarto doente (sei-o eu, e não é
porque ninguém me disse), a «um roubo».
À noite, na Mata Real, vi o Capel a fazer o que faz sempre –
sempre; repito, sempre! – que não consegue controlar a bola em jogadas de um
contra um: a atirar-se para o chão, e sempre que pode indo contra as pernas do
adversário, para poder simular melhor a falta. Se os árbitros não metessem o
livro de leis no bolso, em todos os jogos do Sporting, o Capel não acabava um
jogo. Mas, na Luz, aquele choque provocado pelo Capel não só era penálti como
tinha de dar expulsão do Maxi Pereira. Porquê? Porque a equipa que ganhou vinte
campeonatos em trinta anos conseguiu convencer os idiotas da bola de que o
sistema é controlado pela equipa que ganhou três nos últimos vinte. Cada país
tem a inteligência que merece, e depois não me venham dizer que a culpa é da
troika.
*
Estava a ver o trailer
do Benfica-Estoril, na Sport TV, e veio-me esta ideia à cabeça: o
Benfica-Moreirense pode ser o último jogo que a Sport TV emite do Estádio da
Luz. Se fosse o jogo do título seria (como dizer) uma fina ironia…
*
Estava a ver o Guimarães-Gil e dei comigo a pensar na contagem
de espingardas na luta pelo sistema.
A contratação do Ricardo e do Tiago qualquer coisa pelo
Porto, por 2 milhões de euros, é muito mais relevante do que o mero negócio
indica. É um canto de sereia do Porto para a nova Direcção do Guimarães. (O
Porto continua a fazer vida de rico. Dar 2 milhões de euros por dois jogadores
que não valem nem metade disso para os emprestar dá excelentes indicações de
gestão para o futuro. Era isto que o Angelino Ferreira queria dizer com downsizing? Se é uma palavra
estrangeira, tem razão, com certeza.)
Pelo que se lê nas entrelinhas, as coisas parecem bem encaminhadas
para o Sporting se aliar ao Benfica. Está a ser feito devagarinho, porque os
Juve Leos e a brigada do reumático do Sporting continuam convencidos de que o
Pinto da Costa é que é bom (vê-se, pela quantidade de segundos lugares que o
Sporting acumulou naquilo que o Bettencourt classificou como «segundo melhor
período na história do clube»).
O Pinto da Costa está a precaver-se, tentando unir os
pequenos sem seu redor.
Neste momento, considerando a próxima época, na I Liga, os
exércitos estariam assim definidos, sensivelmente:
Exército Vermelho – Benfica e Marítimo.
Neutrais mas avermelhados – Paços de Ferreira, Estoril.
Em aproximação ao Exército Vermelho – Sporting.
Exército Azul – Porto, Braga, Rio Ave, Académica, Setúbal,
Olhanense, Belenenses (não se esqueçam de quem é o novo dono do Belenenses, o
Rui Pedro Soares da falcatrua do Taguspark, que é dragão de ouro e, na minha
opinião, entrou no Belenenses como testa-de-ferro).
Neutrais mas azulados – Beira-Mar.
Em aproximação ao Exército Azul – Nacional, Guimarães
A política de contratações
virtuais, como eu gosto de lhes chamar (do tipo Luisinho, Michel, Fabiano,
Ricardo, Tiago não-sei-quê), e de empréstimos, pode ajudar a definir alguns
indecisos, mas o núcleo dos pequenos está, sem dúvidas, com o Porto. É algo,
aliás, que se vê nas declarações dos dirigentes e treinadores quase todas as
semanas. Quando aparece alguém como o tipo do Marítimo a dizer o que disse até
se torna notícia.
Quinta-feira, 2 de Maio de 2013
25 por cento para começar
Não sei se estou mais nervoso com a perspectiva de ser
eliminado ou de ir à final.
Quando penso na última semana do campeonato, a ideia de jogarnas Antas no sábado, Com o
Chelsea, na final, na 4.ª feira, e de ter de ganhar a uma equipa metida no
buraco na última jornada, até tenho cólicas.
Há uma semana disse que o Benfica tinha 25 por cento de
hipóteses de passar à final. Por um lado, por causa do resultado, por outro
porque os turcos me parecem mais comprometidos, mais concentrados, do que o Benfica
– o que é natural, considerando que, para o Benfica, a Liga Europa é a segunda
prioridade neste momento, e tem tido finais atrás de finais, e para eles este é
o jogo das suas vidas.
Penso que as hipóteses do Benfica passar dependem de marcar
um golo nos primeiros 30 minutos e, a sofrer algum, de o sofrer até ao
intervalo.
A ver vamos.
Quarta-feira, 1 de Maio de 2013
A 3.ª parte é que foi «à campeão»
A 2.ª parte do Benfica no Funchal foi muito melhor que a
1.ª, sim senhor, mas a 3.ª parte, que foi jogada hoje, a solo e à capela, pelo
João Gabriel, essa sim, foi de um nível de excelência a que os benfiquistas não
estão habituados.
Antes de mais deve dizer-se que a gestão do pós-dérbi foi
praticamente perfeita por parte do Benfica. Se bem se lembram, até sábado, não
houve uma palavra. Demonstrou compostura, controlo mental e consciência da
situação.
A imagem que passou do dérbi, verdadeira ou não, foi a de
que o Benfica tinha o controlo da arbitragem. Apesar da tendência para dizer
logo que não, a verdade é que não faz mal nenhum deixar as coisas em aberto.
Afinal, como ensinou Maquiavel, ao príncipe vale mais ser temido que amado. O
silêncio foi positivo. Até porque, reagir, era como assumir a culpa.
Além disso, havia jogo na quinta-feira. Ou seja, as
ladradelas não durariam mais de três dias, porque a meia-final na Turquia, por
direito natural, passaria a ser o tema principal da imprensa desportiva.
Já a seguir ao jogo da Turquia, e depois da canalha se ter
toda calado, o Vieira fez exactamente o que tinha a fazer: falou, pouco, apenas
para lembrar que o Benfica não tinha beneficiado de nada de que o Porto não
tivesse beneficiado durante vinte anos. Fê-lo apenas para dar espaço de
manobra, na opinião pública, ao árbitro do jogo de segunda-feira. Se tivesse
ficado completamente calado abriria espaço a que o árbitro se sentisse
desamparado e forçado a compensar o
Porto.
A subtileza, aqui, é que o que Vieira realmente diz não é
que o Benfica é inocente, mas que o Porto também é culpado. Ou seja, reforça a
ideia que tinha ficado como silêncio anterior – que o Benfica agora também tem
poder sobre o sistema – e, ao mesmo tempo, joga a cartada da justiça, dizendo
que o Benfica merece ter esse poder.
O que o Vieira disse é que «agora é a nossa vez». E quem
pode negar que isso é justo?
Mas a jogada de classe foi a desta segunda-feira, porque
implica, essa sim, o estofo de esperar e confiar pela resposta da equipa em
campo antes de marcar esta posição.
Se a equipa tivesse perdido, num jogo sem casos, este
comunicado faria tão pouco sentido que, provavelmente, nem sequer seria feito.
Fazer o trabalho em campo e reforçar esse trabalho com a
máquina fora de campo é algo que o Benfica não fez durante décadas, primeiro
por falta de estofo (fora de campo), depois porque, dentro de campo, não
conseguia resolver nada. Durante anos a mensagem do Benfica, mesmo quando tinha
razão, foi constantemente minada pela incapacidade dentro de campo, perdendo,
por isso, a sua força.
Desta vez não.
Com a legitimidade adquirida por um fim-de-semana perfeito,
em que não só ganhou com a melhor arbitragem do campeonato como se viu as duas
equipas contestatárias (Porto e Sporting) a serem flagrantemente beneficiadas
por erros de arbitragem, a conferência de imprensa do Jorge Gabriel deu, sem
qualquer dúvida, a posição elevada ao Benfica.
Tocou nos pontos essenciais, foi conciso e objectivo, falou
das intenções escondidas (aproveitar o jogo do Marítimo), da fruta, da visita à
Assembleia da República (João Gabriel, confessa lá, andas a vir aqui ao blog,
não andas? Continua, fazes bem), e do escândalo dos guarda-redes múltiplos.
Mais ainda: fez tudo isso pagando na mesma moeda, porque
dificilmente o árbitro se conseguirá esconder (à Xistra) se o Danilo, o Sandro
ou qualquer outro voltarem a fazer grandes defesas na Madeira.
Nos últimos 15 dias, o comportamento do Benfica fora de
campo tem sido de um profissionalismo e de um talento, como disse o Gabriel,
sensacional.
Definitivamente, parece que os tempos estão a mudar.
P.S. – Tudo indica que o Sporting arranjou, finalmente, um
presidente a sério. Voltaremos a isto daqui a uns tempos. Mas, se o Bruno de Carvalho
mantiver o equiçíbrio, se não se deixar enganar pelos Juve Leos, e se o Benfica
souber jogar a sua cartada, com cabecinha, podemos estar a assistir ao
princípio do fim do regime de Pinto da Costa, e ao início de uma era de recuperação
da supremacia de Benfica (mais) e Sporting (o suficiente) no futebol português.
Segunda-feira, 29 de Abril de 2013
Marítimo-Benfica
Um golo aos 5 minutos a favor de uma equipa que não sabe jogar em vantagem, e em que apenas os defesas sabem defender.
Bola para a frente de qualquer maneira, a dar o jogo todo ao Marítimo, que tem sempre três homens na frente - com um relvado aos buracos, em que a bola está constantemente aos ressaltos, dificultando os cortes de primeira.
Jogadores a darem espaço e pouco concentrados, nitidamente desgastados em termos físicos.
Está-se mesmo a ver o que isto vai dar, não está?
O Benfica, para ganhr este jogo, tem de marcar um golo nos primeiros 15 minutos da segunda parte, esteja o resultado como estiver.
A continuar no intervalo.
Bola para a frente de qualquer maneira, a dar o jogo todo ao Marítimo, que tem sempre três homens na frente - com um relvado aos buracos, em que a bola está constantemente aos ressaltos, dificultando os cortes de primeira.
Jogadores a darem espaço e pouco concentrados, nitidamente desgastados em termos físicos.
Está-se mesmo a ver o que isto vai dar, não está?
O Benfica, para ganhr este jogo, tem de marcar um golo nos primeiros 15 minutos da segunda parte, esteja o resultado como estiver.
A continuar no intervalo.
Sábado, 27 de Abril de 2013
A vergonha não é para os parvos?
Só agora, ao ler as declarações do Professor Pardal, percebo
que talvez não tenha sido suficientemente claro e objectivo na análise que fiz
a seguir ao Benfica-Sporting. Como tal, tenho de me penitenciar, e alterar
alguma coisa em relação ao que disse.
Antes de mais, dizer ao Professor Pardal que não são apenas
duas pessoas que acham que o Capela ajuizou bem nos penáltis-fantasma na Luz:
somos três. O Capela, o observador da arbitragem ao jogo e eu. Com mais um já
dá para fazer uma suecada.
(Devo só notar que ainda ninguém se entendeu sobre quantos
penáltis é que houve na Luz. Alguns sportinguistas falam em quatro, outros em
três, outros em dois, outros em um, o Vítor Pereira fala em três e meio, e a
única coisa que sobra disto tudo é que ninguém parece saber o que é que é
penálti e o que não é. O que fragiliza, só um bocadinho, os seus argumentos…
Mas adiante.)
Depois de salientar que não houve erros graves do Capela na
Luz, devo, então, acrescentar alguma coisa em relação ao texto inicial.
É preciso dizer que tenho poucas dúvidas de que quer o
Capela quer o observador estivessem controlados pelo Benfica.
Como é que se justifica esta aparente contradição? De uma
forma muito simples.
O que seria normal, naquelas situações, seria marcar penálti
– pelo menos no do Volkswagen. Não por ser penálti, que não é, mas porque é o
que se costuma fazer.
Teria sido normal (errado, mas normal) que o Capela tivesse
marcado aquele penálti.
Da mesma forma que teria sido normal ao fiscal-de-linha do
jogo com o Nacional marcar fora-de-jogo no primeiro golo do Nacional
(lembram-se?). Também foi estranho não marcar, porque, mesmo errando, os
fiscais-de-linha marcam sempre aquilo.
Como é normal marcarem falta sobre o guarda-redes sempre que
ele se atira para o chão a esbracejar dentro da pequena-área. Foi o que
aconteceu, por exemplo, na primeira jornada, quando o Beto simulou uma falta do
Cardozo e levou o árbitro a invalidar o terceiro golo do Benfica, que lhe daria
a vitória.
Um grande exemplo disto foi o que aconteceu ontem no Estoril,
na jogada em que o Braga reclama penálti. A decisão do Bruno Paixão é
sensacional. Diria mesmo que foi a melhor decisão, tecnicamente, que vi este
ano no campeonato, confirmando que o Paixão, sendo uma pessoa doente – como já
aqui disse há uns tempos – pela obsessão compulsiva que tem em estar no centro
do Universo, é, em termos técnicos, o melhor árbitro português.
Na repetição por trás da baliza, vê-se claramente o
guarda-redes a alterar a trajectória da bola com a perna, ficando demonstrado
que a defendeu, apesar do espalhafato do Custódio. Uma grande saída da baliza,
uma grande decisão do árbitro e, na Sport TV, o que é que se ouve: a repetição,
até à exaustão, que tinha sido um erro. Porquê? Porque teria sido o mais óbvio,
porque o que se espera dos árbitros é que marquem aquelas coisas,
independentemente do que ajuízam em campo e do que está certo, e porque decidem
que é um erro, mesmo não o sendo.
A lógica subsequente, é óbvia: se ele não marca é porque não
quer, se não quer é porque está «comprado».
Com o Bruno Paixão, não acredito que esteja comprado. Como
já aqui disse, o Paixão não é comprável. Para ele, a possibilidade de, mantendo
a incorruptibilidade, continuar a poder provocar as pessoas e chamar as
atenções, é impagável.
Do Capela, já não consigo dizer o mesmo. É um árbitro igual
aos outros, faz o que se espera dele, subindo, assim, na carreira, mantendo as
pazes com o sistema e, por isso, quando «decide» tornar-se muito melhor árbitro
do que é, é demasiado estranho.
Para mim, portanto, o Capela entrou em campo decidido a não
sair dele sem uma vitória do Benfica.
Dito isto, o que se deve também dizer é que o Vieira está a
caminho de se tornar num grande dirigente, de acordo com os critérios
portugueses.
Em Portugal, um dirigente que, durante 31 anos, provoque
violência, corrompa árbitros, compre jogos, manipule as instituições, a
comunicação social e a indústria do futebol; um dirigente que utilize quaisquer
meios para atingir os seus fins é, pelo que tenho visto nos últimos anos, o
melhor dirigente do mundo, um exemplo para o país e um fiel representante da cultura
nacional, arriscando-se mesmo a ser recebido em apoteose na Assembleia da República,
a ser condecorado por instituições políticas sustentadas pelo voto e pelos
fundos da população, e a colocar-se acima da lei.
A lição que podemos aprender dos comentadores, fazedores de
opinião ou simples adeptos iluminados deste país – uma ideia emitida sobretudo
a partir desse arquipélago de inteligência e carácter nacional que é a região
do Grande Porto – é que a única coisa que realmente interessa é ganhar, e que quem
não ganha não é honesto, mas fraco, e como tal merece ser humilhado.
Sendo assim, eu, ao contrário do Pinto da Costa, sinto-me
optimista, porque o Benfica ganhou. E se ganhou, de acordo com o pintismo, é
porque foi melhor – seja lá no que for.
A única coisa que espero é que continue a ganhar. Porque, se
ganhar o suficiente, e durante o tempo suficiente, tudo aquilo que fizer de
criminoso será facilmente apagado da opinião pública.
Sim, claro que eu gostaria queos campeonatos em Portugal não
fossem ganhos mergulhados em lama, mas, como também já aqui disse, não é
possível fugir a ela, porque Pinto da Costa é a lama que não sai deste futebol,
e enquanto ele e os seus cordeiros cá andarem não haverá senão lama.
Num dos primeiros posts deste blog escrevi uma coisa que
mantenho. Todos gostaríamos de ganhar «limpinho, limpinho», de ver os méritos
reconhecidos pelos perdedores, para podermos fazer o mesmo quando perdêssemos.
Quando isso não é possível, contudo, quando, entre quem joga, há quem não ligue à maneira como se ganha desde que se ganhe, só há um caminho: perceber as regras do
jogo e ganhar com aquilo que nos põem à frente.
Se a alternativa é ver a mafia do Porto a ganhar, a
baixar-nos as calças, a montar-nos e a forçar-nos a agradecer, todos os anos,
eu prescindo. Prefiro ter os Capelas todos na mão e ver os que perdem a tomar
comprimidos para a azia, obrigado. E espero que continue, até mudar o regime.
Porque, para mudar o regime, basta que a sua cabeça (Pinto da Costa) comece a
perder.
Não se envergonhem. Afinal, as elites deste país demonstram-nos
que a vergonha é um conceito a que o bom povo dá demasiada importância. Por
isso é que não vai a lado nenhum. Certo?
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