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sábado, 21 de abril de 2012

Menos é mais

Tenho aqui uma buchazita para meter a propósito do Sporting, e do Sé Pinto, e dos treinadores, mas ainda não está acabada, e os jogos do Benfica são sempre um motivo para nos pormos a pensar sobre (lá está…) o Benfica, mesmo quando já metemos a chave à porta para acabar uma época e começamos a pensar na outra, como é o meu caso nas últimas semanas.



Algumas ideias soltas, mas que acho que são interessantes, a propósito do onze do Benfica.

Matic no lugar de García, por exemplo. Acho que estamos perante um caso típico de protecção de um jogador, que um bom treinador tem de saber fazer. Javi está claramente numa péssima forma. Em Alvalade fez, provavelmente, o pior jogo desde que está no Benfica, e quando isso acontece num jogo daqueles, com um animal competitivo como é Javí, é porque fisicamente o jogador está de rastos.

Mas duvido que Jesus tivesse feito isto em Dezembro ou em Janeiro. A filosofia do Jesus – e é por isso que os jogadores acabam por ficar tão queimados – é que a forma de eles superarem a fossa física é continuando a correr. Não é o único, nem é necessariamente errado. Há muitos treinadores, em muitas modalidades, que têm a mesma postura, e alguns com grande sucesso. É uma forma de trabalhar.

A questão é que, se se tem essa forma de trabalhar, a filosofia dos grandes plantéis não faz sentido. Se se quer apostar num núcleo curto (13 jogadores de campo + substitutos), que é o que o Jesus faz, na prática, tem de se gastar dinheiro a melhorar esse núcleo, e não a reforçar o fim do banco.

Eu não tenho nada contra o Jesus apostar numa equipa curta – para dizer a verdade, até me parece a melhor filosofia, embora sempre numa perspectiva de uma época/um título, que é a realista, e não na de «queremos ganhar tudo ou ir o mais longe possível», que é óptima para não se ganhar nada – mas se assim é os 13 jogadores nucleares têm de ter estofo físico e mental para aguentar as covas físicas num nível médio-alto, não podem ir ao fundo. Não é com Cardozos nem com Aimares que se lá vai. Tem de haver uma estrutura física e mental sólida.

E esses jogadores são mais caros. Porque são melhores. Como tal, na lógica do Jesus, o dinheiro gasto em contratações e salários de jogadores de terceira linha do plantel deveria ser gasto em menos jogadores e melhores  jogadores.

O onze inicial do Benfica na cabeça do Jesus, no início deste ano, deveria ser o seguinte: Artur, Maxi, Luisão, Garay, Emerson (porque não veio o defesa-esquerdo que ele queria, note-se), Javi, Witsel, Aimar, Enzo Pérez, Gaitán e Cardozo. Só aqui temos três ou quatro jogadores capazes de fazerem mais de um lugar (Javi, Witsel, Gaitán, Maxi…).

Este núcleo deveria ser complementado (novamente, no início da época), por Rúben Amorim, Matic, Saviola e Rodrigo, todos eles polivalentes e, portanto, capazes de fazer mais do que um lugar no caso de entrarem, que é exactamente o que se espera numa equipa de 14.

Além destes, o Benfica teve Nolito, Bruno César, Nélson Oliveira, Capdevilla, Jardel, Miguel Vítor, mais tarde Yannick, André Almeida, e acho que ainda me estou a esquecer de alguém. O caso específico de Enzo Pérez abriu o lugar para um mas todos os outros são jogadores com um custo muito acima da sua utilidade real.

(que não pode acontecer quando se trata de um jogador nuclear, pois coloca em causa o trabalho de uma época – e antes de me dizerem que «os jogadores são como os melões» eu digo já que dessa não como, porque vi um jogo completo do senhor Enzo e o que ali está é uma prima dona, pelo que das duas uma: ou não se contratam prima donas ou, se se contratam, tem de estar preparado para as tratar como prima donas a partir do momento em põe em pé em Lisboa)

Falemos só dos que vieram a custo zero (que não é zero nenhum, claro): Nolito, Capdevilla e Emerson, todos juntos, valem um jogador (que até pode ser também a custo zero) três vezes melhor que qualquer um deles, que entra directamente para o onze inicial e fortalece o núcleo de 14 que vai, de facto, decidir a época.

Quando começamos a ver nomes a surgir nos jornais para a próxima época é importante pensarmos nisto, porque toda a gente gosta de ver jogadores novos, e de preferência um todas as semanas, para matar o aborrecimento, mas no que 80 por cento desses jogadores se tornam depois é em parasitas.

O Benfica, já contando com os dois que vão sair, precisa de quatro titulares para a próxima época, e nem mais um. Os outros sete são para treinar e para jogar com o Freamunde, e para isso qualquer David Simão chega. Com um bocadinho de sorte até há um deles que dá jogador a sério e toda a gente parece mais inteligente. Todos os que não vierem nesta política, com o Jesus a treinador, são mais um desperdício de recursos e um erro de gestão.

Estou só a avisar com antecedência para, daqui a uns meses, poder falar com autoridade.



No processo de auto-crítica que tenho feito nos últimos tempos em relação à minha análise e às minhas previsões, já encontrei algumas em que atirei completamente ao lado, mas houve uma que se confirmou plenamente, mesmo que eu, bem à benfiquista, tenha tentado negar e olhar para o lado, mesmo contra todas as minhas convicções, e até à última hora: em Dezembro disse que o Benfica não seria campeão com Nélson Oliveiras, possíveis jogadores ainda de fraldas, a fazerem figura de Saviolas, que com a idade deles já estava entre os cinco melhores do mundo, e que para ter hipóteses o Jesus teria de recuperar o Saviola para a segunda metade da época. É um caso de classe pura. Se havia jogadores que mereciam grande investimento técnico, no Benfica. Mas no Benfica os jogadores são baratos.

 Tinha toda a razão.

Agora é tarde.



Ao ver o Nolito marcar dois golos de primeira, como marcou vários esta época, e a passar bola de cabeça levantada, a dar golos e a abrir jogo, fico com a certeza de que é um jogador de toque e de posição, na melhor escola do Barcelona, e não um jogador de drible e progressão com bola. Apesar de ter a tendência para se agarrar muito à bola, e de gostar demasiado de a ter nos pés, Nolito, que dá a imagem do individualista acabado, tem, de facto, um jogador de equipa dentro de si. E não é o único. Rodrigo também, por exemplo. A mais-valia destes jogadores está em tocarem bem e poucas vezes na bola, e não muitas. A produção de Rodrigo, por exemplo, caíu muito a partir do momento em que deixou de jogar a 9 para começar a transportar a bola.

Gaitán seria muito melhor se tivesse menos bola e usasse melhor a bola. Aimar também. Witsel, que fisicamente é um portento e é o único jogador do meio-campo do Benfica capaz de chegar ao campo todo, ainda mais. Bruno César também.

Na ânsia de criar um estilo de ataque imprevisível, Jesus alimentou um estilo imprevisível, sim, mas individualista e desgarrado.

E já não o vai mudar.

Nem deve, nesta altura do campeonato. Neste ponto, com mais uma época de projecto, é viver pela espada ou morrer pela espada. Mudar de arma já não serviria para nada.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Complexo de Odivelas

Ao fim de dois dias, o ínclito sacerdote desce do eremitério e olha em redor. Recorda-se do profeta Gabriel (Alves) e conclui: «O futebol é isto»:



Parece que vai o Nico, e que vêm o Macheda e o Fábio. O Nico é bem ido e o Fábio é bem vindo: tanto joga a defesa direito como a esquerdo (pelo que se ganha mais um suplente sem se pagar por isso), é jogador de futebol (o que lhe dá uma vantagem automática sobre o Emerson, mesmo vindo por empréstimo) e, sobretudo, é mau como as cobras. Só não morde quando não pode. Faz-me lembrar aquelas serpentes pequeninas mas lixadas, do género do que se ouve no National Geographic: «A aparência da Cobra Minorca engana. Parece inofensiva mas apenas uma dose do seu veneno é capaz de cilindrar um cavalo de pequeno porte em menos de 20 segundos.» O Benfica precisa de mais dois ou três cabrõezinhos, e isto apenas se o Javi se for embora. Para cavalinhos de cortesa já há lá muitos. Quanto ao Macheda, desconfio, como desconfio sempre de jogadores que saem a título definitivo de um grande europeu com 20 anos. É porque esses clubes já perceberam que não há ali grande espiga. Mas, por outro lado, é italiano, em princípio tem boa ética profissional (o Balottelli não conta, porque não é italiano a sério…), e é agressivo. Teoricamente.



«O Jesus é um treinador à Benfica», diz o Capristano. Por acaso até é, esteja ou não em fim de prazo de validade. Mas há uma coisa que os mais novos, sobretudo, devem saber: o Capristano não é um dirigente à Benfica.



O Sporting ficou a dois minutos de ser eliminado pelo Manchester City depois de estar a ganhar por 3-0 na eliminatória, ficou a um penálti de ir a prolongamento contra uma equipa que corre menos do que o Athletic de Bilbao e só joga metade e viu o seu guarda-redes ser o melhor jogador em campo nessas quatro partidas. Entretanto, estacionou o autocarro em frente à baliza e jogou em contra-ataque puro, em casa, com o Benfica (o tal banho táctico de que ouvi falar tanto nesta semana, muito parecido ao banho táctico que o Moreirense deu ao Sporting no mesmo estádio há umas semanas e que na altura foi caracterizado como anti-jogo…). Ganhou. O Sá Pinto é um grande treinador. O Sporting, que provavelmente vai acabar o campeonato em quarto lugar, vai ser campeão para o ano.

Se fosse no Benfica eu falava em vício da negação. No Sporting prefiro usar o termo complexo de Odivelas, que não tem nada a ver com isto mas que li no Record hoje e me pareceu, em termos de caracterização de uma psicose qualquer, um excelente nome para aplicar ao Sporting. Proponho que, a partir de hoje, se use a expressão complexo de Odivelas quando se falar da capacidade de negação sportinguista. E se alguém perguntar porquê, que se responda apenas: «Porque soa bem». Um bocado somo síndroma de Estocolmo ou doença holandesa, se falarmos em economia. Digam lá se não soa bem: «O Sporting tem um complexo de Odivelas».



O Saviola quer ficar, diz o Record. «Onde?», pergunto eu. «Ele está a ligar de onde?»



O Sporting decretou um blackout. Nãããããããooo!!!!!!!!!!!!!



Antes, no entanto, o Coninhas ainda esclareceu que vão baixar os custos ao fundir duas empresas do grupo. É recorrente. Quando o Sporting não tem dinheiro muda o nome às empresas. Das duas uma: ou o problema do Sporting não é não ter dinheiro mas tê-lo sempre no sítio errado; ou os seus dirigentes já perceberam que a única maneira de continuar a enganar os adeptos é inventar alterações estruturais entre empresas fictícias e fazer de conta que o dinheiro existe, mas estava no sítio errado.



Já repararam como o Duque, que andou seis meses sem dar sinal de vida, agora aparece nas capas dos jornais (chamo a atenção ara o facto de eu, actualmente, só ler as capas)? Quem é que tinha razão sobre as duas facções em choque lá dentro, quem era? Bom, provavelmente eu e mais 5 milhões de pessoas…

O homem anda a juntar espingardas enquanto pode. É que na 5.ª feira a coisa pode correr muito mal…

segunda-feira, 5 de março de 2012

Leões e raposas

«Só há uma coisa que vos posso prometer: sangue, suor e lágrimas»

Winston Churchill



«O que é que podemos fazer?», pergunta o Fehér29 num comentário.

Antes de mais nada, isto que estamos a fazer.

Estive o dia todo fora e, quando cheguei, fiquei radiante, confesso, com a quantidade de comentários e com a dedicação ao clube que transpira em todos eles. Podem-me dizer que não é nada de especial, mas eu acho que é. Porquê? Porque a inspiração que leva um pai de família a devotar o seu tempo ao Benfica num blogue é o mesmo que o leva a comprar títulos da Operação Coração e é o mesmo que o leva a ir ajudar a carregar tijolos para o Estádio da Luz, quando é preciso. Há quem tenha vergonha do povo benfiquista dar tanto de si, sem pensar no que os outros pensam, ao clube. Eu não tenho. Comprei um título da Operação Coração, não tenho vergonha nenhuma e compraria outra vez, se achasse que era necessário. Não ando em manifestações de rua contra os árbitros, porque acho que não faz sentido nenhum, mas jamais recriminarei quem ande. Isso é energia pura.

No Benfica há lugar para todos, até para os mais radicais, como o nosso Manuel (Manuel, cada vez gosto mais da tua convicção pretoriana. És de boa cepa. Só acho que separar o mundo entre os arianos e os outros, sem aceitar que há, de facto, todo um mundo de hipóteses pelo meio, que podem ser exploradas, não só é perigoso como é inútil. Todos os radicalismos acabam da mesma maneira. Todos. Não digo que o meio termo seja a solução, até porque não gosto do meio termo, mas também aí não há que ser radical: não ser radical não significa ficar pelo marasmo da mediania. Força, sempre. Radicalismo… só até certo ponto, antes de se tornar destrutivo).



«O que é que podemos fazer?», é a questão.

Esta é uma questão política (claro…). De poder.

No fundo, quer dizer: «O que é que eu posso fazer?»

Como eu sei que vocês gostam, vou usar alguns ensinamentos de mestres da política.

Disse Platão, na República: «A arte de fazer política é a arte de conduzir carneiros sem chifres e com duas patas.»

Disse Tomás de Aquino: «O poder do rei é dado por Deus, mas se esse poder não for usado com justiça o povo não tem apenas o direito à revolta: tem o dever de se revoltar.»

Disse Maquiavel: «Em política, há um tempo para ser leão e um tempo para ser raposa.»



Um dos grandes momentos políticos do século XX foi o das eleições inglesas imediatamente a seguir à II Guerra Mundial. Winston Churchill, do Partido Conservador, então primeiro-ministro, concorreu à reeleição. E o que aconteceu foi extraordinário. O homem que tinha levado a Inglaterra à mais importante vitória de todos os tempos, salvando o país da invasão nazi, foi derrotado nas urnas. O povo inglês, numa impressionante demonstração de autonomia e consciência política, decidiu que estava na altura de passar de uma política de leões – de força e obstinação, de sangue, suor e lágrimas – para uma política de raposas, de audácia, inteligência. O povo inglês entendeu a mudança dos tempos e a necessidade de mudar de vida e elegeu um Trabalhista para primeiro-ministro, ditando o fim da carreira política de um dos maiores estadistas da sua história, no seu momento mais glorioso.

Como é possível que isto tenha acontecido? Aconteceu, antes de mais (e sem discutir se a decisão foi a certa ou não), porque o povo inglês sempre manteve viva a sua tradição democrática, o seu juízo crítico, a sua capacidade de pensar pela própria cabeça, a sua individualidade, o seu poder de decisão.



O que é que nós podemos fazer?

Antes de mais, não sermos carneiros. Manter o espírito crítico mas, sobretudo, sermos inteligentes. Tentar separar o trigo do joio, procurar na diversidade de opiniões – que existe, demos graças por isso – o que faz mais sentido, o que é o melhor. A democracia é muito bonita, e muito útil para manter a paz, mas (e aqui vou buscar Aristóteles, outro mestre imortal) mal exercida facilmente degenera para a demagogia, que é o pior dos sistemas.

Nestas coisas nada acontece de um momento para o outro. Ninguém vai estalar os dedos, ou fazer uma invasão do Estádio da Luz, e de repente o Benfica joga mais que o Barcelona. Não é assim que as coisas se passam (felizmente, senão não tinha graça nenhuma). Mas se se mantiver a atitude certa, há momentos em que o poder gerado a partir da formação da opinião pública, passo a passo, cabeça a cabeça, chega, de facto, ao poder instituído, e o molda. No mundo real, digamos assim, as ideias demoram entre 20 a 30 anos a chegar ao poder. O ecologismo, por exemplo. Aqueles que, nos anos 60, eram estudantes universitários, nos anos 80 e 90 chegaram às instituições – ao Governo, às assembleias representativas, aos cargos públicos. O ecologismo chegou ao poder. É sempre assim. Demora tempo, mas chega-se lá. E enquanto isso há novas ideologias a formarem-se debaixo da superfície. Discutir, gerar ideias, gerar consensos, não é chover no molhado: é o processo político em acção. E, ao contrário das revoluções, a ideologia macia tem a tendência para se manter se for virtuosa, enquanto o que nasce de movimentos contra-natura tende a apodrecer prematuramente.

Quem é que nos diz que, aqui a três, quatro, cinco anos, as pessoas que hoje andam na Net a ler teorias malucas não terão a oportunidade de, lá dentro, colocar em prática uma ou outra mais exequível?

Quem sabe que oportunidades, que movimentos cívicos, que movimentos sociais espontâneos, mais ou menos bem pensados, vão aparecer, e se algum entre eles, pela sua qualidade, não terá a capacidade de se impor como gerador de poder e de intervir na tomada de decisão?

Nessa altura, se quem for chamado a intervir estiver imbuído das ideias certas, o Benfica ficará mais forte, estará mais perto do que todos desejamos.

Nada impede, aliás, que os benfiquistas se organizem para intervir. Já o fizeram muitas vezes na sua história, e foi isso que fez o Benfica ser maior que os outros.

Todos os gestos contam. Se eu tivesse dinheiro e vontade para comprar uma camisola, neste momento, comprava uma do Javi Garcia. Porquê? Porque acho que é um jogador à Benfica, pela qualidade e pelo temperamento. É só um exemplo – até porque nunca fui de comprar camisolas, nem sou de idolatrar jogadores. Ou então, pelas mesmas razões, compraria uma do Emerson.

Outra coisa que eu não faço: não vou para a Net queixar-me dos árbitros aos portistas ou aos sportinguistas. Claro que não vou. Porquê? Porque é disso que eles gostam. Por mais razões de queixa que possa haver, há uma coisa de que eu tenho a certeza: qualquer portista tem muito mais medo de um benfiquista que tenta encontrar as razões da derrota na sua equipa que nos árbitros. Se conhecerem algum portista em que confiem (isto agora soou mal…) perguntem-lhe quem é que ele mais teme: um tipo pragmático ou um calimero? É por isso que eu digo que não me importo nada de haver corrupção, desde que se saiba as regras do jogo. Só chora quem perde. Do presidente do Benfica espero apenas que seja melhor a jogar que os outros. A conversa toda que houve neste blog nos últimos dias, sobre os árbitros e os esquemas, é interessantíssima, mas quando eu disse que o Benfica devia preocupar-se em dominar o sistema antes de acabar com ele levantaram-se logo vozes a dizer que «temos de ser melhores que eles». Tudo bem, são opiniões, agora não venham é dizer-me que eu não dou a importância que devia às arbitragens, porque é difícil ser mais pragmático nisto do que eu. Os árbitros são corruptos? Perguntem o preço e comprem-nos, digo eu. Se não forem corruptos, calem-se e aguentem-se à bomboca. Agora, calimeros, comigo não dá. Não tenho feitio nem paciência para andar a choramingar pelas esquinas da Internet e a queixar-me da vida para tudo ficar na mesma. O que o Vieira veio dizer do Proença é uma paneleirice, ponto final. Mais valia estar calado. Mais valia mesmo, porque éoque não nos fortalece enfraquece-nos, e aquilo foi uma resposta fraca e pouco convicta. Para encher os ouvidos do pagode. Nem ele acreditava no que estava a dizer.



Sim, os adeptos devem questionar Jesus. Os adeptos devem questionar tudo. O que não devem é ser parvos. E, pelo que li aqui, ninguém está a ser parvo. Não é irracional nem desleal considerar que Jesus, provavelmente, já deu o que tinha a dar. Ou é suposto morrer no banco? De insubstituíveis está o cemitério cheio e até o mausoléu do Lenine já conheceu melhores dias.

Mudar por mudar? Não. Péssima ideia. Mudar para melhor? Sempre. Em qualquer situação. Seja quem for. Tem é de se ter uma convicção bem fundada de que é pelo melhor. Trocar Jesus por Domingos? Não, obrigado. Por Villas-Boas? Porque não pensar nisso, se for o melhor? (E digo já ao Manuel, antes de ele ter um congestionamento cardíaco, que pensar nisso é diferente de querer isso. Eu, por exemplo, pensei bem nisso, nas vantagens e desvantagens, e não quero. E olha que não é por falta de capacidade técnica.) Por Paulo Bento? Vai aparecer este cenário, não tenham dúvidas disso.

Vai chegar uma altura em que falaremos melhor disto, e até é possível que cheguemos à conclusão que entre deixar o Jesus acabar o contrato ou trocar de treinador seria mais favorável a primeira. Agora, fazer do Jesus um intocável, se o compararmos com outros treinadores que até estiveram menos tempo no clube do que ele, só porque é um tipo que está lá temporariamente empregado? Isso seria uma desonra dos valores benfiquistas. Se há uma coisa de que o Jesus não se pode queixar da parte da Direcção ou dos adeptos do Benfica é de deslealdade. E tenho a certeza de que, mesmo saindo no Verão, nunca o fará.



Em relação ao Vieira, o mesmo se aplica. Penso que, aqui, a questão da política dos leões e da política das raposas também se aplica. Vai caber aos adeptos do Benfica decidirem se o tempo é para leões ou para raposas, e quando é que deixa de ser de uma para ser de outra.

Penso que seria um erro o Vieira sair do Benfica já nas próximas eleições. Não me parece que o Benfica esteja, ainda, suficientemente robusto para aguentar a rotatividade democrática e, de facto, a dimensão do Benfica leva a que o clube se torne muito acessível a muita gente desaconselhável. Mas se aparecessem um ou dois candidatos bons, não-populistas, que levassem a debate ideias correctas e úteis, que despertassem o sentido crítico dos benfiquistas  sem eleitoralismos, e se com isso o Vieira viesse a ganhar com 55/60 por cento dos votos, penso que seria a melhor coisa que podia acontecer ao Benfica desde que Fernando Martins saiu da presidência. O mais importante para o Benfica, neste momento em que económica e desportivamente está a ganhar muita força, seria voltar a despertar a sua tradição democrática e dialéctica, porque essa é que é a sua força original.

Vieira ganharia um lugar (ainda mais) cimeiro na história do Benfica se, mesmo sem voltar a ganhar um campeonato nos próximos dois anos, fizesse o seguinte: acabasse de recuperar estruturalmente o clube, acolhesse duas ou três individualidades fortes e credíveis com ideias diversas em relação ao futuro do clube; apresentasse a demissão e desse espaço de decisão aos adeptos, sem o perigo de demagogias.

Se fizesse isto, Vieira, mais que um presidente, tornar-se-ia num estadista, o maior na história do clube.

Mas não esperem que isso aconteça. A primeira tendência do poder é apoderar-se do vazio e perpetuar-se. A segunda é ser deposto por um poder maior.

sexta-feira, 2 de março de 2012

A lição fundamental

Não quero saber do fora-de-jogo. Não quero mesmo. Mesmo.

Vou ser mais claro: metam o fora-de-jogo no cu. Mas mesmo todos. Quem acha que o Benfica perdeu por causa do fora-de-jogo que meta a opinião no cu. Podem meter o vosso comentário aqui em baixo, é serventia da casa, mas não se esqueçam de a meter, juntamente com o fora-de-jogo, no cu. Não se sintam insultados os que já falaram do fora-de-jogo, porque ainda não li comentários nenhuns ao jogo, e vocês sabem que não digo por mal. Mas metam mesmo o fora-de-jogo no cu.



Do que eu quero saber é disto: fundamentos.



FUNDAMENTOS.



Por exemplo?

Por exemplo a jogada em que o Gaitán tenta virar-se para a baliza, perde a bola, sem cobertura, o James arranca e o Porto corre 70 metros sem oposição para marcar o golo. O Gaitán pode ter três pés, mas sem alguém que lhe ensine o que NÃO SE PODE FAZER num jogo de futebol, será sempre um jogador de segunda.



Com 2-1 o Benfica tem o jogo ganho. É o Benfica que o perde. Porquê? Porque, numa situação em que tem o campeonato no bolso, a jogar em casa, contra uma equipa ajoelhada, não tem a capacidade, simples, de fazer o mais essencial do futebol de qualquer equipa grande, que é segurar a vantagem com bola num jogo equilibrado, com ritmo e jogando pelo seguro. Não a tem. Ao fim de dois anos e meio com Jesus, não a tem. E não a terá.

Como acontece quase sempre, num jogo concentram-se os problemas acumulados. Em qualquer actividade, a pressão detecta todas as fragilidades do material. Pequenas rupturas rasgam completamente e tornam-se grandes falhas, pelas quais uma estrutura acaba por ruir, e quanto maior a estrutura mais facilmente cai. E quais são essas pequenas frechas? A falta de fundamentos sólidos.

Hoje ficaram à vista as fragilidades de Jesus, que levou um banho táctico e só não perdeu o jogo antes do intervalo porque o Porto é uma equipa a jogar a 70 por cento do seu potencial e não soube acabar o serviço depois do 1-0. Bastou ao Porto fazer o que outras equipas já fizeram e meter uma linha de três jogadores subida a meio-campo para aniquilar o jogo do Benfica, que nunca teve meio-campo.

Soluções? Poucas, e más. Pontapé para a frente e fé no ressalto. Só a relativa mediocridade da equipa do Porto, repito, a impediu de acabar com o jogo na primeira parte.

E já não falo, sequer, do inacreditável bloqueio após a expulsão. Com Matic no banco põe Gaitán a defesa-esquerdo. Gaitán?! O jogador com menos instinto defensivo da equipa? O jogador mais irresponsável, que perde outra bola, perfeitamente controlada, que dá o livre do golo, quando não havia outra forma de pensar senão em guardá-la para, pelo menos, não perder o campeonato naqueles 5 minutos? A que propósito? Por ser canhoto?!!! Matic no meio-campo. Javi a central. Miguel Vitor a defesa-esquerdo. Quem é que não vê isto? Quem? Jesus.

Também já não vou à escolha da equipa. Não tenho conhecimentos tácticos para tanto. Mas que se lixe, vou mesmo: o Benfica começa a perder o meio-campo, e o jogo, na escolha do 11. Só isso.

Viu-se a fragilidade de Emerson. Meu Deus, e que fragilidade. Vejam-no, por exemplo, a defender no segundo golo do Porto.

Viu-se a inexistência de verdadeiras opções no meio-campo.

Viu-se a ausência de extremos reais e de uma corrente de jogo capaz de os municiarem solução de vantagem.



Mas viu-se, sobretudo, e repito, a falta de capacidade colectiva de compreender o jogo, de aplicar o que o jogo precisava a cada altura. Viu-se, resumidamente, sabem o quê? Falta de classe.

Classe.

A capacidade de fazer o que é preciso, quando é preciso. Ou pelo menos de o tentar.

É que nem sequer se viu um indício de que os jogadores, em campo, tivessem a consciência do que precisavam de fazer, quanto menos tentarem-no. Fizeram o jogo ao deus-dará, como fazem sempre, porque nunca houve, nestes dois anos e meio, para já não ir mais longe, um treinador que percebesse que, no meio do que é preciso fazer para se ir ganhando jogo a jogo, é preciso educar uma equipa para melhorar nos fundamentos.

Educar, aqui, é a palavra-chave. Não é martelar, é educar. Construir. Edificar. E para isso é preciso olhar pelo menos cinco centímetros à frente da semana que vem.



O Benfica não pode despedir Jorge Jesus. Não deve fazê-lo. Nem agora nem no fim da época. Mas deve arranjar maneira de uma equipa qualquer do estrangeiro lhe fazer uma proposta que ele não possa recusar, e tem de ter, senão já pelo menos nos próximos três meses, alguém potencialmente melhor do que ele para meter à frente da equipa.

Entre tudo o que é preciso fazer para recuperar os fundamentos do jogo – desde os critérios prioritários nas contratações à metodologia de preparação – a questão da equipa técnica não é a menos relevante. O Benfica tem de encontrar um treinador que consiga fazer a equipa evoluir. Tão simples como isto. Porque Jesus atingiu o seu limite de conhecimentos, e a equipa que ele montou não dá mais do que isto.

Quem aqui vem, sabe que não estou a ser um abutre. Façam-me essa justiça, se fizerem favor. Eu não sou dos que quer correr com o treinador ao primeiro fracasso. Mas neste caso não é um castigo a ninguém. É, apenas, um acto de gestão inevitável, e necessário, para a evolução da equipa. Não se pode fazer um clube refém de um homem que atingiu o seu limite técnico. Vocês sabem que eu dizia isto quando o Benfica estava à frente, quando andava toda a gente embriagada. Eu, embriagado andei, é a natureza do benfiquista, mas mesmo embriagado explanei, não uma, mas várias vezes, o que pensava em relação a Jesus.

Hoje, sinto-me autorizado a dizer que tinha razão. Que tenho razão. E convém recordar o que me dá razão antes que uma vitória frente ao Zenit apague a memória desta noite. Vão reler os textos que têm o link, e dar-me-ão razão. Está lá tudo.

É pegar nas coisas boas que o Jesus trouxe, arranjar maneira de as preservar no interior da estrutura quando ele sair, e procurar alguém que traga mais valor. Tão simples e tão pouco dramático como isto.



Mantenho o que disse: o Porto, ganhando quatro pontos na Luz, deu a volta ao campeonato, e tem 90 por cento de hipóteses reais de o ganhar. Ou seja, é quase impossível não o ganhar. Estranhamente, apesar de tudo, não consigo deixar de pensar que os 10 por cento do Benfica podem valer 100, mas admito que, neste momento, seja já mais uma profissão de fé que propriamente uma crença. No fundo o que eu quero dizer é que continuo a acreditar, mas por nenhuma razão racional, apenas porque acredito.

Sem dramas. Há uma época para acabar e o baile continua.

Agora, para quem não tiver decidido exorcizar-me, fica um aviso: aqui na Religião Nacional, hoje, dia 2 de Março de 2012, começa a época de 2012/13.

O Jesus, o Orelhas, esse pessoal todo, incluindo vocês, pode continuar na frequência 2011/12. Eu, que mando aqui, acabei de entrar na frequência 2012/13.

Fugir para a frente? Fugir à realidade?

Talvez sim.

Eu prefiro chamar-lhe espírito construtivo.

É nas derrotas que se revela a nossa capacidade de vir a vencer. Acredito nisso com todas as moléculas do meu corpo. É quando perco que mais vontade tenho de ganhar, e que maior motivação tenho para encontrar outras formas de ganhar. Não conheço a derrota. Sei que ela existe, já a senti a passar por mim, mas nunca a vi.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Dia de São Jorge

Quando eu digo que o Benfica treina mal não é porque sou maluco. Posso não ser um doutor da metodologia desportiva, nem pretendo ser, mas há um ponto em que, pelo que já observei e pelo que fui aprendendo ao longo dos anos, no futebol e não só, estou preparado para argumentar com qualquer especialista do treino do mundo, e que é o seguinte: no treino prepara-se tudo, mas dois aspectos acima de todos os outros – a condição física e a concentração.

O resto – o posicionamento individual, a componente técnica, a coordenação colectiva, etc – é treinado, e evolui-se, mas, em comparação com a condição física e a concentração, ou têm uma evolução muito mais lenta ou há pouco por onde melhorar (um jogador de 25/26 anos não vai aprender a chutar a bola melhor só porque treina muito esse aspecto, por exemplo). Mas a condição física e a concentração, se forem bem treinadas, dão uma vantagem imediata e clara à equipa em qualquer jogo contra uma equipa que não os treine, e, pelo contrário, se não forem bem treinadas, isso fica logo evidente no rendimento desportivo das equipas. São os factores mais essenciais em qualquer modalidade desportiva e são os que justificam, realmente, que um jogador seja profissional para poder treinar mais vezes do que um amador.

Eu sei que o Benfica treina mal, sem nunca ter visto um treino do Jesus, porque a maioria das falhas da equipa durante QUALQUER jogo, independentemente do adversário, não são motivadas por defeitos tácticos ou técnicos, antes resultam, directa ou indirectamente, ou de debilidade física ou de lapsos de concentração.

Para não ir mais longe – e haveria muitos e, eventualmente, até melhores exemplos – grande parte das faltas cometidas pelo Benfica resultam de os jogadores partirem um décimo de segundo tarde demais para a bola (falta de concentração ou falta de poder de arranque) ou por não conseguirem manter a pressão defensiva sobre a bola e, por isso, procurarem o contacto com o jogador que a tem(falta de resistência física). Quem menospreza o prejuízo que uma falta provoca a uma equipa superior, como é o Benfica, não está a ver bem o filme. Ao fazer uma falta, uma equipa:

- perde automaticamente 9 metros, e mais 30 ou 40 quando o livre é bem marcado (e pensem como é difícil ganhar 10 ou 15 metros num jogo fechado);
- liberta a outra equipa da pressão;
- permite que a velocidade do jogo, que favorece sempre as equipas tecnicamente superiores, baixe;
- já para não falar no eventual cartão.

Como eu disse, é só um exemplo.

Uma equipa que treina bem, seja forte ou fraca tecnicamente, demonstra sempre uma característica que só a boa condição física e uma boa concentração no jogo permitem: joga na antecipação.  Com isso, ganha uma fracção de segundo que, na velocidade do jogo, lhe dá a vantagem sobre outra que não treina tão bem, mesmo que lhe seja um pouco superior nos outros aspectos.
Pelo contrário, uma equipa que treina mal facilmente desbarata a sua superioridade técnica.



Tirando isto, que pode ser dito em qualquer jogo do Benfica nesta época, uma nota bem mais directa em relação ao Académica-Benfica. Eis a equipa com que o Benfica joga a última meia-hora de um jogo decisivo (de facto) na altura decisiva (de facto) do campeonato:

Artur, Maxi, Jardel, Garay, Emerson, Witsel, Bruno César, Nolito, Djaló, Nélson Oliveira e Cardozo.

Numa palavra: ridículo.

Em duas palavras: má gestão.

Em palavras suficientes: a incapacidade do Jesus em olhar para além do jogo seguinte leva o Benfica a discutir três pontos fundamentais para o campeonato com um onze que, potencialmente, dificilmente conseguiria apurar-se para a Liga Europa, e que, como onze, não tinha um minuto de jogo em conjunto e com quatro suplentes, sendo que outro suplente (Matic) já tinha saído depois de entrar de início.

E a partir daqui bem se pode fazer espalhafato em frente ao banco, que a azelhice não se mascara. Hoje (e não só) era dia para o Benfica ter consigo Jesus – saiu-lhe o São Jorge.

Quanto ao resto, estou curioso para ver a volta que o Benfica ainda vai conseguir dar a isto para ser campeão. Que vai.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Zen

Gostei de tudo na reacção da equipa do Benfica à derrota em Guimarães. Desde a ida do Luisão à flash interview ao silêncio dos outros jogadores; desde a raiva do Jesus nessa mesma flash-interview (ficou ali a sensação de que se o desgraçado do jornalista dissesse uma palavrinha a mais que fosse o Grande J se lhe atirava à jugular como um morcego depois de um jejum de 40 dias e lhe chupava o cérebro) à total ausência de papagaiadas do Vieira, que geralmente aparecem depois de uma derrota e que, parecendo que são um voto de confiança, não são mais que um sinal de insegurança.
Desta vez, ao contrário de muitas outras, a derrota parece ter sido assimilada pela estrutura do Benfica (meu Deus, que alegria, o Benfica também já tem uma estrutura!) de uma forma racional, profissional e consciente de que, considerando toda a envolvente, nada impede a equipa de demonstrar, em Coimbra, que os actos falam mais que as palavras.

Não é só por causa disto que tenho, tanto quanto se pode ter, a certeza de que o Benfica vai ganhar a Coimbra. Por vezes fazer as coisas bem feitas não permite uma recompensa directa e imediata. Mas quando as coisas são mal feitas há quase sempre uma garantia de insucesso, a curto ou a médio prazo.



Há alguns elementos que podem colocar em perigo a vitória do Benfica em Coimbra:

- uma tentativa do Jesus em sobrecorrigir o que não correu bem em Guimarães. Se ele achar que o problema foi estratégico pode tentar corrigir em demasia. Traduzindo para benfiquês, inventar. O Jesus não tem nada que inventar. Tem que pôr a jogar os onze do costume, da maneira do costume, e esperar que a concentração e a energia dos melhores jogadores (previsivelmente muito elevadas, ao contrário do que foi possível em Guimarães) façam o resto;

- Ia a falar noutros elementos, mas não há. É só este. Acho que o azar não terá força suficiente para impedir a vitória em Coimbra, e que nenhum árbitro terá coragem de prejudicar o Benfica na semana anterior ao jogo do título – nem de propósito nem sem querer. Aliás, tenho a certeza de que o árbitro, seja qual for, vai gerir o jogo com pinças para ninguém poder dizer que está a serviço do Porto. Há jogos e jogos, e já lá vai o tempo em que não faltava sequer a vergonha para roubar campeonatos em plenos Benfica-Porto ou Porto-Benfica, quanto mais em jogos de altíssimo perfil como será o de Coimbra. Arrisco mesmo dizer que, em caso de dúvida, o habilidoso do dia vai decidir sempre a favor do Benfica, tal como acontecerá nas Antas, com o Feirense.



O ciclo Guimarães-Coimbra-Porto continua a ser um jogo único para o Benfica, e a derrota significa apenas que o Benfica está em desvantagem no fim da primeira parte. Veremos, no final deste ciclo – em que incluo também o Zenit, pois considero que o que o Benfica vai fazer nesse jogo dependerá muito do que tiver feito nos três que o antecederam – se a derrota em Guimarães não terá impedido o Benfica de acabar o ciclo na mós de baixo, e, consequentemente, se não terá levado o Benfica a poder dizer que a acabou na mó de cima.

Podem ver nesta revisão benévola da derrota em Guimarães o cúmulo do optimismo, e uma tentativa desesperada de olhar para o copo meio cheio, mas, inspirando-me na educativa gestão do silêncio demonstrada pelos profissionais do Benfica durante os últimos dois dias (esperemos que continue, porque a hora, decididamente, não é de falar mas de trabalhar), e continuando a acreditar que esta derrota, como este título, se reduzirá a uma questão de oportunidade, respondo apenas: veremos...



*

Secção Porto:

Por um lado, é evidente que seria muito mais útil para o Benfica – e para o Braga, já agora – que o Porto continuasse distraído com a Liga Europa. Tornaria o campeonato muito mais fácil.

Por outro, que tipo de consequência poderia ter, para o estatuto interno do Porto, perder um campeonato em que se encontrava a apenas dois pontos do Benfica depois de passar a ter de se preocupar em jogar apenas uma vez por semana a partir da 19.ª jornada desse campeonato?

Veremos…



*

Secção Sporting:

Entre a lesão do Capitão América, o jogo do Braga em Istambul e o jogo com os rapazes polacos amanhã o cimento do quarto lugar do Sporting está a começar a secar.

Se isso tornará o clube mais ou menos apelativo ao russo Prokhorov… veremos.

Por um lado, só pela curiosidade de ver como a coisa se desenrolaria, gostava que o investimento do russo se concretizasse. Por outro, como benfiquista, é perigoso, e não é pelas razões que os adeptos do futebol pensam.

Eu conheço relativamente bem o Prokhorov, porque acompanho a NBA, e ele, como se sabe, é dono dos New Jersey Nets. Em Portugal estamos formatados a olhar para os russos pelo estereótipo do Abramovich. Pois isso, com o Prokhorov, seria um erro crasso. Ele não vem para cá o perguntar aos inenarráveis Godinhos de quanto dinheiro é que precisam para gastar em Carriços e Carrilhos.

Prokhorov não é um Abramovich, e muito menos é um daqueles russos barrigudos em camisa de camionista que o Bruno Carvalho pôs à volta de uma garrafa de vodka para tirar uma fotografia durante a campanha eleitoral. Para Prokhorov, o desporto não é uma brincadeira, não é um iate caro nem é uma simples forma de lavagem de dinheiro: é uma actividade económica, vista a longo prazo e dependente de uma estrutura cuja saúde ele privilegia. Prokhorov, que tem muito mais de ocidental que de russo, não anda no desporto para esbanjar; é muito mais perigoso do que isso, pois anda no desporto quer para ganhar dinheiro quer para ter sucesso a longo prazo.

É claro que, para ter sucesso a longo prazo, o Sporting tal como o conhecemos hoje, enquanto feudo de fidalgos e viscondes fora de prazo, por um lado, e zona franca de vândalos, por outro, teria de desaparecer, o que nos levaria a perguntar se continuaria a ser o Sporting e se estes sportinguistas de matriz o quereriam realmente, pois não haveria lá lugar para os seus desmandos. Porque Prokhorov não se limita a entrar – toma conta, pode e manda. E quando não é assim nem sequer mete o pé para lá da porta. Mas isso já são outros quinhentos…

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Menino Jesus, a Criatura e outra coisa qualquer

Há uma série de coisas sobre as quais ando com vontade de escrever – o Jorge Jesus (e o Paulo Bento…), o calendário do que falta da época, uma comparação realista entre as equipas de Benfica e Porto (para fazer uma do Sporting teria de ver os jogos do Braga…eh, eh), e outras que por aqui andam, mas sinceramente isso merece-me mais tempo do que o que tenho tido, como se deve poder ver, aliás, pela assiduidade dos posts.



Para já há três coisas que quero dizer sobre aquilo que vou vendo de relance no jornais.



1 – Eu defino a qualidade de um treinador por aquilo que dizem e fazem os jogadores que não jogam. Não há treinadores perfeitos, mas há treinadores tão bons naquilo que fazem que nem os jogadores que não jogam têm coragem para dizer mal deles, e que são tão bons que, quando os suplentes são chamados, jogam tão bem ou melhor que os titulares. Não é preciso dar exemplos, e tenho a certeza que há um nome que, neste momento, já está na vossa cabeça, portanto escuso-me de o dizer.

Quando vejo o Enzo Pérez, como se fosse a coisa mais normal do mundo, a reunir-se com dirigentes de outro clube e a dizer que não quer regressar a Portugal, e o Rodrigo Mora a mesma coisa, e o Miguel Vítor a querer sair, e o Amorim, e o Capdevilla (que não diz nada mas também não precisa porque o agente fala por ele), e até o agente do Nolito a refilar, concluo que o Jesus é o típico treinador de titulares, no pior que isso tem.

Nunca gostei de treinadores de titulares – se calhar porque quando joguei basquete não era titular e sentia que para o treinador havia filhos e enteados (não era porque eu fosse melhor que os titulares, mas era porque, quando só se dá atenção a uma parte do plantel e se despreza os outros, não há espírito de equipa, há espírito de alguma equipa.



2 – O problema do Hulk não são os 100 milhões. Quem fala em 100 milhões, desculpem lá se alguém se ofende, é atrasado mental. Até hoje não houve um único jogador, no Porto, a sair pela cláusula de rescisão – nem o Falcão, que precisou dos milhões da treta do Dois Dedos  Micael para bater os 45 –, e agora ia ser o primeiro logo por 100 milhões? Ridículo.

O problema do Hulk também não é o sair a meio da época, porque o Hulk não vai sair a meio da época – seria mostrar a bandeira branca ao Benfica, na prática, porque se alguma vantagem o Porto tem, neste momento, é o Hulk. Se o Porto o vender vai vendê-lo agora para o libertar no final da época, mesmo que perca algum dinheiro com isso, como o Benfica perderá com o Gaitán se fizer o negócio de que se fala com o Manchester United. De qualquer forma, não acredito que o Porto venda o Hulk antes de Junho.

O problema da Criatura é que já custou 22 milhões de euros e o Porto só tem 85 por cento dela.

Coloquemos uma transferência do Hulk em valores realistas: 50 milhões de euros. Que se lixe, uma vez que há sheiks ao barulho, como o próprio Hulk já confirmou, vamos colocá-lo em valores irrealistas: 60 milhões.

Vamos tirar 5 por cento (que podem ser mais) de comissões. São 3 milhões. Sobram 57.

85 por cento de 57 milhões são 48 milhões. Sobram 26 milhões.

26 milhões foi o que o Porto gastou nos dois laterais que fez questão de roubar ao Benfica no Verão.

26 milhões de lucro com o Hulk, por Incrível que pareça, é pouco. É o que o Benfica está para ganhar com o Gaitán, que ao pé do Hulk, na Europa, é júnior.

Agora,  por puro divertimento, vão baixando o valor da transferência e cheguem a um número pelo qual achem que vale a pena vender o Hulk.

Não se compra um jogador por 22 milhões de euros para ganhar dinheiro mas para ganhar títulos. Ora, quando se vende um jogador que se compra para ganhar títulos o que é que isso quer dizer, para o resto da equipa e para os adeptos?



3 – Só há uma boa razão para o Benfica gastar 300 mil euros a comprar um Djaniny à União de Leiria, e não é o Djaniny: é construir fidelidades.

Acho uma excelente política o Benfica servir de banco aos clubes portugueses, todos eles endividados. Aliás, se eu tivesse de escolher, por exemplo, entre gastar 2,5 milhões de euros com um Kardec qualquer e gastar esses 2,5 milhões a fingir que compro jogadores para, na prática, financiar encapotadamente os clubes que disputam os campeonatos nacionais em Portugal, não duvidem que escolho a segunda. É muito mais importante para o Benfica ter aliados a sério nos clubes portugueses, de Norte a Sul, e sobretudo no Norte, a comprar mais suplentes. A diferença de dimensão entre o Benfica e os clubes pequenos, em Portugal, é tão grande que o que o Benfica gasta em lixo, todos os anos, tirava os clubes todos da I Liga, abaixo do sexto lugar, do vermelho. E não é suposto aproveitar-se esse poder? Ai não que não aproveitava. Venham mais Djaninis para emprestar ao Covilhã e ao Atlético e ao Granada, e venham em força. Grande parte do poder que o Porto reuniu ao longo dos anos resultou desse jogo de fidelidades improváveis, e entre resultados e jogadores comprados e vendidos com lucro vejam quanto ganhou. Porque não há-se o Benfica fazer mais e melhor se é maior e melhor?

Quanto ao resto, um caboverdiano que veio das Distritais dos Açores e que se chama Djaniny não é um jogador da bola, é uma personagem de romance ou é outra coisa qualquer. Eu gosto. Dava uma grande história de Natal. Mas...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O Porsche

«(…) a Jesus foi oferecido um Porsche, faltando saber se terá mãos para tão elevada cilindrada.»

Fernando Guerra, em A Bola de 16 de Agosto de 2011

Fernando Guerra não tem grandes cuidados (apenas as defesas deontológicas mais elementares) a disfarçar o seu benfiquismo. Tem, sim, mais cuidado em geri-lo. Encontrou trabalho e um posto de chefia num jornal que definiu, há bastante tempo, a proximidade ao Benfica como pilar estratégico empresarial e ele, Guerra, é uma das pedra-chave nesse plano de longo prazo, funcionando como opinion-maker ao serviço do clube, trabalhando como veio de ligação entre a estratégia de comunicação do Benfica e o público, alimentando-se, e ao seu jornal, do Benfica e ao mesmo tempo alimentando o Benfica com o seu jornal. Não é, evidentemente, um caso único; pelo contrário, pertence a um tipo de jornalismo que, neste momento, nos jornais, é o mais difundido, de supremacia dos clubes em relação ao quarto poder, que tem muito menos poder do que aquilo que julga que tem, precisamente porque desistiu de ser soberano e se entregou aos interesses dos clubes. No Record, no Jogo, na Renascença, na TSF, na RTP, na SIC, mas sobretudo nos jornais diários, há muitos Guerras, uns em cargos internos mais importantes, outros menos.

Hoje, dia em que o Benfica defronta e em que, na minha opinião, vencerá o Twente, quero falar do Porsche.

O Benfica é um estudo de caso no futebol mundial. A proximidade e a falta de cultura, não só futebolística como desportiva e, até, geral, não permite aos adeptos portugueses, como aos seus jornalistas, compreendê-lo. O que torna o Benfica especial não é apenas ser um grande clube – existem dezenas de grandes clubes no mundo. O que o torna especial é a sua natureza mística, que muitos tentam interpretar, alguns tentam roubar e quase ninguém consegue compreender. Todos os jogadores que representam o Benfica, todos os treinadores, todos os dirigentes, são apanhados na dinâmica voraz dessa natureza mística, que supera em muito o que eles têm capacidade de assimilar, e vêem-se afogados ou salvos por ela, sem perceberem o que os rodeava e como isso aconteceu. Qualquer jogador, e qualquer técnico. O caso de Trapattoni, que Fernando Guerra aponta como tendo recebido um FIAT 600 para comparar os seus resultados com os de Jesus, é exemplar. Com a pior equipa a jamais ter ganho um campeonato pelo Benfica, triunfou, contudo. Nem ele nem ninguém sabem como, apesar dos Guerras pensarem que sim – falam de trabalho e manha como se Trapatoni tivesse jogado para o empate se a isso não fosse obrigado.

Não vou tratar dessa natureza mística. Dava um livro.

Também não vou falar do treinador do Benfica, porque disso falarei mais tarde – entre hoje e amanhã, depois da vitória do Benfica, porque acho que as críticas devem ser feitas após as vitórias, e não após as derrotas, que as fazem parecer irracionais.

Mas vou falar do Porsche. Ou seja, daquilo que, na sua boa vontade profissional, Guerra entende ser um conjunto de jogadores topo de gama.

Começando pelos que jogam mais:

Luisão – Terceiro central da selecção brasileira até há alguns meses, e não ficou pior jogador depois disso, pelo contrário. Atingiu o seu ponto máximo como futebolista. É o mais fiável central a jogar em Portugal, o que não faz dele um jogador fora-de-série nem o torna impermeável (como todos os centrais grandes, depende muito do meio-campo para não ser apanhado em velocidade pelos lançamentos para os avançados) mas o torna indispensável. É o melhor jogador do Benfica. Numa escala de 1 a 100, sendo 1 o pior jogador na alta competição a nível europeu e 100 o melhor jogador do mundo na sua posição: 84.

Maxi Pereira – Titular da selecção uruguaia, não está, provavelmente, entre os vinte melhores do mundo. Adaptou-se muito bem ao Benfica e está a jogar praticamente no limite. É um jogador seguro e resistente, falta-lhe velocidade e jogo de cabeça. Não é por ele que o Benfica não chegará mais longe. Valor internacional: 74.

Garay – Suplente da selecção argentina e do Real Madrid, é um defesa de classe mundial, potencialmente melhor que Luisão. Penso que não durará muito tempo no Benfica, porque é um jogador acima da categoria actual do clube e porque o clube não tem capacidade para segurar jogadores como este. Valor internacional: 88.

Javi Garcia – É, potencialmente, um jogador de nível mundial na sua posição, de carácter forte em campo e fora dele. Tem escola e qualidade, apesar de não ser versátil. Só pode jogar numa posição a alto nível. É o melhor trinco do campeonato, e melhor seria numa equipa bem organizada. Valor internacional: 78.

Aimar – Tem qualidade mas não a suficiente para lhe dar um lugar numa equipa de topo da Europa. É inconsistente, joga a rasgos e a verdade é que raramente consegue executar no último terço do campo, ou por tomar a decisão errada ou por falhar tecnicamente. À primeira vista decide jogos a favor do Benfica, e isso é verdade. Na prática, decide muito poucas vezes para o que joga e para a importância que tem no esquema da equipa. Joga a época a 70 por cento por questões físicas. Valor internacional: 65. (Seria suficiente perguntar às equipas da Liga dos Campeões quais as que o quereriam para o onze titular. Provavelmente, nenhuma da metade de cima, para ser generoso.)

Saviola – Aos 29 anos está prematuramente no ocaso da sua carreira, o que é natural porque sofre o desgaste da mais alta competição desde os 19 anos. Fisicamente, não consegue responder à velocidade a que pensa, o que o leva sistematicamente a falhar a execução. Nenhum jogador no plantel do Benfica alguma vez esteve a um nível tão elevado como ele, eleito terceiro melhor jogador do mundo em jovem. Quando perdeu velocidade, por volta dos 24 anos, juntamente com a falta de competição por estar no banco de Barcelona e Real Madrid, perdeu o auge. Apesar disso, o Benfica só será campeão com Saviola a jogar no seu melhor actual. Estará melhor que no ano passado. Valor internacional: 74.

Cardozo – O avançado-centro do Benfica não consegue ser titular da selecção paraguaia. Se os benfiquistas não estivessem habituados a ele e se houvesse a hipótese de o ir contratar provavelmente diriam que isso não faria sentido nenhum. Apesar de marcar muitos golos, perde mais jogos do que os que ganha, quer pelo que falha quer pelo que não constrói. Não teria lugar no Porto nem em nenhum das quinze melhores equipas da Europa. Aliás, é duvidoso que possa ter lugar num Benfica que quer ser campeão, apesar de o ter sido há dois anos. Como diz Jesus, tem a arte do golo, mas os que marcou com o Twente, na Holanda, e com o Feirense, em casa, provavelmente serão dos mais importantes que vai marcar esta época, o que é pouco. É um jogador fácil de defender por uma boa equipa, o que o leva a render muito pouco nos jogos em que, realmente, um bom ponta-de-lança faz a diferença. Só se verá, de facto, o verdadeiro valor de Cardozo no dia em que outro jogador ocupar o seu lugar nesta equipa, com esta forma de jogar, de forma tão regular como ele. Acredito que não só marcará tanto como ele, devido ao fluxo ofensivo, como fará os colegas melhores jogadores.Valor internacional: 70.

Gaitán – Tem o melhor pé esquerdo que já vi depois de Maradona, e um hemisfério esquerdo do cérebro (juntamente com o direito) subdesenvolvido. É alvo das invenções de Jesus, que quer fazer dele três jogadores ao mesmo tempo, e vítima de um ponta-de-lança de quase dois metros que não sabe jogar de cabeça e é sempre mais lento a arrancar que os defesas e que o faz pensar quatro vezes antes de meter a bola na área. Com um Falcão a marcar de cabeça, e a jogar à esquerda, onde pode centrar, e bem à frente, onde possa perder bolas sem causar danos à equipa, Gaitán daria a marcar vinte golos por ano, e não exagero. Assim, faz umas maravilhas, perde dezenas de bolas a meio-campo fazendo com que a equipa seja apanhada em contra-pé e perca o controlo do jogo e, provavelmente, sairá do Benfica sem nunca ter mostrado o seu verdadeiro valor. Não joga na selecção argentina, sobretudo porque ainda mostrou muito pouco na Europa, por falta de treinador e de equipa – se calhar, também, porque não é jogador para isso... Só finge que defende, o que lhe é permitido por Jesus mas não o seria por qualquer Wenger. Quando sair para uma equipa com um treinador exigente que o obrigue a ser um jogador completo será um dos melhores do mundo. Valor internacional: 80.

Esta é a espinha dorsal do Benfica. O motor do Porsche.

Em resumo:

«Eu, em forma, tinha lugar no Real Madrid (porque, para jogar, no Barcelona, tinha de ter nascido lá)» - Ninguém, o único que havia era o Coentrão, foi para lá, onde está e continuará no banco, como décimo-segundo jogador.

«Eu, em forma, jogava no Chelsea» - Garay

«Eu, em forma, jogava no Porto» - Luisão, Javi Garcia, Maxi Pereira, Gaitán

«Eu, em forma, jogava Benfica» - Cardozo, Aimar, Saviola.



Depois, há os outros:

Witsel – Se confirmar o que mostra, pode vir a ser o melhor jogador do Benfica, de longe, e até do campeonato português, quando Hulk sair e se a equipa do Benfica engrenar. Mas está, como todos os outros, à mercê da equipa. Valor internacional: 80

Emerson – É um defesa esquerdo regular. Ver falar-se dele como possível jogador da selecção brasileira é praticamente uma heresia. Valor internacional: 70.

Nolito – Jogava no Barcelona B. É um jogador útil, com aparente margem para progredir. Mas se lhe for entregue a carga ofensiva de uma equipa como o Benfica vai rapidamente vulgarizar-se. Valor internacional: 65.

Enzo Pérez – Quem disser bem ou mal dele está enganado, porque pouco ou nada o viu jogar. Eu incluído. É uma incógnita. Pelo estatuto na Argentina, valor internacional: 70.

Jara – O caso clássico do futebolista a quem a bola e a equipa atrapalham bastante. Parece capaz de fazer tudo e não é capaz de fazer nada como deve ser. Tem jogo nas pernas e nenhum jogo na cabeça – não o consegue pensar, não levanta os olhos da bola e do chão. Quer muito ser uma estrela (o que é bom) mas ainda ninguém lhe explicou como. Se encontrar um treinador preocupado com isso, em vez de estar sempre preocupado em encontrar uma táctica de mestre como se disso dependesse a sua eternidade, será um jogador excepcional. Valor internacional: 65.

Jardel – Bom para tapar buracos quando se vende um titular da selecção brasileira e despachar no Verão seguinte. Só que, no Verão seguinte, ficou. Valor internacional: 50.

Matic – Em potência, um bom jogador. Na prática, também parece que sim. Não me espantaria que se tornasse melhor que Javi García. Valor internacional: 65.

Capdevilla – Resta saber se pega ou não. Não parece que Jesus vá apostar nele. Se assim for, no Natal está em Espanha. Valor internacional: 70.

Artur – Começou o ano passado como suplente em Braga. Parece seguro. Valor internacional: 70.

Eduardo – Ainda não teve uma época de alta competição em que se dissesse: «Este ano não me lembro do Eduardo dar uma balda.» Valor internacional. 70.

Rúben Amorim – Se não se fartarem dele e ele do clube, vai passar dez anos no Benfica, porque tem inteligência para isso, e vai jogar muito, sem nunca chegar a ser titular. É um daqueles jogadores que, dentro de um clube, vale muito mais do que aquilo que, fora dele, estão dispostos a dar por ele. Valor internacional: 63.

Bruno César – Seis milhões por um suplente no Corinthians. Não quer dizer que não venha a valer. Mas Jesus, que provavelmente viu nele a descoberta do ano e convenceu o amigo Vieira a comprá-lo, vai descartá-lo tão depressa quanto o tempo que leva a dizer: «Mestre da Táctica!». Valor internacional. 52.

Este é o Porsche do Guerra. Os outros, de que não falei, ainda têm de provar que sabem vestir a camisola. Qualquer tipo de antecipação do futuro radioso de Rodrigo, Mora, Nélson Oliveira, Urreta e outros é pura boa vontade jornalística. A alto nível, ainda nenhum mostrou nada, quanto mais ser peça de motor de alta cilindrada.

Conseguir mexer na caixa de velocidades do Porsche, ou no BMW, ou até no Renault, já é outra conversa.