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sábado, 21 de abril de 2012

Menos é mais

Tenho aqui uma buchazita para meter a propósito do Sporting, e do Sé Pinto, e dos treinadores, mas ainda não está acabada, e os jogos do Benfica são sempre um motivo para nos pormos a pensar sobre (lá está…) o Benfica, mesmo quando já metemos a chave à porta para acabar uma época e começamos a pensar na outra, como é o meu caso nas últimas semanas.



Algumas ideias soltas, mas que acho que são interessantes, a propósito do onze do Benfica.

Matic no lugar de García, por exemplo. Acho que estamos perante um caso típico de protecção de um jogador, que um bom treinador tem de saber fazer. Javi está claramente numa péssima forma. Em Alvalade fez, provavelmente, o pior jogo desde que está no Benfica, e quando isso acontece num jogo daqueles, com um animal competitivo como é Javí, é porque fisicamente o jogador está de rastos.

Mas duvido que Jesus tivesse feito isto em Dezembro ou em Janeiro. A filosofia do Jesus – e é por isso que os jogadores acabam por ficar tão queimados – é que a forma de eles superarem a fossa física é continuando a correr. Não é o único, nem é necessariamente errado. Há muitos treinadores, em muitas modalidades, que têm a mesma postura, e alguns com grande sucesso. É uma forma de trabalhar.

A questão é que, se se tem essa forma de trabalhar, a filosofia dos grandes plantéis não faz sentido. Se se quer apostar num núcleo curto (13 jogadores de campo + substitutos), que é o que o Jesus faz, na prática, tem de se gastar dinheiro a melhorar esse núcleo, e não a reforçar o fim do banco.

Eu não tenho nada contra o Jesus apostar numa equipa curta – para dizer a verdade, até me parece a melhor filosofia, embora sempre numa perspectiva de uma época/um título, que é a realista, e não na de «queremos ganhar tudo ou ir o mais longe possível», que é óptima para não se ganhar nada – mas se assim é os 13 jogadores nucleares têm de ter estofo físico e mental para aguentar as covas físicas num nível médio-alto, não podem ir ao fundo. Não é com Cardozos nem com Aimares que se lá vai. Tem de haver uma estrutura física e mental sólida.

E esses jogadores são mais caros. Porque são melhores. Como tal, na lógica do Jesus, o dinheiro gasto em contratações e salários de jogadores de terceira linha do plantel deveria ser gasto em menos jogadores e melhores  jogadores.

O onze inicial do Benfica na cabeça do Jesus, no início deste ano, deveria ser o seguinte: Artur, Maxi, Luisão, Garay, Emerson (porque não veio o defesa-esquerdo que ele queria, note-se), Javi, Witsel, Aimar, Enzo Pérez, Gaitán e Cardozo. Só aqui temos três ou quatro jogadores capazes de fazerem mais de um lugar (Javi, Witsel, Gaitán, Maxi…).

Este núcleo deveria ser complementado (novamente, no início da época), por Rúben Amorim, Matic, Saviola e Rodrigo, todos eles polivalentes e, portanto, capazes de fazer mais do que um lugar no caso de entrarem, que é exactamente o que se espera numa equipa de 14.

Além destes, o Benfica teve Nolito, Bruno César, Nélson Oliveira, Capdevilla, Jardel, Miguel Vítor, mais tarde Yannick, André Almeida, e acho que ainda me estou a esquecer de alguém. O caso específico de Enzo Pérez abriu o lugar para um mas todos os outros são jogadores com um custo muito acima da sua utilidade real.

(que não pode acontecer quando se trata de um jogador nuclear, pois coloca em causa o trabalho de uma época – e antes de me dizerem que «os jogadores são como os melões» eu digo já que dessa não como, porque vi um jogo completo do senhor Enzo e o que ali está é uma prima dona, pelo que das duas uma: ou não se contratam prima donas ou, se se contratam, tem de estar preparado para as tratar como prima donas a partir do momento em põe em pé em Lisboa)

Falemos só dos que vieram a custo zero (que não é zero nenhum, claro): Nolito, Capdevilla e Emerson, todos juntos, valem um jogador (que até pode ser também a custo zero) três vezes melhor que qualquer um deles, que entra directamente para o onze inicial e fortalece o núcleo de 14 que vai, de facto, decidir a época.

Quando começamos a ver nomes a surgir nos jornais para a próxima época é importante pensarmos nisto, porque toda a gente gosta de ver jogadores novos, e de preferência um todas as semanas, para matar o aborrecimento, mas no que 80 por cento desses jogadores se tornam depois é em parasitas.

O Benfica, já contando com os dois que vão sair, precisa de quatro titulares para a próxima época, e nem mais um. Os outros sete são para treinar e para jogar com o Freamunde, e para isso qualquer David Simão chega. Com um bocadinho de sorte até há um deles que dá jogador a sério e toda a gente parece mais inteligente. Todos os que não vierem nesta política, com o Jesus a treinador, são mais um desperdício de recursos e um erro de gestão.

Estou só a avisar com antecedência para, daqui a uns meses, poder falar com autoridade.



No processo de auto-crítica que tenho feito nos últimos tempos em relação à minha análise e às minhas previsões, já encontrei algumas em que atirei completamente ao lado, mas houve uma que se confirmou plenamente, mesmo que eu, bem à benfiquista, tenha tentado negar e olhar para o lado, mesmo contra todas as minhas convicções, e até à última hora: em Dezembro disse que o Benfica não seria campeão com Nélson Oliveiras, possíveis jogadores ainda de fraldas, a fazerem figura de Saviolas, que com a idade deles já estava entre os cinco melhores do mundo, e que para ter hipóteses o Jesus teria de recuperar o Saviola para a segunda metade da época. É um caso de classe pura. Se havia jogadores que mereciam grande investimento técnico, no Benfica. Mas no Benfica os jogadores são baratos.

 Tinha toda a razão.

Agora é tarde.



Ao ver o Nolito marcar dois golos de primeira, como marcou vários esta época, e a passar bola de cabeça levantada, a dar golos e a abrir jogo, fico com a certeza de que é um jogador de toque e de posição, na melhor escola do Barcelona, e não um jogador de drible e progressão com bola. Apesar de ter a tendência para se agarrar muito à bola, e de gostar demasiado de a ter nos pés, Nolito, que dá a imagem do individualista acabado, tem, de facto, um jogador de equipa dentro de si. E não é o único. Rodrigo também, por exemplo. A mais-valia destes jogadores está em tocarem bem e poucas vezes na bola, e não muitas. A produção de Rodrigo, por exemplo, caíu muito a partir do momento em que deixou de jogar a 9 para começar a transportar a bola.

Gaitán seria muito melhor se tivesse menos bola e usasse melhor a bola. Aimar também. Witsel, que fisicamente é um portento e é o único jogador do meio-campo do Benfica capaz de chegar ao campo todo, ainda mais. Bruno César também.

Na ânsia de criar um estilo de ataque imprevisível, Jesus alimentou um estilo imprevisível, sim, mas individualista e desgarrado.

E já não o vai mudar.

Nem deve, nesta altura do campeonato. Neste ponto, com mais uma época de projecto, é viver pela espada ou morrer pela espada. Mudar de arma já não serviria para nada.