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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Dia de São Jorge

Quando eu digo que o Benfica treina mal não é porque sou maluco. Posso não ser um doutor da metodologia desportiva, nem pretendo ser, mas há um ponto em que, pelo que já observei e pelo que fui aprendendo ao longo dos anos, no futebol e não só, estou preparado para argumentar com qualquer especialista do treino do mundo, e que é o seguinte: no treino prepara-se tudo, mas dois aspectos acima de todos os outros – a condição física e a concentração.

O resto – o posicionamento individual, a componente técnica, a coordenação colectiva, etc – é treinado, e evolui-se, mas, em comparação com a condição física e a concentração, ou têm uma evolução muito mais lenta ou há pouco por onde melhorar (um jogador de 25/26 anos não vai aprender a chutar a bola melhor só porque treina muito esse aspecto, por exemplo). Mas a condição física e a concentração, se forem bem treinadas, dão uma vantagem imediata e clara à equipa em qualquer jogo contra uma equipa que não os treine, e, pelo contrário, se não forem bem treinadas, isso fica logo evidente no rendimento desportivo das equipas. São os factores mais essenciais em qualquer modalidade desportiva e são os que justificam, realmente, que um jogador seja profissional para poder treinar mais vezes do que um amador.

Eu sei que o Benfica treina mal, sem nunca ter visto um treino do Jesus, porque a maioria das falhas da equipa durante QUALQUER jogo, independentemente do adversário, não são motivadas por defeitos tácticos ou técnicos, antes resultam, directa ou indirectamente, ou de debilidade física ou de lapsos de concentração.

Para não ir mais longe – e haveria muitos e, eventualmente, até melhores exemplos – grande parte das faltas cometidas pelo Benfica resultam de os jogadores partirem um décimo de segundo tarde demais para a bola (falta de concentração ou falta de poder de arranque) ou por não conseguirem manter a pressão defensiva sobre a bola e, por isso, procurarem o contacto com o jogador que a tem(falta de resistência física). Quem menospreza o prejuízo que uma falta provoca a uma equipa superior, como é o Benfica, não está a ver bem o filme. Ao fazer uma falta, uma equipa:

- perde automaticamente 9 metros, e mais 30 ou 40 quando o livre é bem marcado (e pensem como é difícil ganhar 10 ou 15 metros num jogo fechado);
- liberta a outra equipa da pressão;
- permite que a velocidade do jogo, que favorece sempre as equipas tecnicamente superiores, baixe;
- já para não falar no eventual cartão.

Como eu disse, é só um exemplo.

Uma equipa que treina bem, seja forte ou fraca tecnicamente, demonstra sempre uma característica que só a boa condição física e uma boa concentração no jogo permitem: joga na antecipação.  Com isso, ganha uma fracção de segundo que, na velocidade do jogo, lhe dá a vantagem sobre outra que não treina tão bem, mesmo que lhe seja um pouco superior nos outros aspectos.
Pelo contrário, uma equipa que treina mal facilmente desbarata a sua superioridade técnica.



Tirando isto, que pode ser dito em qualquer jogo do Benfica nesta época, uma nota bem mais directa em relação ao Académica-Benfica. Eis a equipa com que o Benfica joga a última meia-hora de um jogo decisivo (de facto) na altura decisiva (de facto) do campeonato:

Artur, Maxi, Jardel, Garay, Emerson, Witsel, Bruno César, Nolito, Djaló, Nélson Oliveira e Cardozo.

Numa palavra: ridículo.

Em duas palavras: má gestão.

Em palavras suficientes: a incapacidade do Jesus em olhar para além do jogo seguinte leva o Benfica a discutir três pontos fundamentais para o campeonato com um onze que, potencialmente, dificilmente conseguiria apurar-se para a Liga Europa, e que, como onze, não tinha um minuto de jogo em conjunto e com quatro suplentes, sendo que outro suplente (Matic) já tinha saído depois de entrar de início.

E a partir daqui bem se pode fazer espalhafato em frente ao banco, que a azelhice não se mascara. Hoje (e não só) era dia para o Benfica ter consigo Jesus – saiu-lhe o São Jorge.

Quanto ao resto, estou curioso para ver a volta que o Benfica ainda vai conseguir dar a isto para ser campeão. Que vai.