Há uma série de coisas sobre as quais ando com vontade de escrever – o Jorge Jesus (e o Paulo Bento…), o calendário do que falta da época, uma comparação realista entre as equipas de Benfica e Porto (para fazer uma do Sporting teria de ver os jogos do Braga…eh, eh), e outras que por aqui andam, mas sinceramente isso merece-me mais tempo do que o que tenho tido, como se deve poder ver, aliás, pela assiduidade dos posts.
Para já há três coisas que quero dizer sobre aquilo que vou vendo de relance no jornais.
1 – Eu defino a qualidade de um treinador por aquilo que dizem e fazem os jogadores que não jogam. Não há treinadores perfeitos, mas há treinadores tão bons naquilo que fazem que nem os jogadores que não jogam têm coragem para dizer mal deles, e que são tão bons que, quando os suplentes são chamados, jogam tão bem ou melhor que os titulares. Não é preciso dar exemplos, e tenho a certeza que há um nome que, neste momento, já está na vossa cabeça, portanto escuso-me de o dizer.
Quando vejo o Enzo Pérez, como se fosse a coisa mais normal do mundo, a reunir-se com dirigentes de outro clube e a dizer que não quer regressar a Portugal, e o Rodrigo Mora a mesma coisa, e o Miguel Vítor a querer sair, e o Amorim, e o Capdevilla (que não diz nada mas também não precisa porque o agente fala por ele), e até o agente do Nolito a refilar, concluo que o Jesus é o típico treinador de titulares, no pior que isso tem.
Nunca gostei de treinadores de titulares – se calhar porque quando joguei basquete não era titular e sentia que para o treinador havia filhos e enteados (não era porque eu fosse melhor que os titulares, mas era porque, quando só se dá atenção a uma parte do plantel e se despreza os outros, não há espírito de equipa, há espírito de alguma equipa.
2 – O problema do Hulk não são os 100 milhões. Quem fala em 100 milhões, desculpem lá se alguém se ofende, é atrasado mental. Até hoje não houve um único jogador, no Porto, a sair pela cláusula de rescisão – nem o Falcão, que precisou dos milhões da treta do Dois Dedos Micael para bater os 45 –, e agora ia ser o primeiro logo por 100 milhões? Ridículo.
O problema do Hulk também não é o sair a meio da época, porque o Hulk não vai sair a meio da época – seria mostrar a bandeira branca ao Benfica, na prática, porque se alguma vantagem o Porto tem, neste momento, é o Hulk. Se o Porto o vender vai vendê-lo agora para o libertar no final da época, mesmo que perca algum dinheiro com isso, como o Benfica perderá com o Gaitán se fizer o negócio de que se fala com o Manchester United. De qualquer forma, não acredito que o Porto venda o Hulk antes de Junho.
Coloquemos uma transferência do Hulk em valores realistas: 50 milhões de euros. Que se lixe, uma vez que há sheiks ao barulho, como o próprio Hulk já confirmou, vamos colocá-lo em valores irrealistas: 60 milhões.
Vamos tirar 5 por cento (que podem ser mais) de comissões. São 3 milhões. Sobram 57.
85 por cento de 57 milhões são 48 milhões. Sobram 26 milhões.
26 milhões foi o que o Porto gastou nos dois laterais que fez questão de roubar ao Benfica no Verão.
26 milhões de lucro com o Hulk, por Incrível que pareça, é pouco. É o que o Benfica está para ganhar com o Gaitán, que ao pé do Hulk, na Europa, é júnior.
Agora, por puro divertimento, vão baixando o valor da transferência e cheguem a um número pelo qual achem que vale a pena vender o Hulk.
Não se compra um jogador por 22 milhões de euros para ganhar dinheiro mas para ganhar títulos. Ora, quando se vende um jogador que se compra para ganhar títulos o que é que isso quer dizer, para o resto da equipa e para os adeptos?
3 – Só há uma boa razão para o Benfica gastar 300 mil euros a comprar um Djaniny à União de Leiria, e não é o Djaniny: é construir fidelidades.
Acho uma excelente política o Benfica servir de banco aos clubes portugueses, todos eles endividados. Aliás, se eu tivesse de escolher, por exemplo, entre gastar 2,5 milhões de euros com um Kardec qualquer e gastar esses 2,5 milhões a fingir que compro jogadores para, na prática, financiar encapotadamente os clubes que disputam os campeonatos nacionais em Portugal, não duvidem que escolho a segunda. É muito mais importante para o Benfica ter aliados a sério nos clubes portugueses, de Norte a Sul, e sobretudo no Norte, a comprar mais suplentes. A diferença de dimensão entre o Benfica e os clubes pequenos, em Portugal, é tão grande que o que o Benfica gasta em lixo, todos os anos, tirava os clubes todos da I Liga, abaixo do sexto lugar, do vermelho. E não é suposto aproveitar-se esse poder? Ai não que não aproveitava. Venham mais Djaninis para emprestar ao Covilhã e ao Atlético e ao Granada, e venham em força. Grande parte do poder que o Porto reuniu ao longo dos anos resultou desse jogo de fidelidades improváveis, e entre resultados e jogadores comprados e vendidos com lucro vejam quanto ganhou. Porque não há-se o Benfica fazer mais e melhor se é maior e melhor?
Quanto ao resto, um caboverdiano que veio das Distritais dos Açores e que se chama Djaniny não é um jogador da bola, é uma personagem de romance ou é outra coisa qualquer. Eu gosto. Dava uma grande história de Natal. Mas...