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quinta-feira, 12 de abril de 2012

2012/13 racional

Em relação ao chefe da Guarda Pretoriana Lacoste, e ficando ansiosamente à espera de mais desenvolvimentos para poder continuar a rir-me a bandeira despregadas, quero só, para já, remeter para o conceito de sportinguite já aqui enunciado anteriormente, e acrescentar que, em caso de sportinguite aguda, a «processo de auto-mortificação em que todas as partes, numa sequência lógica, encadeiam precipitações até criarem um problema administrativamente insolúvel», se deve juntar «e em que, no processo, os envolvidos conseguem dobrar-se e trincar os próprios tomates em público.»



Em frente.

Hoje e amanhã, um exercício de contraditório.



Racionalmente, a época de 2012/13 do Benfica é linear. Por isso é melhor estabelecermos já essa linearidade porque , daqui até Agosto, haverá múltiplas distorções que tornarão esta recta racional, se tudo correr bem, numa elipse, e se tudo correr mal num U, mandando tudo lá para trás outra vez – sendo este tudo três anos de crescimento gradual.



Esta é, então, a lógica a que, teoricamente, obedecerá a planificação da próxima época benfiquista:



1º segmento

Desportivamente, é a temporada de conclusão de um projecto. O treinador está no último ano de contrato e acumulou a experiência necessária para estar mais bem colocado do que nos três anos anteriores para atingir os objectivos desportivos.

A equipa tem subido gradualmente de capacidade – a única anomalia foi ter sido campeã no primeiro ano, tendo subido de terceiro (ou quarto?) para primeiro, saltando um degrau, algo que foi normalizado no ano seguinte e neste que agora acaba, com uma subida da capacidade competitiva reflectida na distância pontual para o primeiro.

Há um núcleo de jogadores que cumpriu todo o ciclo como coluna vertebral da equipa (Luisão, Maxi, Javi, Aimar, Cardozo) e que atinge, sem excepção um momento de maturidade competitiva ou definitiva ou muito perto do limite possível enquanto jogadores do campeonato português. Neste momento, os principais jogadores do Benfica já viveram o suficiente para saberem praticamente tudo o que há para saber no que respeita ao que é preciso para serem campeões.

O último ano do treinador coincidiria com o último ano, também, de alguns destes jogadores, que representam o modelo futebolístico que implantou desde o primeiro dia. É fácil, e mesmo natural, ver Javi, Aimar e Cardozo, por exemplo, a encerrarem este ciclo e a sairem no fim da próxima época.

Não faria sentido romper, neste momento pré-conclusivo, com a continuidade, a começar pela cabeça: o treinador é a pedra basilar do plano quadrianual (já dizia Estaline…), como tal deve ficar.



2.º segmento

A equipa que este ano ficou à beira do título – não é, de todo, desajustado dizer que ficou a um resultado do título – foi uma equipa com 9 jogadores novos no clube: Artur, Garay, Emerson, Matic, Witsel, Nolito, Bruno César, Rodrigo e Nélson Oliveira, a que se pode juntar um décimo, Yannick, com alguma boa vontade.

Destes 9 jogadores, há 8 com margem de progressão evidente se se juntar a maturidade de um ano de competição alta ao seu próprio processo individual de crescimento. Incluo Artur porque um guarda-redes só o é mesmo a partir dos 30 anos e não incluo Emerson, porque não tem potencial para mais do que o que já dá. Destes 8, há 4 que representarão, provavelmente, uma subida de qualidade do onze inicial (Artur, Garay, Witsel e Rodrigo), dois que, potencialmente, podem explodir (Matic e Nélson Oliveira) e dois que acrescentarão profundidade, de facto, ao plantel, ainda que não tenham, potencialmente, a categoria para jogar, de caras, no onze inicial de um Benfica de alto nível (Nolito e Bruno César).

A margem de progressão do plantel como está é grande, e há poucos pontos fracos. Em termos de onze inicial, o Benfica pode dar-se ao luxo de adquirir apenas um defesa-esquerdo e um extremo, além dos substitutos para o(s) jogador(es) que sair(em). Se tivesse apostar apostaria em Gaitán – uma aposta tão segura que já nem é aposta – o que não será muito prejudicial para a equipa e Javi García – o que será, na minha opinião, um erro, mas provavelmente um erro inevitável, porque será o jogador com mais mercado. Mais facilmente venderia Rodrigo, Nélson Oliveira ou Cardozo para poder ficar com Javi mais um ano, mas enfim, não se tem o que se quer, tem-se o que se pode.

O Benfica tem quatro aquisições por fazer. Se acertar em três é suficiente para melhorar a equipa. Quanto ao banco, precisa de mais um jogador. Um Rúben Amorim qualquer. Chega.

Em termos de construção de plantel, está numa situação privilegiada.

(Acrescento que não conto com Enzo Pérez porque vi um jogo do Estudiantes há uns dias e, se vier, vai ser um a menos. Sim, bastou-me um jogo. Sou mesmo um génio… Espero enganar-me.)

Há dois jogadores de saída que abrirão não só lugar no plantel como espaço salarial (Saviola e Capdevilla), o que nos leva ao terceiro segmento.



3.º segmento

É o primeiro ano com novo contrato televisivo, ou sem ele. Não se acredita que o Benfica possa prescindir de receitas televisivas no meio da pior crise económica do século, mesmo que venha a não assinar com a Sport TV (num aparte, como é que o presidente do Benfica tem condições reais de assinar contrato com a Olivedesportos, ponta-de-lança financeira do sistema, neste momento? Vejo as coisas complicadíssimas nesse aspecto.). Ainda assim, é difícil ao Benfica não aumentar as suas actuais receitas anuais com direitos televisivos mesmo que venha a negociar jogo a jogo com os operadores nacionais durante um ano ou dois. Pode não ganhar tanto como com uma venda em pacote a longo prazo, mas ganha mais do que o que ganha actualmente de certeza.

Isso deverá significar a possibilidade de investir na equipa, ainda que não se possa saber muito bem quanto é que custa o dinheiro ao Benfica, neste momento. Podemos supor que custa muito caro, dada a falta de investimento em Janeiro, quando as condições para chegar ao título eram as mais propícias e quando, com mais um titular, muito possivelmente, se teria ganho o campeonato.

Esse refreamento em Janeiro dá toda a ideia de ter sido estratégico, para se esperar pelo Verão e reforçar a equipa com maiores garantias de sucesso e com mais dinheiro para gastar. Veremos, no Verão, se se confirma, ou se o investimento está mesmo impossível.

Por outro lado, na concorrência, houve uma aposta forte em Janeiro, quer na não-saída de jogadores quer na entrada de elementos sem-retorno financeiro garantido (Lucho e Manko), já depois de ter havido um investimento brutal no Verão de 2011.

Ao que tudo indica, o Porto empenhou-se (literalmente) para renovar o título este ano e «para o próximo, logo se vê». É um sinal, não diria de desespero, mas de ansiedade, de fuga para a frente. As fugas para a frente não acabam bem. O que nos leva ao quarto segmento.



4.º segmento

A concorrência estará mais fraca, pelo menos durante uma parte da temporada. O Porto tem duas épocas para pagar – a que acaba e a que aí vem – e recursos limitados para a pagar. Na melhor das hipóteses saem Hulk, Álvaro Pereira e Rolando. Na pior, juntam-se-lhe Moutinho, James ou Fernando, se Guarín não for comprado pelo Inter (o que ninguém pode dar como certo). Os outros, se saírem, não dão dinheiro a sério porque não têm mercado.

A capacidade de competir do Porto não vai diminuir, a ética de trabalho é forte, e provavelmente até veremos o Porto a jogar mais colectivamente do que este ano, mas a qualidade imediata, sim, decairá. O Porto vai ter de encontrar três titulares, pelo menos para manter um nível aproximado (o que não é garantido que chegue se o Benfica realmente subir) ou quatro para melhorar a equipa. Mesmo que já os tenha (Mangala, Sandro, Danilo, serão titulares) o nível, pelo menos durante os primeiros meses, não será o mesmo, e a compulsão para ir buscar mais jogadores será inevitável. Ainda que encontre boas opções (o que é crível, porque o Porto trabalha bem no mercado) o processo de adaptação à equipa é sempre mais moroso. Até o Hulk levou algumas semanas a entrar na equipa. Além disso, o Porto não compra jogadores experientes (Lucho e Manko foram uma clara excepção), por razões económicas e porque, se não vêm já formatados para o estilo de jogo da equipa, são mais difíceis de educar.

Não se está a contabilizar o novo treinador (ou o actual, o que seria pior) e a necessidade imperial de apostar forte na Liga dos Campeões para repor receitas.

Quer queira quer não, o Porto, que adiou o final de ciclo para este ano apesar de, pela lógica económica, ele dever ter acontecido no Verão passado, terá um ano de transição, seja qual for o treinador, apenas porque uma parte importante da espinha dorsal da equipa será nova. Será um ano de clara passagem de testemunho, em que jogadores como James, Moutinho ou Danilo serão chamados a assumir a liderança da equipa em termos de rendimento.

O Sporting estará numa fase, ainda, de concorrência apenas parcial. Em termos de resposta à pressão, o Sporting falhou claramente este ano, e seria preciso um milagre igualmente parcial para subir dois degraus num único ano perante duas equipas já rotinadas na competição pelo título. Se o Benfica esteve a um resultado do título, o Sporting esteve a uma volta inteira. Vai chatear, mas não vai ganhar. Ou, pelo menos, não seria racional contar com isso, e este é um exercício de racionalidade.



Racionalmente, perante este cenário, só haveria uma coisa a fazer pelo Benfica: manter a direcção firme, não mudar nada de substancial, meter uma abaixo e carregar no pedal.



Aliás, é tudo tão certinho que até dá para desconfiar.



Amanhã veremos a 2012/13 intuitiva.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Autópsia de uma derrota

Primeiro ponto: Witsel.

Não acredito que Jesus se tenha deixado levar pela treta do «temos 15 jogadores com o mesmo valor» que costuma atirar aos pacóvios, nem sequer concebo que ele pense assim. Seria demasiado básico, até para ele. O Benfica tem três ou quatro jogadores que fazem a diferença, e Witsel é um deles. É para jogar jogos como o de Guimarães que Witsel está no Benfica. Não é, de certeza, para ganhar ao Setúbal em casa. Para isso chega o David Simão.

Não sou dos que querem que o treinador faça sempre as escolhas óbvias. Por alguma razão o treinador é o treinador, e treinador que se preze tenta criar soluções em vez de aceitar fatalidades. Aceito que o Jesus se tenha convencido que, para aquele jogo, havia uma estratégia apropriada para vencer o Vitória, e que tenha escolhido a equipa de acordo com isso, mas afirmo já, sem a conhecer, que essa estratégia era uma porcaria, porque qualquer estratégia que envolva jogar sem o melhor jogador é um erro. É pura invenção, pura auto-sugestão.

Prefiro pensar – e até acredito muito mais nisso – que Witsel tenha acusado o desgaste pela acumulação de jogos. É um jogador que corre muito, tem estado sempre em actividade, possivelmente não teria mais de meio jogo de alto nível para dar e Jesus preferiu guardar esse meio jogo para o fim em vez de para o princípio. Tudo o que não seja isto é apenas o Jesus a querer ficar na fotografia. É a natureza do animal.

Mas também digo que, quando eu dizia que o Javi era insubstituível, era porque, sem o Javi, não havia a mínima hipótese de poupar alguém a meio-campo no jogo com o Zenit. O Benfica tem quatro médios centrais (Javi, Matic, Aimar e Witsel) para jogarem três. Falta um médio-centro no Benfica se, como faz Jesus, Bruno César adquire a rotina colectiva de jogar nas alas. Lesionando-se um acaba-se a possibilidade de rotatividade eficaz no meio-campo. Se Witsel ou Aimar se lesionarem o problema é o mesmo. É essa a falta que faz um polivalente como Ruben Amorim. Não é o Ruben Amorim que vai decidir um jogo sozinho, mas os minutos de Ruben Amorim na Rússia teriam sido preciosos e talvez tivessem valido pontos em Guimarães.



Segundo ponto: quem pensou que o Benfica ia chegar ao fim do campeonato sem perder sofre de uma doença comum entre os benfiquistas: irrealismo. Para que fiquemos entendidos, o que aconteceu ao Porto no ano passado acontece, literalmente, uma vez a cada 35 anos, seja com um campeonato de 12, 16, 18 ou 38 equipas.



Este jogo era um desastre anunciado para a equipa do Benfica. A única coisa que podia levar a pensar que o Benfica venceria em Guimarães era a (nossa) boa vontade.

Enumeremos apenas alguns factores:

- adversário e campo;

- ausência de Javi García;

- jogo altamente desgastante da Champions, na Rússia, na 4.ª feira;

- série de vitórias consecutivas, ausência de derrotas no campeonato e resultados muito acima da normalidade, contra as probabilidades naturais mesmo nos melhores percursos das equipas campeãs (a aproximação do final do campeonato só aumenta a força da gravidade),

a que se juntaram, já na partida:

- o péssimo relvado, favorecendo quem tinha de destruir;

- a diferença na eficácia nas situações de golo;

- o momento do golo do Vitória, já com meia-hora de jogo gasta, colocando-se numa situação de vantagem que era a última coisa de que uma equipa animicamente desgastada precisava.

Na prática, considerando que tinha acabado o período em que ainda poderia ter maior frescura física a perder por 1-0, e dado tudo isto, o Benfica vinha para a segunda parte com cerca de 5 por cento de hipóteses reais de ganhar o jogo. Um empate era, nesse momento, já um óptimo resultado.



Não havia um único argumento lógico que levasse a pensar que o Benfica não perderia pontos em Guimarães e, no fundo, este era o jogo que todos os benfiquistas estavam dispostos a dar de barato. Só por se aceitar, a priori, que o mais natural era perder pontos aqui, aliás, é que os efeitos da derrota, pelo que tenho visto, estão a ser tão bem assimilados. Se nos distanciarmos analiticamente, mesmo considerando que uma derrota é sempre indigesta, num cenário de conquista do título pelo Benfica a derrota de Guimarães é perfeitamente enquadrável – ao contrário, por exemplo, da derrota do Porto em Barcelos, quer pelos números, quer pelo adversário. Não é a mesma coisa ir perder por 3-1, a Barcelos, com o Gil Vicente, num jogo banal e ir perder a Guimarães, por 1-0, quatro dias depois de jogar na Rússia. Continua a haver, no percurso de um Benfica (eventualmente) campeão, um traço de normalidade que o percurso de um Porto (eventualmente) campeão já não tem. O Benfica empata em Barcelos, nas Antas e em Braga e perde em Guimarães. Nenhum destes resultados é extraordinário. O Porto empata com o Feirense em Aveiro, com o Benfica em casa, com o Olhanense fora e com o Sporting fora e perde com o Gil em Barcelos. Qualquer semelhança é pura ficção. Há dois possíveis eventos que podem, a curto prazo, roubar ao Benfica esta característica de normalidade que ainda o torna, neste momento, no principal favorito ao título:

- uma não-vitória em Coimbra, que faria o Benfica passar de «ter um mau jogo» a ter «uma quebra de forma», algo que o Porto ainda não teve, pois, sofrendo vários acidentes pontuais, ainda não teve dois maus resultados consecutivos;

- uma derrota na Luz, com o Porto, pois um campeão não perde em casa com o seu concorrente directo (a não ser que se trate do Barcelona, claro…).

Qualquer um destes dois eventos alteraria a lógica de um Benfica campeão. Ou seja, o que aconteceu em Guimarães não foi mais que a utilização da almofada de que tanto se falou, e que os benfiquistas, no fundo (incluindo a equipa e o Jesus, pelo que disse antes do jogo) já tinham debaixo do enregelado e dorido traseiro quando o jogo começou.



Tudo correu mal ao Benfica – como tudo correu mal ao Porto em Barcelos. Ressaltos, um passe com um palmo a mais ou um palmo a menos, cruzamentos ligeiramente atrasados ou adiantados, remates que batem no rabo dos defesas e voltam para trás em vez de traírem os guarda-redes, enfim, as pequenas coisas que correm bem nos dias bons e que correm mal nos dias em que têm de correr mal.

Não há nada de escandaloso nesta derrota do Benfica em Guimarães – uma equipa em boa forma, a jogar em casa e com a sorte do jogo do seu lado.

O que o Benfica não conseguiu executar em Guimarães é o que geralmente não consegue executar. Quem viu neste jogo lacunas súbitas da equipa do Benfica, lamento, mas não sabe realmente ver futebol, porque o vê ou a partir do resultado final ou a partir da camisola. E aqui incluo não só o adepto comum, como os Rui Santos ou qualquer paineleiro de verde, vermelho ou azul.

Depois do jogo e de saber o resultado, o Vítor Paneira, por exemplo, conseguiu ver coisas do arco-da-velha: o Benfica a não pressionar alto tão bem como é costume, a não conseguir trocar a bola tão bem como é costume, o Vitória a fazer o melhor jogo da época, etc, etc, etc. Treta. Treta de alto a baixo.

O Benfica não conseguiu fazer pressão alta assim como geralmente não consegue – tenta mas não consegue a não ser de vez em quando. na maior parte das vezes a equipa adversária, se conseguir meter o segundo passe, encontra o spaço para sair a jogar pelo meio. Geralmente, é suficiente para o Benfica ganhar, porque as outras equipas são fracas. Contra uma boa equipa, como o Zenit, ou num dia em que as coisas não corram tão bem, como ontem, não chega. As auto-estradas que se abriram para os contra-ataques do Vitória foram as mesmas que se abrirão, em Coimbra, para os contra-ataques da Académica, e na Luz, com o Zenit, e uma delas, eventualmente, até resultará em golo – ao contrário das do Vitória, que só marcou num ressalto de um livre.

As transposições defesa-ataque do Benfica em ataque organizado, com o Vitória a defender com onze atrás da bola e a meter pressão nas linhas de passe dos centrais para os médios, correram tão bem ou tão mal como correm sempre que uma equipa consegue fazer o que o Vitória fez. Várias equipas, na Luz, perante a mesma situação de inferioridade técnica, e adoptando a mesma estratégia defensiva, já conseguiram fazer o mesmo, mas não tiveram a sorte do jogo suficiente para evitar o golo ou conseguir uma vantagem, como o Vitória teve ontem, numa situação suficientemente proveitosa.

O Benfica jogou, com o Vitória, em termos técnico-tácticos (volta Gabriel Alves, que estás perdoado...), tão bem ou tão mal como na maior parte dos outros jogos desta época. Obviamente que a disponibilidade física e mental não terá sido a mesma de quando não se faz uma viagem de ida e volta à Rússia com um jogo sobre cimento a 15 graus negativos, mas o Aimar não fez nada que não tivesse feito contra o Setúbal ou contra o Sporting, nem o Emerson fez pior que na Rússia (pelo contrário), nem o Cardozo (com a diferença óbvia de ser diferente ter cinco ocasiões num jogo e marcar uma e ter duas e não marcar nenhuma, mas isso já eu disse há muito tempo que é a questão real do Cardozo «que não perdoa»...)

Ao contrário do que se disse, o Guimarães não fez nenhum jogo fantástico, pelo contrário. Teve um jogo a seu favor, permitindo-lhe fazer o que faz melhor: meter muitos atrás e pôr os da frente a correr muito. Não teve mérito por aí além a impedir o Benfica de ter a bola, de chegar à área ou de se aproximar da baliza. Os números do jogo traduzem essa realidade. O Benfica teve a posse de bola suficiente, o domínio do meio-campo suficiente e as oportunidades suficientes. Foi o Benfica quem falhou a concretizar a vitória, não o Guimarães que acertou.

Talvez haja uma maneira de desmistificar a derrota de ontem: há alguém que possa dizer que, em Braga, onde alcançou um empate normal a 1 golo, o Benfica tenha jogado pior do que em Guimarães? É que nem pensar. Mesmo. Nem pensar. Digo mais: o Benfica jogou melhor ontem, em termos de processos, que em Braga. Só que em Braga estava mais fresco.

E quem fala no Braga fala nas Antas, em Vila da Feira e na esmagadora maioria dos campos em que já jogou este ano.



Muitas vezes esta época o Benfica já passou por entre os pingos da chuva (volto a utilizar esta expressão porque os jogos como o de ontem exemplificam bem o que quero dizer) graças à sua capacidade de marcar golos. Ontem, ao fim de 37 jogos seguidos a marcar pelo menos um golo, o Benfica expôs-se à sua própria vulnerabilidade. E choveu.

Já defendi aqui que os ataques ganham jogos e que as defesas ganham campeonatos. Reafirmo essa máxima, mas não sejamos fundamentalistas: perder por 1-0 em Guimarães não é um bom exemplo. Sofrer quatro ou cinco golos entre este jogo e os dois que se seguem, sim, seria – porque, provavelmente, isso equivaleria mesmo à perda do campeonato.

E se defendermos que manter o Vitória a zero e sacar pelo menos o pontinho do empate seria um passo importante em conquistar o título também teríamos, pelo outro lado, de presumir que uma equipa com um ataque anémico não teria conseguido marcar dois golos nas Antas, ou pelo menos um golo em todos os outros jogos do campeonato, com os vários pontos que essa facildade concretizadora já valeu.

A máxima aplicar-se-á se, marcando o ataque golos nos próximos jogos, a defesa não conseguir cumprir os serviços mínimos. A defesa (ainda) não falhou. Se falhar, por melhor que seja o ataque, o Benfica perderá o campeonato.

O que falhou foi o ataque. E isso, para este Benfica, é o menos problemático, pois acontece uma ou duas vezes por ano.



Não há, em nada disto, a tentativa de minimizar a derrota, mas de a relativizar sim. Mais do que o Guimarães, foi a situação que venceu o Benfica, ontem à noite. Uma situação para a qual o Benfica não estava estruturalmente preparado – e todos, benfiquistas ou não, facilmente concordarão neste ponto.

Se adeptos, técnicos e jogadores se convencerem de que perderam ontem porque fizeram mal o que noutras ocasiões fizeram bem, estarão enganados e a perder uma excelente oportunidade para evoluir. Se perceberem que fizeram o mesmo que fizeram noutras ocasiões, e que é isso que não é suficiente, que é preciso melhorar nas rotinas, na abordagem ao jogo e na preparação mental, então estarão certos e poderão tornar-se melhores.

Conclusões da autópsia: o defunto não está morto.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Futebol entrançado

Fui à bola com a sacerdotisa. Da última vez que a tinha levado ao Benfica tínhamos perdido 3-0 com a Académica. Da primeira tínhamos empatado a 2 com o Beira-Mar. A minha mulher dá azar ao Benfica. Quando levo a mulher à bola e o Benfica ganha 4-1 não há razões para se esta preocupado. Vai tudo correr bem.

No regresso ela disse-me para não vir para aqui estragar a noite aos benfiquistas com as minhas exigências. «A equipa até deu bons toques na bola (sic) e marcou bons golos», disse-me ela.

Por deferência à esposa, e também porque, quando vinha para casa, ouvi o Jesus no rádio a dizer que o Benfica tinha feito uma das melhores exibições da época, vou dedicar esta crónica a alguns fait-divérs mais levezinhos.



Por exemplo, sabemos que um jogador é o elo mais fraco de uma equipa quando uma equipa amputada dos seus dois ou três melhores jogadores, com uma meia-final da Taça de Portugal perdida dois dias antes e uma viagem da Madeira para Portugal pelo meio, depois de tentar explorar, durante 15 minutos, o facto de a outra equipa ter um médio-ofensivo a jogar a defesa-direito, rapidamente percebe que obterá melhores resultados se canalizar todo o seu jogo ofensivo para o outro lado, onde está o defesa-esquerdo titular, porque aí é que pode estar o tesouro.



Durante 45 minutos pensei que o Witsel tivesse rapado o cabelo. Só quando mudaram de campo é que vi que tinha trancinhas. Foi nesse momento que me apercebi da plena potencialidade do cabelo do Witsel. O Witsel devia ter um penteado para cada posição. Quando joga a médio-centro, usar a afro. A defesa-direito, as trancinhas. A 10, pôr o cabelo todo liso, para trás, à maestro. Quando jogar a extremo-esquerdo fazer risco ao lado. Esta é uma ideia demasiado espectacular para se perder num blog clandestino. Alguém com poder que pegue nisto e faça história. «Camaleão Witsel».



A equipa do Benfica tem três partes. A parte de trás, que é relativamente boa; a parte do meio, que precisa de muito espaço para funcionar; e a parte da frente, que é uma coisa do caraças. O grande desafio desta equipa do Benfica é conseguir chegar à linha imaginária que atravessa o campo de um lado ao outro cerca de 15 metros à frente da grande-área adversária. Se o Benfica chega aos últimos 35 metros do campo, passa a ser um problema de classe mundial que os outros têm para resolver. É um futebol entrançado, que dá poucas hipóteses à defesa. Com melhores jogadores a executar, este estilo de ataque é mortífero. É muito parecido com o da equipa que ganhou o campeonato em 1994, com o João Pinto, o Rui Costa, o Isaías, o Águas, o Paneira… Mas essa defendia muito pior.

Agora só falta conseguir chegar a esses 35 metros sem ser em jogadas de transição. Não é impossível. Se não se estragar o que já está feito, se se for prudente com o que se tem, profissional, audacioso e ambicioso com o que ainda não se tem, e se se acertar muito mais do que o que se errar, daqui a 5 ou 6 anos é possível.



Antes do Cardozo marcar o penálti disse à minha mulher: «O Cardozo vai tentar marcar em jeito e falha.» (Porque o Cardozo, juntamente com as anémonas e os corais, é um dos invertebrados marinhos mais previsíveis do oceano). Ela encolheu os ombros, porque enquanto vocês só apanham comigo aos poucochinhos ela apanha comigo todos os dias. Aquele encolher de ombros era uma forma de dizer: «Cala-te, chato.» Depois, o Cardozo tentou marcar em jeito, falhou o penálti e ela ficou a olhar em frente, sem abrir a boca, e a tentar não se desmanchar a rir para não irritar os benfiquistas em redor.

Devo dizer que, hoje, o Cardozo me mostrou, de facto, que está a fazer a melhor época dele no Benfica. Está um jogador muito mais leve, mais colectivo e ligeiramente mais criativo do que da última vez que o vi. Este Cardozo vale mesmo pontos – e olhem que, em quatro anos, este é o maior elogio que já lhe fiz.



O Rodrigo é um competidor nato. Com aquela capacidade física, cultura táctica e facilidade técnica, aos 20 anos de idade, confesso que, ao vivo (e ao vivo percebe-se perfeitamente tudo isto, sobretudo o seu poder físico, que o coloca claramente acima dos defesas), vi poucos. Posso estar a exagerar, mas, se há uns dias disse que ele e o Witsel, daqui a poucos anos, estariam nas melhores equipas da Europa, hoje digo que o Rodrigo, aos 27 anos, se não houver lesões e se não quiser dar um passo maior do que a perna – ou seja, se não quiser subir depressa demais para ganhar dinheiro e com isso ficar encostado metade do tempo numa equipa acima das suas capacidades – vai estar entre os cinco melhores avançados da Europa. E, na próxima época, será já o jogador mais importante na equipa do Benfica.



Já em casa, ouvi o Grande J dizer na conferência de imprensa que o Benfica tinha «um estádio a três dimensões» e, depois disto, só se pode ir para a cama com um sorriso nos lábios.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Choramingos ao retardador

Se a minha Grila Falante sabe que estou aqui em vez de estar a fazer o que devia vai azucrinar-me o juízo, mas não resisto.
Vai ter de ser telegráfico.

Não gostei nada de ver o Witsel e o Gaitán a darem entrevistas de fim de época a meio da época, antes de duas eliminatórias dificílimas para a Taça, mas tenho de aceitar. Ou é isso ou é enfiá-los num buraco, como fazem no Porto, e não os deixar abrir a boca a não ser quando já lhes fizeram o upload da cassete. O Witsel, por exemplo, vai aprender a estar calado, mas para aprender a estar calado, primeiro, tem de ter falado demais. Como foi o caso. Evidentemente, o Record esfregou as mãozinhas e aproveitou para dar mais um bocado de ar ao balão.
Prefiro ver os jogadores a darem entrevistas depois de terem ganho alguma coisa – de promessas falhadas estamos todos fartos, há muitos anos – mas, por outro lado, também é por causa destes disparates que as pessoas acabam por estabelecer empatia com os jogadores e com os clubes.
Se o Porto tivesse sido um clube mais aberto nos últimos anos teria maior popularidade, embora, se calhar, não ganhasse tanto. É uma questão de opção, de filosofia de vida. Não há uma opção completamente certa nem uma completamente errada.
Mas há uma coisa que eu sei: os realmente grandes são os que conseguem conciliar a prestação desportiva à abertura de espírito e ter poder de encaixe. Basta ver como são os grandes campeões de qualquer desporto mundial. Como dizem os Américas, «you gotta talk the talk, and you gotta walk the walk».

«Sei que alguns adeptos querem matar-me pela forma como jogo, mas não posso mudá-la», diz o Gaitán na capa da Bola. Pois não, campeão. Então deixa-te chegar ao Real Madrid, por exemplo, e abancar por cada bola que deres ao adversário dentro do teu meio-campo e vais ver como ganhas logo facilidade em mudar a forma de jogar. Deves pensar que o pessoal cá em Portugal começou a ver bola quando tu chegaste.

O Pinto da Costa veio dizer que nem os animais gostam de estar enjaulados. Vocês até podem pensar que eu sou «buééé» inteligente por conseguir prever o que ele vai dizer, e quando, até quase ao pormenor, mas na verdade não sou – ele é que, ao fim de trinta anos, é completamente previsível. Só se deixa enganar quem quer.

O Choramingos descobriu hoje que foi roubado num jogo em que jogou trinta minutos comum homem a mais sem razão nenhuma para isso. Diz que não percebe como é que o árbitro não marcou penálti numa jogada de canto em que estão vinte jogadores dentro da área.
Isto explica porque é que, ao fim de cinco meses no Sporting, o Domingos ainda não conseguiu ensinar os seus jogadores a não sofrerem golos de canto. É porque ele não percebe.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Axel,o Eixo

O Benfica comprou Axel Witsel para jogos como o de Basileia – jogos de meio-campo, de disciplina defensiva e de transição rápida, jogos de resultado, para decidir por um golo, jogos, no fundo, de época.
Por isso decidi acompanhar o jogo da Suiça de uma perspectiva diferente: fiz uma estatística própria sobre o Witsel.

Aqui há uns tempos criei uma estatística – às vezes pareço mesmo o Mestre da Táctica a falar… - a que chamei de Estatística Compreensiva. O objectivo é usar a estatística de forma mais qualificada, traduzindo melhor o que os jogadores realmente fazem. A recolha, evidentemente, é muito limitada. Para fazer este tipo de estatística de todos os jogadores num jogo apenas seriam precisas umas sete pessoas. Mas para fazer de apenas um jogador, e com apenas algumas categorias, é fácil.

O racional da Estatística Compreensiva é o seguinte: um passe para o lado entre os dois centrais que vai, depois, para o lateral, e para o guarda-redes e assim sucessivamente, não é o mesmo que um passe que progride no terreno, ou feito na zona de ataque, ou que tenta desmarcar um jogador para marcar golo. Assim como uma recuperação de bola na grande-área do adversário não é igual a uma recuperação de uma bola perdida na zona defensiva.

Há uma série de categorias estatísticas que não usei neste caso, por não ser possível, mas aqui estão a que usei:

- Passes de progressão – é um passe que, de imediato ou no passe seguinte, resulta numa progressão territorial da equipa em direcção à baliza adversária;

- Passes de contenção – é um passe que não resulta nessa progressão imediata ou no tempo imediatamente seguinte;

- Intercepções/recuperações de bola – é isso mesmo: a recuperação da posse de bola pelo jogador;

- 1 contra 1 – todas as situações com bola, ofensivas ou defensivas, e com tentativa de progressão territorial. Um 1 contra 1 ofensivo ganho tem de resultar num avanço territorial sem perda de bola. Um 1 contra 1 defensivo ganho é o oposto, claro;

- Cabeceamento – para se considerar cabeceamento ganho ou perdido tem de haver uma disputa, ou seja, não vale aqueles toquezinhos à vontade, sem nenhum adversário à volta. Isso é um passe normal.

As acções englobadas nestas categorias são divididas, espacialmente, em três terços: terço defensivo, terço médio e terço atacante. Temporalmente, faz-se uma distinção entre as acções em situação de igualdade e em situações de vantagem ou desvantagem, assim como nos últimos 10 minutos de cada parte (que eu, desta vez, não fiz).

Como se torna evidente assim que se começa a recolher os dados jogo a jogo (que eu não faço, torne-se claro, porque dá um trabalho incomensurável e eu sou maluquinho mas não tanto), estas estatísticas só começam a servir para definir as características de um jogador ou, quando vistas em conjunto, de uma equipa, quando se acumulam em grandes quantidades e em muitas situações de jogo diferentes. É a única maneira de detectar padrões. De qualquer forma, desta vez, só por curiosidade, fiz uma só do Witsel e só deste jogo.

Antes de apresentar os resultados, uma dica para os emocionalmente mais instáveis: acompanhar um jogo do Benfica sob esta perspectiva, de estarmos concentrados num aspecto estatístico específico, faz optimamente aos nervos. Desviamos a atenção da parte fanática do cérebro para a parte mais racional e as emoções tornam-se mais suportáveis.

Dito isto, na primeira parte, onde a exibição do Benfica foi mais consistente, Axel Witsel fez 15 passes de progressão na primeira parte, quatro na defesa, oito no meio-campo e três no ataque. Falhou um no meio-campo e não tentou nenhum passe para remate.

Fez cinco passes de contenção, todos no meio-campo e todos após o 1-0, e não falhou nenhum.

Disputou quatro cabeceamentos (2+1+1) e em todos o Benfica ficou com a bola.

Recuperou uma bola na defesa (não em zona de remate) e duas no meio-campo e venceu a única situação de 1x1 que disputou, no ataque.

Fez duas faltas, ambas a meio-campo, e não fez nenhum remate.

Note-se que, em 21 acções de posse de bola e em ataque na primeira parte, Witsel perdeu-a uma vez.
 

Em termos de contacto com bola, a segunda parte de Witsel foi muito diferente e, antecipando já parte da minha leitura do jogo que ele fez, a sua estatística comprova as diferentes formas de utilidade que pode ter mediante as necessidades da equipa. Enquanto a primeira parte foi tão posicional como técnica, a segunda foi, fundamentalmente, posicional. Estou convencido que, se se visse aquela mancha de acção que a UEFA às vezes mostra, a da segunda parte seria mais ampla, pois aí a sua função foi mais de ocupar vários espaços que de ter a bola.


Na segunda parte, Witsel fez 10 passes: sete de progressão e três de contenção.

Dos passes de progressão, falhou três, todos a meio-campo, mas com a atenuante de dois deles terem sido na sequência de cabeceamentos ganhos em que tentou, imediatamente, pôr a bola jogável, com poucas opções de a segurar.

Disputou cinco cabeceamentos, todos a meio-campo, e ganhou quatro.

Recuperou uma bola a meio-campo e outra no ataque e tentou dois 1x1 a meio-campo e um no ataque (nenhum nos últimos vinte minutos do jogo), perdendo dois.


A segunda parte, estatisticamente, é mais modesta que a primeira, mas depois, no fim do jogo, vemos as estatísticas da UEFA e o que vemos? Jogador mais passador no Benfica: Axel Witsel, 39 acções entre passes normais e jogadas de cabeça (mais de dez por cento do total da equipa). Jogador com Maior distância percorrida no Benfica: Axel Witsel, com mais duzentos metros que Javi Garcia num total de 12.29 km.


O que eu vi, ao acompanhar detalhadamente o jogo de Witsel, é consistente com tudo isto.

Vi um jogador que joga nas três zonas do campo (meio-campo, ataque, defesa, por esta ordem). Vi um jogador que não entrega uma bola de barato – quatro perdas legítimas, em 39 acções, e nenhuma em acção defensiva ou na zona perigosa para a sua baliza. Vi um jogador que ganhou 90 por cento dos cabeceamentos que disputou. Um jogador que faz a bola e a equipa andar sem engasganços.

Vi um jogador que está sempre perto da bola, quer a atacar quer a defender – sobretudo, na segunda parte, a defender – que aparece no momento em que o adversário se prepara para aprofundar o jogo e que, por estar aí, o obriga a lateralizar. Witsel não tem muitas recuperações de bola nem 1x1 defensivos porque o seu oponente, com bola, opta por passá-la para o lado – não tem espaço para avançar. Ele é a verdadeira primeira barreira defensiva, na linha frontal do meio-campo.

Witsel é o verdadeiro jogador invisível, e a técnica é a menor das suas qualidades. Se eu tivesse de definir a sua exibição no jogo de ontem – e, consequentemente, as suas principais qualidades como futebolista – em duas palavras, escolheria disciplina e segurança.
Numa equipa de kamikazes sul-americanos, dá um jeito do caraças.


Em relação ao resto do jogo, gostei, além do resultado:

- do ar inteligente que o Jesus põe para pensar;

- do Rodrigo, em pleno jogo decisivo da Liga dos Campeões, a jogar à bola com o cérebro na
jogada do golo (para não falar do resto);

- do Artur (fónix!);

- da concentração defensiva.



Não gostei por aí além…:

- do Gaitán com cãibras aos 70 minutos de jogo (uii…)

- do Maxi a rasgar-se todo (pelo menos este problema fica resolvido: agora é que tem mesmo férias)

- do passe de 60 metros de um idiota qualquer para o Cardozo (destes ele fica com a bola 0 vezes em 350 tentativas) a jogar já com dez menos o Gaitán menos o Chuta-Chuta, a cinco minutos do fim (é esta deficiência cerebral que me deixa fora de mim – já sei, sou picuinhas…)

Quanto ao resto, o Benfica teve a sorte que mereceu, fez o jogo que devia fazer – o que é, repito, o mais importante na Liga dos Campeões (jogar como se deve jogar, sobretudo fora de casa, antes de se querer jogar bem) – e claro, mesmo sendo bem melhor que o Basileia, evidenciou o seu défice de classe, o que é perfeitamente natural.
Vê-se que está a tentar aprender a controlar o adversário e a fluência do jogo mas falta-lhe, ainda, muito instinto alfa.

Reconhecer o momento do jogo, dentro de campo, e atacá-lo como e quando deve ser atacado, como equipa, só é possível quando a qualidade se sujeita à pressão durante o período de tempo suficiente. Requer um ambiente específico (aquele em que tem estado a mover-se nas últimas duas épocas), continuidade no trabalho (que já existe) e talento (que nunca é suficiente…)