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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Aspirina psicológica

Em tons de azul desmaiado, o conto de Carnaval mais bonito de que há memória no futebol moderno.

A enternecedora história do jovem aristocrata seduzido por um oligarca russo que, vendo-se assolapado da cadeira de sonho pela tentação de superar as façanhas do seu antigo mestre, dá por si perdido num enorme palácio cheio de monstros, e que, no regresso de uma viagem terrível ao Reino das Duas Sicílias, da qual por pouco escapou com vida, e sabendo que o seu antigo clã se encontra numa floresta ao seu alcance, voa 400 quilómetros para Norte e consegue, finalmente, encontrar um momento de conforto sentado num lugar de sonho, entre um ancião administrativamente inocente e um ex-pugilista de boas famílias.

Haverá imagem mais assassina que a de André Villas-Boas, ladeado por Pinto da Costa e Reinaldo Teles, a poucos dias de ser despedido, vendo a anterior equipa a levar 4 na pá com o seu ex-adjunto e a-poucas-semanas-de-ser-substituído Vítor Pereira no comando?

Ontem dizia num jornal que o Barcelona estava a pensar no Villas-Boas para substituir o Guardiola. Eu cá acredito…

Acredito que ele está outra vez no Porto em Agosto, claro. Vem é quebrado, como os cães que são postos a treinar na GNR e nunca mais se esquecem. Primeiro o Pinto da Costa deu-lhe umas chapadas no focinho pelos jornais, Depois, desde os Masturbações de Ouro que lhe anda a passar a mão pelo pêlo. Ontem, o André deu a patinha. Tudo isto é educativo. Para que conste, ainda assim, vale mais um caniche de Villas-Boas que um doberman de TOC.

As hipóteses de o Pinto da Costa, político hábil e experimentado, não fazer ideia do impacto e da leitura que aquelas imagens provocariam (e não é propriamente que eles se tenham escondido das câmaras...) são exactamente iguais a z-e-r-o.

O Manchester City passou o jogo todo quase a treinar, a deixar o Porto correr e a fingir que dominava. A eliminatória ficou decidida quando o Aguero marcou o… 2-1 cá. O momento de maior frissom do Mancini foi quando não estava a conseguir o pacote dos Sugus para dar um ao adjunto. Mas depois lá resolveu o problema e pode voltar a recostar-se, a cruzar os braços e a ver os seus jogadores a treinarem o posicionamento defensivo e o TOC a apanhar chuva.

Não deixou de ter piada o TOC a dizer que o Porto tinha o jogo controlado até ao 2-0 depois de sofrer um golo aos 20 segundos. Há qualquer coisa de bizarro e simultaneamente trágico naquele personagem. É uma espécie de Calimero. Vê-se que é bem intencionado, que tenta fazer as coisas como acha que devem ser feitas, que dá o melhor, mas é um daqueles tipos que parece que nasceu com uma cruz por cima. E lá vai, tentando enganar o destino, sem querer convencer-se de que nasceu para perder.

Talvez eu esteja a ser cruel e tenha de engolir estas palavras, mas olho para o Vítor Pereira e vejo um daqueles filhos enjeitados que nunca tiveram hipótese e não o sabem.



Em Alvalade, um adversário perfeito para o Sporting: estúpido a jogar à bola, matreiro, experiente, a apostar tudo no físico e com mais gente nas bancadas que a equipa da casa. Se a isso juntarmos os traumas recorrentes do Sporting em casa, tínhamos ali um belíssimo cocktail verde.

Se viram o jogo, diga-me lá: é verdade ou não é que os polacos, por terem empatado a 2  em casa na primeira mão, entraram muito mais convictos e concentrados que o Sporting, e que graças a isso, mesmo sem jogarem nada, tomaram a iniciativa do jogo e estiveram quase a ganhar vantagem e a pôr o Sporting à beira de um ataque de nervos? Com vantagem na eliminatória, o Sporting viu-se «n» vezes em igualdade numérica no seu meio-campo. Claramente, os médios do Sporting não sabiam tão bem o que fazer como os médios do Légia.

Penso que não estou a ver o que quero ver, mas o que aconteceu. Vocês me poderão dizer melhor.

Até conseguir marcar o golo a 10 minutos do fim o Sporting esteve sempre no fio da navalha, e pode-se legitimamente dizer que esteve tão próximo de ser eliminado como de eliminar. Bastava aquele cabeceamento em chapéu ao Patrício ter entrado e os fantasmas sairiam todos de baixo da cadeiras coloridas vazias.

Agora apanha o City. Se contra uma equipa que só sabe correr o Sporting passou à justa, contra outra que sabe correr e fazer tudo o resto prevê-se uma eliminatória equilibrada... Sobretudo no capítulo das bolas paradas, em que as equipas inglesas são muito débeis, o City vai ter dificuldades.

Em relação ao Sá Pinto, começam a reunir-e condições para lhe traçar o famigerado perfil, mas, para já, fico com a ideia clara que ele entrou meiguinho, meiguinho. Vê-lo a dizer: «Tá bem, João» depois do João Pereira fazer um daqueles passes esquizofrénicos de primeira a 50 metros para a terra de ninguém é enternecedor. Se aquilo é o Sá Pinto Coração de Leão, que ia trazer garra à equipa, vou ali e já venho. O Sporting passou de uma equipa Cerelac histérica para uma equipa de mama amorfa. Regrediu. Até pode ser aquilo de que precisa para depois começar a andar, mas, considerando a inocência do Sá Pinto em todas as acções que teve até agora como treinador apetece dizer que o que aconteceu em Alvalade foi muito mais uma aspirina psicológica que uma chicotada.


Prosseguindo para o tema seguinte da agenda, cumpre-me transmitir a triste notícia de que o nosso leitor Danilu Kerdi Zerkarma já não está entre nós. Pelo que me foi dito pôs a casa no prego para poder jogar tudo o que tinha e suicidou-se após o sétimo resultado negativo do passado fim-de-semana.

É um castigo justo para um homem de pouca fé. Se tivesse esperado mais um dia teria começado a aprender uma lição eterna que qualquer benfiquista de boa cepa há muito aprendeu: é perfeitamente possível levar 7-1 e mesmo assim chegar à frente no fim do campeonato.

Estou em pesquisas e amanhã lanço a chave milionária. Estou à espera de pelo menos 15 mil visualizações quando se souber que em apenas três jornadas mais uns pozinhos já dobrei o dinheiro falso que tinha no início.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Tremei!

Começa amanhã o resto da época e não quero saber do Sá Pinto para nada, a verdade é esta. Não me apetece falar de politicas, apetece-me falar de bola, porque agora é que a bola chegou a sério. Deixo o Sá Pinto para a semana, depois das duas vitórias nos dois primeiros jogos meterem os sportinguistas de barriga para o ar.

Para já, só duas notas:

- O Coração de Leão tomar posse no Dia dos Namorados é engraçado, e veremos se não é premonitório;

- Sem querer, encostado à parede, o Sporting é bem capaz de ter acertado, por aquilo que vou observando e racicinando. Dentro dos limites daquilo que, para o Sporting, é acertar, claro. Repare-se que nestes dois dias já se falou não sei quantas vezes do «sucesso» do Paulo Bento, quando o sucesso do Paulo Bento foi ter ganho duas Taças e ter ficado três vezes em segundo no campeonato. Porto e Benfica adorariam que Sá Pinto ficasse 20 anos no Sporting com este tipo de sucesso. Eram mais 20 campeonatos para distribuir entre os dois.



Falando do que interessa…



Estou com grande curiosidade em ver a equipa que o Jesus vai escolher para o jogo de amanhã. Eu, no momento de definir prioridades, não teria dúvidas em resguardar jogadores para o jogo de Guimarães. Por duas razões.

Em primeiro lugar, porque jogar naquelas condições vai dar disparate. É demasiado exigente para o físico para não virem de lá, pelo menos, dois jogadores tocados, e isto num momento em que Javi Garcia já não vai jogar.

Em segundo lugar, porque estou plenamente convencido que o segundo jogo é que vai decidir a eliminatória.

O sucesso do Benfica nesta eliminatória passa por defender muito bem na Rússia, marcar um golo e deixar a passagem em aberto para o segundo jogo, que virá no final do ciclo decisivo para o campeonato, com a equipa (se tudo correr bem) com o título encaminhado e sem ter mais nada na cabeça, a jogar em casa. Na Luz, o Benfica pode fazer o resultado de que precisa, desde que não o comprometa na Rússia.

A eliminatória é equilibradíssima, e penso que poderá ter ficado decidida com a lesão de Danny, que seria o jogador fundamental do Zenit na 2.ª mão.

A ausência de Javi Garcia não deve ser menosprezada. Ter Matic não é o mesmo que ter Javi, em nada, mas sobretudo em cultura defensiva. A lesão de Javi, aliás, vem na pior altura, e é problemática. De facto, juntamente com Luisão e Artur, Javi é, na minha opinião, um dos três jogadores que não têm substituto à altura na equipa, quer pela qualidade quer pelas funções específicas que desempenham. A saída de qualquer outro jogador não obriga a nada mais que uma mudança de pessoal. A saída de Luisão e Javi obriga a mudar estratégias, porque a sua substituição requer sempre um jogador e meio – ou seja, dois jogadores. Neste caso. Witsel vai ter de fazer de uma parte de Javi, e ofensivamente o meio-campo vai ressentir-se.

Não devemos também menosprezar o facto de este ser um dos jogos mais importantes na carreira do Jesus. Neste momento, o Jesus é um treinador já a alargar horizontes, e a Liga dos Campeões é o espaço para ele se mostrar. Já aconteceu este ano e vai voltar a acontecer. Aliás, o contrário é que seria estranho, e penso que os próprios jogadores, que sonham com a Champions, não ficariam agradados se sentissem que o treinador punha em causa a prestação da equipa nessa competição para proteger jogadores. Os jogadores não querem ser protegidos na Champions, querem é jogá-la, porque campeonato há todas as semanas. Mesmo que dissessem o contrário (e não dizem, note-se).

Curiosamente, acho que o estado do relvado e a lesão do Javi Garcia, apesar de dificultarem a vida à equipa, podem facilitar as decisões de Jesus. O terreno pesado pode levá-lo a apostar em jogadores mais físicos. Não me admiraria que Gaitán e Aimar não jogassem de início e que Jesus os guardasse para a passagem da hora de jogo, tentando optimizar o único factor que tem a seu favor: a falta de pedalada do Zenit, faz o seu primeiro jogo a sério depois das férias.

Não me surpreenderia mesmo nada ver o Benfica a entrar com Artur; Maxi, Luisão, Jardel e Emerson; Witsel, Garay e Matic; Bruno César, Cardozo e Saviola, com Aimar, Gaitán e Rodrigo a entrarem na segunda parte, apesar de ser mais provável que Jardel não jogue e que um destes três (provavelmente Gaitán) ou Nolito comecem o jogo.

Sei que o Jesus vai tentar surpreender o Spaletti (ou, segundo a gíria benfiquista, inventar) só não sei onde.



A grande questão para o Benfica vai ser conseguir marcar. É verdade que, normalmente, o Benfica marca, mas esta é uma situação extraordinária. Além de tudo o resto, convém não esquecer que o Zenit é uma das equipas que mais aproveita o factor casa na Europa, seja porque razões for, com bom ou mau tempo. Há uma própria cultura que se cria, e isso, nos jogos europeus, conta muito.

Penso, friamente, que arrancar uma vitória em São Petersburgo não está ao alcance do actual Benfica, que um empate é possível mas improvável, e que provavelmente o Zenit vai acabar por conseguir desequilibrar numa jogada fortuita, por mero à-vontade de jogar em casa.

Também penso que, no cômputo geral, o Benfica é ligeiramente superior ao Zenit (sobretudo sem Danny) e jogo nisso para decidir a eliminatória.

Em conclusão, considerando tudo isto, e sobretudo por causa das lesões, que vão ser mais influentes que o frio, prevejo, mais ou menos, o seguinte: vitória do Zenit, na Rússia, por 2-1, e vitória do Benfica, na Luz, por 3-1, eventualmente no prolongamento. É assim tão equilibrada esta eliminatória.



Já que estamos em dia de amores e almas gémeas, falo também do Porto.

Continuo a dizer que o Porto vai passar a eliminatória. Os factores que identifiquei na altura do sorteio mantêm-se intactos. Confirma-se que o City caiu de produção, como era previsível que caísse, e o facto do primeiro jogo ser jogado nas Antas favorece o Porto, porque joga em casa sentindo que tem tudo em aberto.

Não é problemático para o Porto não ter o Manko. Duvido que o Manko jogasse este jogo mesmo se pudesse. O Porto vai beneficiar de um autêntico privilégio para qualquer equipa de topo: poder jogar em contra-ataque em casa, algo que praticamente nunca acontece e que desta vez vai acontecer. Nesta estratégia, é melhor para o Porto ter três avançados rápidos do que dois, sobretudo com o Hulk no meio. Com uma equipa pequena, é contra-produtivo; com uma equipa grande é o ideal. Ter espaço para correr e jogar, com avançados tecnicamente muito superiores aos defesas adversários, em casa, com a motivação no topo, no que pode ser a última oportunidade para mostrar a toda a gente que continua a ser uma equipa de Champions, contra uma equipa suficientemente boa para exigir o máximo mas muito longe de se encontrar fora de alcance (pelo contrário) – eis o cenário ideal com que o Porto se vai deparar na 5.ª feira. Hulk e James, a jogarem para o contrato, vão detonar a defesa inglesa.

Também há o factor Lucho, que traz experiência e confiança. Lucho tem a tarimba europeia toda. Aliás, o Porto tem uma equipa mais experiente, em termos europeus, que o City, e isso vai ser importante na abordagem ao jogo. O Porto vai saber como abordar a eliminatória, e não só o jogo. O City, duvido. Aliás, é só por não ter experiência europeia  que o City está na Liga Europa e não na Champions, porque qualidade não lhe falta.

Duvido muitíssimo que os factores de motivação do City lhe permitem arrancar sequer um empate nas Antas, e consigo ver perfeitamente o Porto a empatar em Manchester, se tiver de o conseguir para passar a eliminatória. O Porto tem tarimba suficiente para isso.



O que prevejo nesta eliminatória: vitória do Porto nas Antas, com 2 ou mais golos marcados, e o resultado necessário para passar, na 2.ª mão, em Inglaterra, mesmo que seja uma derrota.



Sendo assim, para meter o dinheiro falso onde tenho o paleio, aqui fica uma ronda europeia da Liga Bwin, já com o Sporting, cuja antevisão deixo para amanhã (e ainda bem que não apostei no Braga…):



Zenit-Benfica

6 euros na vitória do Zenit, a 2.55. (Bem gostava eu de meter os 6 euros no empate, a 3.20. O coração manda, mas a razão não deixa)



Porto-Manchester City

8 euros na vitória do Porto, a 2.75



Legia-Sporting

9 euros no empate do Sporting, a 3.20 (uma odd óptima, digo de passagem. A vitória do Sporting está a 2.15. Irrealista, atrevo-me a dizer.)