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sexta-feira, 6 de abril de 2012

A tripa

Este sábado há esbórnia na Catedral Oficial dos Blogues Com Menos de 300 visitantes por dia (COBCOM): comentários, relambório e esventramento em directo do Braga-Porto. Vamos dissecar, chafurdar, esmiuçar e de preferência não lamentar tudo – tirando algumas coisas que nos passem ao lado… - o que aconteça no jogo entre o grande clube do Porto e o seu apêndice minhoto. Das bolas de naftalina atiradas para dentro do campo ao speaker afónico por uma noite.

Com este trailer espero, pelo menos, 301 visitantes, para subir à categoria de Capelinha Oficial dos Blogues Com Menos de 5000 visitantes por dia (COBCOM).

Entretanto, há meia-dúzia de coisas que não me saem da cabeça. Ou seja, três.



1 – Lista dos três jogadores que mais falta fazem ao Porto, de acordo com os resultados no campeonato, por ordem de importância: (1) Fernando; (2) Hulk; (3) Lucho González.

Os cibercomentadores que têm passado o dia a valorizar a importância da ausência do Fernando no jogo de Braga têm toda a razão. Devo advertir que não faço a mínima ideia do que os cibercomentadores têm passado o dia a fazer, porque tenho coisas melhores para fazer com o meu tempo, mas se não passaram o dia a falar do Fernando deviam ter passado.

O mais bizarro é que, provavelmente, os portistas mais… (bom, em frente), se tivessem ficado sem o Hulk, andavam desvairados de desespero, e não ligariam muito ao Fernando, mas eu, se fosse portista e tivesse de escolher, trocava o Hulk pelo Fernando num instantinho. Não é que o Polvo (que epíteto tão adequado, céus!) seja nem um terço do jogador que o outro é, mas é o que já aqui disse muitas vezes: não é a qualidade do jogador, é a função. Não quer dizer que o Hulk não fizesse falta (aliás, está em segundo na lista oficial emitida por mim próprio aqui em cima), mas um golo marca-se de muitas maneiras, agora fazer o que o Fernando faz, no Porto, só ele é que faz.



2 – Este fim-de-semana é à campeão. Não há muitas equipas verdadeiramente campeãs no desporto. Campeãs a sério. Nenhuma destas que ganhará o campeonato deste ano o é. Um Benfica à campeão jamais teria perdido aquele jogo em Guimarães. Um Porto à campeão nunca teria empatado aquele jogo em Paços de Ferreira. Um Braga à campeão teria ganho o jogo da Luz. Mas, mesmo assim, este fim-de-semana, é a melhor oportunidade que aparecerá este ano para qualquer uma delas se aproximar desse nível.

Uma equipa campeã, na minha definição, é uma equipa que não aceita a derrota, sob nenhuma circunstância, incluindo a das famosas arbitragens eu tanto enche a barriga do Zé Povo. Uma equipa campeã consegue até colocar-se acima desse jogo – joga um jogo diferente. É muito raro. Quando acontece, assistimos à consagração do desporto. É uma coisa importante. Podemos passar anos e anos à espera que aconteça. Não é coisa que se coadune com calimerices do género «e tal, e estava fora-de-jogo, e o gajo não quis marcar», ou «e não deu o vermelho», e choraminguices dessa categoria, tipo «eles falam, falam, falam mas eu não os vejo a fazer nada…». É coisa para se chegar ao fim e dizer: «Tu ganhas-me é o c….!»

É uma coisa com outra classe, portanto.



3 – Quanto mais se aproxima o jogo mais se me vai crescendo, cá dentro da tripa, uma sensação de que os jovens adeptos do Benfica – esse pessoal com menos de 21 anos, que só começou a conseguir perceber o que era isto da bola há coisa de 13/14 anos – podem estar à beira de assistir, na próxima segunda-feira, ao primeiro momento realmente à Benfica das suas vidas, e a um dos dez maiores momentos na história do clube.

A coisa está-se a compor de uma maneira que, tal como está neste momento, só acontece de dez em dez anos ou mais. Aparecer o cenário é sempre a parte mais difícil, pela grande conjugação de factores que implica. E o cenário está quase, quase, montado.

Eu já disse que ando a ver se desenguiço este campeonato desde que lixei o jogo com o Porto?