1 – A primeira, e mais importante: se não aparecer algum Mestre da Psique a dizer ao Nélson Oliveira para jogar futebol em vez de passar o jogo a pensar em maneiras de sacar penáltis e faltas que não existem a meio-campo vai-se, pura e simplesmente, perder um jogador talentoso, que por mais prémios que ganhe enquanto júnior vai passar a maior parte da sua carreira a atirar-se para o chão a jogar por um APOEL qualquer – e daí para o banco, obviamente.
Já tinha visto isto no Mundial de sub-20, e penso até que já o tinha escrito, e não há melhoras visíveis. Está certo que não teve muitos jogos para levar nas orelhas, mas enquanto o Jesus não perceber que não vale a pena nenhuma inculcar compêndios tácticos a um jogador que se preocupa menos em meter a bola na baliza que em inventar faltas o Nélson Oliveira não vai a lado nenhum. É que depois, obviamente, nos poucos momentos em que tem o espaço necessário para aplicar a sua qualidade técnica, está desconcentrado em relação à bola e falha. É sempre por pouco que ele falha, se repararem. Pura falta de concentração.
2 – Nos poucos minutos em que tinha visto jogar o Rodrigo Mora esta época fiquei com ele atrás da orelha, e hoje confirmei: gosto muito do Rodrigo Mora. Mesmo muito. E quando vejo o Mora, vindo do nada, a dar uma entrevista ao jornal do Benfica a dizer que está «preparado» percebo que a equipa técnica já confirmou a toda a gente lá dentro que vai lancá-lo às feras, e que a equipa de comunicação está a fazer o seu trabalho.
Gosto muito mais do Mora do que do Jara – aliás, nunca gostei do Jara, e duvido que alguma vez ele volte a jogar pelo Benfica. Falo do Jara porque, durante uma época, andámos a apanhar com o Jara como um projecto de Lisandro López. Eu próprio alimentei essa hipótese, não o nego, mas, no fundo, duvidei sempre que o Jara conseguisse dar o salto qualitativo para o nível do Lisandro. Porquê? Porque, sendo muto forte fisicamente, é um jogador burro a jogar à bola e tecnicamente fraco. Mas sobretudo pela primeira razão. Ao contrário do Lisandro, Jara nunca estava a par do jogo, ficava sempre com a bola por um momento a mais, ou largava-a antes do tempo. Não sabe jogar em equipa. Só vê baliza. Talvez tenha alguma hipótese de singrar se jogar como ponta-de-lança de área, mas como segundo avançado, a mexer muito na bola, trama completamente a equipa.
Pelo contrário, o Mora tem muito mais de Lisandro que Jara. Tecnicamente é incomparavelmente superior. Joga de forma colectiva, entende perfeitamente o momento e o ritmo do jogo e da equipa. Sabe onde estão os espaços. Remata bem. Tem uma mobilidade muito grande. É um futebolista de corpo e mente, e não nos esqueçamos do que suportou para chegar ao Benfica. Passou seis meses a jogar nas reservas para não voltar com a palavra atrás. Podia perfeitamente ter seguido por outro caminho, e não seguiu. Isso tem uma palavra: carácter.
O Benfica tem em Mora um grande jogador à espera de uma oportunidade real. Não sei se pode jogar na Champions, mas eu lançava-o já em Old Trafford.