Vamos fazer isto por ordem cronológica.
1 – Chlesea-Manchester United. Um hino ao futebol… inglês. Porque aquilo – e não falo apenas do 3 a 3, mas de um 3-3 a que se junta, por exemplo, a reacção aos dois penáltis mal marcados, o entusiasmo do público e tudo o resto – só é possível em Inglaterra.
Um desafio: quem não viu, que tente ver, e que, no fim, tenha a ousadia de dizer que o dinheiro estraga o futebol.
A propósito do que escrevi ontem, olho para o Chelsea do Villas-Boas e para o Porto do Villas-Boas, sendo o Villas-Boas o mesmo e tendo muitos mais recursos e pergunto-me: qual é a diferença entre este Villlas-Boas e o outro Villas-Boas? É que este tem a ciência e o dinheiro, e o outro tinha a ciência e a mística. Uma mística que, como portista e como português, ele podia utilizar (e ele utilizou-a com mestria durante toda a época) a seu favor e em Londres não pode, porque não sabem o que é.
2 – O Setúbal vai descer de divisão este ano, e em relação ao jogo está tudo dito. Vi-o para ver os miúdos brasileiros do Porto, o Lucho e o Manko, mas a primeira coisa em que reparei foi no número das camisolas. O Lucho é o 3. Fez-me pensar na 2.
O facto do João Garrafão Pinto ser o lateral-direito e o capitão do Porto foi uma feliz coincidência, muito bem aproveitada pelo clube para instituir o hábito do número 2 passar a simbolizar o porta-estandarte do espírito portista dentro de campo. O 2 passou a ser o ajudante-em-campo, mais que do próprio treinador (porque o treinador passava e o 2 ficava), da mística do clube.
Alguns dos últimos «2» da história do Porto: João Pinto, Jorge Costa, Bruno Alves.
O 2 do Porto, actualmente, é o Danilo.
Isto deveria ser suficiente, mas não resisto a elaborar: um miúdo brasileiro de 20 anos, que preferiu passar 6 meses no Brasil a vir para o Porto e que tem dois dias de casa. Porque é que ele é o 2? Bom, porque «veio para «jogar a lateral-direito»…
Porque é que o Porto foi recuperar o Lucho? Para tentar recuperar a mística. E estou capaz de apostar que, no início da próxima época, a camisola 2 vai ter um novo dono – e o 3 do Lucho (que não faz sentido nenhum, diga-se de passagem, a não ser pelo que vou dizer a seguir) é já a preparar o Danilo para essa realidade. Confrontem isto com o que eu escrevi ontem e tirem as vossas conclusões. A minha leitura das intenções do Porto é simples: agarremo-nos ao que já tivemos, para ver se ainda funciona. Ou: «Crise! Solução? Não sabemos bem! O que é que sabemos?! Sabemos isto. Então façam outra vez para ver se resulta!» A contratação de Lucho é só isto.
Quanto ao impacto do Lucho, em si, vou deixar para os próximos dias – até porque antes quero ver o jogo falado.
Do Manko, não vi mais que do Kléber. Mas a diferença do Manko para o Kléber não é dentro do campo, é fora dele. O Manko tem calo no cú. Quando o Kléber não marca, via para casa cheio de nervos por não ter marcado. O Manko, duvido que vá. O que lhe permitirá manter a compostura quando fizer falta à equipa – que não é contra o Setúbal, entenda-se.
Dos dois zucas vi que jogavam na defesa.
Do Iturbe, gostava de ver, mas não vi nada.
Também tive pena de não ver o Ricardo à baliza do Vitória. Teria sido, presumo, uma recepção «à Danny».
3 – Depois da estreia do Lucho e do Manko estava-se mesmo a ver o Yannick a jogar de início no Benfica, não estava? Com o JJ, não é? Certo, certo… Mas também não devia, acho bem.
Algumas notas, só.
A Floribela está prenha que nem uma égua. Posso dar o meu tirinho para o nome da menina? Cosme Damião.
Ainda bem que o Djaló não marcou aquele golo. Não gosto de jogadores que marcam na estreia.
O Nélson Oliveira não foi ao chão uma única vez. Há uma esperança. E não jogou mal, o miúdo, não jogou não senhor.
O Javi dá cabo da cabeça aos homens. É o jogador mais odiado da Liga. Só não lhe dá quem não pode. Gosto muito disso.
Para a expulsão macarrónica do Pouga, tenho duas teorias, uma maquiavélica, a outra ainda mais maquiavélica: primeira, os árbitros aproveitam estes jogos que não contam para nada para marcar pontos na sua contabilidade dos grandes; segunda, roubam nestes jogos da treta para depois, quando têm de roubar nos jogos a sério contra os grandes, poderem dizer que daquela vez até se enganaram a favor deles.
Em relação ao Soares Dias, será que eu ouvi o tipo da SIC dizer mesmo isto antes do jogo: o Soares Dias é gestor de Recursos Humanos na Associação de Futebol do Porto? O chefe do Soares Dias é o Lourenço Pinto? Ouvi mal, não ouvi?
O Gaitán anda a ouvir das boas. Quando merece e quando não merece. Tem de ser é homenzinho e deixar-se de paneleirices. JJ, diz aí ao homem para ser homenzinho. ´só profissionais da treta.
Em relação à equipa em si, prefiro não falar. Hoje é um dia de bom humor.
Como uma jogada aos 92 minutos se torna na jogada mais significativa de um jogo que acaba 3-0 é algo que só o futebol pode explicar. Mas o Nolito, ao não dar o golo ao Cardozo, provavelmente sem saber (duvido, sequer, que o Nolito soubesse do recorde), arranjou um problema. Pode dar para o mal e pode sair para o bom: ou o Cardozo e um ou outro lhe perdoam e fortalece-se o espírito de equipa ou não perdoam e vão dar-lhe nas orelhas e a coisa pode azedar. Até porque a fuçanguice do Nolito é coisa para dar merda. Se a coisa não for bem gerida lá dentro, azeda mesmo.
Eu, por mim, proibia no princípio da época que um jogador como o Cardozo ficasse com qualquer tipo de recorde no Benfica. Mas para o Cardozo não deve ser fácil de engolir…
E, no fim, fica um Benfica-Porto que não mata, mas mói, a ser jogado a 21 de Março – uma 4.ª feira, a seguir a um Benfica-Beira Mar e a um Nacional-Porto e antes de um Olhanense-Benfica e de um Paços de Ferreira-Porto. Gosto da maneira como isto se está a compôr…
4 – Superbowl. Ainda não foi, vai começar às 23 e 30. Não é o melhor jogo do ano de futebol americano. Esses são as meias-finais e finais de conferência, onde se acham os finalistas; no Superbowl há demasiado show-off. Mas mesmo assim, para quem realmente gosta de desporto, há ali muito para admirar e ainda mais para aprender. Como desafiei em relação ao Chelsea-M. United que me dissessem que o dinheiro estraga o futebol, desafio aqui: vejam o Superbowl e digam-me se a máxima profissionalização, inserida num espírito desportivo justo, não conduz à optimização do jogo.
O meu palpite para vencedores da noite: Patriots, Tom Brady e Madonna.