A reputação, falsamente adquirida, de que o Porto é o único responsável pela sustentação do ranking português na UEFA levou ontem um tiro. Não só os nossos perseguidores apuraram dois clubes para os oitavos-de-final da Champions como um deles o fez à custa do Porto, tendo-lhe ganho um jogo e empatado outro.
Se o Ajax fosse treinado por um francês e tivesse três jogadores franceses, incluindo o melhor do mundo, e uma equipa de arbitragem francesa tivesse anulado dois golos limpos no mesmo jogo que eliminassem o Real Madrid eu queria ver o que é que o Mourinho dizia.
O Bruno Alves foi ao balneário do Porto dar um abraço ao pessoal depois do jogo. O Spaletti não é parvo nenhum. Não acredito que o Bruno Alves entregasse o jogo de propósito ao Porto, mas, nunca fiando, provavelmente também o deixava no banco. Mesmo sendo mais defesa que os outros dois juntos. Só para não dar azo ao azar…
No fim, o Bruno disse que o Vítor Pereira precisa de mais tempo porque tem métodos novos. Eu concordo. Obviamente os métodos da época passada, mesmo sendo «mais de metade dele», já estavam desactualizados.Começou a época de vendas para o Porto. A grande dúvida que vai na cabeça da «estrutura»: «vendemos o Guarín agora, por menos 8 milhões do que o que teríamos feito no Verão, quando ele parecia um jogador de futebol e nós não estávamos desesperados por dinheiro, ou no fim da época, correndo o risco de termos de o emprestar ao Génova durante seis meses à experiência para verem que ele ainda joga e para emagrecer uns quilos?»
O Grande Timoneiro tem-se revelado, sobretudo, e utilizando a terminologia moderna, um grande gestor de activos.Assim como a «estrutura», diga-se. Em quatro jogadores secundários com os quais o Porto teria facilmente feito 60 milhões de euros no Verão (Álvaro Pereira, Guarín, Fernando e Fucile), todos com alternativa no plantel (se considerarmos o ex-júnior Alex Sandro e o Defour alternativas ao mesmo nível), e todos em fim de prazo do seu processo evolutivo no clube (o Fucile até já bem além do prazo), actualmente, se os vendesse aos quatro não faria, por certo, mais de 45 milhões, ou mesmo 40. Pode ser que ainda vão a tempo em Janeiro.
Anda tudo a fazer contas aos 3 ou 4 milhões que o Porto deixou de ganhar pelos quartos-de-final da Champions mas o verdadeiro prejuízo está aqui. 3 ou 4 milhões, só, é o que o Porto provavelmente perderá por cada jogador que venha a vender simplesmente pelo facto de não estar à vontade para regatear. Ninguém no mundo acredita que o Porto não tenha de vender em Janeiro, a começar pelos compradores.
O prejuízo real da eliminação do Porto não são 3 milhões, são para aí uns 15. São dois Witsels.
Aliás, proponho que, na iminência do falecimento do euro, comecemos a usar o witsel como moeda oficial do Religião Nacional.
É só uma questão de saber quanto é que ele custou e estabelecer o câmbio. Meio Witsel, Um Witsel e setenta cêntimos, etc.Esta pode ser a última janela de oportunidade do Pinto da Costa despedir o TOC. Se não for agora…
Isto pode parecer bater a ceguinhos, mas caramba, quando as coisas começam a correr mal até a chuva nos passa ao lado: o Porto não vai ser cabeça-de-série porque, no «grupo da morte» (li esta ontem no blog do Eugénio Queirós e dormi a noite toda a rir), fez piores resultados que o Olympiakos num grupo que tinha Arsenal, Marselha e Dortmund. Vocês querem ver que o Manchester United vai tramar a vida ao Benfica e eliminar o Porto já em Fevereiro? Não estava mesmo nada nos planos.
O Benfica já vai em 16 milhões de euros em prémios na Champions. Ou melhor, dois Witsels.
Isto só me leva a confirmar que a época passada do Benfica não foi o fracasso, em termos resultados, que pareceu. Segundo lugar no campeonato, apuramento para a Champions, meias-finais da Liga Europa pela primeira vez em dezoito anos, meias-finais da Taça de Portugal, vitória na Taça da Liga. Se todos os anos maus do Benfica, falando em resultados, fossem estes, e considerando o que significaria, nesse caso, um «ano bom», daqui a cinquenta anos estaríamos, provavelmente, a falar do melhor período desportivo na história do clube.Isto leva-me outra vez à questão do prazo de validade do Jesus. Mas ainda não é hoje…
Dez dias depois de ter metido baixa durante uma hora e meia, o presidente do Sporting continua a falar de um jogo que não vai existir. Chama-se a isto desespero. Ou necrofilia.
Parece que apanharam um adepto do Zenit no Douro. Deve ter ido patinar no gelo…