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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O prejuízo? Dois witsels

O Cardozo anda zangado. Já viu mais amarelos em dois jogos que na época toda. Ontem, quando marcou o golo, até parecia que estava a fazer birra. Óptimo.

A reputação, falsamente adquirida, de que o Porto é o único responsável pela sustentação do ranking português na UEFA levou ontem um tiro. Não só os nossos perseguidores apuraram dois clubes para os oitavos-de-final da Champions como um deles o fez à custa do Porto, tendo-lhe ganho um jogo e empatado outro.

Se o Ajax fosse treinado por um francês e tivesse três jogadores franceses, incluindo o melhor do mundo, e uma equipa de arbitragem francesa tivesse anulado dois golos limpos no mesmo jogo que eliminassem o Real Madrid eu queria ver o que é que o Mourinho dizia.

O Bruno Alves foi ao balneário do Porto dar um abraço ao pessoal depois do jogo. O Spaletti não é parvo nenhum. Não acredito que o Bruno Alves entregasse o jogo de propósito ao Porto, mas, nunca fiando, provavelmente também o deixava no banco. Mesmo sendo mais defesa que os outros dois juntos. Só para não dar azo ao azar…
No fim, o Bruno disse que o Vítor Pereira precisa de mais tempo porque tem métodos novos. Eu concordo. Obviamente os métodos da época passada, mesmo sendo «mais de metade dele», já estavam desactualizados.

Começou a época de vendas para o Porto. A grande dúvida que vai na cabeça da «estrutura»: «vendemos o Guarín agora, por menos 8 milhões do que o que teríamos feito no Verão, quando ele parecia um jogador de futebol e nós não estávamos desesperados por dinheiro, ou no fim da época, correndo o risco de termos de o emprestar ao Génova durante seis meses à experiência para verem que ele ainda joga e para emagrecer uns quilos?»
O Grande Timoneiro tem-se revelado, sobretudo, e utilizando a terminologia moderna, um grande gestor de activos.
Assim como a «estrutura», diga-se. Em quatro jogadores secundários com os quais o Porto teria facilmente feito 60 milhões de euros no Verão (Álvaro Pereira, Guarín, Fernando e Fucile), todos com alternativa no plantel (se considerarmos o ex-júnior Alex Sandro e o Defour alternativas ao mesmo nível), e todos em fim de prazo do seu processo evolutivo no clube (o Fucile até já bem além do prazo), actualmente, se os vendesse aos quatro não faria, por certo, mais de 45 milhões, ou mesmo 40. Pode ser que ainda vão a tempo em Janeiro.
Anda tudo a fazer contas aos 3 ou 4 milhões que o Porto deixou de ganhar pelos quartos-de-final da Champions mas o verdadeiro prejuízo está aqui. 3 ou 4 milhões, só, é o que o Porto provavelmente perderá por cada jogador que venha a vender simplesmente pelo facto de não estar à vontade para regatear. Ninguém no mundo acredita que o Porto não tenha de vender em Janeiro, a começar pelos compradores.
O prejuízo real da eliminação do Porto não são 3 milhões, são para aí uns 15. São dois Witsels.

Aliás, proponho que, na iminência do falecimento do euro, comecemos a usar o witsel como moeda oficial do Religião Nacional.
É só uma questão de saber quanto é que ele custou e estabelecer o câmbio. Meio Witsel, Um Witsel e setenta cêntimos, etc.

Esta pode ser a última janela de oportunidade do Pinto da Costa despedir o TOC. Se não for agora…

Isto pode parecer bater a ceguinhos, mas caramba, quando as coisas começam a correr mal até a chuva nos passa ao lado: o Porto não vai ser cabeça-de-série porque, no «grupo da morte» (li esta ontem no blog do Eugénio Queirós e dormi a noite toda a rir), fez piores resultados que o Olympiakos num grupo que tinha Arsenal, Marselha e Dortmund. Vocês querem ver que o Manchester United vai tramar a vida ao Benfica e eliminar o Porto já em Fevereiro? Não estava mesmo nada nos planos.

O Benfica já vai em 16 milhões de euros em prémios na Champions. Ou melhor, dois Witsels.
Isto só me leva a confirmar que a época passada do Benfica não foi o fracasso, em termos resultados, que pareceu. Segundo lugar no campeonato, apuramento para a Champions, meias-finais da Liga Europa pela primeira vez em dezoito anos, meias-finais da Taça de Portugal, vitória na Taça da Liga. Se todos os anos maus do Benfica, falando em resultados, fossem estes, e considerando o que significaria, nesse caso, um «ano bom», daqui a cinquenta anos estaríamos, provavelmente, a falar do melhor período desportivo na história do clube.
Isto leva-me outra vez à questão do prazo de validade do Jesus. Mas ainda não é hoje…

Dez dias depois de ter metido baixa durante uma hora e meia, o presidente do Sporting continua a falar de um jogo que não vai existir. Chama-se a isto desespero. Ou necrofilia.

Parece que apanharam um adepto do Zenit no Douro. Deve ter ido patinar no gelo…

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

E no fim, ganham os alemães?

«O futebol é um jogo simples: são onze contra onze e no fim ganham os alemães.»
Gary Lineker marcou muitos golos na sua carreira, mas daqui a cem anos vai mais facilmente ser lembrado por esta frase.

Fui buscá-la porque essa é a minha grande curiosidade para esta Liga dos Campeões. Só há uma equipa capaz de evitar que ou Barcelona ou Real Madrid ganhem a Liga dos Campeões este ano, e essa equipa é o Bayern de Munique.

Digo mais: se só houvesse um (Barcelona ou Real), dizia já que punha o meu dinheiro no Bayern. Tem tudo. Qualidade, experiência, motivação, dimensão, oportunidade. Mas terá tudo isto de forma suficiente?



Com dois adversários desta estirpe a única hipótese do Bayern é se um comer o outro. É a primeira fase.

A segunda fase é conseguir, em casa, no último jogo, a um jogo, fazer o que os alemães fazem: encontrar uma solução. Como já fizeram tantas e tantas vezes.

Duas destas três equipas estarão na final de Munique.



Estou com curiosidade para o sorteio, não o escondo.



Se tivesse de escolher, hoje, um campeão europeu? Barcelona.

E digo mais, o meu feeling é o Barcelona a perder o campeonato espanhol para o Real, a eliminar o Real (outra vez), nas meias-finais da Champions e a conseguir a maior proeza da sua história, uma proeza ao nível, também, da melhor equipa da sua história: ganhar a segunda Champions consecutiva, na casa do adversário, sendo o adversário o Bayern de Munique.

É um desafio à altura da dimensão histórica da actual equipa do Barcelona.





Benfica (IRPR =0.105)

Como era perfeitamente previsível os jogadores do Benfica, ao contrário do seu treinador, encararam este jogo como um treino nocturno. O futebol é um jogo de pressão, e o futebolista moderno, mais que um jogador, do ponto de vista técnico, artístico (no sentido de fazer da técnica uma arte), é um atleta que aprendeu a conviver com a pressão e que usa a sua capacidade física e técnica para lidar com a pressão.

Quando falta o elemento essencial do jogo moderno, que é a pressão, o jogador sai do seu elemento e o jogo torna-se imprevisível, e geralmente mau em relação àquilo que esperamos dele.

É por isso que treinadores de topo, como José Mourinho, Guardiola, Hiddink, e outros (mas o caso de Mourinho é exemplar), se preocupam em manter os seus jogadores sob pressão. Nos clubes também de topo, como o Real Madrid, em que a diferença para as equipas de segunda linha é muito alargada, esse elemento de pressão é conseguido através da pressão interna. Um jogador de futebol só funciona como máquina, de forma previsível, treinável, se estiver sob pressão. A ocultação da lesão de Arbeloa, por exemplo, que não disse ao clube que estava lesionado porque tinha medo de perder o lugar no centro da defesa para Sérgio Ramos, é bem exemplificativo da pressão que Mourinho consegue colocar sobre os seus jogadores, ao mesmo tempo que alivia a pressão extrema (excessiva, paralisadora) que sofrem a partir de fora.

A ausência continuada de pressão sobre as equipas claramente melhores que as outras é, por si só, o seu principal factor de declínio. Sem a pressão a mobilização não é a mesma, e com isso começa-se a criar uma dinâmica negativa que é difícil, depois, de reverter.

Este ano assistiremos a uma vitória do Real Madrid na Liga espanhola (acreditei nisso desde o primeiro minuto da temporada) perante uma equipa do Barcelona que é superior mas que tem uma dinâmica inferior. O Real Madrid ascende, o Barcelona já chegou lá acima, e precisa de perder para sentir, interiormente, que tem de voltar a recorrer à energia positiva que ainda tiver.

Isto é cíclico, é científico e é histórico. Todas as equipas imbatíveis na história do desporto acabaram por ser batidas pelo seu próprio sucesso. É exactamente o que aconteceu no ano em que o Benfica ganhou o seu último campeonato.

Voltando à normalidade, um jogo sem pressão como foi contra o Galati é um jogo anómalo.

Os jogadores, como tal, deixaram, durante 90 minutos, de ser futebolistas, e tornaram-se num grupo de casados a jogar contra solteiros. Tudo bem. Faz parte. É sinal de que são animais competitivos. Isso é que é importante. A outra parte – e essa sim, a decisiva – é se são animais suficientemente competitivos. Fica por ver, nesta época que vai exigir o melhor deles e revelar a sua verdadeira ambição, uma vez que têm a qualidade suficiente para serem campeões e um cenário altamente favorável.

(Confesso que a partir dos 55 minutos mudei para o jogo do Unáite. Ó pá, não me lixem. O Galati fez algum remate à baliza depois daquela na primeira parte?)



Porto (IRPR=0.000)

Futebol no INATEL é almoço. Futebol de competição é resultado. Tudo o resto é poesia. Eu adoro poesia no futebol, e durante este fim-de-semana morreu um dos grandes líricos na história do futebol: Sócrates, um futebolista tão ao contrário de todos que se diz que jogava melhor de calcanhar que de frente. Mas continua a ser poesia.

É a nona vez, esta época, em 21 jogos, que o Porto não consegue alcançar os seus objectivos num jogo. Ou seja, em praticamente metade das vezes que o Porto subiu ao campo falhou. Parecia menos, não parecia?

O Basileia acabou de eliminar o Manchester United no jogo decisivo da fase de grupos. A última equipa a ter conseguido fazer isto foi o Benfica, com o Koeman.

Isto quer dizer que o Manchester United, que vai perder o campeonato este ano, vai jogar a Liga Europa. Tal como o Manchester City. Não, não foi por acaso que meti esta parte no comentário ao jogo do Porto…



CSKA apurado ao ganhar em Milão com um golo a quatro minutos do fim. Lyon apurado ao ganhar 7-1 em Zagreb. Basileia apurado resistindo a um golo em cima da hora do United. Nápoles vence em Villarreal para assegurar o apuramento.



Hoje a Champions conseguiu ser sensacional.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Os irredutíveis APOELeses

O que fica de Nicósia?

O pólo da moda do Grande Timoneiro. Impecável. Justinho, aquele azul no peito… Bonito. Quase que nos faz não olhar para o nariz e esquecer o gigantismo da cabeça em relação ao resto do corpo. Em relação ao Vítor Pereira não reparei em mais nada.

O capitão do APOEL. Também não reparei se fez alguma coisa de jeito mas o seu nome é digno de uma personagem do Astérix: Charalambides. Não? «Cara-lambida». Desculpem lá, mas se o Astérix fosse um dia ao Chipre, na aldeia irredutível cipriota que ele, o Obélix e o Panoramix fossem ajudar ia, de certeza, haver uma personagem chamada Caralambides.

Ao fim de seis anos o Manduca fez o seu melhor jogo pelo Benfica. Já cá não está, é verdade, mas isso agora não interessa nada.

O guarda-redes do APOEL tem um equipamento giro para ver à noite mas ficámos sem saber se vale alguma coisa, porque não teve de fazer nenhuma defesa.

O Nuno Morais mete aquela gente toda a correr.

Será que o Porto ainda não pagou o Mandá-la porque ele ainda está à experiência? Fica a pergunta. (Agora a sério, acho que é mais jogador que o Rolando com uma perna às costas.)

O Grande Timoneiro tem razão em relação à relva. Estava tão má, sobretudo dentro das áreas, que o James até tropeçou numa bossa.

O Porto ainda não está iluminado... Eliminado, eliminado!