Um contra-ataque rápido, em meia-dúzia de passes, daqueles para chegar à baliza e decidir, porque hoje está muito complicado em termos de tempo:
1 – A verdadeira Cadeira de Sonho é a do seleccionador do Brasil. Quando o Bruno César e o Kléber têm lugar na selecção do Brasil, mesmo na B, é porque o critério não pode ser a qualidade. Talvez seja nos cinco ou seis melhores que jogam sempre, mas nos outros a coisa deve ser na base da comissão. E o Benfica e o Porto, pela quantidade de zebras que têm sacado, devem conhecer bem o sistema. E na selecção argentina a mesma coisa. Anda ali esquema do grosso. O que não tem graça nenhuma é o Luisão andar outra vez nestas andanças.
2 – A história dos 10 mil bilhetes é o Sporting a fazer peito. É bem jogado. E não sei se também não era bem jogado o Benfica dar-lhes os 10 mil bilhetes – com garantias de reciprocidade, evidentemente (10 mil por 10 mil. É que 10 mil em 63 mil é uma coisa, em 43 mil é outra...) Politicamente, é um momento importante de aproximação. Vou falar disto melhor amanhã ou depois. Não devemos menosprezar a importância deste momento específico na realidade do futebol português da era-Pinto da Costa.
3 – Luís Duque tem o projecto de, através do futebol, se tornar presidente e, depois, presidente vitalício do Sporting, à Pinto da Costa. A forma tranquila como dividiu as águas em relação às eleições da FPF e como colocou a «estrutura do futebol», num instante, do lado do candidato que não é o que a «nomenclatura» apoia, comprova isso. Mas também comprova que, sem resultados desportivos, o Sporting continua a ser o ninho de cobras que sempre foi. Os slides de felicidade que se passam para o exterior são uma verdadeira campanha de marketing. A forma como Godinho é mostrado, nos meios de comunicação social, como um elemento estranho ao organismo do futebol, é reveladora. Apontem aí: ainda antes do fim desta época vamos assistir a uma clivagem interna entre futebol e Direcção no Sporting. O Duque quer ser rei. O Godinho é carne para canhão.
4 – Nas últimas seis semanas o Record já vendeu o Capdevilla pelo menos seis vezes. Chama-se a isto, literalmente, fazer render o peixe. Claro que o Capdevilla vai sair do Benfica em Janeiro. Neste momento, ninguém quer que ele fique: o jogador quer jogar, o Benfica quer poupar o salário (e não deve ser pouco) e o Jesus nem vale a pena falar – aliás, acho que o Jesus nem quer o Capdevilla nem quer o Emerson, mas em Janeiro falamos melhor.
5 – Antes de chegarmos aos 150 mil visitantes diários, e de depois virem dizer «Ó palhacinho, sabes muito, sabes muito, mas com o Capel nem a viste passar», eu admito: enganei-me com o Capel. Em meu favor, o Capel (e o Sporting) teve a sorte do seu lado: praticamente ao mesmo tempo o Jéffren lesionou-se e o Djaló foi vendido. O Capel, que o Domingos ia deixar no banco à espera da «adaptação», acabou por entrar porque não havia mais ninguém. Teve dois ou três jogos seguidos e engatou. As carreiras fazem-se e desfazem-se, também, assim.
Golo.