Como já aqui disse, nos últimos 30 anos o Porto nunca perdeu
um campeonato por culpa própria. Ou foi o árbitro, ou a federação, ou a Liga ou
a PIDE.
Este ano, o grande problema é que ainda não havia túneis, nem
estádios no Algarve, nem árbitros. O Porto estava, pura e simplesmente, a
enterrar-se sozinho. Impensável. A Estrutura, com 100 milhões gastos em
jogadores e comissões, estava à beira do maior fracasso desportivo do futebol
português nos últimos vinte anos – repito: à beira do maior fracasso desportivo
do futebol português dos últimos vinte anos.
O Capela, sozinho (bom, com a ajuda do povo calimérico…) resolveu
esse problema. Se o Porto perder este campeonato, vai ser por causa do Capela,
que, estupidamente, se inibiu no momento de fazer aquilo que se espera de
qualquer árbitro português: que cometa um erro para satisfazer o sistema do politicamente
correcto.
Vou repetir isto também, para que não fiquem dúvidas daquilo
que alguns considerarão facciosismo mas que eu considero independência crítica:
o Capela acertou ao não marcar todos os penáltis-fantasma, mas neste país não é
suposto um árbitro acertar, é suposto marcar aquilo que o sistema acha que está
na moda.
Também vou dizer isto outra vez, porque este post é o último
em que falo de árbitros este ano, aconteça o que acontecer na Madeira e nas
Antas: não mudo uma vírgula à minha visão dos lances.
A Sport TV continua a repetir os lances, até convencer toda
a gente que tem de ser penálti. O que eu vejo cada vez mais à medida que eles os
repetem é o Volkswagen a ir à procura do contacto com o Garay, o Capel a falhar
o remate e a embrulhar-se com o Maxi quando já não pode acertar na bola (agora
até vermelho já lhe querem mostrar, numa jogada em que o Capel nem sequer tinha
ainda tocado na bola, o que mostra bem os verdadeiros sentimentos caliméricos
na análise dos sportinguistas ao lance), o Viola a perder o pé de apoio quando
vai a arrancar e, na última jogada, a atirar-se para cima do Jardel. Deste quatro, o único
lance que me pareceu penálti à primeira
vista foi o do Volkswagen, e na repetição percebi que não era.
Nada disto, contudo, alguma vez será dito nos jornais,
primeiro porque todos os Calimeros têm direito à vida, e depois porque não podemos contrariar o Pinto da Costa. Ele é omnipresente e
omnipotente. A sua fina ironia consegue matar à distância, como se sabe. É um ser
inteligentíssimo e, como tal, a última palavra pertence-lhe por direito.
Eu, que sou benfiquista, devo ser o mais pessimista deste
país, porque continuo a dizer que o Benfica tem (agora) 50 por cento de hipóteses
de ser campeão, que são as hipóteses que tem de ir ganhar à Madeira.
Mas é compreensível que também Pinto da Costa esteja mais pessimista
agora, em relação ao título. Afinal, o campeonato começou de maneira
auspiciosa, com o Benfica a empatar em casa com o Braga com um golo anulado ao
Cardozo a cinco minutos do fim porque não tocou no guarda-redes.
Continuou ainda melhor, quando a Académica beneficiou de
dois penáltis inexistentes para, também ela, empatar com o Benfica. Esses quatro
pontos dos oito que o Benfica já perdeu este ano no campeonato eram boas razões
para o optimismo de Pinto da Costa.
Tal como a grande defesa do Alex Sandro em Braga, na pequena
área, beneficiando do critério largo selectivo do providencial Carlos Xistra.
Ou as vistas largas do Cosme Machado no jogo com o Olhanense,
naquela mão no chão do jogador do Olhanense, que deu o penálti que o Jackson
atirou para os Superdragões.
Havia boas razões para o optimismo de Pinto da Costa, mas o
Capela entregou o campeonato ao Benfica. Alguém tinha de ser.
É preciso dar a volta a isto, e só há uma pessoa que pode pôr
o futebol português a funcionar de maneira honesta e profissional: o grande
líder, o homem infalível e sem idade.
É preciso fazer de Pinto da Costa presidente da Liga. É um
desígnio nacional. Com ele, o futebol português terá estádios cheios, árbitros
competentes, uma ética intocável e um futuro imenso. Eu sei do que estou a falar,
porque já assisti.
Sim, eu sou do tempo em que o Pinto da Costa foi presidente
da Liga, na gloriosa década de 90, em que tudo era possível no futebol português. Nessa altura, tudo estava como devia estar.
Era matéria de sonhos.
O Porto ganhou oito campeonatos – os outros dois perdeu-os por causa dos
árbitros, obviamente, apesar de haver árbitros de grande categoria, como
Martins dos Santos, José Guímaro, Soares Dias, José Silvano, Carlos Calheiros e
tantos, tantos outros que, hoje, fariam o Capela corar de humildade.
Bons tempos, em que o advogado Lourenço Pinto podia decidir,
sossegadamente, à secretária da presidência do Conselho de Arbitragem da FPF, manipulando relatórios de delegados, que árbitros
subiam, que árbitros desciam e quem chegava a internacional.
Tudo era bonito.
E tudo esta ignorante gente vermelha estragou.
Mas nem tudo está perdido. Pode ser que a flash interview casual do grande
timoneiro na apresentação dos barcos de turismo do Rio Douro consiga, enfim,
abrir os olhos ao árbitro do próximo Marítimo-Benfica, ajudá-lo a decidir em
conformidade, e que ainda se vá a tempo de fazer justiça neste campeonato.
Afinal, é a última oportunidade, mas também é a melhor
oportunidade.