segunda-feira, 26 de março de 2012

O Braga e a praga

Acho que a vitória do Braga, hoje, é boa para o Benfica.

A minha lógica é relativamente simples: para o Benfica, ficar em segundo depende sempre de ganhar ao Braga em casa, e não ganhar ao Braga em casa implica ficar em terceiro no campeonato, independentemente de como o Braga chegasse ao jogo da Luz. Não acredito que o Braga ganhe ao Porto e ao Sporting, o que significa dois maus resultados, pelo menos, até ao fim do campeonato. Em caso de vitória frente ao Braga, o Benfica até pode perder em Alvalade, que as hipóteses de não ficar em segundo são mínimas.



Para o Benfica (e isto sempre na perspectiva do Benfica ganhar no próximo fim-de-semana, caso contrário toda esta conversa é fútil) uma vitória do Braga implica que, mesmo perdendo na Luz, o Braga chega ao jogo em casa, com o Porto, a um ponto do Porto. Isso quer dizer que, se ganhar ao Porto, o Braga não só fica à frente do Porto como, provavelmente, fica em vantagem no confronto directo, uma vez que marcou dois golos nas Antas – e isto quando o Porto ainda tem de ir à Madeira, jogar com o Marítimo, e receber o Sporting (um jogo sempre imprevisível) nas quatro jornadas que faltam.

Ou seja, com os resultados deste fim-de-semana o Braga ganhou combustível para lutar pelo título, pelo menos, até ao jogo com o Porto – e só o perderá se perder os dois jogos que se seguem. E esse jogo com o Porto passou a ter uma importância decisiva para a classificação final do Braga neste campeonato.



Resta dizer que, para o Benfica, seria quase desastroso acabar esta época em terceiro lugar. Penso que quando chegarmos ao fim da época identificaremos três factores especialmente importantes para a perda de um campeonato que, até Dezembro, estava setenta por cento ganho:

- ter começado a época um mês antes dos outros, o que, se por um lado lhe permitiu começar melhor a época e ir, por exemplo (creio eu), empatar às Antas, também lhe roubou, claramente, fôlego no inverno;

- ter avançado na Champions acima das expectativas, ao contrário dos seus dois principais rivais (que vão, por isso, chegar a Abril com menos seis ou sete jogos a sério nas pernas e na cabeça;

- não ter conseguido, em Janeiro, acrescentar um ou dois lugares de profundidade real ao seu plantel, nomeadamente com um defesa central que ermitisse não ter de jogar com o Jardel e um bom extremo, com gás suficiente para abrir, por si só, pelo menos um jogo daqueles que o Benfica empatou a zero, nomeadamente em Coimbra ou em Olhão.



Se acabar em segundo, o primeiro destes problemas fica resolvido. Se acabar em terceiro, as hipóteses de fazer uma época em crescendo, a chegar relativamente bem aos últimos jogos, ficam praticamente eliminadas logo de início.



Também resta dizer que os gajos do Braga estão todos cagados por terem chegado a primeiro. Bastou olhar para as caras deles.

Sempre quero ver como é que se vão comportar na Luz. Mas até adivinho que vaiser o Benfica-Braga mais fácil, para o Benfica, dos últimos anos. Wait and see

*

Num assunto relacionado, assisti a uma boa parte do jogo do Granada com o Sevilha. Para ver o Franco Jara, só por curiosidade.

Como é que um jogador que é apenas igual aos outros numa equipa de fundo da tabela de Espanha, que não mostra nenhuma característica distintiva, que não se destaca, pode fazer parte das soluções de um clube como o Benfica?

De que é que estamos a falar?

Que espécie de lógica é que nos leva a considerar, sequer, a hipótese de ter um jogador assim no Benfica?

Só pergunto isto porque a lógica do Jara é a mesma lógica do Emerson, do Jardel, do Capdevilla, do César Peixoto, do Bruno César e de tantos, tantos outros ao longo dos anos.

Só há uma hipótese racional de um jogador assim servir para o Benfica: estar completamente subvalorizado por uma questão conjectural, como uma lesão ou uma zanga séria com o clube em que esteja. O que é raríssimo.

Vamos colocar as coisas dentro da perspectiva certa: para se jogar no Benfica, não serve, por exemplo, um suplente do Braga, nem serve sequer um titular do Braga – serve um jogador CLARAMENTE MELHOR QUE OS OUTROS no Braga, ou em qualquer outro clube à excepção dos que joguem nas 15 ou 20 melhores equipas do mundo. E isto tendo 18, 23 28 ou 33 anos. Que tipo de mais-valia real é que pode trazer para o Benfica, de facto, um suplente do Corinthians, um suplente do Villarreal ou um tipo que não consegue sequer acabar um jogo no Granada sem se distinguir dos outros?

Isto não é ser simplista – isto é senso-comum.

Um Emerson, um Capdevilla, um Jardel, um Bruno César (Não me lixem com o Bruno César, ok? Só não é um jogador vulgar porque está no Benfica. Se vocês o vissem a jogar no campeonato brasileiro era igual a mais 100 gajos) só estão, no Benfica, a fazer duas coisas: a ocupar um lugar que não lhes pertence, impedindo que outros melhores lá estejam, e a consumir recursos.

Como um clube resiste a uma política de contratações tão displicente e tão estúpida (é a única palavra que me ocorre para a repetição dos mesmos erros nas mesmas condições, sofrendo as mesmas consequências, ano após ano), isso sim, é um verdadeiro milagre.

domingo, 25 de março de 2012

«Ganhar o campeonato» ou «não perder o campeonato»?

Ora bem, como deve ter reparado foi um fim-de-semana de absentismo – ao que a frustração. Obviamente, também ajuda.

O funeral de sexta-feira pôs o pessoal aos berros, como é óbvio, e levantaram-se algumas questões pertinentes, às quais vou tentar fazer o contraditório, (de forma necessariamente sucinta, como é claro, pois cada uma, por si só, daria um longo post).



1 – A não-descida dos clubes

Antes de mais, não concordo totalmente com a leitura de que o Olhanense só tenha destruído, mas pronto, até dou de barato, porque não é assim tão relevante.

Primeiro ponto: uma equipa mais fraca, aqui, em Espanha, na Turquia, na América e no Azerbeijão, a jogar contra uma equipa em que o ordenado de um jogador do adversário chegaria para lhe pagar a temporada inteira, vai sempre tentar arranjar subterfúgios para nivelar o campo.

No desporto americano as hipóteses são menores, mas também há: há equipas que apostam na agressividade, em sistemas de jogo revolucionários, em esquemas estranhos.

No futebol, uma vez que o empate é premiado e o anti-jogo é permitido, é o anti-jogo que se pratica. Essa é uma questão mais do jogo em si que do formato de competição, e só pode ser resolvida de duas formas: ou coerciva, aplicando novas regras, ou progressiva, pela educação. Na primeira pode-se, por exemplo, implementar o tempo jogado em vez do tempo corrido, eliminar o empate, e muitos outros esquemas que o International Board (ainda) não permite. Na segunda, espera-se que as pessoas percebam que o anti-jogo lhes tira dinheiro ao fim do mês porque leva as pessoas a não irem ao futebol. Não há é muita gente que esteja disposta a perceber e a explicar isto aos jogadores e aos treinadores – aos verdadeiros profissionais do futebol.

Segundo ponto: como é que o jogo de sexta-feira justifica o sistema actual? Não percebo. Algumas questões: O Olhanense, já sem precisar dos pontos, competiu ou não competiu ferozmente? O Olhanense teria jogado de outra forma se estivesse a lutar para não descer? A propósito de quê? Então sem, sem ter nada a perder, jogou a defender, para fazer o ponto, o que é que teria feito de diferente se jogasse para o ponto precisando dele? Não teria jogado tão ou mais na retranca, considerando que, pelos vistos, é assim que o Sérgio Conceição achou que conseguiria não perder com o Benfica?

O Olhanense, provavelmente com um prémio chorudo do Porto por baixo da mesa – como o Nacional contra o Porto na semana passada, por certo… –, jogou para o empate. E então? Provavelmente continuaria a jogar para o empate se não houvesse descidas. Um campeonato fechado não acabaria com estas situações, como é evidente. Nem eu disse que acabaria. Elas são sistémicas. Mas um campeonato fechado, com o tempo, criaria um clima de jogo pela positiva, e não pela negativa, quanto mais não fosse porque, num campeonato fechado, só há uma direcção para onde olhar: para cima. Agora, os medíocres sempre existiram e sempre existirão. Simplesmente teriam menos espaço para prosperar, porque passaria a ser a ambição a dar o tom, e não o fado do desgraçadinho que ouvimos a 90 por cento dos clubes logo em Agosto. Fechar o campeonato não transformaria o futebol português num paraíso do ataque, da positividade e do fair-play, mas concerteza tiraria muita razão de existir à negatividade que se vê, sobretudo, nos jogos entre equipas equilibradas – esses sim, uma verdadeira bosta de jogo, na maior parte das vezes, porque se passa a maior parte do tempo a jogar para o pontinho. O meu argumento a favor de um campeonato fechado não está no Olhanense-Benfica, que tem sempre muitas gente a assistir – está no Olhanense – Rio Ave, que tem 500 pessoas, e todas elas aborrecidas ou que só lá vão para chamar nomes ao árbitro.



2 – A extensão dos plantéis

Uma questão interessantíssima e muito propensa aos mitos e aos chavões.

Chavão: «Temos dois jogadores para cada lugar.»

Facto: Não é verdade. Nenhuma equipa do mundo tem dois jogadores de valor igual para cada posição, e isso seria completamente estúpido, porque seria um desastre económico e desportivo. A última vez que me lembro de isso acontecer foi quando o maluco do Berlusconi tinha, no Milão do fim dos anos 90, onze jogadores para o campeonato e outros onze para a Liga, ganhando em ambos, e mesmo esse só durou dois anos.

Em todas as equipas há os bons e há os melhores, e quem joga são os melhores.

O que nos leva a segundo chavão: «Temos alternativa à altura dos titulares.»

Facto: falso, em 99 por cento dos casos. É raríssimo um suplente ser tão bom como o titular. Aliás, em muitos casos, o suplente directo, chamemos-lhe assim, nem sequer substitui o titular do seu lugar. Temos assistido a vários casos este ano, por exemplo, no Benfica e Porto em que é uma espécie de suplente de segunda linha com mais ritmo ou mais qualidade que o suplente directo do lugar, mas de terceira linha, que substitui o titular. Veja-se os casos da lateral-direita ou dos extremos  no Benfica e no Porto.

Chavão: «Temos um plantel suficientemente profundo para encarar com optimismo todas as competições.»

Facto: um plantel pode ter 17 jogadores de campo do mesmo nível médio-alto e 3 acima da média, mas se, nos jogos decisivos, um, dois ou mesmo os três jogadoresd acima da m+edia não jogarem, as suas hipóteses de sucesso são praticamente nulas, por mais jogadores médio que o treinador tenha para meter no onze. No Barcelona, toda a gente sabe jogar bem, mas se o Barcelona jogar as meias-finais da Liga dos Campeões sem o Messi, o iniesta e/ou o Xavi as suas hipóteses de ser campeão europeu desceriam de 80 por cento para 15.

Tudo isto deveria levar a uma maneira diferente de construir os plantéis, mas a verdade é que ter 20 jogadores de campo parece continuar a ser uma regra sagrada para todos os treinadores. Lá mais para o Verão, certamente, iremos falar muito disto.

Deixo só uma questão no ar: entre o que se paga de ordenado ao Capdevilla, ao Jardel e ao Miguel Vítor não se conseguiria pagar a um defesa que fosse melhor do que qualquer um dos três e que fizesse mais minutos que os três juntos, capaz de pôr o Emerson no lugar que merece – o banco? Pois…



3 - Uma «equipa-campeã»

A questão não é ganhar ou não ganhar o jogo. Arrisco mesmo a dizer que a questão não é ser campeão ou não ser campeão. Pode-se empatar um jogo como o de Olhão por duas razões: ou por se fazer as coisas bem feitas e não ter a sorte do jogo (o que pode sempre acontecer) ou por não se saber como ganhá-lo. Da mesma forma, pode-se ser campeão empatando um jogo como o de Olhão por não se saber como o ganhar – não se pode é esperar que a chuva caia sempre no nabal enquanto o sol está na eira. Acontece uma vez ou outra. Depois passa. Não me parece que comparar o Benfica ao Real Madrid seja relevante. O Real Madrid do ano passado, por exemplo, já sabia como ganhar, apenas ainda não tinha a qualidade suficiente para o conseguir. Mas já era uma equipa que, se não tivesse apanhado aquele Barça, teria sido campeã facilmente. Tinha a ciência para isso. No entanto, não o foi. Diferença este ano, nem sequer é o que o Real Madrid está a fazer, mas o que o Barcelona está a fazer. E o Real será campeão.



4 – E em relação a isto…

Agora, que o Porto acabou de empatar, convém dizer que isto não altera a minha leitura do jogo de sábado, nem em relação à capacidade da equipa do Benfica nem em relação às suas possibilidades de ser campeão (tristemente, confesso) – pelo contrário, só confirma a minha leitura de que qualquer semelhança entre este Porto, sofrendo o empate a 10 minutos de se sagrar virtualmente campeão, e o Porto-campeão dos últimos anos, é pura coincidência ao nível da corda camisola. Displicência, falta de agressividade, falta de jogo colectivo (tudo isto em termos relativos, entenda-se), uma sombra de uma equipa campeã.

Quanto ao título, não confundamos fé com racionalidade. Acreditar, nenhum benfiquista deixa de acreditar, por mais funda que a crença esteja. Mesmo se o Porto tivesse ganho continuaríamos a acreditar que o Porto podia empatar mais um jogo em casa, perder em Braga, perder com o Sporting, e por aí fora. Mas as hipóteses do Benfica, racionalmente, continuam a ser débeis. Ser campeão implica ganhar os 6 jogos que faltam. O eventual deslize que o Benfica podia cometer em Alvalade cometeu-o em Olhão. Vai ter de ir ganhar a Alvalade, ganhar ao Braga, ganhar os outros jogos todos e esperar, obrigatoriamente, que o Porto ou não ganhe em Braga ou não ganhe ao Sporting em casa.

Mas querem mesmo saber? Vou cometer um pecado. Este título, a acontecer, já perdeu muito do sabor que teria. Porque o facto do Benfica ser campeão não altera o que tenho visto a equipa fazer nestas semanas em que deveria ter mostrado o verdadeiro estofo de campeã. O que quero dizer é que não vejo mais, nesta equipa, além de alguma subida de qualidade e de experiência, do que o que já vi no primeiro ano de Jesus: um campeão ocasional.

Quase diria que o prazer que me daria ganhar este campeonato seria mais pelo que poderia significar em termos futuros, na desagregação do Porto, do que pelo campeonato em si, que é o mais renhido de que me lembro.

E eu gostava de poder escrever isto tudo ao contrário, acreditem.



5 – O verdadeiro benfiquista

Ser benfiquista não é apoiar quem lá está porque lá está. É preciso começar a enumerar algumas dezenas dos que lá estiveram, entre presidentes, treinadores e jogadores, e que não valiam a ponta de um corno? É suposto que eles ainda lá estivessem só porque lá estiveram em determinada altura?

Solidariedade não é dizer ámen. Dizer ámen contra a nossa consciência é NÃO SER benfiquista. Já disse e repito que ainda hoje lá tenho o título da Operação Coração guardado em casa, com muito orgulho.

Apoiei o Jesus quando ele manteve o Roberto até às últimas consequências. Era o que estava certo, na minha consciência.

Apoiei o Vieira quando ele manteve o Jesus a meio da temporada passada. Era o que estava certo, na minha consciência.

Provavelmente até o vou apoiar quando ele decidir manter o Jesus no final desta época, dadas as alternativas e a conjectura. Se isso estiver de acordo com a minha consicência.

O Vieira está a fazer um trabalho muito bom no Benfica. Quer conquistar-me definitivamente? Esqueça os árbitros, eleve a ética de trabalho no interior do clube, e, quando eu sentir que o Benfica fez tudo o que podia para ganhar e só não ganhou porque foi roubado, serei o primeiro a atirar um paralelepípedo à porta da FPF. Antes disso não.

O Jesus quer ganhar-me? Aprenda a ser melhor, caia em si, cresça com homem e como profissional, aprenda que o facto de ser iliterado não faz dele melhor que os outros, deixe-se de merdas, e eu vou para o Estádio da Luz pedir-lhe a chiclete. Se não o fizer, que vá corrido e o quanto antes, de preferência já hoje.

Os jogadores querem que eu os apoie incondicionalmente, mesmo irracionalmente? Dêem-me, dentro de campo, razões para pensar que não poderia desejar ser representado, como benfiquista, por outros que não eles. Joguem sem ser no limite da ambição e puta que os pariu, seja Emerson, seja Maxi, seja Luisão, seja Aimar.

Isto não faz de mim um  verdadeiro benfiquista? Pois se assim é, viva o Sporting e que se lixem os verdadeiros benfiquistas.

Se isto fosse lá pelo apoio incondicional e acrítico o Benfica era campeão da Europa todos os anos. Mas não vai.

sexta-feira, 23 de março de 2012

É outro jogo

Estar preparado para ser campeão significa ter recursos e engenho para ganhar o tipo de jogo que o Benfica empatou hoje em Olhão.

Há um paradoxo que fica claro na escolha dos jogadores por Jesus: por um lado, se a prioridade é o campeonato, os titulares que ficaram de fora teriam de jogar hoje e ficar de fora contra o Chelsea ou contra o Porto; por outro, é evidente que não só o Benfica não pode jogar com as segundas escolhas nos quartos-de-final da Champions, porque vai contra toda a lógica, como que para ganhar ao Olhanense o Benfica não deveria precisar de jogar com o melhor onze, e o que jogou devia chegar.



A questão de fundo não é a escolha de jogadores. A questão de fundo é que este tipo de jogos – que acontecem sempre no campeonato porque os candidatos ao título têm sempre jogos-alçapão entre jogos mais mediáticos ao longo da época – requer um kit de sobrevivência específico.



Para ganhar jogos destes, em que a concentração e as pernas estão a 70 por cento, é preciso, antes de mais, saber ao que se vai. Pensar que os Olhanenses também fazem parte do nosso mundo e que vão encarar o jogo como o Benfica, para cumprir calendário, é o primeiro erro. O interesse dos Benficas e o interesse dos Olhanenses nestes jogos não é o mesmo. Uns estão a jogar a 70, os outros estão a jogar a 95/100.



Depois, é preciso saber que não se vai poder ir lá a pensar fazer apenas o jogo normal, porque o jogo normal não vai aparecer. Ou seja, é preciso ter consciência que, para ganhar, se vai ter de jogar de outra maneira. Basicamente, vai ser preciso jogar menos e jogar melhor. Tem de se tentar fazer menos coisas e conseguir fazer coisas mais bem feitas. Nos livres, por exemplo, não se deve contar com oito ou nove livres, porque só se vai ter três ou quatro. Nas trocas de bola, não se deve contar que os passes entrem bem tantas vezes, pelo que se deve passar a bola para determinados sítios e sem tentar inventar linhas de passe. O tipo de jogo tem de ser mais mecânico, mais automático, pedindo pouco à criatividade (que só funciona com a cabeça e as pernas frescas) e muito às rotinas.



Sabendo que o gás não vai durar o jogo todo, deve focar-se a agressividade num pico, durante um período mais curto, e usar-se de cinismo, sem vergonhas, durante o resto do tempo.



Para fazer tudo isto – que é muito, mas que é a chave das equipas-campeãs, porque este tipo de jogos vale entre 10 e 12 pontos por época, quando a diferença entre o primeiro e o segundo fica, em condições normais, entre os 6 e os 7 pontos – é preciso ter uma equipa construída, de facto, para ser campeã, e não apenas para ser uma equipa que saiba jogar futebol. Neste tipo de jogos, não é importante saber jogar futebol – é preciso saber ganhar. Quando se fala em saber jogar feio, é disto que se fala.



Evidências: a equipa do Benfica não mostrou agressividade, ambição, capacidade de concentração, preparação mental, técnica e táctica para conseguir ganhar este jogo. Não os mostrou antes da expulsão do Aimar nem os mostrou depois da expulsão do Aimar – que é uma má decisão, evidentemente, tomada por um árbitro com boa capacidade técnica mas que sofre do mesmo mal de muitos outros árbitros, que é o de apitar preocupado com o que se diz depois do jogo pelos advogados de acusação em vez de apitar preocupado em fazer justiça.



Para o Jesus, reduzir a perda do campeonato a um fora-de-jogo não assinalado ou a uma expulsão mal tirada serve. É igual ao litro. O problema, para ele, é menor. Hoje está no Benfica, amanhã está no Valência, depois de amanhã está no Porto, vai tendo as suas oportunidades e daqui a um ou dois anos tanto se lhe dá como se lhe deu se o Benfica aprendeu a ser campeão ou não, o que lhe interessa é salvar o couro.

Para os adeptos do Benfica, que vão ficar no Benfica até morrerem, durante mais 20, 30 ou 60 anos, reduzir a perda do campeonato aos supostos erros dos árbitros (ainda por cima esquecendo selectivamente os erros dos árbitros a favor do Benfica) é o pecado original. Já aqui disse que é o cancro do Benfica. Reafirmo-o.



Um Benfica campeão pode perder um jogo como o de hoje, em Olhão – mas só o perde por manifesta infelicidade, e não por azelhice, como perdeu hoje.



Quando se constrói um plantel, quando se constrói um estilo de jogo, quando se faz uma equipa, em todas as suas vertentes, e se se faz isso para se ser campeão, este tipo de jogos tem de ser pensado de raiz. E não apenas os jogos com o Chelsea, com o Porto ou com o Braga.



O Benfica pode ser campeão (na verdade, não pode, mas pronto…) mas continua a não ter uma equipa campeã. E o mais dramático é que, daqui a dois meses, quando toda a gente andar a sonhar com a nova época, ninguém, provavelmente, dos dirigentes aos adeptos, se vai lembrar que os Olhanenses debaixo dos alçapões também existem, e que é nesses alçapões que se ganham ou perdem campeonatos. Porque uma coisa é andar na luta, a outra é estar preparado para ganhar a luta.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Pareceu mesmo a sério...

Hoje à noite houve mais um jogo amigável para a Taça da Cerveja. Deu para ver que não foi a sério porque o treinador do Gil Vicente disse, na véspera, que era apenas o jogo mais importante na história do clube, e porque o Braga jogou com os suplentes todos… no banco. Mas não era a sério. E quando for a final também não vai ser a sério, não senhor. A azia dos jogadores e adeptos do Braga pareceram mesmo a sério, mas enfim…



Tenho poucas dúvidas que esta Taça da Liga se tornará, a médio prazo, e se sobreviver ao facto de os suplentes do Porto não a conseguirem ganhar – o que joga muito contra ela porque vai contra a contabilidade de merceeiro que a propaganda tem vindo a tentar instituir –, na segunda prova mais importante do calendário.

Em primeiro lugar tem vindo a ser dominada pelo Benfica, com vitórias sucessivas sobre os seus dois rivais, o que lhe vai assegurando a atenção de metade dos adeptos em Portugal.

Em segundo lugar, o facto de se estar a tornar numa taça benfiquista vai torná-la fonte de cobiça mais forte para Sporting e para os suplentes do Porto, uma vez que tudo o que o Benfica tem os outros querem, sobretudo os suplentes do Porto.

Em terceiro lugar, dá dinheiro.

Em quarto lugar, pelo tipo de filosofia que os clubes maiores têm até chegar às meias-finais – a partir das quais a levam, mesmo, a sério –, porque abre quase sempre espaço a pelo menos uma equipa pequena nas meias-finais, e quando não abre assegura dois grandes jogos nessa fase. Eu sou completamente a favor do esquema que está instituído, que favorece, na teoria, o apuramento dos três grandes. Na prática, com a política de usar as segundas equipas por parte do Benfica, Sporting e dos suplentes do Porto, o que dá é um equilíbrio entre o interesse de ter pelo menos dois deles nas meias-finais e um elemento da plebe metido ao barulho, geralmente com bons comportamentos precisamente pelo factor-motivação.



Talvez fizesse mais sentido, no entanto, e de acordo com esta filosofia (que não vai mudar) fazer a Taça da Liga no princípio da época, como acho que já foi feito (ou como se faz noutros países). Eliminar do calendário a Supertaça Cândido de Oliveira, por exemplo, e substituí-la pela fase de grupos da Taça da Liga, ao longo de uma semana (são três jogos, afinal), faria sentido, deixando as meias-finais e final, por exemplo, para a semana antes do Natal, ou mesmo no Natal. Futebol competitivo para todas as equipas das duas Ligas, no Verão, com toda a gente a querer ver futebol e todos os treinadores a quererem dar minutos aos jogadores, isso sim, faria sentido.



Outra hipótese seria tornar a Supertaça uma final four entre os dois primeiros classificados da Liga e os vencedores da taça de Portugal e da Taça da Liga do ano anterior. O que faz pouco sentido é ter um fim-de-semana, no Verão – quando os emigrantes estão cá e há grande fome de bola – reservado para dois clubes. Uma competição deste tipo tornaria a Supertaça, pelo menos, minimamente equiparável, em termos de importância e legitimidade do título, a qualquer uma das outras competições internas.



Para acabar, o Quim voltou a dar um frango e a confirmar que, sendo um bom guarda-redes para o nível do Braga, é apenas sofrível ao nível de um Benfica. No Braga, depois de amanhã já ninguém se lembra. No Benfica, este tipo de Robertada daria para repetições durante semanas a fio.

Da mesma forma, o Lima, a precisar de seis ou sete oportunidades para fazer um golo, é um jogador razoável, mas só pode jogar no Braga. Não quer dizer que não seja melhor que o Kléber ou que não possa ser melhor que o Cardozo, mas para isso, teria de subir muito a sua eficácia. Um jogo como o que fez hoje, num Benfica ou no Porto, seria, imediatamente, motivo de desconfiança, e daí a uma espiral de sub-rendimento seria só mais um pulinho. É um jogador com algumas semelhanças com o Derlei, por exemplo, e num clube maior, como mais exigência, poderia subir o nível de concentração e tornar-se, de facto num grande jogador, mas a jogar como joga neste momento não pode aspirar a nenhum clube maior que o Braga. É o seu limite de Peter.

terça-feira, 20 de março de 2012

Não era a sério?

Quem é que o Porto poupou, que eu não cheguei a perceber? O Helton?

Porque o Palito, o Rolando, o Moutinho, o Lucho, o Hulk, os jogadores a sério, que ganham os jogos a sério, os que vão ter de ir ganhar a Paços de Ferreira, a espinha dorsal, estava lá toda…

E o Benfica? O Cardozo. O Emerson. Mais…?

Não era a sério o caraças.



Para esta equipa do Benfica foi importante ganhar ao Porto, como teria sido importante para o Porto ganhar ao Benfica, como foi mau, para este Porto, perder este jogo. A questão da superioridade moral, que levantei antes do jogo, mantenho-a. Se o Porto ganhasse, era assunto arrumado. Ganhando o Benfica, a verdade é que não há nenhuma razão para afirmar, sem dúvidas, que este Porto é melhor que este Benfica.



A palavra-chave, aqui, contudo, é mesmo «este».



Não vi um Benfica a jogar futebol de alto nível, nem sequer a ser melhor que o Porto, mas sobretudo não vi um Benfica a fazer o que precisa de fazer para se tornar uma grande equipa. Pode parecer paradoxal que, dito isto, o Benfica tenha ganho, inclusivamente com um primeiro golo saído de dentro do cú de uma vaca leiteira e com uma jogada em que o Benfica esteve um minuto a jogar à «bola ao poste»; mas não acho que seja, porque, do outro lado, esteve, como tem sido hábito este ano, «este» Porto – um Porto que sabe fazer as coisas todas que é preciso para se ganhar a qualquer equipa do Mundo mas que não tem ritmo, não tem uma ambição ao nível do passado recente do Porto, não tem um jogo inteiro nas pernas e na cabeça, ao contrário do que acontecia na parte final do ano passado.



O Benfica ganha porque quer mais ganhar, porque tem nos lances de bola parada, ofensivamente, uma arma segura, e porque tem, hoje, uma equipa muito mais experiente que a que tinha a três anos, com jogadores como Cardozo, Maxi Pereira, Luisão, Aimar e Javi Garcia numa fase de plena maturidade competitiva. Isso permite-lhe jogar mais solta nestes jogos e aproveitar melhor o tipo de jogadas que só a matreirice consegue aproveitar, sendo o primeiro e terceiro golos o melhor exemplo disso.



Se digo que esta vitória foi importante para «este» Benfica é porque há nela muito pouco que aproveitar para um Benfica de aqui a dois ou três anos. Aquilo que é estruturante, em termos de estilo e abordagem ao jogo, não está lá. Foi uma equipa e um momento que ganharam este jogo, não um processo técnico e táctico consolidado. Foi uma vitória de um jogo só – a não ser que tenha repercussões no campeonato, e aí extravasa a sua importância.



O Porto, por outro lado, perde este jogo por ter «esta» equipa, e sobretudo este treinador, mas, mudando o treinador e mudando o chip da agressividade, mantendo os processos, facilmente voltará a ganhar a um Benfica como «este» daqui a dois ou três anos.



Em conclusão, este jogo comprova que «este» Benfica pode chegar ao fim da época sendo considerado melhor que «este» Porto, mas «este» Porto está muito mais perto de ser uma grande equipa – que já não é, neste momento – do que «este» Benfica.



O Jesus, depois do jogo, fez o seu papel, e dourou a pílula: ganhámos porque fomos outra vez melhores, desta vez não houve casos, portanto somos melhores. É a semente da dúvida. Da parte dele, chega. Agora seria a altura da máquina fazer o seu papel e inculcar isto na cabeça de toda a gente que anda no futebol em Portugal. Passaria por aí a única maneira de o Benfica ainda ser campeão este ano.

E aí sim, este jogo seria mesmo muito a sério…



No fim desta vindima, sabe estupidamente bem ganhar ao Porto. É um lavar de alma.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Batalha moral

A tendência para minimizar a importância do Benfica-Porto das meias-finais da Taça da Liga é natural. É um jogo que toda a gente preferia que não houvesse, e todos estão com medo de o perder. A entrevista de Pinto da Costa à Rádio Renascença, cuidadosamente agendada, é uma clara mentalização dos adeptos do Porto em caso de derrota. Estrategicamente, como é óbvio, é muito bem jogado por Pinto da Costa, cujas palavras têm um peso institucional suficiente para amparar qualquer mau resultado que venha a aparecer na Luz. Em caso de vitória, parece que veio gozar com o Benfica com antecipação. No caso de derrota (e atenção que o facto de não haver empates é muito importante neste contexto), ela já estará minimizada e justificada à partida («jogaram com os suplentes»). Jesus fez exactamente o mesmo, mas o gesto, bem explícito e pensado, de Pinto da Costa, tem maior significado. Porque torna claras duas verdades que se tentam manter escondidas:

- para os adeptos do Porto, não é indiferente perder com o Benfica, nem tão pouco é pouco importante. É mais importante que para os benfiquistas, e em boa parte é por isso que continuam a ganhar mais vezes;

- este jogo é muito mais importante do que parece, e não apenas por ser mais um potencial desequilibrador numa época superequilibrada entre Benfica e Porto. E, aqui, é mais importante para o Benfica do que para o Porto.



Em relação ao primeiro ponto, os benfiquistas não têm muita noção disso, porque têm uma perspectiva mais ambígua da dialéctica Porto-Benfica, mas os portistas, sobretudo os do Norte, que convivem menos com benfiquistas, ainda não conseguiram libertar-se do complexo de inferioridade em relação ao Benfica. Apesar de já muito pouco, racionalmente, o explicar, o Benfica continua a ser o motor do Porto, que continua a sentir-se mais pequeno e, também, inferior. Quando se vê o Porto a bater no peito é, na verdade, uma demonstração de inferioridade, mais que de superioridade. O Porto não se consegue libertar do Benfica, é e muito provável que venha a ser esse complexo que o venha a consumir, porque, se ainda não se livrou dele, também já não vai ser agora que se vai livrar. (E isto tem algo de inevitável, porque no dia em que o Porto deixar de bater no peito vai fazer o quê? Qual é a opção? O Porto está agarrado ao seu motor, para o actual bom e para o futuro mau.)

O jogo da Taça da Liga de há dois anos, em que o Benfica ganhou por 3-0, se bem se lembram, é um bom exemplo desta toxicodependência. O jogo era para a Taça da Liga, que teoricamente pouco vale, correu muito mal ao Porto, mas nada disso importou, pois os adeptos e os críticos do Norte, claramente, ampliaram em muito o valor real dessa derrota. Uma derrota normal foi transformada num sinal de alarme – e foi também devido a ela que o Porto empenhou a casa para se fortalecer na época seguinte.

E isto leva-nos ao segundo ponto.



O facto de toda a gente estar a fazer contenção de danos não tem a ver com as sequelas físicas que mais um jogo poderia deixar nos jogadores mas sim com as sequelas psicológicas que um mau resultado pode deixar numa altura em que um único resultado imprevisto pode decidir o campeonato.

Até agora, ninguém consegue dizer convictamente que uma equipa é melhor que a outra ou merece mais ganhar o campeonato que a outra. Estamos numa fase de batalha moral, em que as duas partes – recorrendo muito, como é costume, aos álibis das arbitragens – tentam ganhar a superioridade moral e convencer toda a gente disso. Porque, se toda a gente se convencer de que uma equipa merece mais que a outra, a tendência é para as coisas irem, consciente ou inconscientemente, de encontro a isso. Os jogadores empenham de maneira diferente, os árbitros têm outro à vontade para decidir a favor do mais merecedor, etc. A superioridade moral é um factor decisivo na maior parte das guerras. Se duvidam, convençam-se de que o Porto anda desde 1978 a recolher os frutos de ter conseguido convencer toda a gente – graças a Pedroto – de que o Benfica não era um campeão justo. Os «roubos de igreja», de que Pedroto falou na década de 70, têm justificado todo o edifício desportivo e paradesportivo (falando eufemísticamente…) do Porto até hoje.



Além de tudo isto, há a principal razão para eu achar que é um erro, sobretudo para o Benfica, menosprezar este e qualquer jogo com o Porto.

Eu lembro-me da Supertaça em Coimbra em que o Benfica esteve a ganhar por 3-1 nos penáltis e perdeu por 4-3 ou 5-4. Lembro-me de ver o Pinto da Costa a chorar, de joelhos, agarrado ao terço e a agradecer à Virgem.

Lembro-me de ver o Porto ganhar 5-0 na Luz, no tempo do Oliveira. Não sei já para que foi, mas lembro-me bem desse jogo, e sei que não foi para o campeonato. Mas contou, e contou muito.

Estes foram jogos que marcaram uma época e uma superioridade. Não são apenas sintomas – são marcos geodésicos. São bandeiras cravadas num eterno jogo territorial. E é disso que se trata, realmente, quando Benfica e Porto jogam. Não é uma competição que está em causa, é um território. Seja qual for a competição.

O Porto percebe isso melhor, e por isso ganha mais. O Benfica não percebe isso tão bem. E é por isso que o Benfica, mais que o Porto, não se pode dar ao luxo de virar a cara a uma batalha.

A verdadeira missão do Benfica, neste momento da sua existência, não é ganhar campeonatos, não é compor currículos nem não é fazer contas. A verdadeira missão do Benfica, nesta altura, é pura e simples: ser melhor que o Porto. O resto vem por acréscimo, mas não é o mais importante. O mais importante, o fundamental, é ser melhor que o Porto. E isso significa fazer de cada jogo com o Porto uma oportunidade de entrar e ficar por cima.

No tipo de batalha que estes dois colossos estão a jogar, não há intervalos, não há tréguas, e quem pensar que as há não está, de facto, a refugiar-se na neutralidade – está, na verdade, a oferecer a posição cimeira, a superioridade moral, a posição elevada.

Um Benfica-Porto, neste momento da história, não tem nada a ver com as competições que se disputam.

O Porto, que percebeu isso há muito tempo, passou a ganhar competições.

O Benfica, que resiste em aceitar isso, continua a procurar ganhá-las.

Esta terça-feira há mais uma batalha. E quem pensar que vai para uma negociação arrisca-se a perder muitíssimo mais do que o que julga. Com mais ou menos suplentes em campo.



PS1 – Vocês continuam convencidos de que o Paixão faz isto por dinheiro? É pela atenção, pá. No dia em que ele apitar um jogo e o nome dele não aparecer os jornais o homem suicida-se.



PS2 – É natural que o ritmo de posts venha a descer para um de 2 em 2 dias. A coisa está a apertar deste lado. Mas vou continuar a escrever todos os dias, nem que seja para comentar os comentários.

PS3 – Não me esqueci da Charrua…



PS4 – Não me esqueci da fórmula secreta para o melhor campeonato português do Mundo. Vem esta semana, comprometo-me.



PS Vita – «just kidding….»

sábado, 17 de março de 2012

Liga Bwin - O jogo do galo

Só amanhã é que há post, depois do jogo do Sporting, uma vez que ando aqui às voltas com uma situação, mas vou completar a minha ronda da Liga Bwin, just for the kicks.



Feirense-Braga

Quando uma equipa ganha 11 jogos consecutivos para o campeonato encontra-se numa situação probabilística tão invulgarmente favorável que o mais provável, estatisticamente, é que não consiga prolongar essa série.

Não baseio a minha aposta em nenhum outro critério que não o da lei da gravidade: quanto mais alto se sobe maior é a força que nos empurra para baixo. Não sei quando é que Braga vai deixar de ganhar, mas até lá eu aposto sempre nisso. No caso deste jogo, em que a odd é de 2.50 numa não-vitória do Braga, acho irresistível.

Como tal, 9 euros na vitória do Feirense ou empate, a 2.50.



Académica-Paços de Ferreira

Não sei bem o que é mais extraordinário:

- o Braga não perder pontos há 11 jogos;

- a Académica não ganhar há 16 jogos;

- a Académica ter feito quatro jogos com os grandes nestes 16 e só ter perdido 1;

- a Académica, com isto tudo, ainda estar 6 pontos acima da linha de água.

Nos últimos 3 jogos que fez em casa com equipas que lutam para não descer a Académica empatou com o Leiria e perdeu com o Gil Vicente e com o Beira-Mar!

Tudo isto é estranhíssimo. Das duas, uma: ou se vê aqui um padrão ou se vê uma anormalidade.

Com os recentes bons resultados da Académica e o mau desempenho crónico do Paços fora de casa, pressinto uma inversão da tendência para a Briosa.

7 euros na vitória da Académica a 2.30.



Setúbal-Marítimo

Até este momento o Marítimo ainda não perdeu com nenhum dos actuais cinco últimos classificados do campeonato, e não me parece nada que vá ficar por aqui, até porque continuo a não confiar minimamente neste Vitória. Mesmo com a recente candidatura do Beira-Mar à decapitação, continuo a apontar Setúbal e Leiria como as equipas favoritas à descida, pois são as mais mal estruturadas de base. Beira-Mar, Feirense e Paços têm, na minha opinião, uma estrutura mais sólida (frágil, mas mais sólida). A questão que se me coloca aqui é se dá empate ou vitória do Marítimo.

Aposto 4 euros na vitória do Marítimo, a 2.20.



Guimarães-Olhanense

No jogo com o Sporting fiquei com a sensação clara de que o Vitória, sozinho no deserto classificativo, sem ninguém à vista acima ou abaixo, com três meses de salário em atraso, pura e simplesmente deixou de competir. Ora, há uma coisa que temos aprendido com o Guimarães: naquele clube, quando o barco adorna, adorna a sério. O Olhanense não é grande espiga, mas é certinho.

Aposto 4 euros na vitória do Olhanense, a 5.00.



Gil Vicente-Sporting

Esta semana a fava dos grandes vai sair ao Sporting. Porque os outros dois já jogaram a ganharam, porque vai estar na ressaca de Manchester, porque não vai jogar o Izmailov, porque o Gil é lixado em casa e porque, se não ganhar, o Sporting vai parar ao quinto lugar. Tudo boas razões para esperar, pelo menos, um empate em Barcelos.

6 euros no empate, a 3.25.





P.S. – Enquanto escrevia isto penso que acabei de assistir, em directo, ao que pode ter sido a morte de um jogador em campo, no Tottenham-Bolton. Não sei ainda, mas deu a ideia de ser ou isso ou quase tão mau.

O público passou o tempo em que ele estava a ser assistido a gritar o nome dele. Arrepiante.

O árbitro, em acordo com os jogadores das duas equipas, parou o jogo. Digno e notável.

Nestes dez minutos voltei a sentir a angústia daqueles momentos em Guimarães, e voltaram-me as lágrimas aos olhos. Há coisas que ficam para trás mas nunca desaparecem.