sábado, 7 de janeiro de 2012

É porque não é para ganhar

Em termos técnicos e tácticos não existiu – não existe, portanto – diferença entre Sporting e Porto. Isso não é abonatório para o Porto. Não se pode dizer que este Sporting tenha tido o mesmo tempo de construção que este Porto. Que a equipa do Sporting consiga equilibrar técnica e tacticamente um jogo com uma equipa que tem o Hulk quer dizer, para mim, que potencialmente esta equipa do Sporting é melhor que a do Porto. Há uma clara delapidação de valores do Porto de um ano para o outro e este jogo prova-o.
O que tornou o Porto superior ao Sporting foi, única e exclusivamente, a maturidade. A experiência. Foi claro que o Porto encarou o jogo de uma forma mais consciente do que o Sporting. Assim como foi claro que, sabendo como devia jogar, não teve capacidade para executar, por défice técnico, por falta de velocidade e por falta de envolvimento colectivo. Isto no primeiro jogo, que durou até aos 60 minutos.


Daí para a frente, com o Izmailov e o Matias no Sporting e o James no Porto, os dois treinadores passaram a ter em campo a equipa que queriam meter desde o princípio mas na qual não tinham confiança. O Izmailov e o Matías não podiam jogar mais de 30 minutos e, quanto ao TOC, não quis confiar as duas alas a dois jogadores muito inexperientes e decidiu apostar na experiência do Cebola.

O Porto pareceu sempre mais perto de marcar, mas isso não surpreende ninguém. São ainda equipas de campeonatos diferentes. Só havia uma maneira do Sporting enganar o Porto: marcando dentro dos últimos 15 minutos.
Nesses últimos 15 minutos o Porto chegou melhor fisicamente. Tinha o Sporting à sua mercê e 15 minutos para ganhar o campeonato. O empate não o matava mas a vitória restituía-lhe a vantagem que perdeu quando empatou em casa com o Benfica e devolvia-lhe inteiramente o favoritismo para o título.

A bola do Izmailov era a definitiva. Estava tudo no sítio: o jogador que marca sempre ao Porto, o momento certo para marcar. Não aconteceu, ponto final.



O empate agrada-me bastante, devo dizer, por uma razão muito simples: não acredito que o Porto consiga passar dois campeonatos seguidos sem perder um jogo, e isso quereria dizer que, além dos empates, ainda lhe falta sofrer a derrota.

Com as oportunidades que teve, é claro que o Porto só não ganha este jogo pelas mesmas razões que não vai ganhar o campeonato: porque não é para ganhar.


E agora, o Benfica tem, em Leiria, o seu próprio jogo do título. Não é pelos três pontos. É porque, amanhã, vai-se ver quanto é que a equipa quer ganhar o campeonato e se está preparada para isso, e se o trabalho de seis meses foi bem feito. Sem desculpas.

Quem chegar estiver à frente no fim do Benfica-Porto de aqui a oito jornadas será o campeão. O Porto já perdeu dois pontos…

Sporting-Porto quase ao vivo e talvez em directo

OK, pessoal, aqui vai o início da transmissão em directo, e seja o que Deus quiser. O pior que pode acontecer é ser interrompida ao intervalo para eu ir ver o resto da bola ao café.


Ninguém comentou que o Carriço estava castigado na antevisão que fiz. Isso só pode querer dizer uma coisa: não há nenhum sportinguista a ler o blog. O que é um perfeito desperdício para as constantes piadas que eu faço ao Sporting.

Mas já que não se podem defender, aqui vai outra:

- O jogo de hoje é o exemplo típico dos pequenos campeonatos de que é feita a história do Sporting: o Benfica ganha o campeonato e a Taça mas como o Sporting ganha por 7-1 têm uma história para contar aos netos; ficam em terceiro ou quarto mas provocam a única derrota na época ao Porto, como já aconteceu, e sentem-se gloriosos. O jogo de hoje é feito à medida para o Sporting. Até têm um amuleto e tudo – o Renato Neto, que também vai ter uma história para contar aos netos. «Como ganhei ao Porto no primeiro jogo».



O Porto vai jogar com o Cebola. Eu estava com um feeling. Mas quem é que fica no banco? O DJ…ames. Brilhante. Se ganhar, é um ganda treinador. Se perder, o Pinto da Costa diz que tem confiança. Mas pronto, joga o Maicon, portanto vai correr tudo bem…



Vou postando mais ou menos de dez em dez minutos.



Se conseguir ver o jogo, claro…

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Algures na Arábia Saudita

O que eu vou ver com atenção no Sporting-Porto:  

Sintomas da febre de Janeiro

O Porto, pelas minhas contas, tem seis jogadores com as malas à porta ansiosamente à espera de um telefonema do empresário ou de alguém da Estrutura:

- O Álvaro Pereira, que deixou de fazer barulho para ver se tem mais sorte;

- O Otamendi, que não deve perceber bem se é titular ou não;

- O Maicon, que tem de ser vendido rapidamente enquanto está valorizado (porque, com o Danilo, entre laterais-direitos  e centrais o Porto já vai em sete jogadores e o Maicon, sendo o pior dos sete, é o que joga mais a seguir ao Rolando);

- O Fernando, a quem disseram que se fosse ver o jogo para o meio dos pobrezinhos e desse muitas entrevistas a dizer que ficava até ser velhinho era a melhor maneira de ser transferido;

- O Moutinho, que anda mortinho;

- O Hulk, que, apesar de ser o único jogador no mundo que não liga ao dinheiro, segundo o Pinto da Costa, tem um ordenado de 500 mil euros por mês à espera «algures na Arábia Saudita», e um ordenado de 6 milhões de euros por ano não é um ordenado, é «uma cabeça de pescada muita grande», como dizia o Solnado e o meu vizinho de quando eu era pequenino.

E estou só a falar dos titulares. Entre os que só vão aos treinos podemos acrescentar o Guarín, o Fucile, o Sapunaru, o Souza, o Cebola, o Belluschi.

O Sporting, por seu lado, tem o Carriço e tem o João Pereira, sendo que, ao contrário do Palito, do Fernando, do Moutinho ou do Hulk, a perspectiva do Carriço e do Pereira é, como o Falcão, de passarem de cavalo para um burro com um saco de moedas na boca.


Não quero dizer com isto que os jogadores vão tirar o pé – até pode ser o contrário, sentirem que se não mostrarem agora o que valem vão ficar mais seis meses à espera.
O que eu questiono é quantos é que ainda estão cá. Estamos num confronto entre uma equipa que fechou um ciclo entre o Verão e o Natal (o Porto, ganhando tudo e entrando em ruptura) e que tenta, no meio de um turbilhão de dinheiro, manter a embalagem e demonstrar que ainda é a melhor; e uma equipa em plena ascensão, com tudo a ganhar, e no papel daqueles corredores de oitocentos metros que, à entrada da segunda volta, vão em terceiro, se sentem fresquinhos e vêm os dois da frente a curta distância.

O Porto, que ainda tem a melhor equipa portuguesa, na minha opinião, está a correr contra si próprio. O Sporting está a correr com uma presa à vista.


Os extras

Não acredito que o Domingos ponha o Izmailov ou o Jeffren de início. Acho que é mais provável que entrem o Carrillo e o Capel de início e que  os outros dois entrem ao intervalo ou na segunda parte, e que façam estragos. Devem estar os dois doidinhos. O Matias Fernandez a mesma coisa.

Não me admirava que o Sporting acabasse o jogo com uma equipa melhor do que aquela com que o vai começar.

E também me parece que o TOC (coitado do homem, é autenticamente esculhambado neste blog de segunda categoria…) vai sentir a necessidade, outra vez, de provar que é um grande treinador com uma surpresa. Assim de primeira não me espantaria por aí além que o Cebola ou o Iturbe aparecessem mais cedo do que seria de esperar. De início, não sei. Talvez o Cebola em vez do Djalma.


Os nervos

Tenho cem por cento de certeza que o Porto vai estar mais nervoso que o Sporting. Todos os jogadores em campo sabem quem é que precisa mais de ganhar no jogo de amanhã. No fim das contas, o Sporting dificilmente vai passar do terceiro lugar, o Porto pode passar para segundo no campeonato pela primeira vez em quase ano e meio, e o resto é conversa para enganar tolos.

O último jogo de verdadeira pressão que o Sporting teve neste campeonato foi com o Benfica, na Luz. Convenceu-se que não vai ser campeão (basta ler nas entrelinhas do Domingos) e sente-se optimamente assim.

Já o Porto não estava assim tão pressionado no campeonato há dois anos, desde que foi à Luz a cinco pontos de distância e a precisar de ganhar – quando ficou a oito pontos, lembra-se?

Atenção aos jogadores de pavio curto no Porto – o Hulk, por exemplo, que deve andar com a cabeça bem cheinha.
 

Dito tudo isto, o Porto continua a ter melhor equipa que o Sporting, e sabe o que fazer para ganhar em Alvalade. Só não acredito que o consiga fazer. Continuo a pensar que o Porto vai perder o primeiro e, provavelmente, o único jogo neste campeonato.

Surpreende-me, finalmente, a facilidade com que o Domingos se safou na última conferência de imprensa. Até parece que não vai jogar, pela primeira vez na sua carreira de treinador, um clássico contra o Porto, o clube que foi formado para treinar e que acabará por treinar daqui a uns anos. Mas ter boa imprensa, em Portugal, vale quase tanto como saber o que se faz.



Ainda em relação ao Paixão…

Só um atrasado mental é que pensa que o Benfica corrompe o Bruno Paixão para ganhar um jogo da Taça da Liga. É uma prova encarada como um treino; até perdendo o Benfica continuava a ter hipóteses de passar e, mesmo assim, ninguém quer saber; não houve qualquer intenção de poupar jogadores (uma vez que jogaram todos os titulares) e, logo, não fazia sentido comprar o árbitro para facilitar, ao contrário do que aconteceu com o Porto-Beira-Mar do Apito Dourado, que foi disputado quatro dias antes de um jogo decisivo da Champions e em que o Mourinho jogou com a segunda equipa.

O único serviço que o Paixão prestou foi ao Porto, por permitir que, de coisa nenhuma, se fizesse um fantasma para os portistas como o diligente Rui Moreira andarem a espantar à procura de um penaltizito que possa aparecer contra o Benfica.

Aliás, estou praticamente convicto de que o Bruno Paixão é demasiado vaidoso para ser corrompido. Do que ele gosta é de dar nas vistas, e, dada a sua fraca qualidade como árbitro, só pode continuar a dar nas vistas se os grandes clubes e quem nomeia os árbitros pensarem que ninguém o consegue comprar. Só sendo incorruptível, por mera estupidez, é que o Paixão continua a ser árbitro de futebol.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

«Venha à Ilha Mágica!»

Continuando...
Zona «Laranjas e Maçãs»
O Srrraaars vai apanhar com o Moutinho. Uma boa maneira de saber, de facto, qual equipa é que tem a iniciativa de jogo e qual é a que vai jogar mais na expectativa (uma vez que o que os treinadores dizem é sempre a mesma lenga-lenga da treta) é ver qual destes dois é que vai estar mais preocupado a marcar o outro e qual é que se vai tentar libertar mais, porque nenhum dos dois treinadores tem dúvidas de que, se é no meio-campo que este clássico se vai decidir, como é em todos, é nestes dois jogadores que tudo começa.

Se tivesse de escolher um destes dois para a minha equipa escolhia o Witsel. Fora de brincadeiras, se tivesse de escolher um penso que escolhia o Srraars. O Moutinho é mais forte posicionalmente, o Srraars tem mais golo. São dois bons médios.

Srrrrrrrrrrrrrars: 78.
Moutinho: 77.

Zona do Elias

O Elias é o melhor jogador do Sporting. Muita classe. O Sporting só não vai ganhar uma fortuna com ele, por um lado, porque já gastou uma pequena fortuna para o comprar, e depois porque o mercado do Elias sofre do mesmo mal de tantos outros médios de grande categoria que por aí há: a ideia de que há sempre alguém que pode fazer mais ou menos a mesma coisa por metade do preço. Assim, os Elias vão indo parar ao banco em equipas tão banais como um Atlético de Madrid e os Raul Meireles vão parar a um Chelsea. É o problema dos generalistas, e é por isso que os especialistas (no ataque, sobretudo) custam tanto dinheiro. O que é que distingue o Elias, realmente? Nada. Mas em que é que ele é fraco? Em nada. Talvez o jogo aéreo. Para nós, portugueses, o jogo aéreo não é futebol. Por isso é que o Sporting joga tão bem e o Jesus os vai enganando.

O Elias teria lugar em qualquer equipa portuguesa, de caras, e na maior parte das boas equipas europeias.

Quanto ao Fernando, há sempre um factor de injustiça quando se compara um jogador do Porto com os jogadores de Benfica e Sporting: é que os jogadores, no Porto, estão sempre mais perto do seu melhor, enquanto que nos outros dois grandes não é fácil, realmente, ver um jogador bem espremido.

O Fernando está espremido, o Javi Garcia não. Apetece-me dizer que nunca vi o Javi Garcia fazer nada que o Fernando não faça, e que já vi o Fernando construir jogo como ainda não vi o Javi Garcia fazer, e isso implicaria que o Fernando fosse o melhor trinco do campeonato, mas estou convencidíssimo de que o Javi García, que no Benfica é um jogador muito bom, no Porto seria um monstro do meio-campo. Por outro lado, acho que o Fernando no Benfica, não seria nem perto do que o que é no Porto. O Benfica ainda está a uns anos de conseguir tirar o melhor dos jogadores. Falta-lhe know-how. O Porto tem-no. Por isso prefiro dizer que o Fernando é mais útil e que o Javi é melhor jogador. Quando sair do Benfica o Javi vai evoluir mais do que o Fernando quando sair do Porto, se apanhar um bom clube para isso.

Elias: 88.
Fernando: 82.


Zona «Ilha Mágica»

Tesouro, Ilha Mágica, Sevilha, Capel, Maicon… Estão a ver?
Contra uma Académica que só tem a bola de vez em quando o Maicon já se vê um bocado aflito. Contra um Sporting que tem o único verdadeiro extremo-esquerdo do campeonato, dos que vão direito a eles, chegam à linha e atiram a bola para a confusão, o Maicon vai ver uma amarelo aos quinze minutos, encolher-se, desequilibrar a defesa toda do Porto e fazer inclinar o campo com o chumbo que tem nos rins. Se há um jogo em que o Porto, defensivamente, não precisa do Maicon, é este – o Sporting só joga pelo chão, não tem extremos de pé trocado, dos que fintam sempre para dentro e travam para centrar, como o Gaitán ou o Hulk. O Maicon será mais útil no ataque que na defesa, mas este jogo não é para isso. Pela lógica, o Grande Timoneiro trocaria de lateral direito neste jogo, mas se meter o Sapunaru ou o Fucile arrisca-se a fazer ainda pior, pela falta de pedalada.

O Capel vai-se divertir à grande. A jogar em casa, com os índios a puxar por ele, com um defesa central à frente. Já disse aqui que o Capel me surpreendeu, pois eu não esperava que ele pegasse. Pensei que tivesse saudades da comida da mamã e voltasse para Sevilha. Depois, no espaço de uma semana, quando não podia com uma gata pelo rabo, ficou sem concorrência (Yannick, Djaló, Izmailov), ganhou balanço, e no Verão está outra vez em Espanha, não para ir para a segunda divisão mas para um Valência, um Atlético de Madrid ou outro do género.

O Capel é o caso típico do jogador que vale pelas suas características, mais que pela sua classe. Não é um grande jogador, mas é um jogador especial. Lá está, é um especialista. A sua velocidade, com boa técnica, pode decidir jogos. Falta-lhe algum discernimento, visão de jogo, é verdade, mas é um jogador perfeitamente capaz de ser importante numa equipa campeã.

Capel: 78.
Maicon: 67.

Zona do Buraco no Bolso
É uma das grandes incógnitas do clássico: quantas vezes é que o Carrillo – que daqui a quatro ou cinco anos vai andar a aviar defesas-esquerdos como quem vira frangos – vai conseguir sair do bolso do Álvaro Pereira? Porque é lá que ele vai passar a maior parte do jogo, mas duas ou três escapadelas podem ser suficientes. O puto é assim tão bom.

Se há uma coisa de que eu gosto neste Sporting do Choramingos é de ter extremos a sério, em vez de pivôs encostados à linha lateral. O último e único pivô de linha lateral de que eu me lembro que era capaz de levar o jogo para aquele canto e resolvê-lo a partir de lá, foi o Ronaldinho Gaúcho no Barcelona campeão europeu que eliminou o Benfica do Koeman – e tenho a impressão de que a coisa só funcionou porque era o Ronaldinho. O Carrillo é como o Capel, e como o Nani: vai direito a eles e eles não sabem para que lado é que a coisa vai sair. Quando dão por ela ou fazem falta ou já passaram os dois. Chamem-me antiquado mas acho que isso é melhor do que levar o jogo para a linha, parar e andar ali à volta, até vir para trás e fazer tudo igual do outro lado. Se calhar sou demasiado purista.

O Palito é um bom exemplo do que eu disse sobre ser difícil destrinçar entre a forma e a categoria. Qual é o verdadeiro: o Fórmula 1 do ano passado ou o reboque deste ano. É um caso nítido do jogador que estagna na evolução por não sair quando tem de sair. Na Fórmula 1 chega-se a um ponto em que já não se consegue bater mais o recorde do circuito e tem de se mudar de pista. É o Palito. Precisa de passar do Estoril para Spa-Francorchamps.

Mesmo assim, não vai ser envergonhado pelo Carrillo. Bom, talvez uma ou duas vezes… Convém dizer que, internacionalmente, o Carrillo ainda é juvenil.

Álvaro Pereira: 83.
Carrillo: 68.

Zona «Não deixes o tipo tocar na bola»

Hierarquia de classe na Zona Não Deixes o Tipo Tocar na Bola: Volkswagen, Otamendi, Rolando.
Hierarquia de experiência em clássicos na Zona Não Deixes o Tipo Tocar na Bola: Rolando, Otamendi, Volkswagen.
Qual é que vai imperar? A segunda.

Há uma esperança para o Sporting: que o Volkswagen tenha esgotado o stock de azelhices em Coimbra e que se sinta minimamente pressionado para compensar neste jogo. Ter um novo ponta-de-lança a concorrer só lhe vai fazer bem. O melhor Volkswagen vai estar nitidamente acima do campeonato português não tarda nada, e a facilidade de jogar bem e marcar em alguns dos últimos jogos devem-no ter feito sentir que isto aqui em Portugal é papinha Cerelac, mas não é bem assim. Vai ser o jogo mais importante na curta carreira do holandês, e um em que se espera, realmente, que faça golos. Não há grandes pontas-de-lança sem golos nos grandes jogos.

Ainda assim, não me admiraria que ou o Rolando ou o Otamendi marcasse mais golos neste jogo do que ele.

O Rolando está no top da sua carreira e encontrou o seu lugar no Porto. Não estou absolutamente nada convencido de que o venham buscar com a celeridade de que se fala. Acho que é jogador para ficar no Porto mais quatro ou cinco anos. O Otamendi é um caso clínico do Vitor Pereira. Se houvesse mais centrais, mais jogariam. Joga o Maicon, joga o Mangala, joga toda a gente e o Otamendi, que é o melhor dos quatro, dá ideia de ser sempre o último a entrar. Se calhar sou eu que não vejo muitos jogos do Porto.

Otamendi: 82
Rolando: 80.
Van Volfswinkel: 77.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O mistério de Onyolga

É sempre complicado avaliar jogadores. Temos, para isso, sempre, de juntar o que o jogador vale agora, ao que o jogador podia valer, ao que o jogador já valeu, e isso ainda antes à parte de acertar na análise, que é onde tudo se complica. Mesmo aquela avaliação que fiz à equipa do Benfica, se a fizesse hoje, já havia coisas que mudaria. Houve jogadores a crescer, outros a decair, em alguns até mudei ligeiramente de ideias. O Nolito não vale, internacionalmente, o mesmo que valia em Agosto, nem o Artur, nem o Rodrigo, provavelmente nem o Saviola, pela negativa.



É, portanto, muito difícil avaliar os dois onzes de Sporting e Porto dessa forma. Como tal, vou fazer AINDA MAIIIIS!!!!!



Não só vou fazer o disparate de avaliar os jogadores de 1 a 100, sendo 100 um Messi e 1 um Esquessi, como os vou colocar em confronto posicional, não de defesa-direito com defesa-direito mas de defesa-direito com avançado-esquerdo, centrais com ponta-de-lança, e assim sucessivamente. À excepção dos guarda-redes, claro. Mais ainda: cada zona vai ter um nome.



Zona «Abram alas para o Noddy»

É curioso que o ponto fraco do Patrício e do Helton seja o mesmo: os remates de meia-distância. O Patrício também é vulnerável nos cruzamentos. Alguns dos golos que o Sporting sofre de bola parada têm muito da Patrício, mas o patrício tem uma coisa importantíssima num guarda-redes em ascensão: boa imprensa. É bom rapaz, ajuda os pobrezinhos, é um guarda-redes acima da média, uma excelente pessoa, sem dúvida, mas qulaquer cenário que envolva o Patrício a defender a baliza de um grande clube europeu, para já (e se calhar para sempre), é pura ficção ou empresários a venderem o peixe do Milan para acabar por comprar o do Génova, como aconteceu com o Veloso.

O Helton, na minha opinião, já era melhor guarda-redes que o Patrício quando chegou a Portugal e no Porto tornou-se um jogador de nível internacional. Não me escandalizaria ver o Helton a defender a baliza do Brasil, e se jogasse num Real Madrid, provavelmente, defenderia mesmo. Tem uma presença, uma liderança e uma personalidade que o Patrício não tem. O Helton é um dos segredos mais bem guardados do Porto, em todos os grandes títulos houve mão e, sobretudo, cabeça dele, e é o melhor guarda-redes a jogar em Portugal, na minha opinião. O Artur é o segundo, mas ainda tem muita relva para comer para conseguir provar, a alto nível, o que o Helton já provou em cinco anos como titular do Porto.

(Porra, se eu falar tanto de cada posição como falei da de guarda-redes começa o jogo e eu ainda aqui estou… Se calhar é melhor dividir isto em dois dias.)

Em resumo:

Hélton - 86

Rui Patrício – 72.



Zona «Que Filme É Este?»

O Djalma, que só está no Porto por causa da relação qualidade-custo (a qualidade não é por aí além mas o custo foi zero, com o bónus de roubar uma receita ao Carlos Pereira, do Marítimo), tem feito pela vida, mas a sua mais-valia profissional, neste momento, é ser um fetiche do Grande Timoneiro, que não só não põe o Cebola, como não põe o James à esquerda, como não põe o Varela (aliás, é difícil saber onde é que o GT põe quem e quando. Se os treinadores adversários ficarem tão instáveis como os próprios jogadores do Porto é uma estratégia válida.)

O Djalma até pode marcar um golo ao Sporting, basta estar em campo, mas isso não invalida que seja um jogador sem a classe suficiente para jogar no Porto.

Já o João Pereira, vai-se aguentando. Continua o maluco do costume, anda mais calminho em relação a porradas (ou menos exposto, depende da perspectiva) , mas volto a dizer que não é com ele que o Sporting vai a algum lado. Um dia destes vinha uma notícia num jornal a dizer que o Milan estava interessado no João Pereira. Leitura correcta da notícia: porra, temos de vender este artista no máximo até ao Verão, depois do Europeu, a um Saragoça qualquer, senão andamos mais não se quantos anos a apanhar com ele e a dar baldas pela direita. Uma coisa é o jogador estar em forma, como ele está, ou ter garra, como ele tem; outra é ser um jogador de nível internacional.

João Pereira – 70.

Djalma – 60.



Zona «Quantos são?»

A minha tendência aqui era de dar 94 ao Hulk e 93 à soma do Onyewu e do Polga, só para poder dizer: «Os dois não fazem um». Mas não chego a tanto.

Há uma coisa que sei: se o Pereira escolher este jogo para desinventar o Hulk a ponta-de-lança merece tudo o que de mau lhe vai acontecer num futuro relativamente próximo. Um Hulk, mesmo a 70 por cento, a jogar pelo chão, vai escavacar os rins ao Onyolga e, eventualmente, ao próprio Sporting. Aqui está um jogo em que o Hulk pode ser o jogador decisivo pelo qual o Porto pagou 22 milhões de euros, e aqui está uma zona em que o jogo se vai decidir.

Já aqui disse que o Hulk é, para mim, o melhor jogador em Portugal, e reafirmo. Não vai parecer tão bom quando sair, durante os primeiros tempos, mas não tenho dúvidas de que o Hulk, daqui a dois anos, vai estar entre os dez melhores jogadores do mundo – não, não me arece que se possa dizer que já esteja. Uma coisa é o Hulk a jogar no Porto, num campeonato desegunda linha europeia, outra é o Hulk a jogar no Manchester City. Não vou dizer que há muitos Hulks, mas há alguns.

Teria grande curiosidade em ver o que valeria o Porto se o Hulke se magoasse durante dois meses, por exemplo. O seu ascendente na equipa é tal que não conseguimos, sequer, determinar com clareza a importância relativa dos outros – o que valeriam sem o abono de família.

Já Onyolgas, há às pazadas. Há, no entanto, uma coisa que o Onyolga tem a seu favor. Os intangíveis. Há coisas que funcionam. Não se pode dizer que sejam boas. Não se consegue explicar bem o que as faz funcionar. Mas funcionam. Quem é que já não teve aquela televisão, ou aquele rádio, de marca Roscof, que, com frio, com calor, com humidade, com botões estragados, trabalha sempre, e que só deixa de funcionar quando decidimos comprar uma nova?

Outra possível maneira de explicar isto: se um sportinguista tivesse de escolher cinco jogadores, no início do ano, para não jogar, Onyewu e Polga não estariam entre eles? E neste momento, entre os cinco titulares indiscutíveis do Sporting, não estariam lá também. Mas em conjunto, claro. O Onyolga. O Onyewu, sobretudo,é o caso típico de como um jogador de equipa se torna fulcral não pelo que  faz mas pelo que faz os outros fazer. Os americanos têm uma expressão para este tipo de jogadores: chemistry players. Jogadores de química. Quando o que falta a uma equipa é o componente «O», Onyewu é tudo. Quando não é, Onyewu é um corpo a mais.

Como tal, vou fazer ainda pior do que o que disse – ou melhor, depende da importância que derem ao elemento colectivo:

Hulk – 94

Onyolga - 86



Zona «Rennie»

Naquele quadrado daquele lado vai ser uma azia pegada, para mim, benfiquista.

De um lado o James. Bem sei que o roubo do James Rodríguez pelo Porto foi um roubo da treta. O Porto viu o James primeiro, andou uns tempos para o comprar e acabou por só avançar quando o Benfica foi metido ao barulho aos trambolhões, não foi um roubo, foi mais uma simulação de um roubo para dar de comer ao pagode, mas não interessa: faz-me lembrar o Falcão, o Álvaro Pereira e outros, e isso chega para me dar azia.

Do outro, o Insúa. Palavra de honra que sempre que vejo o Insúa a jogar à bola penso: «Andámos nós um ano a saber que o Coentrão ia sair, à procura de um defesa-esquerdo, de dois defesas-esquerdos, a fazer propostas, a prospectar, passou o Natal, a Páscoa, passou o Verão, e no fim disto tudo acabamos com um suplente do Lille e com um espanhol de 35 anos que nem contra os juniores joga.

O Freitas pega no telefone, mete-se num avião, vai a Liverpool, e dois dias depois traz de lá o melhor defesa-esquerdo do campeonato.»

Fico com uma séria dúvida: quanto é que custa o Freitas? Porque, seja lá quanto custe, fica barato, de certeza.

Nem o James nem o Insúa vão ficar por cá muito tempo, nem estão perto do que vão valer. São classe pura, à espera do seu momento.

Refira-se que o TOC (também conhecido por Vítor Pereira) tem sido uma espécie de castrador químico do James. O rapaz bem quer rebentar, mas assim que começa a ganhar balanço ou muda de sítio ou deixa de jogar.

Vejo, no entanto, aqui, alguma vantagem para o Insúa, por uma questão de maturidade – mas não muita.

Valor internacional:

Insúa – 80

James – 74.



Zona «O normal é amigo do vulgar»

«Nunca percas a oportunidade de comprar um médio versátil que faça a bola rolar se já tiveres na tua equipa dois médios versáteis que fazem a bola rolar e só um é que joga.» Atendendo a esta lei fundamental da boa gestão, o Porto gastou 5 (6?) milhões de euros num médio belga versátil que faz a bola rolar.

Não estou a criticar a contratação de um médio que faça a bola rolar – aliás, todo o tipo de jogo do Porto está assente na capacidade dos médios fazerem a bola rolar quando e para onde ela deve rolar. Mas teria de acompanhar os jogos do Porto com a atenção de um adepto ferrenho (a de um normal não chegaria) para me aperceber da mais-valia do Defour em relação ao Guarín ou ao Belluschi – a não ser que a quebra de forma dos dois seja de tal forma gritante que não deixem ao treinador outra alternativa. Do que eu vi nos jogos em que eles jogaram, não me parece. Acho que o Defour joga por uma questão de pormenor, e acho estranho que se gaste 5 milhões numa questão de pormenor.

Tecnicamente, confesso que não sei bem o que dizer dele. Que corre muito? Que não perde muito a bola? Se calhar é isso. Há uma coisa em que é muito bom: em dizer à imprensa do seu país que o Porto é melhor que o Benfica, para justificar o facto do Witsel ser titular de caretas no Benfica e ele só agora ter começado a calçar no Porto.
A melhor referência que já se ouviu do Defour foi que o Ferguson pensou em contratá-lo quando ele tinha 19 anos.

Já o Daniel Carriço, começo a tomá-lo como um sintoma, daqueles que não desaparecem, e que provam que há uma doença. O Sporting toma uma aspirina e está lá o Carriço, porque é preciso vender alguém no Verão. Toma um antibiótico e está lá o Carriço, porque não há «referências» de balneário e o Carriço é capitão desde pequenino. Toma uma injecção de penicilina e está lá o Carriço, porque não há dinheiro para comprar centrais – era preciso que alguém lhe pegasse para haver. Faz quimioterapia e está lá o Carriço, porque, sem o Rinaudo, e na falta de quem jogue de cabeça nos cantos, todos a ajuda é pouca – mesmo um central que raramente ganha uma bola de cabeça.

(Aliás se o Sporting se viu aflito com os cantos do Benfica o Choramingos deve estar com os nervos em franja, a imaginar as cavalgadas sucessivas dos Maicons.)

O Carriço esteve a jogar no Chipre e ou muito me engano ou é lá que vai acabar. Não é que o Carriço seja mau jogador, porque nem é. É porque nem tem características para ser um especialista nem para ser um generalista do nível, por exemplo, do Defour.

Defour: 73

Daniel Carriço: 63



Mais logo há mais.

P.S. - Estou a pensar fazer uma transmissão em directo do Sporting-Porto, assim encontre na Internet um sítio que me deixe ver o jogo sem ir abaixo. Sem stresses, a coisa promete.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A costura está a rebentar

Com muita pena minha, estou completamente apertado de tempo. Gostava de dar uns lamirés sobre o Sporting-Porto, mas vou ter de me limitar ao telégrafo das noites pré-teste.



1 – Acho que o Porto errou ao adiantar o jogo da Taça da Liga. O facto do Domingos ter jogado com a equipa titular em Vila do Conde é uma boa prova de que não há nada como um jogo-treino mais a sério para queimar as frituras de Natal e pôr as pernas a mexer. Parece-me que o Sporting vai chegar com mais pedalada. Provavelmente foi o jogo para a Taça da Liga, nesta fase de grupos, em quatro anos, em que o Sporting pôs mais titulares a jogar, e fê-lo quatro dias antes do seu «jogo do título», como Porto. Isso parece-me significativo.

O Porto optou por treinar em vez de competir, basicamente, depois de dez dias de férias. Demonstra, na minha opinião, insegurança. Não acho normal, no Porto.

Aliás, não acho normal: a equipa que está junta há seis meses cumpre o calendário normalmente; a equipa que está junta há três anos prefere ficar a treinar em vez de competir. Posso estar a ter uma visão enviesada da coisa, mas…



2 – Não dei muita atenção à conferência de imprensa do Jota-Jota, mas na questão das Malvinas esteve bem. Querer mudar a realidade por decreto é a melhor forma de falhar, como está historicamente comprovado. É como fazer auto-estradas a torto e a direito para pessoas que ainda não existem, à espera que as pessoas as usem só porque as auto-estradas estão lá. Para mim é uma coisa que não faz sentido, mas enfim…

A questão das equipas B é igual. Enquanto as pessoas não perceberem que a razão para os futebolistas portugueses terem poucas oportunidades é única e exclusivamente económica, que não tem nada a ver com filosofias, com princípios, com legislações, ninguém vai a lado nenhum. Daqui a dois anos as equipas B vão estar carregadinhas de nigerianos, de argentinos, de brasileiros, por uma única razão: porque economicamente faz sentido. Havemos de voltar a isto.



3 – O Porto ainda não pagou o Sandro, e, segundo a propaganda, «encaixou 5 milhões» com Defour e Mangala quando, na verdade, se limitou a alienar um terço do passe dos jogadores ganhando ridiculamente pouco ou nada com isso, apenas para encaixar algum dinheiro que lhe permita comprar um avançado – o que, provavemente, só conseguirão fazer depois de vender o Guarín, sendo que isso só vai acontecer quando o clube que o comprar os estiver espremido até ao último tostão porque sabe que têm absolutamente de vender. Esperem…. Estão a ouvir?... São as costuras a rebentar.

Cada vez me convenço mais que a economia vai conseguir o que os políticos e os tribunais não tiveram coragem para fazer.

Lembro-me sempre da história do Al Capone, que foi preso por fuga aos impostos.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Pelos Benfiquistas do Norte

Isto hoje é «cosa nostra».

Amanhã, dia de Reis (acho eu...), vou enviar um e-mail com esta proposta ao presidente do Benfica - ou com alguma alteração que aqui seja sugerida e consensualmente aceite.
Quem estiver de acordo com o teor, quem quiser participar, difundir, apoiar, etc, etc, pode ou copiar, ou adaptar, ou fazer o seu próprio texto. Mas, para que possa ter mais impacto em quem recebe os mails, sugiro que usem o mesmo título que eu vou usar no meu («Pelos Benfiquistas do Norte») e que não se desviem - ou pelo menos que não se desviem muito - do objectivo (que o Benfica faça alguns jogos «em casa» no Norte).

«Caro Presidente Luís Filipe Vieira,

Pelos benfiquistas do Norte, que nos últimos 30 anos (tempo demais!) têm sofrido na pele o peso do seu benfiquismo, e que merecem, da Direcção do seu clube e da parte dos adeptos que têm o privilégio de se encontrarem mais próximos do Estádio da Luz, um acto de solidariedade à altura dessa provação;

Para que todos os benfiquistas – a começar pelos adeptos, que ficam sempre, e a acabar nos próprios treinadores e jogadores, que vão passando – abracem, definitivamente, a ideia de que o Benfica é um clube nacional, que não é de um estádio, nem de uma cidade, nem de uma região, mas de um país, e que não deve aceitar o complexo de inferioridade implícito à suposta vantagem de um factor-campo que só pode servir aos clubes pequenos, que não têm a verdadeira ambição de ganhar seja em que campo e em que situação for;

Para que cada jogo do Benfica seja cada vez mais valorizado como um momento precioso e único, levando a que a própria marca do clube se valorize nesse registo;

Para que o sacrifício do apoio ao clube, não só nestes momentos economicamente precários mas também noutros, em que a vontade de ajudar o Benfica esbarra na necessidade de suportar a família, possa ser mais repartido por mais benfiquistas, nem se concentrando nos que habitam perto de Lisboa nem sobrecarregando aqueles que, habitando longe, não desistem de vir a Lisboa ver os jogos, pagando caro por isso;

Para que se demonstre que o Benfica não aceita que o cerquem;

Para que as autoridades locais e nacionais possam provar, de facto e no terreno, que são autoridade, que Portugal não acaba numa ponte e que, depois dela, não passamos a circular numa terra sem lei, à mercê de milícias e de poderes obscuros e caciquistas;

Porque sabemos que os benfiquistas do Norte não falharão;

Proponho-lhe que, a partir da próxima época desportiva, o Benfica passe a disputar no Litoral Norte de Portugal entre 3 e 5 dos mais de 20 jogos que realiza «em casa», por ano.»

Para quem ainda não andava por cá, esta ideia apareceu (aqui, pelo menos) depois do jogo com o Braga.

E depois disto (que eu quero fazer para ficar bem com a minha consciência) vou passar o resto da semana a falar sobre o Sporting-Porto, que é a primeira meia-final de Benfica e Porto no campeonato - a segunda será o Benfica-Porto e a final é o jogo em que a equipa que for à frente tenha a hipótese de ganhar matematicamente o título, seja o adversário o Rio Ave, o Riopele ou o Unáite.