quarta-feira, 7 de setembro de 2011

IRPR – Mês 1 de competição

Fim da terceira jornada com o Leiria-Porto, primeiro interregno da competição, com o segundo período competitivo a iniciar-se no próximo sábado.

Tempo para fazer um primeiro balanço ao desempenho das três equipas sob pressão.

Porto 

Adversário
IRPR possível
IRPR
Guimarães, Supertaça
0.200
0.200
Guimarães, Liga
0.385
0.385
Gil Vicente, Liga
0.110
0.110
Barcelona, Supertaça Euro.
0.660
0.000
Leiria, Liga
0.115
0.115
Total
1.470
0.810
Média
0.294
0.162



Benfica

Adversário
IRPR possível
IRPR
Trabzonspor, Liga Camp.
0.305
0.305
Tranzonspor, Liga Camp.
0.245
0.245
Gil Vicente, Liga
0.235
0.078
Twente, Liga Camp.
0.610
0.610
Feirense, Liga
0.085
0.085
Twente, Liga Camp.
0.455
0.455
Nacional, Liga
0.395
0.395
Total
2.330
2.173
Média
0.332
0.310



Sporting

Adversário
IRPR possível
IRPR
Olhanense, Liga
0.420
0.140
Nordsjaelland, Liga Europa
0.205
0.205
Beira-Mar, Liga
0.155
0.051
Nordsjaelland, Liga Europa
0.325
0.325
Marítimo
0.195
0.000
Total
1.300
0.721
Média
0.260
0.144


De referir que o Índice de Pressão possível é relativo. O Porto é uma equipa mais habituada à pressão e que já teve melhores resultados, ao longo do seu percurso até este ponto, a lidar com essa pressão. É menos pressionável pela competição normal. Por outro lado, está sujeita a mais tipo de pressão em momentos e com adversários específicos do que o Sporting, por exemplo. No futuro do Porto nesta época há maiores probabilidades de aparecer um Barcelona, Real Madrid ou Bayern de Munique, por exemplo, que no fturo do Sporting.

Em contrapartida, um encontro da Liga provoca maior pressão ao Sporting do que ao Porto, pois são equipas com um poder diferente. A estrutura do IRPR está construída de maneira a harmonizar, tanto quanto possível, as diferenças competitivas entre as equipas com a qualidade do seu desempenho.

Como tal, em princípio, a diferença na média de IRPR entre as equipas deve estabelecer correctamente a diferença do desempenho das equipas relativamente à qualidade dos desafios que lhes são colocados. Uma média de 0.130 do Porto, por exemplo, reflectiria o comportamento do Porto mediante os seus próprios desafios, e não o comportamento de qualquer equipa. Se o Benfica, por exemplo, superasse os desafios do Porto a sua média de desempenho seria superior – por volta de 0.230, eventualmente – porque o Benfica é, à partida uma equipa com capacidade inferior à do Porto

Neste primeiro mês o Benfica teve o calendário mais exigente dos três e também o melhor desempenho. Também foi o que, no total de tempo de competição, esteve sujeito a maior pressão quer em termos absolutos quer relativos.

Está, assim, a ser a melhor equipa das três em termos de resposta.

Cinco jogos mais difíceis

Barcelona – Porto, 0.660 de IRPR em 1.000 possíveis

Twente – Benfica, 0.610

Benfica – Twente, 0.455

Sporting – Olhanense, 0.420

Nacional – Benfica, 0.395

Apenas dois jogos de pressão relativamente alta. Ou, por outro lado, dois jogos de pressão relativamente alta tão cedo na época.

Cinco jogos mais fáceis

Benfica – Feirense, 0.085

Porto – Gil Vicente, 0.110

Leiria – Porto, 0.115

Beira-Mar – Sporting, 0.155

Sporting – Marítimo, 0.195

Melhores desempenhos

Twente – Benfica, 0.610

Benfica – Twente, 0.455

Nacional – Benfica, 0.395

Guimarães – Porto (Liga), 0.385

Sporting – Nordsjealland, 0.325


Piores desempenhos

Beira-Mar – Sporting, 0.051 num IRPR possível de 0.155 (104)

Gil Vicente – Benfica, 0.078 em 0.235 (157)

Sporting – Marítimo, 0.000 em 0.195 (195)

Sporting – Olhanense, 0.140 em 0.420 (280)

Barcelona – Porto, 0.000 em 0.660 (660)


Comporta apenas desempenhos em que haja diferencial entre o IRPR e o IRPR possível, sendoa ordem estabelecida pela diferença entre um e outro. Quanto menor é a diferença, pior é o desempenho – uma vez que o grau de pressão do jogo era, também, inferior.

Este quadro mostra, por exemplo, que, nas condições em que decorreram os respectivos jogos, o empate do Benfica em Barcelos, apesar de ter resultado num ponto ganho, corresponde a um desempenho pior, sob pressão, que a derrota do Sporting em casa frente ao Marítimo, uma vez que o nível de pressão é superior.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Terreno armadilhado

Com o Leiria é um jogo-armadilha para o Porto. É fora de contexto, num estádio esquisito, contra uma equipa com muitos jogadores novos, que tanto pode dar numa salganhada total como, pelo factor excitação, numa exibição excepcional – literalmente excepcional: muitos jogadores (brasileiros) nunca jogaram contra o Porto e desconhecem o seu valor, mas não o seu estatuto. Pode muito bem dar num daqueles casos tipo «surpresa da Taça», em que uma equipa menor acaba por se superar frente a um grande. Para o Leiria, com 0 pontos, vai ser o jogo do ano.



O Porto vai jogar apenas com um reforço no onze em relação à época anterior – Kléber. É uma vantagem. Mas Álvaro Pereira faz o seu primeiro jogo da época, tal como James, e Hulk joga com 45 minutos nas pernas e uma viagem de avião da véspera. Varela está em baixo de forma e Otamendí e Guarín não jogam. Moutinho fez o jogo inteiro por Portugal na sexta-feira – o que, neste caso, pode ser bom.



Também é uma oportunidade para alguns jogadores do Porto «entrarem» em competição: Palito, Defour, Cebola.

O Porto precisa de começar a criar momento. Geralmente é por esta altura, à 3.ª/4.ª jornada. Tem dois jogos fora para ganhar antes de chegar a um Porto-Benfica que ganha, cada vez mais, contornos de jogo-pivô para a carreira das duas equipas.



O Benfica recebe um Guimarães reformulado. 4-1 fora esvaziou, consideravelmente, o efeito da chicotada psicológica. Mas o Guimarães vai jogar melhor fora do que em casa, por causa da pressão.



Novamente, é um jogo armadilhado, com o Manchester a jogar na Luz quatro dias depois.

Jesus, a ser atrevido, dava a lateral-esquerda a Capdevilla, numa jogada motivacional.



Quando as coisas correm bem, os suplentes jogam bem, marcando um deles dois golos que não valem nada mas moralizam. O lesionados recuperam a tempo. Os internacionais não vão jogar à Índia na semana de campeonato.

Batalha ibérica

(comentário publicado no blog Bola na Área em 5-9-2011, sob o nickname Especulador Precoce)
A propósito de um jornalista espanhol a meter o bedelho onde não é chamado – desculpem lá mas a minha costela nacionalista tem alguma dificuldade em aceitar este tipo de paternalismos de tipos que, na casa deles, se consomem uns aos outros em ódios clubistas e regionalistas… – duas questões:

1 – Pegando nas palavras muito engenhosas e maquiavélicas, embora correctas, de Jorge Valdano («Mourinho tem um clube e uma equipa ao seu gosto», ou seja, Mourinho ‘amourinhizou’ o maior clube do mundo), qual é a verdadeira relação de poder entre o Real Madrid e Portugal, a eterna província errante de Espanha, o Estado que falta a Castela-Lião (de que o Real é grande estandarte actual) para completar a sua demanda absolutista na Península Ibérica?

É o Real Madrid que está a colonizar Portugal, adquirindo as suas maiores figuras internacionais (há, para o mundo, algum português maior que Ronaldo e Mourinho?) ou é Portugal que está a colonizar o Real Madrid? Quem é que está a absorver quem, Portugal ou Castela-Lião?

Uma vitória do Real Madrid na Liga espanhola e/ou a Liga dos Campeões este ano – e, para mim, é o principal favorito (sim, favorito, acho que o Barcelona vai começar a falhar e que o Real irá aproveitar) – seria uma das mais importantes na sua história, uma vez que é unânime considerar-se esta equipa do Barcelona como a melhor de sempre, a que maior desafio coloca à supremacia histórica do Real.

Este desafio ao castelhanismo agrava-se pelo facto de a Espanha se ter sagrado bicampeã da Europa e do Mundo pela primeira vez graças aos jogadores e à escola do Barcelona, sendo que os jogadores do Barcelona são os primeiros a desprezar o facto de jogarem sob a bandeira espanhola – Piqué, Puyol, Xavi, Busquetes, Valdés, por exemplo, já o demonstraram em muitas ocasiões.

A ideia de que a selecção da Catalunha – o FC Barcelona – facilmente ganharia à selecção do resto de Espanha é aviltante para os «realistas». Que não se duvide que a elevação do Barcelona, bandeira da Catalunha, a superpotência é um momento civilizacional para Espanha, e o Real Madrid é a única esperança dos castelhanos em encontrarem um campeão da sua causa. Ora, a única forma que Florentino Pérez encontrou para ter esperanças de triunfo foi contratando mercenários portugueses.

Se o Real Madrid vencer, este triunfo será, sempre, lembrado como uma vitória dos portugueses acima de todos – deMourinho e de Ronaldo (os outros são meros soldados). Uma vitória de um Real Madrid aportuguesado significaria, de facto, o quê? Uma vitória espanhola ou uma vitória portuguesa, sendo que uma vitória portuguesa, ou catalã, é, fundamentalmente, uma derrota castelhana?



2 – O Benfica passa a contratar jogadores ao Real Madrid e ao Barcelona, com grande êxito, e encontra – graças à intervenção do primeiro português a triunfar realmente em Espanha (Paulo Futre, que pode ser cómico mas tem estrela e tem o condão de estar no sítio certo e de conhecer as pessoas certas) – um clube satélite espanhol para pôr jogadores na montra, num campeonato valorizado (o Granada).

Jorge Mendes, o mais influente empresário do mundo, tem uma jogada visionária ao aproveitar a sua entrada Real Madrid, via Cristiano Ronaldo, para ‘abraçar’ o futebol espanhol. À ‘mourinhização’ do Real corresponde uma ‘mendização’ da liga espanhola. Mendes, neste momento, conseguiu fazer de Sporting de Braga e Atlético de Madrid (dois clubes de top-4 nos respectivos países) parceiros-entrepostos na colocação e valorização de jogadores, não sendo difícil de perceber que, a médio prazo, passará a controlar a qualidade das respectivas equipas através dos jogadores que representa e que lhes cede, se é que não controla já.

Acrescenta, a isto, uma «takeover« hostil, na prática, do Saragoça, um clube histórico e falido que já tornou numa espécie de «equipa do sindicato», onde coloca os jogadores que estão a mais, usando-a para fazer circular «dinheiro da treta» e para manipular o mercado. Mendes já percebeu qual é o futuro.

O futuro é uma liga bipolar (Madrid, Barcelona) ao lado de outra liga bipolar (Benfica, Porto), em que as receitas televisivas provocarão um distanciamento tal entre clubes grandes e clubes pequenos que obrigará à criação de uma «liga proveta» na península Ibérica, uma amostra do que será o futuro do futebol europeu, com a inevitável Euroliga a reunir entre 24 e 30 clubes suficientemente grandes para não perderem dinheiro. Mendes será um dos cientistas malucos  à espera que a «proveta» resulte.

O Benfica dá o salto já em 2013, iniciando o funeral da Sport TV. O Porto vai atrás e, dada a qualidade do seu trabalho em relação a outros que actualmente têm muitos recursos e pouco engenho, poderá, com o aumento de receitas passar a figurar regularmente, de facto, entre as seis melhores equipas europeias. O Sporting acabará por apanhar o barco, porque tem dimensão para isso, apesar de ir atrasado.

E isto, meus amigos, é pura especulação precoce …

Cemitérios

(comentário publicado no blog Entrada a Pés Juntos em 3-9-2011)

Pelo que percebo, a intervenção do «pensorapido» vai no sentido de dar mais importância ao erro do Ricardo do que a uma eventual justificação. É uma posição legítima, não digo que não. Depende um bocado da severidade ou da tolerância com que se encara os tais deveres/obrigações e os erros (sobretudo, e normalmente, os dos outros…)

O Ricardo Carvalho errou, e ainda não vi ninguém (a começar por ele próprio) a dizer que não errou. E digo mais: a FPF devia, mesmo, punir o jogador com uma suspensão, porque ir à Selecção não é o mesmo que ir à cantina, tem de haver respeito pela instituição e a forma de fazer as coisas é importante. É por isso que existem protocolos, formalidades, burocracias – não é só para chatear, é para preservar as instituições e, indirectamente, o que elas representam. (Prefiro não me alongar – mais… – sobre quantos dos actuais dirigentes da FPF deviam estar suspensos a termo indeterminado por traição ao futebol português...)

O que me incomoda aqui é a mentalidade do jogador descartável.

Falemos sobre «a qualidade do PAPEL» que Ricardo Carvalho desempenhou até hoje. Analisemos a sua carreira. Andou pelo Leça, por outros clubes menores, como tantos outros ex-juniores do Porto, Benfica ou Sporting, e subiu a pulso. Só aí é um em cem.

Num futebol cada vez mais cosmopolita, em que os argentinos e os paraguaios chegam a metade do preço, impôs-se, como português, numa das melhores equipas de sempre do nosso futebol – o Porto de Mourinho, que tirou o futebol português da segunda divisão e nos fez, novamente, acreditar que podíamos competir com os ricos, como fazemos hoje.

Ao mesmo tempo tornou-se numa peça central da melhor selecção portuguesa de todos os tempos – que me desculpe o pessoal do preto-e-branco, mas comparem a equipa do Eusébio (3.º lugar num Mundial) e o que esta selecção portuguesa conseguiu (para não ir mais longe) entre 2004 e 2010 e não há, sequer, proximidade; a de agora é que foi, mesmo, a nossa geração dourada, e passarão trinta anos até haver outra, garanto-vos.

Jogou e foi campeão no Chelsea e transferiu-se, aos 32 anos, para o Real Madrid, onde confirma, na segunda melhor equipa do Mundo, aquilo que já se sabia: que é um dos dez melhores defesas-centrais dos últimos 6/7 anos na relação qualidade-produtividade.

Quando outros jogadores, depois do Mundial, começaram a pensar mais neles que na Selecção, poupando nos quilómetros para terem pernas para ganhar dinheiro na Turquia, ou na Rússia, ou em Espanha durante mais um ou dois anos, e no meio do circo do Queirós, quando podia ter ido à vida dele que ninguém lhe levava a mal, o Ricardo Carvalho ficou – apesar de estar num clube de máxima exigência e de já estar na recta final da sua carreira.

Foi desta forma que Ricardo Carvalho desempenhou o seu PAPEL.

A minha simpatia pelo Ricardo Carvalho é a mesma que tenho por todos os jogadores honestos, rectos e leais, que é o que eu acho que ele é, embora o conheça tanto como qualquer adepto vulgar, pelos jornais e pela televisão.

E o que é que o Paulo Bento nos disse? Que este jogador não ganhou, no campo, ao longo de uma carreira de 14 anos, o «ESTATUTO» para receber uma palavra no momento em que vai deixar de ser titular da Selecção. «E se estás mal, muda-te», podemos acrescentar. (Ao que ele respondeu mudando-se, mas da pior maneira, com uma despedida à francesa…)

Pergunto: se um Ricardo Carvalho (ou um Ronaldo, ou um Figo, ou um Pauleta, ou um Rui Costa, ou um Eusébio) não tem estatuto, quem é que tem estatuto?

Pergunto mais: se ninguém tem direito a ter estatuto, se somos todos iguais independentemente do nosso desempenho, isto tudo serve para quê? Onde é que cabe o mérito, se não há recompensa? Já pensou que a «ineficiência» de que fala pode vir não dos «direitos adquiridos» mas precisamente do sentimento de que não há direitos adquiríveis? Onde é que entra o mérito? O que é que transmitimos a quem vem tomar o nosso lugar? «Olha pá, tu até és bom, mas não te preocupes muito com isso porque não tens mais direitos que um inútil qualquer. Desenrasca-te, mas é, porque, no fim, podes ter a certeza que o buraco é igual para todos.»

Aconselho toda a gente que um dia vá a Washington a visitar o cemitério de Arlington e a testemunhar a reverência com que os americanos tratam os que caíram em combate. Não é provincianismo, nós também já fomos e podemos voltar a ser assim. Mas aquele cemitério é uma lição prática sobre como se constrói uma Nação, sobre valores e cultura.

Este episódio do Ricardo Carvalho, que agora nos parece tão fácil de avaliar como uma vitória da famosa «disciplina» do Paulo Bento (que eu também acho que é honesto, recto e leal, e que também acho que cometeu um erro), é, na verdade, uma derrota no processo de construção de uma identidade forte na Selecção Nacional.

Porra, escrevi para caraças… Não há limite de caracteres para esta m....?

P. S. – O Ricardo Carvalho é tão bom tipo que até para dizer que o Paulo Bento era mercenário se enrolou todo. Aquilo já deve andar ali pelo meio «assessoria» dos Mous…

O mercenário

(comentário pulico no blog Bola na Área em 3-9-2011)
A explicação do Ricardo (a que ouvi no rádio, pelo menos) convenceu-me, até porque fica a ideia de que, além do «pormenor» da titularidade, havia, de facto, ali, algum desrespeito. Tem razão quando recorda que outros, até com melhor imprensa do que ele, decidiram sair, enquanto ele ficou para ajudar na transição.

 

Há que entender que, para um jogador como o Ricardo, assim como para outros como Paulo Ferreira, Simão ou Pauleta, a Selecção, nesta fase da sua carreira já não é mais do que, como ele disse, devoção. A nível profissional, o Ricardo (e provavelmente todos os outros, mesmo os mais novos) não voltaria a conseguir uma final de um Europeu e uma meia-final do Mundial (sem esquecer que, na África do Sul, Portugal perdeu apenas por 1-0 com a futura incontestável campeã do mundo e uma equipa que marca uma época). Em jogadores com mais de 30 anos e sobretudo em jogadores como o Ricardo, que jogam, literalmente, ao mais alto nível nos clubes, a selecção é um fardo – um fardo que eles carregam com gosto, mas ainda assim um fardo, física e mentalmente. Jogadores que voluntariamente representam Portugal nestas condições merecem, pelo menos, uma palavra, porque não são, de facto, jogadores iguais aos outros. São jogadores que transmitem valores e que representam, não de uma forma abstracta mas concreta, o ser jogador de Selecção. Os jogadores não são todos iguais, e quem diz que são, engana-se. Por isso é que há campeões e deois há os quenão são campeões.

 

Se o Paulo Bento tivesse ideia de não meter o Ronaldo a jogar de certeza absoluta que lhe diria: «Ronaldo, vais ficar de fora neste jogo. Queres ser convocado à mesma?» De certeza absoluta. (E lá chegaremos, porque o tempo passa para toda a gente) E diria bem, porque o Ronaldo justifica essa atenção. Já não é um miúdo, tem galões, foi à «guerra» por Portugal e ajudou a ganhar-nos muitas e importantes batalhas. Como o Ricardo. O Ricardo não é vaidoso, não é gabarola, não aparece nas revistas a comer as gajas todas, mas também merecia que, antes da convocatória, quando estava a fazer o plano para o jogo com o Chipre e, eventualmente, para o futuro próximo da Selecção (a pensar na fase final do ao que vem) o seleccionador lhe dissesse: «Ricardo, estamos a pensar mudar as coisas mas queremos continuar a contar contigo porque ainda és valioso para nós. Estás disposto a isso?»

 

Se sim, muito bem. Se não, há muitos jogadores com idade e vontade de aprender, e o Ricardo poderia ter a despedida que merecia da Selecção, e não esta canalhice pegada. É uma questão de respeito.

 

Ouvi o Ricardo, muito bem, a dizer que errou na atitude que tomou (e, já agora, a responder a grande altura ao disparate do Paulo Bento). Tem razão. Errou. Foi com a cabeça quente. O Ricardo, apesar de às vezes parecer, não é sobrehumano. Mas o Paulo Bento também não o é de certeza.

 

Gostava muito de ouvir o Paulo Bento, que tomo por convicto e, até, por teimoso, mas não necessariamente por intransigente, a admitir que podia ter conduzido as coisas de maneira diferente, dado o histórico e a personalidade do jogador. Mas gostava, sobretudo, gostava mesmo muito, de ter algum líder (um líder a sério, que não é, nunca foi e nunca será Madaíl, um capacho do poder) a convencê-lo de que essa seria a atitude correcta a tomar. Alguém que não transformasse um mal-entendido, ou um mero choque de personalidades, numa cena vil e suja que faz toda a gente parecer muito pior do que é.

Desertor

(comentário publicado no blog Bola na Área em 1-9-2011, sob nickname Especulador Precoce)

À primeira vista, o Ricardo passou-se. Mas acho que não devemos ser demasiado simplistas neste caso. Há jogadores diferentes dos outros, e o Ricardo Carvalho sempre me pareceu um jogador com uma sensibilidade muito invulgar no mundo de carroceiros que é o do futebol. Por este prisma, não me surreende muito que possa ter reagido mal a sentir-se ofendido. Aquilo que o ofende, provavelmente, a outros sabe-lhes a pato.

Também não posso dizer que não goste do estilo do Paulo Bento. É um homem do futebol que não atura tretas e que diz aos jogadores a verdade: que ganham demasiado dinheiro para pensarem que estão acima do que lhes é pedido. Trata Liedsons e Velosos por igual, e se calhar o problema, neste caso, é mesmo esse - o Ricardo Carvalho não é um jogador igual aos outros.

No entanto, nunca tomei o Paulo Bento por intransigente, por ditador ou por insensível, e confesso que me faz bastante confusão como uma simples e eventual falha de comunicação resulta numa situação tão estúpida, pois nem um nem o outro me parecem tacanhos.

Falar-se em indignidade, deserção e coisas afins soa-me completamente deslocado consierando as pessoas em questão.

Às vezes homens inteligentes fazem coisas estúpidas e adultos agem como crianças. É a natureza humana. Este parece-me um desses casos.

O que me faz mesmo confusão, tal como, aparentemente, ao autor do blog, é que não apareça ninguém de cabeça fria e com autoridade (e legitimidade, já agora) quer sobre treinador quer sobre o jogador para conversar, estabelecer diálogos, construir pontes e, no fundo, proteger a Selecção Nacional. Se nestes casos os dirigentes estão lá para dizerem «Não sei, a mim ninguém me disse nada...» serve para quê, e qual é a diferença entre um dirigente e um porteiro? Dirigentes para assinar cartas de despedimento, para participarem em campanhas de homicídios profissionais ou para aparecerem nas jantaradas temos, agora para estabelecerem um padrão de comportamento e profissionalismo que seja uma mais-valia para o país, tá quieto. Se pensarmos que, depois, é esta gente que vai para os quadros da UEFA, percebemos como é que os Dubais recebem Campeonatos do Mundo de Futebol - o maior escândalo na história do Desporto, na minha opinião, quer pelo processo quer pela cumplicidade posterior por parte dos supostos protectores do jogo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

DesFalcoado

Em relação à selecção:

Não falo. Não me interessam unanimidades.
 

Em relação ao fecho do mercado:

Como eu tinha dito, o Sporting, que já não pode recuar, avança. Desiste de Postiga, que teve a sua última oportunidade, não a agarrou e, também ele, desistiu do Sporting. Consegue vender Djaló por mais do que pagou por Capel (acho muita fruta, aqui deve haver marosca, mas pronto…). Só não vende Carriço porque não conseguiu enganar ninguém à última hora. De facto, só acredita nas notícias de «Inter observa Carriço» ou «Arsenal interessado em Djaló» quem quer.

Há coisas para dizer sobre o «jogador à Sporting», mas não hoje.

Hoje, ao contratar um suplente do Atlético de Madrid, Elias, por quase 9 milhões de euros, percebeu-se que o Sporting, e ao vender dois jogadores danificados, o que lhe permitirá apostar em Jeffren, Capel, Rubio e Volkswagen, se prepara para revolucionar o onze e o estilo de jogo. No próximo jogo do campeonato, em vez de oito jogadores do ano passado (exceptuando o guarda-redes), o Sporting deverá ter três ou quatro, e a caminho de ter menos. Insúa, Elias vão juntar-se a Bojinov, Schaars, Rinaudo, Capel, provavelmente Rubio e (não duvidem) Onyewu, se Rodríguez não recuperar, no onze inicial.

Domingos vai fazer sangue, com o apoio de Duque e Freitas, também porque sabe que a verdadeira época começa agora e que, ao contrário do que se possa pensar, o principal está para ganhar – segundo lugar na Liga e boa campanha europeia. O Benfica está a apenas cinco pontos e joga nas Antas daqui a um mês. A posição real do Sporting não é muito diferente da que era no princípio da época.



O Porto falhou neste fecho de mercado. Depois de roubar Danilo e Sandro ao Benfica – o que parece sempre o mais fácil de fazer – perdeu o tino quando Falcão deu um murro na mesa. Ao ter de vender o jogador que não queria vender um ano antes do prazo, Pinto da Costa perdeu em várias frentes:

- perdeu, com o seu segundo melhor jogador, a oportunidade de fazer alguma coisa de importante na Liga dos Campeões deste ano;

- com o receio de cometer o mesmo erro de 2010 (Lucho, Lisandro, espinha dorsal danificada, título para o Benfica, então tão forte como parece estar este ano), preferiu não vender os jogadores que realmente queria vender: Álvaro Pereira ou Guarín. Fica com ambos um ano a mais;

- não encontrou uma alternativa à altura de Falcão, na equipa, uma debilidade que tanto pode ser resolvida sem sobressaltos como revelar-se determinante. É uma vulnerabilidade e dá ideia de que o Porto está a facilitar. Na prática, até Dezembro, o Porto perde um titular indiscutível e não ganha nenhum. A equipa está mais fraca.

Além disto, não conseguiu vender Fernando, Fucile e Cristian Rodriguez.

O relativo falhanço do Porto em reforçar a equipa no Verão  - Danilo só vem em Janeiro, Defour e Mangala vão ter muito banco antes de começarem a jogar, Kléber é meio Falcão – diminui ainda mais o fosso para o Benfica, que tem Nolito, Bruno César, Witsel, Garay, Artur a render e uma dinâmica a andar, pelo menos durante mais um mês devido ao início precoce da temporada. O Porto tem mais do mesmo, o que continua a ser mais, mas… para já.

O Porto-Benfica da 6.ª jornada surge, cada vez mais, como fundamental.