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sábado, 10 de dezembro de 2011

Um metro a menos

Em relação ao jogo do Porto, recomendo o Gato das Botas a quem tenha filhos e possa gastar uns euros em cinema. Vale a pena.


Em relação ao Sporting, o que se passou em Madrid foi mais uma etapa da saga «José e a Manipulação do Espaço». Mourinho passou uma data de meses a convencer os seus jogadores de que era possível defender o Barcelona no meio-campo deles sem levar 5 a 0, e os deuses deram-lhe toda a ajuda de que precisava: aos 20 segundos de jogo, Valdés passa uma bola a Di Maria, a bola anda ali aos rebolones e vai cair aos pés do Benzema na pequena-área. O Real Madrid, que só precisava de um empate para ser campeão – ah, pois é…  viase a ganhar em casa por 1-0.

O que o Barcelona fez depois foi uma das maiores demonstrações de carácter futebolístico a que já assisti. O Barça não mudou nada. Absolutamente nada. Nem sequer vacilou. Isto é confiança total. Depois de ver o que o Barcelona fez hoje em Chamartín tirei as dúvidas sobre qual é a maior equipa que já vi jogar.

Até ao dia de hoje continuava a colocar este Barcelona ao lado do Milan de Sacchi/Capello, que não teve culpa de ser de outra era do futebol nem de ser italiana. Não digo que este Barça é a maior equipa que já vi por uma questão de estilo – aliás, não gosto do estilo do Barcelona, acho-o monótono, com rasgos de classe permanentes, é certo, mas chato de ver, sem variações. Adoro jogadores inteligentes, e nunca os vi mais inteligentes do que estes, inteligência a mais também chateia. Ter controlo sobre qualquer adversário é admirável. Ter TODO o controlo é aborrecido. É anti-jogo.
Digo que este Barcelona é a maior equipa que já vi jogar pela sua pura personalidade.


Nunca houve a mínima dúvida, no relvado, fosse qual fosse o resultado, sobre qual era a melhor equipa. Mourinho tentou tudo.

1 - Montou a equipa para levar o Barcelona a chegar à linha lateral cedo demais, para tirara bola do miolo do terreno o mais depressa possível. Quando a bola chega a linha lateral demasiado cedo a equipa atacante perde vantagem, porque a linha também defende (aprendi isto no basquete, aos dez anos, vejam lá). Se o real conseguisse fazer com que o Barça fosse para a linha conseguia equilibrar a luta.

2 – Juntou ainda mais os jogadores, e mais acima no campo. Apesar de parecer que  eles conseguem sempre escapar, a única forma de defender Messi, Xavi, Iniesta, etc, é tirar-lhes espaço, e Mourinho continua a tentar tirar-lhes mais um metro a cada jogo que faz contra eles. Conseguiu-o, novamente, mas ainda não foi suficiente. É claro que, na segunda parte, a equipa já estava toda deslassada.

3 – Tentou, quer com as contratações que fez quer com o treino, anular a vantagem na velocidade de raciocínio do Barcelona com a vantagem na velocidade física dos seus jogadores. E não conseguiu. Comprovei, novamente, uma máxima que tenho vindo a defender há muitos anos: o nível máximo de potência não chega para bater o nível máximo de inteligência. Um jogador inteligente é intrinsecamente melhor que um jogador potente, e o mesmo ao nível da equipa.


A história do jogo é a história da demonstração de classe superior da melhor equipa mundial sobre a segunda melhor equipa mundial, banalizada, tal como o seu melhor jogador, transformado num avançado vulgar a procurar a bola e a despejá-la em centros destinados ao insucesso.
Foram 3, podiam ter sido mais 3, 4 ou 5.

Mourinho vai ser campeão de Espanha sem ter a melhor equipa, graças a dois beneplácitos: o de só ter de jogar duas vezes por ano com o Barcelona; e o de o Barcelona ter de suportar o frete de ter de jogar com todas as outras (medíocres) equipas ao longo de sete meses. Nenhuma equipa tão boa é capaz de sobreviver a tamanha provação. Seria como obrigar Mozart a competir com um tocador de rabeca, na rua, todas as semanas durante um ano – chegaria a um ponto em que Mozart, depois de ter tocado todas as perfeitas sinfonias, começaria a tocar as notas todas ao contrário só para matar o aborrecimento, por já não ter mais maneira de se entreter. Este Barcelona só acabará quando a sua arte ficar tão exausta que tenha de se tornar destrutiva só para não ficar parada.

Quanto ao Barça, vai perder o título de uma maneira sádica: não deixando ninguém pensar, sequer por um minuto, que foram os outros que o ganharam, mas sim eles que não o quiseram ganhar. E que se o quiserem ganhar de novo para o ano ganham-no, como e quando lhes souber melhor.
 

Em relação ao Benfica, acho que vai ganhar. Não vai jogar por aí além, não vai passar sem sofrer um bom bocado, mas vai ganhar, e vai fazer os sete pontos que estavam previstos antes dos três jogos com Braga-Sporting-Marítimo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O prejuízo? Dois witsels

O Cardozo anda zangado. Já viu mais amarelos em dois jogos que na época toda. Ontem, quando marcou o golo, até parecia que estava a fazer birra. Óptimo.

A reputação, falsamente adquirida, de que o Porto é o único responsável pela sustentação do ranking português na UEFA levou ontem um tiro. Não só os nossos perseguidores apuraram dois clubes para os oitavos-de-final da Champions como um deles o fez à custa do Porto, tendo-lhe ganho um jogo e empatado outro.

Se o Ajax fosse treinado por um francês e tivesse três jogadores franceses, incluindo o melhor do mundo, e uma equipa de arbitragem francesa tivesse anulado dois golos limpos no mesmo jogo que eliminassem o Real Madrid eu queria ver o que é que o Mourinho dizia.

O Bruno Alves foi ao balneário do Porto dar um abraço ao pessoal depois do jogo. O Spaletti não é parvo nenhum. Não acredito que o Bruno Alves entregasse o jogo de propósito ao Porto, mas, nunca fiando, provavelmente também o deixava no banco. Mesmo sendo mais defesa que os outros dois juntos. Só para não dar azo ao azar…
No fim, o Bruno disse que o Vítor Pereira precisa de mais tempo porque tem métodos novos. Eu concordo. Obviamente os métodos da época passada, mesmo sendo «mais de metade dele», já estavam desactualizados.

Começou a época de vendas para o Porto. A grande dúvida que vai na cabeça da «estrutura»: «vendemos o Guarín agora, por menos 8 milhões do que o que teríamos feito no Verão, quando ele parecia um jogador de futebol e nós não estávamos desesperados por dinheiro, ou no fim da época, correndo o risco de termos de o emprestar ao Génova durante seis meses à experiência para verem que ele ainda joga e para emagrecer uns quilos?»
O Grande Timoneiro tem-se revelado, sobretudo, e utilizando a terminologia moderna, um grande gestor de activos.
Assim como a «estrutura», diga-se. Em quatro jogadores secundários com os quais o Porto teria facilmente feito 60 milhões de euros no Verão (Álvaro Pereira, Guarín, Fernando e Fucile), todos com alternativa no plantel (se considerarmos o ex-júnior Alex Sandro e o Defour alternativas ao mesmo nível), e todos em fim de prazo do seu processo evolutivo no clube (o Fucile até já bem além do prazo), actualmente, se os vendesse aos quatro não faria, por certo, mais de 45 milhões, ou mesmo 40. Pode ser que ainda vão a tempo em Janeiro.
Anda tudo a fazer contas aos 3 ou 4 milhões que o Porto deixou de ganhar pelos quartos-de-final da Champions mas o verdadeiro prejuízo está aqui. 3 ou 4 milhões, só, é o que o Porto provavelmente perderá por cada jogador que venha a vender simplesmente pelo facto de não estar à vontade para regatear. Ninguém no mundo acredita que o Porto não tenha de vender em Janeiro, a começar pelos compradores.
O prejuízo real da eliminação do Porto não são 3 milhões, são para aí uns 15. São dois Witsels.

Aliás, proponho que, na iminência do falecimento do euro, comecemos a usar o witsel como moeda oficial do Religião Nacional.
É só uma questão de saber quanto é que ele custou e estabelecer o câmbio. Meio Witsel, Um Witsel e setenta cêntimos, etc.

Esta pode ser a última janela de oportunidade do Pinto da Costa despedir o TOC. Se não for agora…

Isto pode parecer bater a ceguinhos, mas caramba, quando as coisas começam a correr mal até a chuva nos passa ao lado: o Porto não vai ser cabeça-de-série porque, no «grupo da morte» (li esta ontem no blog do Eugénio Queirós e dormi a noite toda a rir), fez piores resultados que o Olympiakos num grupo que tinha Arsenal, Marselha e Dortmund. Vocês querem ver que o Manchester United vai tramar a vida ao Benfica e eliminar o Porto já em Fevereiro? Não estava mesmo nada nos planos.

O Benfica já vai em 16 milhões de euros em prémios na Champions. Ou melhor, dois Witsels.
Isto só me leva a confirmar que a época passada do Benfica não foi o fracasso, em termos resultados, que pareceu. Segundo lugar no campeonato, apuramento para a Champions, meias-finais da Liga Europa pela primeira vez em dezoito anos, meias-finais da Taça de Portugal, vitória na Taça da Liga. Se todos os anos maus do Benfica, falando em resultados, fossem estes, e considerando o que significaria, nesse caso, um «ano bom», daqui a cinquenta anos estaríamos, provavelmente, a falar do melhor período desportivo na história do clube.
Isto leva-me outra vez à questão do prazo de validade do Jesus. Mas ainda não é hoje…

Dez dias depois de ter metido baixa durante uma hora e meia, o presidente do Sporting continua a falar de um jogo que não vai existir. Chama-se a isto desespero. Ou necrofilia.

Parece que apanharam um adepto do Zenit no Douro. Deve ter ido patinar no gelo…

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Leviatã

As últimas quatro semanas mostraram péssimos sinais para o Sporting.

Dizer isto não é novidade. Os dois últimos anos têm sido péssimos. Isto só se torna relevante porque, depois do jogo em Paços de Ferreira (o do 0-2  3-2 em dez minutos sem ninguém mexer em nada), o Sporting estava a conseguir aquilo que toda a gente parece disposta a aceitar como o que era o seu grande desafio: salvar-se.

É que estes não são tempos normais de crise para o Sporting. São tempos em que o Sporting, de facto, joga o seu futuro, e decide se se vai tornar num dos três grandes, outra vez, ou se se cristalizará como apenas o terceiro grande – o terceiro, hierarquicamente falando, algo que, hoje, ainda não se possa dizer claramente que é.



O Sporting não vai acabar, obviamente, nos próximos vinte anos, mas se o Sporting não conseguir ganhar mais que um ou dois campeonatos nesses vinte anos perderá, definitivamente, a sua grandeza equivalente, em termos de adeptos, em relação a Benfica e Porto, pois, por mais capacidade de renovação que as famílias sportinguistas possam ter, não aguentam, simplesmente, a pedalada.

Se o Benfica começa outra vez a ganhar e a crescer em número de adeptos, daqui a trinta anos a desproporção entre benfiquistas e sportinguistas pode, muito bem, passar de 1,5/2 para 1 para 3 para 1, ou até mesmo de 4 para 1, se se considerar que a maior parte da igualdade demográfica entre um e outro está entre as pessoas mais velhas, que (eventualmente…) acabarão por morrer.



Os primeiros jogos do novo Sporting pareciam ser cataclísmicos. Todos concordavam que era a última oportunidade, e a coisa ia direitinha ao fundo. Aconteceu Paços de Ferreira. Nos dois meses seguintes os sportinguistas voltaram a acreditar no destino. Deus disse-lhes: «Estão a ver? Eu não vos abandonei.»

Depois aconteceu o que lhe acontece sempre: o Benfica.

A proximidade do seu Leviatã começou a trabalhar com os nervos do Sporting. Aconteceu-lhe aquilo que acontece tantas vezes a quem não está seguro do que vale, e meteu na cabeça que tinha de fazer mais do que aquilo que sabia. É como o defesa-esquerdo que não joga muito e que vai jogar o seu primeiro dérbi. Como não se sente seguro de si pensa que tem de mostrar a toda a gente que sabe driblar, centrar, fintar com o pé direito, parar a bola com o peito… na verdade, esse defesa esquerdo só sabe defender. Ora, assim que começa a tentar fazer o que não sabe, dá um passo para o desastre. É a clássica história que acaba sempre mal.


Começaram com a rábula dos bilhetes, que não teve pés nem cabeça e que é o mais demonstrativo de todos os episódios desta telenovela – pode-se questionar tudo o que se passou depois, inclusivamente a oportunidade e a intenção de quem pôs a rede, mas não se pode questionar a nítida intenção provocatória do pedido de 10 mil bilhetes quando se sabia que as possibilidades de os receberem eram mínimas (e eu estou à vontade porque até não fui contra que se dessem os bilhetes).

Viu-se o Cirúrgico Barroso a mandar bitaites, o Gordinho a falar do Mantorras, uma série de outras pequenas parvoíces enquanto, do lado do Benfica (até porque havia outras guerras para travar), só chegava silêncio.

Apareceu então a gaiola. Eu sou contra a gaiola. Não é que a gaiola não faça sentido, em termos de segurança, mas é porque também sou contra as claques. Acho degradante pôr pessoas dentro de uma rede, num estádio de futebol – aliás, acho degradante pôr pássaros dentro de uma gaiola – mas eu só não as punha porque, comigo, as pessoas que deviam estar dentro de uma gaiola nem sequer entravam no estádio. Filmava-os a todos quando estivessem a gritar «filho disto» ou «vai para ali» e, no jogo seguinte, ficavam à porta por atentado ao pudor ou por não caberem num espectáculo desportivo.

«Mas toda a gente diz e isso é descriminatório!»

Estou-me cagando. Fossem queixar-se ao Papa. Processassem-me. Mas no Estádio não entravam.

E em relação à rede, fico por aqui.


Até aos 40 minutos da primeira parte tudo estava a correr de acordo com o plano do Sporting. na hora da verdade, após meses de preparação para o jogo da verdade, o Benfica, cansado, desconcentrado, desfalcado,impreparado para o adversário que tinha à frente (fresco, organizado, treinado ao pormenor durante a semana), estava à sua mercê.
Depois, no único ponto vulnerável pelo qual a estratégia podia falhar – os cantos – a muralha abriu. A nação benfiquista entrou. E o Sporting bipolar voltou a entrar na espiral negativa.


Daí para a frente tem sido um desastre. Como o Rui Dias muito bem disse na sua excelente crónica do jogo, no Record, (considero o Rui Dias, que conheço pessoalmente, o melhor jornalista desportivo português e, mais uma vez, ele insistiu em dar-me razão), o Benfica apelou à mística que, durante tantos anos, nomeadamente contra o Sporting, fez a sua sobrevivência e a sua prosperidade, e, com suor e sorte, aguentou um jogo que parecia impossível de ganhar.

Já o Sporting, no momento seminal, tornou a encarar uma fragilidade crónica, que o persegue historicamente: a incapacidade de matar.

Da força metafísica de um e da fraqueza existencial de outro se fez um resultado de que só daqui a uns anos conseguiremos perceber o verdadeiro alcance – uma vez que, com uma derrota, o Benfica facilmente perderia o campeonato.


Depois do jogo, falou o Paulo Judite Cristovão, que viu aí a oportunidade de ser o presidente de faroeste que os sócios não quiseram que ele fosse, e de mostrar onde é que está a força dentro da Direcção do Sporting.

Os adeptos fizeram a sua parte, praticando um acto criminoso para o qual vinham evidentemente preparados, como se comprova pela prisão de uma série deles à entrada do Estádio na posse de material incendiário. Com isso acabaram por retirar qualquer legitimidade à contestação institucional da sua Direcção. Mais uma vez, a Juve Leo mostra quem é que manda, realmente, no Sporting.

O presidente, que estava convalescente para ir ao estádio mas não está para o resto, entrou à leão, falando de condições degradantes e fazendo ameaças de gravador na mão para, hoje, à saída do MAI, sair à cordeiro, falando em pacificação e na «situação difícil do país», como se não se tivesse passado nada.

O Cirúrgico Barroso, que aparece pouco na televisão, também achou que devia vir falar outra vez da «oportunidade» da «caixa de segurança» - um argumento perfeitamente estúpido se se considerar que só há dois jogos em que a dita caixa faz sentido – com Sporting e Porto, eventualmente com o Braga, que também joga golfe – e que o Porto ainda não jogou na Luz.

O Sporting fala a três vozes em menos de 48 horas. Quatro se lhe juntarmos a do Duque, que disse o contrário disto tudo porque não disse nada. Quatro vozes de dentro da estrutura dirigente do Sporting, sobre um assunto paralelo, que só existe porque o Sporting perdeu com o Benfica.


Ora, o problema do Sporting é precisamente esse. Perdeu com o Benfica. É a derrota que os sportinguistas não conseguem engolir. Perder com o Porto é chato. Perder com o Benfica é trágico.
O Sporting perdeu o jogo, perdeu o campeonato – é que perdeu mesmo, não duvidem, se não for para o Benfica é para o Porto (aliás, já o tinha perdido) –  e perdeu a cabeça.
Assim que os resultados falharam, o novo Sporting recaiu no velho Sporting, muito vocal, cheio de opiniões pessoais, cheio de egos a reclamarem o direito aos seus cinco minutos sem acrescentarem nada de real ao esforço colectivo, e acabado de perder.

Se as fragilidades são as mesmas porque é que os resultados, a longo prazo, deveriam ser diferentes?

Pode o Sporting, neste jogo com o Benfica, ter perdido o pé?

domingo, 27 de novembro de 2011

Três andamentos

Antes do jogo em Alvalade, que pode marcar uma viragem no campeonato se o Benfica não perder pontos nos dois jogos que se seguem (Marítimo, fora, e Rio Ave), o Porto tem dois jogos fáceis para a Liga (Beira-Mar, fora, e Marítimo) e um jogo relativamente acessível para a Champions, em que lhe basta o 1-0 frente ao Zenit, em casa.
Depois disso tem três semanas para recarregar.

Não acredito que a paragem vá ser particularmente benéfica para o Porto. Não tem jogadores importantes lesionados. Vai receber o Danilo e um ponta-de-lança, que deve entrar logo nos primeiros dias de Janeiro, mas, a menos que seja uma grande bomba (o que é raro), não vai pegar de estaca. Ninguém pega de estaca nas primeiras semanas a jogar no Porto.

O problema do Porto não é falta de qualidade (os jogadores são quase todos os mesmos) nem a falta de tempo para trabalhar, uma vez que a equipa está feita. Pelo contrário, se alguma coisa joga contra o Porto é o tempo. Quanto mais tempo passa mais a qualidade que existe no plantel se degrada, uma vez que a raiz do problema (leia-se o treinador), continua lá, a contaminar aquilo tudo.
Tão pouco o factor desgaste tem sido notório. Além de ter tido muitos jogos fáceis, o Grande Timoneiro tem rodado muitíssimo a equipa. O Porto nunca pareceu cansado. Apático, sim, mas não cansado.
Se a isso juntarmos a vontade dos jogadores em sair em mais esta janela de oportunidade (Guarín, Fernando, Fucile, Álvaro Pereira), e o facto de começar com um Sporting-Porto que pode atirar a equipa de novo para o buraco, Janeiro pode ser muito mais um problema que uma solução para o ainda campeão nacional.

(Segundo golo do Braga. 3-2. O Porto está tão karmado, este ano, que até as vitórias têm bicho. A última imagem é a que fica.)

Pelo contrário, Benfica e Sporting têm muito a ganhar até ao reinício do campeonato, a 8 de Janeiro. A começar pela Taça de Portugal.

Em condições normais, a Taça é um estorvo na parte final da época, mas este ano, dadas as condicionantes (eliminação do Porto e possível confronto Sporting-Benfica nos quartos-de-final, a um jogo, ausência de outros candidatos credíveis, disputa das meias-finais a duas mãos), na prática a Taça de Portugal fica praticamente entregue no dia 21 de Janeiro. O Sporting está a um jogo de a ganhar (e é o grande favorito, neste momento), uma vez que contra o Belenenses vai ser treino, e o Benfica a dois. Depois disso vão de férias durante quase três semanas. Isso fará com que Sporting e Benfica apresentem as suas melhores equipas nesse jogo e o disputem como a uma final.

Até ao jogo com o Porto, em casa, o Sporting vai tentar recuperar o Rinaudo, o Izmailov e o Rodríguez, três titulares indiscutíveis, além do Jéffren e do Matías. Duvido que compre um central logo no princípio de Janeiro.

Além disso, vai ter mais tempo para trabalhar a equipa, o que é importante na fase de construção em que se encontra.

Seja qual for o resultado do Sporting em Braga, vai chegar ao jogo como Porto sem pressão. O jogo da Luz resolveu esse problema ao Domingos. Já toda a gente percebeu que o Sporting ainda não tem estofo de campeão, por mais que os Bernardos Ribeiros deste país o queiram vender como tal. Para o Sporting, o jogo com o Porto surgirá num cenário ideal: em casa, sem a pressã de ganhar mas com toda a vontade de o fazer. Ponho já a minha cabeça no cepo: o Sporting vai ganhar ao Porto em Alvalade, com o Domingos a dar um banho ao Técnico Oficial de Contas.


O Benfica tem objectivos ligeiramente diferentes até 8 de Janeiro.

Tem um jogo realmente fundamental para a sua época, com o Marítimo, para o campeonato, a 11 de Dezembro, dois onde vai apostar forte, para a Taça (ambos  em situação de pôr a melhor equipa a jogar), e três mais acessíveis (Galati, Rio Ave para o campeonato e a primeira jornada da Taça da Liga, já em Janeiro).
O Benfica tem um campeonato para não perder, uma Taça para tentar ganhar e, além disso, alguns jogadores para recuperar ou para elevar ao nível de opção válida.

Saviola, sim ou sopas. Ou fica, ou sai e dá o lugar a outro. Mas, se é para ficar, que o demonstre agora, neste jogos. Tem um mês para dizer se quer ficar ou se desistiu. Neste processo está Rodrigo Mora, que parece preparadíssimo para entrar na equipa.
Jardel, ou é solução ou não é. Não me parece que seja. O Benfica precisa de um terceiro central e tem de decidir se já o tem ou não. Se o tem, tem de o mostrar agora.
Capdevilla vai ter a última chance. Emerson é um ponto fraco na equipa do Benfica.
Matic tem de aproveitar Dezembro para subir o nível.
O mesmo com Rúben Amorim.

Está-se na fase da época em que se percebe se os plantéis são ou não curtos, porque é nesta altura que os jogadores que jogam menos mostram se estão ou não preparados para, de facto, jogar. Um plantel longo no papel pode ser, na prática, um plantel inútil se os jogadores não forem capazes de subir o seu nível de jogo. Dezembro é o mês das oportunidades e há dois casos, no plantel do Benfica, que, além do central e da questão da lateral-esquerda, podem fazer toda a diferença: Saviola e Enzo Pérez. São dois jogadores que podem elevar o nível do onze de um momento para o outro. O título passa por aqui.


O que fica

Benfica (IRPR = 0.613)
A única prestação melhor do Benfica esta época foi a das Antas, contra o Porto.
O Benfica teve dois factores a seu favor: o factor campo e a vantagem no marcador perto do intervalo. Ambos acabaram por revelar-se importantes.
Tudo o resto, somado, resultou num acumular de pressão que apontava para um mau resultado – sendo que um empate, de acordo com o plano, seria um mau resultado para o Benfica em termos de campeonato, sobretudo porque se tratava de um encontro potencialmente decisivo.

Porto (IRPR = 0.280)
A viagem à Ucrânia foi mais difícil para o Porto, no jogo de ontem, do que um Braga que, historicamente, faz maus resultados nas Antas.
Temporariamente aliviado da pressão interna, o Porto jogou à vontade, perante um adversário que não consegue, fora de casa, ter a mesma agressividade que tem em casa.
Ainda assim, o Porto arranjou maneira de poluir a vitória com aqueles dois golos sofridos – que já não foram a tempo de constituir pressão real.

Sporting (IRPR = 0.000)
Em termos de pressão, só o jogo com o Guimarães, fora (aquele que o Sporting ganhou a jogar com dez), representou um desafio maior para o Sporting – e apenas porque, neste caso, sendo a pressão interior e exterior maior, as situações de jogo foram bem diferentes, numa o Sporting teve de jogar com dez, noutra jogou contra dez.
Obviamente, ao contrário do que aconteceu em Guimarães, a pressão, desta vez, foi mais forte que a equipa do Sporting.

sábado, 26 de novembro de 2011

O pós-orgasmo

E agora, depois do afluxo de adrenalina, uma primeira análise mais a frio.

Este é o resultado impossível na época do Benfica, como o foi a vitória por 1-0 frente ao Porto no ano do último título.

Resumamos: sem Luisão, o líder em campo e pilar defensivo, de um momento para o outro; com um jogo frente ao Manchester United, fora, viagem incluída, a meio da semana; com um nítido défice de preparação em relação ao adversário, que teve uma semana de treinos completos e que vinha de sete vitórias consecutivas para o campeonato; com uma expulsão a 30 minutos do final do jogo, precisamente no momento em que, fisicamente, o desgaste atinge os jogadores.
 

O Benfica não foi, na minha opinião, a melhor equipa, e não estava preparado. Jogou francamente mal e até se pode dizer que a expulsão foi positiva porque lhe permitiu defender sem escrúpulos quando não estava a conseguir, nem minimamente, atacar como devia de ser. Foi uma boa desculpa para jogar à Arrentela.
Não há nada de racional que possa explicar a vitória do Benfica esta noite – a não ser uma coisa.

O Sporting não ganha o jogo porque não está (ao contrário do Benfica, que tem dois anos de luta pelo título e de pressão em cima) mentalmente formatado para ser campeão.
Não diria que é inconsciente – mas é subconsciente.
Quando precisou de ser assassino, o Sporting vacilou.

A própria abordagem ao jogo, pelo Domingos, na comunicação social, não foi convicta. Foi expectante. Cautelosa. Faltou ali muito killer instinct. Falta, a esta equipa do Sporting (aos seus jogadores, todos novos, leia-se) o sabor da derrota, o perceber o que é jogar-se para se ser campeão, experimentar a frustração, o ter algo importante perto da mão e não o conseguir agarrar.

Não me parece que seja dramático para os sportinguistas. O Sporting fez um jogo muito bom para quem faz o primeiro dérbi e fora de casa. Mas ainda não vai ser este ano que vão lá.

Também não me parece que a equipa do Sporting se vá desmontar após este resultado – precisamente porque o Domingos foi muito cauteloso e não colocou demasiada pressão sobre os jogadores. Por um lado, perdeu o jogo por causa disso. Por outro, não perdeu (para já) uma equipa que está em fase de construção. Agora, que perdeu uma oportunidade que não volta a ter tão cedo de aniquilar o Benfica, perdeu. E vamos ver quanto é que isso lhe custará. A ocasião faz o ladrão, e o Sporting não foi oportunista. Veremos, historicamente (daqui a uma época e meia, creio eu), como é que se pode qualificar este resultado, dentro de um âmbito mais amplo.

 (O Choramingos está a falar da juventude do plantel. Pois é, amigo. Por isso é que os juniores não ganham campeonatos. Nem no Sporting, nem no Benfica nem em lado nenhum a não ser na Holanda, se jogarem pelo Ajax.)

É claro que podemos falar dos cantos – mas não podemos escamotear que o único canto realmente bem marcado pelo Benfica foi o que deu o golo. Não vou por aí. Se alguma coisa valeu ao Benfica foi o seu espírito combativo.

O que ganhou o jogo ao Benfica foi a diferença de rodagem, de quilometragem, nos dois primeiros lugares do campeonato ao longo de 2 anos. A forma como a equipa desceu e assumiu a Arrentelada depois da expulsão é, apesar de feia, pragmática. Uma equipa sem personalidade não a teria assumido tão desavergonhadamente.

Um exemplo de como a inexperiência altera um dérbi? Dois dos melhores jogadores em campo, completamente afectados pela pressão: Elias, pelo Sporting, e Artur, pelo Benfica.
Elias falha dois golos feitos, que marcaria noutras situações (pelo menos um); Artur, que segurou o resultado para o Benfica, teve duas falhas a repor a bola e começou a sair a todas os centros, sem critério, com medo que os defesas não fizessem o seu trabalho. Dois casos claríssimos de qualidade elevada com tremideira.

Tal como eu tinha dito – disparates à parte, entenda-se – o Benfica ganha este jogo, e vai ganhar o campeonato, sem saber bem como. Não ganharia o campeonato, perceba-se, sem ganhar um jogo como este. No fim, vão se construir inúmeras teorias e grandes mitologias. Mas eu (que sou como o Jesus e sei tudo) sei porque é que o Benfica vai ser campeão:

Dinâmicas.

A do Benfica e a do Porto.

Voando sobre uma gaiola de cucos

Bem vindos à Cerimónia dos Óscares.

Vou começar pelas três nomeações para a categoria Rebenta a Tripa a Rir da semana pré-dérbi (aviso que só li jornais de relance e na net, por isso é possível que haja candidaturas melhores, mas estou a Leste):

- «João Pereira na lista do Milan».
O grau de inteligência das pessoas vê-se pela qualidade das tretas que lhes impingem. É como a pulseira do equilíbrio. Em relação à saída do João Pereira do Sporting basta-me remeter ao arquivo oracular e está tudo dito. Além disto, em relação ao João Pereira, quero só dizer que eu, se fosse o Jesus, era menino para pôr o Gaitán a dar cuecadas ao rapaz durante vinte minutos, para trás e para a frente, na linha, só para o expulsar. Dizia ao Gaitán: «Quando passares por ele e chegares à grande-área, páras e voltas para trás. Não te preocupes com a baliza. Diverte-te.» Era como limpar o rabinho a bebés, e o Gaitán ainda dava o prémio do jogo à Fundação Benfica para me agradecer.

- «Van Wolfswinkel interessa ao Real Madrid»
Isto faz todo o sentido uma vez que sempre que o Mourinho foi comprar avançados-centro eles eram pretos, africanos e versáteis (McCarthy, Drogba, Etoo, até o emprestado Adebayor – os outros eram os que já lá estavam). O Wolkswagen, uma vez que é branco, holandês e tem um raio de acção de trinta metros, encaixa perfeitamente nesta tipologia de ataque do Mourinho.

- Futre: «Podiam estrear a rede noutro jogo.»
Poder, podiam, mas não era a mesma coisa.
Contra o Porto, por exemplo. Ou contra o Porto. Ou contra o Porto…
Ou contra o Rio Ave, mas aí, em vez de uma rede gigante, podiam usar mesmo uma daquelas gaiolas dos piriquitos, uma vez que são para aí uns cinco adeptos…

*

Agora a sério: hoje vou saltar para o vazio. Não só vou prever o resultado final como vou prever a marcha do marcador.

Ganha o Benfica por 3-2, sem saber bem como, e de aflitos. Começa 1-0 para o Benfica e depois é 1-1, 2-1, 2-2 e 3-2, já perto do fim.

Vão ser barracas defensivas do princípio ao fim. Até vai doer, mas ninguém se vai importar com isso. Vai ser o Benfica-Sporting mais espectacular dos últimos anos.

O árbitro vai ajudar à festa, porque vai ser um jogo demasiado rápido para um estreante em dérbis, e vai acabar por decidir maioritariamente a favor do Benfica nas jogadas importantes.

*

Às 20 horas cá estarei. Só postei isto porque já não me aguento com os nervos. Ainda por cima não pude ir ver o jogo a casa dos meus cunhados, onde o Benfica nunca perdeu um jogo com o Sporting ou com o Porto. Se eu fosse supersticioso consideraria isso uma péssimo augúrio.

Já vejo lacostes até debaixo do sofá.

Pela positiva, noto que esta noite a Religião vai chegar às 6 mil hóstias. 6 mil, 6 milhões, estão a ver…?

Oh meu Deus, isto contra a Bósnia foi muito mais fácil…

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Segunda Bipolar

Para os adeptos do Sporting, os dois jogos com o Benfica são, invariavelmente, os jogos da época. Há os que dizem que não porque percebem que isso é um sinal de menoridade mas, mesmo esses, não conseguem esconder que, lá no fundo, ganhar ao Benfica, e ficar à frente do Benfica, é pelo menos metade da época. Se alguma coisa boa a estadia do Paulo Bento no Sporting teve para o Benfica foi a inocência com que ele admitiu, depois de sair, que, no interior do Sporting, ficou tudo em polvorosa a partir do momento em que, na pré-época, se percebeu que o Benfica podia fazer uma grande temporada. Foi de uma sinceridade desarmante.

O Sporting não é só um clube bipolar no seu comportamento desportivo e na sua estrutura social – também o é territorialmente.
O Sporting é capaz de façanhas desportivas incríveis (ainda que pontuais) ou terríveis. Tem uma elite clara e um povo bem distante dela. E, para se sentir completo, não só precisa de sentir que tudo está bem na margem norte da Segunda Circular como de que tudo esteja pior na margem sul.

Posso estar enganado, mas duvido muito que, para os adeptos benfiquistas, o comportamento dos seus adversários tenha a mesma influência psíquica que o comportamento do Benfica tem no sentido inverso. Por exemplo, não me parece minimamente que os benfiquistas (ou os portistas, por sinal) se sintam minimamente diminuídos, ou até ameaçados, pela recente recuperação pontual do Sporting. Também penso que ganhar ao Porto, para os benfiquistas, tem muito menos importância que para os portistas ganharem ao Benfica (e por isso é que têm ganho tanto). Mas sei que os sportinguistas tremeram com o empate do Benfica em Manchester.

Para saber o que eles pensam, comprei ontem o Record. O Record é a voz da intelligentsia sportinguista. Basta interpretar os textos de opinião e as primeiras páginas para tomar o pulso à nação sportinguista. O Bernardo Ribeiro, sobretudo, leão dos sete costados e muito próximo da estrutura sportinguista (é amigo do Carlos Freitas desde os tempos em que trabalhavam no Jogo e andou a lutar pelo regresso dele a Alvalade desde o ia em que ele se foi embora), é transparente.

A primeira página do Record antes do jogo com o United, por exemplo, é típica. Quando titulam «Benfica pensa em grande» não estão a ser originais. A estratégia do Record é sempre a mesma: encher artificialmente o balão benfiquista, de preferência aproveitando as bacoradas dos próprios responsáveis benfiquistas (como quando JJ disse que o Benfica podia ganhar a Champions do ano passado, por exemplo), para depois, quando o inevitável falhanço aparece, o rebentar com um estrondo suficiente para abalar a moral dos benfiquistas.

Esse era o plano para esta semana. Quando o Jesus apareceu a dizer que ia lá «para ganhar», esfregaram as mãos. Já estavam a ver o filme: o Benfica ia lá de peito feito, trazia dois ou três no cabaz, amochava e dois dias depois jogava no Sporting «com a desilusão de Manchester na bagagem» (como se o jogo com o United significasse, de facto, grande coisa para o apuramento), com os adeptos desconfiados, de cabeça feita e prontos para assobiar ao primeiro falhanço. Os adeptos do Benfica são relativamente fáceis de manipular e não há grandes variações no tipo de cozinhado psicológica feito pelos dois jornais do inimigo ao longo dos anos. É com os jogos, com os reforços, etc. Faz-se a festa, deita-se os foguetes e apanha-se as canas. É tudo tão inventado que, mais um bocadinho, e nem Benfica tinha de haver para se escrever a história toda.

O que não estava no plano era o Benfica não só não perder com o United como jogar como jogou. É que o sportinguista também é fácil de manipular, só que não é pelos jogos mediáticos artificiais. O sportinguista, que desconfia naturalmente do Benfica (já foram enganados muitas vezes e nas situações mais inesperadas), treme quando pressente que o perigo que vem do Benfica, mais do que resultado do fogo-de-artifício dos jornais, é real. Quem não sofre de benfiquite percebe facilmente quais são os pontos fortes e os pontos fracos e o que val realmente o Benfica, e sobretudo os sportinguistas, que vêem os jogos do Benfica quase com tanta atenção como aquela que prestam aos do seu clube.

Antes de Manchester, os sportinguistas estavam ansiosos. Agora estão nervosos. Viram numa equipa do Benfica algo que já não viam há muito tempo: personalidade. E sabem que há lá qualidade e maior maturidade que na sua própria equipa – mesmo com as vitórias sucessivas frente a adversários maioritariamente muito acessíveis .

Tradução da primeira página do Record após o jogo de Manchester:
 - O que saiu: «Benfica foi mesmo grande»;
- O que significa: «Oh diabo! O que foi isto? Espera lá, vamos ter calma. Damos gás mas não muito que a coisa complicou-se. Só o suficiente para depois valorizar o facto do Sporting não perder ou para atenuar uma eventual derrota.»


Há duas leituras diferentes a fazer da abordagem do Sporting ao jogo de sábado.

Em termos institucionais – a paródia dos bilhetes, da gaiola, do jantar, da camisola do Mantorras, do cirurgião Barroso a soltar bitaites, etc – é o Sporting a meter-se em bicos dos pés. Resulta de dois anos humilhantes que provocaram um afastamento muito grande do clube do centro de decisão. O Sporting caiu num papel menor e sente a necessidade, até perante os seus adeptos, de voltar a subir de divisão. Tudo isto é normal, é passageiro e não me parece que vá minar a aproximação política entre os dois clubes – até porque a verdadeira aproximação está e vai continuar a ser dirigida pelo Luís Duque, que, até agora, salvo erro, ainda não disse nada e deixou o Godinho (que precisa de ganhar os adeptos, sobretudo os da Juve Leo, que no dia das eleições o sequestraram no Estádio) chegar-se à frente. Os sportinguistas agradecem esta fantochada da gaiola. Dá-lhes a oportunidade de sentirem que são gente outra vez.
O jogo vai passar e, daqui dois meses, quando for a vez dos Superdragões irem para a gaiola, tudo isto fica atenuado.

Outra, mais importante, é a desportiva. Que fique claro: a contratação de Domingos, mais que por qualquer motivo técnico-filosófico, foi orientada pela necessidade imediata de ganhar ao Benfica. Por vários motivos (pelo passado portista, pelo aparente domínio táctico e psicológico sobre Jesus, pelos bons resultados conseguidos nos últimos anos) o Domingos especializou-se em defrontar o Benfica, nomeadamente o Benfica de Jesus,que joga sempre da mesma maneira. Quando não ganhou esteve perto disso. Com melhores jogadores à disposição, nada mais natural do que continuar a fazer bons resultados.

Duque sabe que ficar à frente do Benfica (ou ganhar-lhe pelo menos uma vez) é indispensável para o Sporting. Só isso lhe dará o tempo suficiente para montar uma equipa campeã em dois ou três anos. Se ele achasse que o Cajuda lhe daria melhores hipóteses de ganhar ao Benfica o Domingos agora estava a treinar o Porto.

Reparem como a abordagem por parte da estrutura desportiva do Sporting tem sido completamente diferente da directiva. Parece que até nem há jogo. Enquanto o Sporting do Godinho está indignado e patrioticamente exaltado, o Sporting do Duque está, como diria o Futre, concentradíssimo.

O Sporting chega ao jogo decisivo da sua época – o jogo que realmente não pode perder – perante uma dúvida fundamental: será que a química de uma equipa nova e com uma semana de trabalho concentrado será suficiente para resistir (num ambiente de pressão que ainda não experimentou, num contexto novo para a grande maioria dos seus jogadores) ao melhor adversário que já teve de enfrentar esta época, sendo que esse adversário tem mais dois anos de experiência competitiva de alto nível em cima e parece, de acordo com a exibição de Manchester, ter atingido um nível de maturidade superior?

Não são sós os sportinguistas que estão na angústia, diga-se de passagem.

Friamente, as perspectivas benfiquistas não são as melhores.
Perdeu o seu jogador fundamental na defesa, sem ter um substituto minimamente à altura.
Enfrentou um jogo de alto nível de exigência, com todos os titulares (os mesmos que vão jogar na Luz, à excepção de Rodrigo e Luisão), a meio da semana, enquanto o adversário fez todos os treinos de preparação sem qualquer sobressalto.
Sente uma obrigação de ganhar que, sendo positiva, torna mais fácil a tarefa de um treinador especializado em sacar-lhe bons resultados com base numa defesa organizada e num jogo de contra-ataque.
Para os mais supersticiosos (que não é o meu caso, não senhor…) não ajuda nada falar-se de que falta um jogo ao Jesus para bater o recorde do Eriksson, ou que nunca perdeu com o Sporting, e etc e tal. Cheira a enguiço.

Não descarto a hipótese de chegar ao fim do jogo convencido a não rejeitar o empate e a pensar nas contas finais do campeonato.

Por outro lado, depois dos empates fora com Porto e Braga, não tenho dúvida de que uma vitória frente ao Sporting – uma vitória de qualquer espécie – significaria que este é, definitivamente o ano do Benfica.

Acho que vai ser um jogo perfeitamente brutal em termos mentais. Estou psicologicamente preparado para ver pelo menos cinco golos, dois dos quais nos últimos vinte e cinco minutos. Vai ser um jogo de sorte, em que marcar primeiro não será decisivo. Quanto ao resto, a fórmula para ganhar um clássico, sem penáltis inventados ou expulsões maradas, é sempre a mesma.

Não podem ficar na cave?

Em relação a meter os adeptos do Sporting numa gaiola, no Estádio da Luz, sou contra. Se estamos a falar dos adeptos de futebol não deviam estar separados dos outros adeptos de futebol, não deviam comprar bilhetes só para um quadrado dentro do estádio, deviam poder ver o jogo de onde quisessem. Não sei que tipo de burocracia é que se devia fazer para que isso fosse possível, mas devia fazer-se.
Se estamos a falar dos adeptos do grunhismo, dos que vão cantar «filhos da puta SLB», dos que praticam o «vamos-rebentar-a-estação-de-servicismo», que jogam golfe indoor, etc, também acho mal que fiquem numa gaiola no Estádio. Deviam era ficar numa gaiola na cave do Estádio.

Possivelmente haverá por aqui pessoal das claques.
Lamento mas não sou dos que dizem mal das claques e depois, quando são apertados, dizem que não, que afinal as claques são óptimas, «mas isto é como em tudo, há os bons e os maus», sendo que os maus são sempre os dos outros clubes.
Eu sou do tempo em que a Juve Leo foi inventada, em que os Diabos Vermelhos eram trinta gatos pingados com uma bandeira grande num cantinho do Estádio da Luz antigo e em que a verdadeira claque não era a dos 2 ou 3 mil mas a dos trinta mil que, sem claques, sabiam muito mais de futebol e percebiam perfeitamente quando era para puxar pela equipa e quando era para estarem calados. Não me deixo impressionar pela conversa do «se não formos nós ninguém abre a boca» porque vivi uma realidade que os que dizem isso, geralmente, não conhecem, porque ainda não eram nascidos. Há muitas pessoas que não abrem a boca porque têm lá os «profissionais» para abrir a boca por eles. Garanto que não é a mesma coisa, e qualquer pessoa que vai ao estádio consegue facilmente perceber isso. Sobretudo, os jogadores percebem isso.

O comportamento dos benfiquistas que estiveram em Manchester foi impressionante. Devo mesmo dizer que foi das manifestações de apoio mais impressionantes que já vi. Tenho a certeza de que grande parte dos que lá estavam era pessoal de claques, e isso prova que pertencer a uma claque não tem de significar ser-se um anormal. Não ouvi insultos ao United, ao Sporting, ao Porto e a ninguém (pode ter havido, mas não ouvi). Não ouvi falar de estragos em lado nenhum. Não vi nenhum isqueiro a voar para dentro do campo. Foi realmente sensacional, às vezes até arrepiante. Em Old Trafford só se ouvia Benfica.

E tudo isto também prova que, dentro de Portugal, pertencer a uma claque é, em parte, querer pertencer a um exército.
É normal num jovem e é saudável. Não tenho nada contra. Não sou a favor das sociedades assépticas. Acho que uma sociedade sem violência é uma sociedade doente ou em vias disso. Se querem andar à porrada, força. A porrada desincha. Alguém que tenha os tomates para isso. Em vez de andarem armados em galarós atrás dos cordões policiais, juntem-se naqueles terrenos à volta do Estádio Nacional, por exemplo, e façam uma batalha. Façam um campeonato. Espero que o Benfica ganhe. Aproveitem e partam meia dúzia de Milleniuns e de Pingos Doces. O povo agradece. Sobretudo se matarem os tipos que cantam nos anúncios do Pingo Doce. Mas não me estraguem a merda do jogo, porque é uma das coisas boas em viver neste cabrão deste país de bandidos.

Bom, queria só meter aqui a piadola da gaiola na cave e falar do Sporting-Benfica e não só já me fartei de perder tempo precioso como arranjei maneira de deixar dois órfãos no mundo.

Bela trampa de post em vésperas de superdérbi. Lamento. Mas também não vai para o lixo. Vou tentar meter outro, se conseguir, ainda hoje.


URBI ET ORBI – Para os que quiserem enganar os nervos no sábado à noite, vinte minutos antes do jogo começo um feed ao vivo, como experimentei no Bósnia-Portugal. E aberto a comentários minuto a minuto, obviamente. Como diria o Marco do Big Brother, vai ser uma ganda «órgia».

domingo, 20 de novembro de 2011

Crónica de uma morte anunciada

Na prática, um dos dois troféus que salvam uma época – o outro é o do campeonato nacional – ficou reduzido a uma luta entre Benfica e Sporting, e terá uma equipa de Lisboa na final de certeza absoluta.
A Supertaça é um troféu de pré-época, por mais que os portistas queiram fazer dele um troféu a sério para o poderem contabilizar com os outros que são, de facto, a sério, e só tem alguma relevância quando o jogam dois dos três grandes, o que é para aí metade das vezes.
 A Taça da Liga, apesar de ser, de facto, a competição potencialmente mais competitiva a seguir  ao campeonato, uma vez que entram nela todas as equipas mais fortes e só as equipas mais fortes, ainda não tem estrada nem histórias suficientes para ser levada a sério.
Além disso, uma joga-se um ano antes de acabar a época e a outra dois meses antes. Em Maio já ninguém se lembra a não ser os treinadores e os dirigentes que se agarram a elas como a uma bóia do Titanic.

Já a Taça de Portugal, que se resume a dois, no máximo três jogos realmente difíceis, e que só ganha alguma complexidade precisamente porque Benfica, Porto e Sporting só começam a pensar nela depois de terem o campeonato perdido, pode perfeitamente salvar uma época. É o último jogo da temporada e qualquer equipa que acabe vinte pontos atrás do campeão pode, com uma festa de 30 mil pessoas no Jamor (a última imagem é a sempre a que fica), fazer de conta que a coisa até correu bem. Só diz que a Taça não salva a época quem é eliminado prematuramente. Benfiquistas, portistas e sportinguistas têm todos muita experiência nesse tipo de negação.

Isto é importante porque não é de todo improvável que o Porto tenha perdido, em Coimbra, a possibilidade de fazer uma época apenas sofrível em vez de uma época completamente ruinosa.
Há muita época para o Porto e é altamente provável (não é difícil, aliás) que o melhor Porto da temporada esteja para vir. Não é o mesmo Porto do ano passado. Esse morreu e está enterrado.

(Aliás, quando o Rui Moreira, tentando dizer uma gracinha à Winston Churchill, escreveu na Bola que «as notícias sobre a morte do Porto foram grandemente exageradas», depois de um daqueles triunfos de que agora já ninguém se lembra, há umas semanas, não estava exactamente a pensar bem: de facto, se o Porto não morreu, felizmente, a morte «daquele» Porto está hoje confirmada, com certidão de óbito e tudo.
Diga-se que quanto mais tarde os portistas se convencerem de que o cadáver está no caixão e já não ressuscita mais caro pagarão, porque a negação sai sempre cara.
Não me refiro, sequer, a mudar de treinador. Refiro-me a entenderem que o que viveram na última época é muito mais do que aquilo que a realidade está preparada para comportar. A parte sádica da coisa é que não só essa descida à Terra dificilmente acontecerá este ano como será sempre lenta e dolorosa. Acho mesmo que enquanto não doer a sério não vão acreditar que o sonho já acabou.)
Voltando ao ponto, quando o Porto mudar de treinador e desanuviar o ambiente os jogadores vão subir de rendimento. Sem jogarem o mesmo que o ano passado, voltarão a ser a equipa mais forte do campeonato. Faltar-lhes-á, eventualmente, a consistência e a sorte da época anterior. Não vão chegar invictos ao fim, e vão perder mais pontos.
Racionalmente, e apesar de eu continuar a achar que o Benfica será campeão, o Porto não deixou de ser o candidato mais provável a ganhar o campeonato. Basta ver nas bolsas de apostas. Os tipos que fazem as probabilidades têm sistemas, são isentos, não querem saber dos clubes para nada, e continuam a pôr o Porto à frente.

Da mesma forma, a eliminação da Champions, desportivamente, é favorável ao Porto. Na Champions, o Porto não vai a lado nenhum. Joga mais dois jogos e é eliminado.
Na Liga Europa arrisca-se a ir pelo menos às meias-finais, o que animicamente é muito diferente. O Porto ainda tem boas vitórias pela frente este ano e vai mitigar a primeira metade da época.
Pode é muito bem acontecer que, no fim dessa mesma época, a derrota com a Académica, que lhe roubou a oportunidade de poder voltar a ganhar jogos decisivos a Benfica ou Sporting lá mais para a frente, se venha a revelar muito cara.

Para encerrar este assunto, a razão por que considero que o Porto da época passada morreu, e ao mesmo tempo por que não é possível que seja com Vítor Pereira que vai mudar alguma coisa. O Porto teve duas excelentes oportunidades, no que já houve de época, de regressar à normalidade.
A primeira foi no terceiro ciclo competitivo, quando teve cinco jogos para ganhar avanço sobre o Benfica no campeonato, decidir o apuramento da Champions e subir para um novo patamar anímico. Falhou em toda a linha – e recordo perfeitamente o que escrevi depois dos 5-0 ao Nacional da Madeira.
A segunda foi precisamente agora: depois de uma derrota traumática em Nicósia, duas semanas de paragem das provas nacionais, tempo para parar, reflectir, reagrupar e voltar a dar as cartas. Uma pausa providencial. E o que é que o Porto nos traz depois disto? A pior exibição dos últimos anos, num jogo a eliminar.
Isto já não é sintoma, é mesmo doença. E tem muito menos a ver com o treinador do que se pensa. Duvido que algum treinador conseguisse inverter o verdadeiro problema do Porto este ano: a lei da gravidade.

Sporting (IRPR=0.285)
O Sporting teve a sorte toda do jogo – desde os golos que marcou, na altura em que os marcou, aos que não sofreu, na altura em que os não sofreu.
Foi o quinto melhor desempenho da época, para o Sporting, em 18 jogos, mas há poucas dúvidas de que o resultado engana. A defesa do Sporting, sem Rodríguez (ouvi dizer que o Rodríguez tem o joelho tão estragado que só pode fazer um treino por semana) e, sobretudo, com João Pereira, vacila por todos os lados, e o Braga, a jogar em Alvalade, nunca foi a pior equipa sobre o campo.
A verdade é que o Sporting mostrou alguma coisa, não jogou mal longe disso) mas não mostrou nada de especial. Ainda assim, conseguiu, de longe, o melhor resultado dos três.

Benfica (IRPR=0.280)
É sempre fácil dizer que ganhar à Naval não vale nada, e de facto a Naval não joga um caracol, mas a vitória do Benfica vale mais do que o preço que tinha à partida. Jogar num relvado que, logo à partida, rouba grande parte da supremacia técnica à melhor equipa, e chegar empatado aos 80 minutos em condições perfeitamente imprevisíveis, num jogo a eliminar e que pode ir a penáltis, torna-se, obrigatoriamente, um teste de pressão. Não um teste de alta pressão, obviamente, mas de alguma pressão. Segundo o IRPR, este triunfo frente à Naval representou uma resposta melhor que, por exemplo, cinco dos dez jogos que o Benfica já jogou no campeonato.

Porto (IRPR=0.000)
Mais palavras para quê?


Só mais uma coisa.

O que é... ISTO?!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Os números falam connosco

É possível que a maioria de vós já conheça esta notícia, que é antiga, mas eu dei com ela há umas semanas e interessou-me bastante, porque os números passam por cima da propaganda e permitem-nos quer compreender quer antecipar realidades.

Quero realçar os seguintes:

Competições europeias: Porto, 2.6 milhões, Benfica 10.3 milhões.
Isto foi feito no ano em que o Porto não teve Liga dos Campeões. E permite-nos antever as consequências catastróficas que terá (não digo teria, digo, terá), um dia, na gestão portista, a ausência da Champions durante dois anos seguidos. Já aqui há uns tempos eu disse (se não foi aqui que o escrevi foi noutro sítio qualquer) que o declínio do Porto ficaria marcado no momento em que passasse duas épocas sem jogar a Champions, e também por causa deste outro número:

Transferências de jogadores: Porto, 30.8 milhões, Benfica, 16.1 milhões, Sporting, 18.8 milhões.
O Porto só consegue especular com os passes dos jogadores, e inflacioná-los, por duas razões: porque os tem na montra da Champions, que os valoriza pelo simples efeito mediático da competição; e porque pode dar-se ao luxo de esperar pela melhor altura, tendo a almofada financeira da Champions nas costas. Sem os 10 milhões garantidos, por época, da Champions, o Porto perde o seu trunfo negocial. Quem quiser comprar os seus jogadores sabe que o Porto, que é sobredependente das transferências, não está em condições de fazer o seu bluff. Por exemplo, se o Porto não se tivesse apurado para a Champions deste ano seria garantidíssimo que Falcão não seria vendido pelo dinheiro que foi. A necessidade do negócio, juntada à vontade do jogador em jogar a Champions noutro sítio (ou só de ganhar mais dinheiro, como foi o caso de Falcão), retiraria ao Porto toda a vantagem negocial.

Isto para dizer o seguinte, usando apenas estes dois pontos: a famosa gestão portista tem apenas um vector: o vector desportivo. Falhando a vertente desportiva o Porto fica completamente vulnerável. Dois anos de ausência da Champions resultariam, na prática, em perdas da ordem dos 20 milhões de euros por época. Traduzam «euros» para «jogadores» e «jogadores» para «resultados». E esta a importância estratégica do Sporting para o fim do domínio portista. Portugal vai ter duas equipas na Champions durante muitos anos, mas dificilmente terá três durante mais de três ou quatro, e há sempre o perigo real de uma eliminação antes da fase de grupos. Ter um Sporting entre os dois primeiros é fundamental para quebrar o Porto. (Ou o Benfica, visto do ponto de vista do Porto).

Vou cometer um sacrilégio benfiquista: se me puserem a frente um papel em que, nos próximos três anos, o Sporting ganha dois campeonatos e o Benfica um, e o Porto acaba sempre em terceiro, onde é que eu assino?

A vulnerabilidade do Porto é precisamente aquele que é tomado como o seu ponto forte: o rendimento desportivo. É um factor altamente volátil. Tanto pode sair bem como, pela própria conjuntura, sair mal. Chama-se a isto ter os ovos todos no mesmo cesto. Qualquer economista dirá que é o primeiro passo para tudo correr terrivelmente mal.


Outros números.

Para quem diz que o Benfica tem menos sócios pagantes que o Porto:
Quotizações: Porto, 1.9, Benfica, 5.1, Sporting, 2,1.
É só quase o triplo.

Direitos TV: Porto, 4.5 milhões, Benfica, 4,5 milhões.
Estamos a falar num cenário actual, pré- acordo. Por mais que o Pinto da Costa indexe o valor do Porto ao do Benfica, o fosso é considerável. Não vamos falar, sequer, nos referidos 40 milhões do Pais do Amaral. Falemos de 30 milhões que, a longo prazo (fora do contexto de tentativa de afogamento da Sport TV), é mais viável. Mesmo que o Porto conseguisse que alguém lhe pagasse 80 por cento desse valor (será que alguém além do Oliveira o faria, a longo prazo?) estaríamos a falar de menos 6 milhões de euros/ano. 6 milhões/ano é o valor de um Garay, de um Javi Garcia, de um Falcão a mais, todas as épocas do Benfica em relação ao Porto. Projectem isso a cinco anos, com os devidos rendimentos exponenciados pela futura venda.

Acabemos com um último exercício especulativo (especulativo, obviamente – e se é verdade que não estamos a contar com a capacidade do Porto arranjar outras receitas também não estamos a falar, por exemplo, do naming da Luz, ou de outras receitas – os 300 mil sócios? – que Vieira possa inventar entretanto – e ele já mostrou que sabe).

Estamos no ano de 2015, o Porto não foi à Liga dos Campeões, Benfica e Sporting acabaram nos dois primeiros lugares, já há novos acordos televisivos para os três, indexados ao valor do Benfica, que vamos fixar nos 40 milhões.
Total dos proveitos, incluindo vendas de jogadores:
Porto – 75 milhões de euros
Benfica – 101 milhões de euros
Sporting – 77 milhões de euros

Dinheiro é poder. 26 milhões de euros de receitas a mais, por época, é muito dinheiro.

Não seria tanto se se trabalhasse desportivamente mal. No Benfica isso já aconteceu – aliás. Foi por se trabalhar desportivamente mal que o Benfica perdeu toda a sua vantagem. Mas, hoje, já não acontece.
É nestes números que Pinto da Costa pensa quando determina que o sucesso desportivo do Benfica tem de ser evitado a todo o custo.

Há uma jogada que pode salvar o Porto – o Porto não vai acabar, entenda-se, mas estamos a falar do nível competitivo que os portistas hoje tomam por seguro, e que, não o sendo, é a mesma coisa que não valer nada e frustrar expectativas: a eventual criação de uma Liga Europeia. Mas se for feito no âmbito da UEFA, como se prevê, Platini (que vai ficar lá muitos anos) não admitiria que fosse apenas o Porto – um clube que ele despreza – a representar Portugal.

Há uma palavra que é chave no que se vai passar no futebol português dos próximos dez anos: Sporting.

Porque o lado para onde o Sporting cair é o lado para o qual a balança do poder vai desequilibrar.

Talvez os sportinguistas consigam perceber que o ciclo histórico está a mudar, e que é na sua rivalidade desportiva (saudável) com o Benfica, e não com a sua relação mórbida com uma potência decadente, que se encontra o futuro do futebol português.

Penso que Luís Duque já percebeu isso. Não sei se os idiotas que aconselham Godinho Lopes o querem perceber. Mas há um dado importante, a reter: foi em Duque e Freitas que os sócios votaram, de facto, na eleição de Godinho Lopes. Sem Duque do seu lado, Godinho Lopes teria facilmente perdido as eleições para um epifenómeno vale-e-azevedista. A sua base do poder é frágil, e a habilidade, ainda por cima, é escassa.

A entourage do Godinho Lopes faz o possível para não entender isso, e para o esconder, por uma questão de sobrevivência no poder, mas Duque, que é uma fera política, sabe-o perfeitamente, e sabe que, assim que os resultados começarem a aparecer, lhe basta ir esticando a corda, aos poucos, até partir e atirar com o lastro para fora do comboio. Aliás, já o está a fazer. 

Quando tiver de escolher, a velha guarda sportinguista vai escolher ser contra o Benfica. Está-lhes no sangue. Mas Duque vai preferir eliminar o Porto e devolver o poder a Lisboa. Ele sabe que essa é a única forma do Sporting vir a ser o maior clube português, a longo prazo. Sem ter poder real o Sporting não conseguirá, sequer, vir a ser maior que o Porto, e arrisca-se mesmo a ver o Benfica, segundo um processo natural de crescimento, a ficar sozinho com as chaves de casa e a tornar-se hegemónico.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Um ponto a mais

Acabei de prometer a mim mesmo que  só vou voltar a falar de árbitros mais uma vez. Fico danado quando um árbitro estraga um jogo de futebol, fico ainda mais danado quando um árbitro estraga um jogo de futebol da minha equipa (e não tem de ser por a prejudicar, também fico danado quando a beneficia, porque torna o jogo inútil na valorização da equipa), mas fico danadíssimo, sobretudo, quando não consigo conter a minha danadice. É pouco dignificante fazer da arbitragem uma telenovela. É possível tratar desse tema de forma racional e prática, e quando voltar a falar de árbitros (a não ser para dar uma graçola, evidentemente) vai ser para o tratar de forma racional e prática. Fica para um destes dias.

Para hoje, só uma ideia. Errar com premeditação e errar sem premeditação são duas coisas completamente diferentes, e requerem soluções diferentes. Na parte do erro sem premeditação, o facto de a FIFA e a UEFA serem compostas por tipos que vêem futebol pelo olho do cú tem sido terrível para a arbitragem. A partir de certo ponto os árbitros, para seguirem carreira, têm de se tornar em burocratas, restritos à letra de uma lei que não só não compreendem como não faz sentido.

A lei do fora-de-jogo, por exemplo, tal como é aplicada, está ultrapassada, quer no espírito quer na forma de sancionamento, há décadas.
A questão do atraso ao guarda-redes, de que já falei aqui há uns tempos, merecia um auto-de-fé à coragem e à inteligência dos árbitros e de quem os industria, assim como a da expulsão do jogador que vai isolado «em direcção à baliza». As regras contra o anti-jogo (que são o pior veneno de qualquer desporto) são próprias de uma mentalidade do século XIX. Hei-de falar de tudo isto.

Por agora, só esta questão: o que é que o jogador do Benfica, ontem, ou o do Leiria, em Alvalade, ou o do Rio Ave, na semana passada, em Guimarães, podiam fazer para evitar «aqueles» penáltis?
O jogador do Benfica está encolhido, de lado, com a cabeça virada para o outro lado, sem ver a bola nem saber para onde ela vai, e leva com a bola no cotovelo que está encostado ao corpo.
O jogador do Leiria leva com a bola no pé e, sem sequer ter tempo de retirar o braço, na mão imediatamente a seguir.
O do Rio Ave está de costas – completamente de costas! – em queda, sem sequer perceber onde está a bola, e leva com ela no braço.

Imaginemos que um defesa está parado numa grande-área. Pelas costas um adversário vem contra ele e cai. O árbitro marca penálti. Só havia uma maneira do defesa ter evitado aquela falta: se não estivesse a jogar. Nem desviar-se podia. É assim tão estúpido.

Não volto a falar de árbitros (com seriedade, entenda-se) durante uma semana, e quando falar vou durar para aí três dias, para não ter voltar a abrir a boca e poder fazer um link sempre que houver caldeirada.

Em frente.


Benfica (IRPR=0.233)

Sem ganhar o seu jogo, o Benfica, dos três grandes, foi, segundo o meu IRPR, quem deu melhor resposta à pressão. À partida pode parecer contraditório, mas acaba por fazer sentido.

Em Braga o Benfica teve um dos jogos decisivos do campeonato, num contexto de poder passar para a liderança isolada ou, em caso de derrota, de não aproveitar o empate do seu rival directo.

Jogou a seguir a uma partida europeia (é verdade que ambas as equipas ficaram prejudicadas por esse aspecto, mas isso não invalida que os jogadores do Benfica tenham tido limitações físicas), enfrentou uma equipa que praticamente não perde em casa e que trazia três vitórias seguidas sobre si em Braga. No contexto da história recente, Braga é, a seguir às Antas, o terreno mais difícil de jogar na temporada – mais que Alvalade. Um Braga, refira-se, que sofreu três golos em dez jogos no campeonato, e que marcou um golo num penálti que não existiu à beira do intervalo, depois do jogo ter sido transformado num caso atípico devido a três interrupções por falta de iluminação.
Não digo que o Benfica foi mais prejudicado que o Braga, mas num jogo destes já é difícil manter a concentração sem distracções. Assim, é muito mais. Podia ter saído a fava a Braga (se calhar não podia, mas pronto…), saiu ao Benfica.

O que é um facto é que o Benfica vai para as cabines perante este cenário acumulado e, lá dentro, perde o seu melhor jogador de ataque, Gaitán, sendo forçado a fazer entrar outro jogador contra os planos do treinador.

Neste preciso momento, o Benfica de 2009/10 (o que foi campeão) teria o jogo perdido – aliás, nesse ano o Benfica perdeu em Braga em situação muito mais favorável do que esta. O de 2010/11 mais perdido o teria. O de 2011/12 foi buscá-lo.

Na segunda parte, o árbitro transforma uma expulsão directa a Alan num cartão amarelo. Essas são as contingências de jogar em Braga. O Braga é a equipa mais suja do campeonato, salientando-se, nesse aspecto, Alan e Mossoró, que passam a vida a tentar enganar os árbitros. Estes, por falta de coragem, acabam por ceder e por se tornarem vulneráveis e manipuláveis.
Contra o Benfica esse facto é agravado por se ter deixado passar para a opinião pública a mensagem (falsa, ao contrário do que aconteceu no túnel da Luz) de que a vítima dos acontecimentos de Braga em 2009 tinha sido o Braga, o que, «formalmente», legitima que, a partir daí, sempre que o Benfica vá a Braga, os árbitros se sintam livres para beneficiarem o Braga. Faz parte do jogo.

Para acabar, se alguém teve oportunidades para vencer o jogo foi o Benfica. Fê-lo sem jogar como devia ter jogado, mas fê-lo, e de tal forma que, mesmo perante todas estas circunstâncias, o empate acaba por saber a pouco aos seus adeptos.

Não digo que o resultado foi excelente para o Benfica, mas, a frio, empatar em Braga num jogo com estas características, sobretudo em comparação com as épocas anteriores, é um bom resultado, e tem razão Aimar (que é um futebolista excepcionalmente inteligente e lúcido) ao dizer que não sabe se o Benfica ganhou ou perdeu um ponto.

Tenho para mim que, no fim, se verá que o ganhou.

Se tivesse ganho o jogo, o Benfica teria tido um IRPR de 0.700, que seria o segundo melhor da época atrás do empate nas Antas. Empatando, fez 0.233. Mesmo assim foi a sétima melhor prestação da época, e fica à frente de algumas vitórias como asque conseguiu com o Guimarães, a Académica, o Otelul ou o Beira-Mar.

E só não considero o empate como um resultado completamente positivo porque, apesar de tudo, num cenário conjectural ser campeão passa, à partida, por ganhar em Braga.


Sporting (IRPR=0.185)

É oficial: o Sporting sobrenatural acabou.
Anda há três meses a jogar com equipas de segunda para o campeonato (com a admissível excepção deste Marítimo, que ganhou em Alvalade…), e chega ao ponto em que era suposto estar: em terceiro, por perto de Porto e Benfica, com sete pontos perdidos sem ter jogado com as três melhores equipas do campeonato, com um onze bem acima do que no ano passado (também era melhor…) e vulnerável à sorte e ao azar, como se viu no jogo com o Leiria.

O Sporting está a voltar ao seu normal precisamente quando precisava de estar no seu melhor. Tem quatro jornadas para mostrar o que vale. Calculo que no final da primeira volta esteja a seis pontos do líder, seja ele o Benfica ou o Porto.

É verdade que perdeu Rinaudo na quinta-feira, mas também é que perdeu «só» Rinaudo na quinta-feira. Pagou mais caro as lesões de Rodríguez, Onyewu e Polga, mas o Leiria não é propriamente o Manchester City, apesar da cor dos equipamentos.
Metade da equipa de ontem ou não jogou na Roménia ou jogou metade do tempo, e isso num jogo com pressão praticamente zero.

Acredito que o principal factor de pressão do Sporting – e isso foi visível, na minha opinião, depis do intervalo – foi ter sabido que, se ganhasse, ficaria a um ponto também do Benfica, além do Porto. E não acho que tenha sido por acaso que tremeram por todos os lados, sobretudo os mais frágeis (os da defesa, Patrício, João Pereira, Carriço, Evaldo, André Santos, que já eram os que lá estavam no ano passado...) quando o Leiria começou à procura do empate.

O Sporting marcou primeiro e cedo e viu-lhe ser perdoada uma expulsão. As dificuldades que encontrou foram criadas por si próprio.


Porto (IRPR=0.060)
O Porto fez uma das piores exibições de que me lembro, e não esqueçamos que teve um penálti aos cinco minutos. Não me arece indiscutível que devesse ter havido expulsão. Devia ter havido um penálti, é verdade, mas a questão, aqui, é se o árbitro errou por não marcar ou se viu, de todo, qualquer hipótese de haver falta. Uma coisa é o árbitro ver e errar  ou não (como, em Braga, com o penálti ou a expulsão, ou até mesmo em Olhão, com a não-expulsão no primeiro penálti), outra é nem sequer ter hipótese de errar.

Em relação ao resto, acho que já falei durante o fim-de-semana.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Eu, Carlos Xistra, confesso…

Sporting (IRPR = 0.125)

Domingos não é melhor nem pior que qualquer outro treinador português em relação à arbitragem. Quando é prejudicado chora muito, quando é beneficiado chora menos. Mas a capacidade inata para transformar toda e qualquer questão uma telenovela mexicana com dobragem para português da Leça da Palmeira vai-me aos nervos de uma maneira que mal consigo descrever.

«Foram quebras do jogo permanentes» (Domingos descobriu ontem que as equipas mais fracas tentam quebrar o ritmo das mais fortes. O que é estranho, porque a do feirense é das que menos antijogo faz em Portugal.)

«Dizer isto e aquilo é fácil, mas que perigo é que o Feirense nos criou?» (Com 0-0 o Feirense teve duas situações de jogadores em frente à baliza em que era só encostar. O Sporting, no jogo todo, não teve duas oportunidades tão boas como essa.)

«O Jéffren é um jogador que procura sempre a perfeição, e blá, blá, blá, blá, e sentiu o músculo a prender e saiu a correr» (Tradução: o Jéfren acagaçou-se e pirou-se)

«Tivemos a felicidade do penálti, como já tinha havido outro na primeira parte que não foi marcado» (Se alguém tem um movimento contra-natura é o jogador do Sporting, logo, é ele quem provocam o toque, que de facto existe. No primeiro lance o Elias sofre um toque e atira-se para o chão. Se o facto de ter levado o toque não o impediu de se impulsionar para o lado a tentar cavar a falta também não o impediria de continuar a correr, se quisesse, logo, o toque foi igual a tantos outros que existem num jogo e que, muito bem, não resultam em falta. Uma coisa é levar um toque, outra é sofrer falta. Há centenas de toques na área. O contacto físico é permitido no futebol. O que é sancionável é o impedimento do adversário de jogar a bola.)

«O Rinaudo leva dois amarelos em dois jogos só por jogar a bola.» (Isto depois do Sporting ter visto o jogo ser desencalhado por um vermelho dado a um jogador do Feirense por fazer falta sobre o Capel numa jogada em que este já tinha a bola perdida.)



Podia ter sido o Jesus, o Grande Timoneiro, o Cajuda, qualquer outro a dizer isto, mas no Jesus, por exemplo, na maior parte das vezes não passa de um assomo de boçalidade – no caso do Domingos, quando não há premeditação, é mesmo aquela costela Calimero que rebenta pelas costuras.

Cada conferência de imprensa do Domingos é um enredo, um drama, qualquer coisa de brutalmente trágico, desumanamente injusto, uma perseguição atroz, uma verdadeira novela – o lábio sempre húmido, o sorriso carente, as mãozinhas finas num crisma permanente.

Espero que ninguém diga isto ao Choramingos, senão ele lava-se em lágrimas, passa a mão no cabelo e desabafa: «Não podemos agradar a toda a gente. Eu compreendo…»

Há quem ganhe pela insistência. O Choramingos vai ganhar pela piedade.
Jesus, por favor, salva o Choramingos, porque ele sofre muito!

Em relação ao jogo o Sporting teve o benefício que qualquer um dos três grandes tem. Não é preciso fazer nenhum drama. Para isso já cá temos o Domingos.


Porto (IRPR = 0.100)

Momento do jogo por ordem temporal: um auto-golo digno dos Três Estarolas na última jogada da primeira parte.

Momento do jogo por ordem de grandeza: a substituição do Hulk. A criatura tornou-se, oficialmente, maior que o criador. Merece um post só para ele. Fica prometido.


Benfica (IRPR = 0.070)

Já não há dirigentes como antigamente. Nos bons velhos tempos (estou certo…) haveria de haver quem aplicasse uma bela multa de pelo menos 10 por cento do ordenado por se sofrer um golo como o do Olhanense. Da forma como dois jogadores do Olhanense arranjaram espaço, na linha lateral, para centrar à vontade uma bola que atravessa toda a grande-área e vai parar a um jogador sozinho do outro lado do campo para este encostar, tudo naquela jogada foi uma ode à calanzice por parte dos jogadores do Benfica.

O grande problema do Benfica não é técnico, nem táctico, é de concentração. Também isto vai merecer um post – quer vocês queiram quer não. Já aqui disse que só há uma coisa que me tira realmente do sério a ver futebol: a estupidez. Não confundir estupidez com ignorância. Ignorantes somos todos. Ignorância é não saber. Estupidez é não querer saber.

O Rodrigo não engana, mas atenção ao Matic. Tem dois pequenos problemas:

- não é nem um médio defensivo nem um médio ofensivo, ou seja, não é um especialista, o que hoje em dia é complicado a não ser que se seja muito bom;
- falta-lhe alguma agressividade.

Nenhum dos dois é um handicap definitivo. Pelo contrário. Aliás, se solucionar a segunda parte a primeira parte soluciona-se por si própria, porque aquilo que o Matic está a mostrar é que é um médio box-to-box com um potencial altíssimo nível, que enche o campo, rápido sobre a bola, com visão de jogo de linha a linha, capacidade física acima da dos restantes e uma técnica suficiente para meter a bola a quarenta metros sem risco. Com tempo de jogo, o Benfica pode ter encontrado aqui um jogador sensacional. Assim que aprender a dar porrada (a chamada «agressividade no bom sentido» vem depois, por simpatia), o que não é fácil, fica prontinho. Para já, com o sem Javi, vai ser titular em Braga, ou eu não me chame Jorge Jesus.

E ainda…

Estou a escrever isto enquanto vejo os resumos dos jogos. O penálti do Leiria-Setúbal é complicado, mas o do jogo do Guimarães…  Caramba
Eu não gosto de falar de arbitragens (agora até parecia um técnico dos da nossa praça), porque é um elemento poluidor de qualquer conversa, mas já que abri uma excepção para poder gozar um bocado com o Choramingos, acabo o serviço.

Vamos lá a ver: há uma ligeira (ligeiríssima) hipótese do Xistra ter sido condicionado pelo ambiente do jogo, mas o que eu vejo, naquele penálti, em que a bola vai bater na mão de um jogador que está de costas, a cair para trás e que nem sequer teve tempo para perceber que o adversário a tinha cabeceado, é um dos melhores argumentos que eu já vi a favor da tese dos que dizem que existe corrupção, pura e dura, ainda hoje, no futebol português. Naquele contexto (o Vitória à beira de ser desmantelado por dentro, a empatar em casa com o Rio Ave cinco minutos depois da hora) marcar aquele penálti é uma autêntica confissão tácita, e é dizer «sim, estou comprado e estou-me borrifando para o que vocês têm a dizer em relação a isso.»

Um hino à desonestidade.