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quarta-feira, 18 de julho de 2012

O meu defesa-esquerdo

A propósito do tal Rojo:
 

- duvido que alguém em Portugal, para além dos profissionais do futebol, tenha visto jogar este Rojo. Ver, até pode ter visto, durante um jogo do Spartak. O que eu duvido é que tenha visto com mais atenção do que vai ver, daqui por 15 dias, qualquer outro jogador de qualquer outra equipa russa nas competições europeias. Ponto de argumentação: ninguém em Portugal sabe se este Rojo é ou não é um grande, um bom ou um medíocre jogador. A única coisa que se sabe é que o Benfica esteve disposto a dar 3,5 milhões de euros por ele e que não quis ir mais além, e a partir daí passou a ser conhecido, através dos jornais.

A ficha pessoal parece conferir com uma aposta credível: 24 anos, internacional argentino (mesmo que, actualmente, a Argentina tenha cerca de 5 mil internacionais), com experiência no estrangeiro, ainda que sem nunca ter jogado num grande clube europeu. À partida, deve justificar os 3 ou 4 milhões de euros, mas veremos se está aqui mais um Maldini ou mais um Evaldo.



- Só gosto de jogadores polivalentes no banco. Quando apontei, aqui há uns meses, os meus desejos para a constituição do plantel do Benfica esta época, lá estava, é verdade, um «defesa central polivalente», mas far-me-ão a justiça de reconhecer que esse jogador seria suplente, Faz sentido, de um ponto de vista quer de economia quer de gestão do plantel, ter um defesa que possa entrar na equipa para fazer mais de um lugar. Torna a equipa mais coesa na altura das lesões ou do desgaste ter um jogador de nível médio-alto a entrar regularmente – como era o Rúben Amorim, por exemplo – com ritmo de jogo e conhecimento dos automatismos. Mas não são estes jogadores polivalentes que decidem campeonatos (sim, sim, já sei, vai já haver quem diga que «uma equipa são todos», as tretas do costume, ao que eu respondo que sim, são todos, mas que não são todos igualmente importantes, como é óbvio – há jogadores úteis, jogadores importantes e jogadores decisivos. Sem os jogadores decisivos na altura crucial da época uma equipa não ganha.)

Não acredito, pessoalmente, que Rojo viesse para ser titular do Benfica, quanto muito seria a primeira opção defensiva a sair do banco, e, se assim for (vamos ver se não é no Sporting…), 4 milhões de euros é uma estupidez de dinheiro. Além disso, sem vender Jardel, seria mais uma contratação idiota. Por menos que eu goste do Jardel, comprar outro jogador para o seu lugar não seria mais que desvalorizar dois jogadores.

Espero que o defesa-esquerdo do Benfica seja um bom defesa-esquerdo, não um bom central adaptado a defesa-esquerdo. Isto porque não acredito nas tretas tácticas que o Jesus meteu na cabeça que são a chave do futebol moderno e que, quando começa a inventar, dão sempre merda. Acredito que o futebol moderno é composto por especialistas, por jogadores que se distinguem em aspectos específicos do jogo, e cuja inteligência táctica permite, ou não, jogar bem em equipa. Daqui a acreditar que a qualidade do jogador e da equipa se mede apenas pelo posicionamento táctico e pela corrida que faz dentro dos corredores fixos que o treinador desenha na sua cabeça, como se os jogadores fossem aquelas peças magnéticas nas placas metálicas, vai uma grande distância.



- Não foi por causa do Emerson que o Benfica não foi campeão em 2012. O Benfica teria sido campeão, mesmo com Emerson, se tivesse funcionado melhor como equipa, e já houve equipas campeãs em Portugal com defesas-esquerdos muitos piores do que o Emerson. Isto para dizer duas coisas:

- Uma equipa em que o defesa-esquerdo não seja o jogador menos importante é uma equipa desconjuntada. Isto é verdade nos iniciados do Atlético, em que o defesa-esquerdo é o tipo que tapa o buraco, e é verdade no Real Madrid. Isto não significa que o defesa-esquerdo tenha de ser um mau jogador, pelo contrário – o que significa é que se, há um tipo que não tem de ser um grande jogador e que não pode ser uma das primeiras opções ofensivas de uma equipa, esse jogador é o defesa-esquerdo. Sim, um Roberto Carlos, um Coentrão, podem ser uma mais-valia, mas se uma equipa é montada a pensar-se nas soluções que o defesa-esquerdo vai trazer para os problemas que aparecem num jogo, essa equipa está lixada com F grande (como se viu na segunda época de Jesus, aliás, em que Coentrão foi o melhor jogador do Benfica e acabámos a época a ver esse mesmo Benfica a tentar resolver jogos dificílimos com o seu defesa-esquerdo a fazer raides de 60 metros por entre os defesas e, evidentemente, a chegar ao fim extenuado, frustrado, e a equipa a perder);

- A grande jogada de um Benfica campeão seria aproveitar como deve de ser o potencial de uma equipa pela qual pagou largas dezenas de milhões de euros e que, como conjunto, continua a render apenas 65 por cento daquilo que vale. Não quero ser o «mija-na-sopa» (por enquanto…) mas admito que continuo muito pessimista quanto à capacidade do Jesus mudar o que em três anos ainda não conseguiu mudar: dar ao Benfica um jogo colectivo que potencie a qualidade super de alguns dos seus jogadores, e não continuar naquele estilo de jogo aos repelões, sem fio, sem chama, que vai dando vitórias em jogos mas que dificilmente dar vitórias em campeonatos.



- Dito isto tudo (nomeadamente que não foi por causa de não ter um bom defesa-esquerdo que o Benfica não foi campeão na última época), o caso do defesa-esquerdo é um caso de pura incompetência, em que o Benfica é típico. A falta de consistência da estrutura do clube vê-se, ainda, nestas coisas. Tão depressa desencantam um Witsel como metem uma argolada numa coisa que deve ser rotineira, como a porcaria de um defesa-esquerdo. Quando digo incompetência não estou a lavrar um atestado de irreparabilidade. São ocasionalmente  incompetentes, e pelo que se tem visto têm vindo a aprender – não muito depressa, é certo, sem demonstrar grande inteligência, mas, ainda assim, estão a melhorar.

A incompetência na história do defesa-esquerdo é fácil de contar. Começa com Fábio Coentrão. No fim da primeira época de Jesus, Fábio só não saiu porque havia outros com prioridade, mas era evidente, logo desde Janeiro (como Gaitán, este ano) que seria o próximo a sair no Verão. O Benfica, obviamente, sabia-o. Teve, portanto, e pelo menos, oito meses para encontrar um substituto. Condições privilegiadas. A contratação de Emerson, como é evidente, destinava-se a fortalecer o banco. Emerson não veio para ser titular. Não tinha preço, nem currículo, nem qualidade para isso. Veio porque era barato e estava à mão.

Entretanto, o Benfica falhou na contratação do seu verdadeiro alvo, que provavelmente nunca iremos saber quem era. À última hora, contratou Capdevilla, contra a vontade de Jesus, que se sentiu, decerto, defraudado, por lhe terem prometido um defesa-esquerdo a sério e acabar com duas metades. O erro estava feito, e a época veio pô-lo a nu, como geralmente acontece quando se mete água no Verão. Que nem Emerson nem Capdevilla eram jogadores para o Benfica ficou claro logo em Setembro. O Benfica teve, portanto, outros 10 meses para encontrar o sucessor de Coentrão. Tem mais 40 dias. Se o resultado for um novo Emerson, o fracasso é evidente. Qualquer coisa que não seja o futuro melhor lateral-esquerdo do futebol português, aliás, é um falhanço, dados estes antecedentes.

Não é por causa disto que a época vai abaixo ou não, mas que é um teste à estrutura do Benfica (por incrível que pareça) lá isso é.

sábado, 31 de março de 2012

Gaitán-Robben, Cardozo-Aguero, Aimar-Özil...

Em nenhum momento em que tem a bola nos pés nenhum jogador do Benfica tem uma ideia de como a jogada deve acabar. Ou melhor, têm uma ideia: sabem onde está a baliza. Tudo o resto é fruto do acaso. Os jogadores do Benfica são muito melhores do que o que parecem.

O Gaitán tem muito mais futebol dentro dele do que aquilo. O Rodrigo também. O Witsel também. Não têm é treinadores para isso. Os jogadores do ataque do Benfica só têm uma dimensão: a sua. A dimensão colectiva que possam ter dentro deles, com o tempo, com Jorge Jesus, pura e simplesmente desaparece. Porque o que o Jesus pede aos seus jogadores de ataque é precisamente isso: que sejam imprevisíveis, que usem a liberdade para criar soluções. O Rodrigo, ao fim de seis meses, é um jogador muito mais individualista do que era no princípio.

O resultado disto, na prática, é que facilmente o ataque do Benfica se torna também unidimensional: jogador com bola olha para a bola, olha para a frente e começa a correr. Há escassas hipóteses do colectivo do Benfica resolver um jogo, no ataque, porque, quando o jogador procura a solução colectiva, ou ainda não está lá ou já passou. Porque o outro jogador, obviamente, está na sua própria dimensão do jogo, que raramente coincide com a dos outros.

Tudo o que não seja óbvio, simples ou sorte não está ao alcance de uma equipa assim.



Este é o estilo de ataque do Jorge Jesus. Mas é curioso que só é assim desde que chegou ao Benfica. Antes disso, mesmo no Braga, quer o ataque quer a defesa eram mecanizados ao pormenor. Não havia liberdade para ninguém. Fazia o que os americanos chamam de micro-management, controlava todos os movimentos de todos os jogadores até ao pormenor. Nunca cheguei a perceber se o Jesus mudou o chip só porque estava no Benfica, se foi por perceber que, contra as defesas muito cerradas que o Benfica tem de enfrentar, só poderia resultar assim, se foi por sentir que finalmente tinha matéria humana para jogar «à Barcelona» (ao Barcelona do tempo dele, não do actual, entenda-se). Mas a verdade é que mudou mesmo.



Este estilo de jogo não é necessariamente errado. Quando é executado por grandes jogadores, como é que se defende um ataque imprevisível, rápido e tecnicista? É praticamente impossível. Aí sim, entramos no plano teórico do «basta marcar mais um que eles», porque as probabilidades são as de ganhar quase sempre por 3-2, 4-2, 3-1…

É o que acontece com esta equipa do Benfica em 70 por cento dos jogos, com as equipas com menos categoria, de baixa rotação e com menos capacidade de aguentar a pressão. Com as outras, não, por uma razão simples: os jogadores do Benfica não são suficientemente bons e não se conhecem suficientemente bem para arranjarem soluções em conjunto.

O Barcelona de Cruyff que ganhou cinco campeonatos seguidos e a Taça dos Campeões, e onde o Jesus foi fazer estágio, tinha-os. Stoichkov e Romário, por exemplo. Mesmo assim, note-se, sempre no fio da navalha. Dois ou três desses campeonatos foram ganhos graças a falhanços dos concorrentes directos (o Real e o Corunha uma, com um penálti falhado no último minuto do último jogo do campeonato, a jogar no Riazor) e na segunda final da Taça dos Campeões, que marcou o fim da era-Cruyff, com o Milão, levou 4-0! (Repare-se, contudo, que a disciplina táctica dessa equipa do Barcelona não é comparável com a deste Benfica. Era muitíssimo superior, assim como a capacidade de passar a bola.)

Este tipo de futebol de alto risco é um futebol que rebenta com os nervos, mas que apaixona, é ousado, corajoso e é à equipa grande. O tipo de futebol do Porto, por exemplo, sempre foi ao contrário, defensivo, seguro, e por mais que ganhe não apaixona ninguém. Passa incógnito. O que é que se sabe na Europa sobre o Porto? Que ganha. Mas só os treinadores é que gostam de os ver a jogar. Para os adeptos o Porto é igual aos outros, não se distingue.



Para conseguir fazer nos outros 30 por cento de jogos o que faz nos mais fáceis, e com o Jesus, só há uma hipótese: ter melhores jogadores. E já não vou para Ronaldos, Messis ou Iniestas. Ter um Aguero em vez do Cardozo. Ter um Robben em vez de um Gaitán. Ter um Mata em vez de um Bruno César. Ter um Özil em vez de um Aimar. Ter um Yaya Touré em vez de um Javi García. Ter um Coentrão em vez de um Emerson. Por este último exemplo, apenas, se pode ver a que distância real se encontra (na minha opinião, claro) o Benfica de Jesus da equipa que ele (o Jesus) pensa que tem.



Mais um ano de entente Vieira/Jesus, na melhor das hipóteses, vai dar nisto: o Benfica perde dois titulares, compra três ou quatro, melhora o onze inicial, os jogadores conhecem-se um pouco melhor, alguns deles amadurecem (Rodrigo, a Charrua, o Witsel…), o Benfica começa a época na data normal, chega a Fevereiro mais fresco, passa da tal fasquia dos 70 por cento para a dos 75 ou 80, se tiver sorte alguns deles são os decisivos, o Porto perde o Hulk e fica com o TOC mais um ano, e dá um campeonato. Mais nada. E isto é na melhor das hipóteses, porque ninguém garante que o Porto sem Hulk será mais fraco, como equipa, que o Porto com o abono de família Hulk.



Quanto ao jogo, qual foi a novidade? Uma equipa com 60 minutos de jogo no pulmão, a desperdiçar posse de bola como se tivesse 120 e como se do outro lado estivesse uma equipa a treinar. Jogo relativamente seguro a defender e totalmente errático a atacar, incapacidade de segurar uma vantagem caída do céu aos trambolhões numa jogada idiota do defesa do Braga, uma equipa do Braga a jogar como o Feirense e inferior em todos os sentidos menos nos pormenores da organização e do colectivismo, jogada individual genial de Gaitán no minuto 92, já fora de tudo, com Bruno César a marcar o golo da sua carreira num momento de classe, fazendo o que tinha de ser feito de maneira precisa. O Benfica ganha da única forma que consegue ganhar um jogo com este grau de pressão: com uma coincidência de momentos individuais brilhantes. Que, por extrema felicidade (estrelinha de campeão?) chega no último suspiro. É Gaitán quem ganha este jogo, não nos iludamos. Os outros empataram-no – ele, em cinco segundos, ganhou-o. No limite. À messias. Como o povo gosta. Mas para termos uma equipa de nível europeu temos de o trocar por um Robben.

Fácil, não?

terça-feira, 27 de março de 2012

Não se ponham a pau...

Algo que fica após o Benfica-Chelsea:
- O Jota-Jota, com esta equipa do Chelsea (mesmo na fila da Previdência para meter os papéis da reforma), era campeão de Inglaterra. Até porque, quando chegasse a Janeiro e os onze melhores já estivessem pendurados pelos tomates, tinha mais cinco ou seis iguais no banco para meter lá dentro;

- Até ao dia em que o Abramovich decidir meter-se no iate e ir comprar uma equipa de críquete no Paquistão o Benfica não volta a ter uma oportunidade tão boa de eliminar o Chelsea. Ver jogar esta equipa é espectáculo lamentável, não tanto pelo que joga (pouco), mas pelo que podia jogar. Perante uma equipa pouco mais que acima da média, como é esta do Benfica, qualquer boa equipa inglesa a jogar futebol, em vez de algo parecido, como foi o caso deste Chelsea, teria ganho em Lisboa por dois ou três golos de diferença.

- Além de ser paneleiro, o treinador do Chelsea tem outro problema: não é treinador de coisa nenhuma. Ter o Emerson a defesa-esquerdo e o Jardel a central-esquerdo e não aproveitar esse filão está ao nível de um técnico de hóquei em patins. O Ramires, nos poucos minutos em que conseguiu realmente jogar a extremo-direito, parecia o Robben. Neste ponto, convém dizer o seguinte: não tenho nada contra o Emerson, é um jogador que tenta, dá o seu melhor, mas o Luís Martins, neste momento, é um risco menor para a equipa que o Emerson. Qualquer pessoa que ache que o pobre do Emerson pode continuar a jogar no Benfica para o ano que vem está na última fase da negação.

- Hoje conseguimos vender o Gaitán. Não é que tenha feito nada de extraordinário, mas o Ferguson estava no estábulo a ver o jogo enquanto dava cenouras aos cavalos e pensou para os seus botões: «Acho que consigo fazer deste tipo um jogador de futebol.» Quanto mais não seja para isso já valeu a pena jogar esta eliminatória. Já com o Cardozo não temos a mesma sorte. Por falar nisso…

-Aquela jogada aos 52 minutos em que o Cardozo sai ao sprint e passa a correr pelo defesa do Chelsea que fica com a bola, sem sequer começar a travar, devia ser mostrado a todos os futebolistas iniciados do Mundo, com a seguinte legenda: «jogador calão a fingir que se defende. Não fazer.»

- O penálti do John Terry é uma das coisas mais assombrosas que já vi num campo de futebol. Mas na Europa os portugueses são os pretos de África, e isso é uma verdade tão inegável como a de, em Portugal, os clubes pequenos serem os pretos de África.

- Aos 70 minutos o Benfica morreu. Aos 74 o Ramires ainda tinha mais gás do que os onze jogadores do outro lado.

- Ao contrário do que se possa pensar, a eliminatória não está fechada. Com esta equipa do Chelsea e com esta equipa do Benfica, 1-0 é um resultado insuficiente. Não é que uma não seja melhor que a outra (que é) mas um Chelsea dar o flanco em Stamford Bridge, demasiado convencido da sua superioridade e de que o Benfica entregou os pontos, arrisca-se mesmo a sofrer dois golos do Benfica, e aí tudo se torna possível. Até porque o Jesus não vai poupar ninguém em Inglaterra (e que se lixe o campeonato, obviamente…). Este Benfica é uma equipa imprevisível. Tanto pode levar 4 como pode ganhar em Inglaterra, sobretudo contra uma equipa disfuncional como é este Chelsea. Como clube, já fez coisas bem mais difíceis. Para mim é igual ao litro, esclareça-se. Eu ia com os juniores mais o Aimar, que não pode jogar nem com o Braga nem com o Sporting, e aos 10 minutos mandava cinco, com facas e marretas, atrás do Drogba, para serem expulsos, no caso de ainda ser preciso algum para treinar antes do jogo de Alvalade.

- o Benfica mostrou, no palco principal, o que tem e o que não tem. Tem boa capacidade técnica em alguns jogadores, vocação ofensiva, alguma vontade (alguma, não muita) e força nas bolas paradas. Não tem sentido colectivo (a não ser no fora-de-jogo, a nível defensivo, o que o vai safando), fio de jogo fluente, soluções de desbloqueio (excepto em transição, o que até o Gil Vicente é capaz de fazer), capacidade física para aguentar um jogo a ritmo elevado e capacidade de defender no meio-campo adversário, apesar de tentar (o que a leva, depois, a não conseguir defender no seu meio-campo, devido ao desposicionamento do meio-campo). Quantificando, é um 6,5 em 10, a nível europeu, a tentar jogar como um 8,5 em 10. Sem o conseguir, obviamente. O simples facto de pensar em grande, contudo, leva-o a ganhar mais vezes do que o que a sua capacidade real levaria a supor. Tanto na Europa como em Portugal.

segunda-feira, 26 de março de 2012

O Braga e a praga

Acho que a vitória do Braga, hoje, é boa para o Benfica.

A minha lógica é relativamente simples: para o Benfica, ficar em segundo depende sempre de ganhar ao Braga em casa, e não ganhar ao Braga em casa implica ficar em terceiro no campeonato, independentemente de como o Braga chegasse ao jogo da Luz. Não acredito que o Braga ganhe ao Porto e ao Sporting, o que significa dois maus resultados, pelo menos, até ao fim do campeonato. Em caso de vitória frente ao Braga, o Benfica até pode perder em Alvalade, que as hipóteses de não ficar em segundo são mínimas.



Para o Benfica (e isto sempre na perspectiva do Benfica ganhar no próximo fim-de-semana, caso contrário toda esta conversa é fútil) uma vitória do Braga implica que, mesmo perdendo na Luz, o Braga chega ao jogo em casa, com o Porto, a um ponto do Porto. Isso quer dizer que, se ganhar ao Porto, o Braga não só fica à frente do Porto como, provavelmente, fica em vantagem no confronto directo, uma vez que marcou dois golos nas Antas – e isto quando o Porto ainda tem de ir à Madeira, jogar com o Marítimo, e receber o Sporting (um jogo sempre imprevisível) nas quatro jornadas que faltam.

Ou seja, com os resultados deste fim-de-semana o Braga ganhou combustível para lutar pelo título, pelo menos, até ao jogo com o Porto – e só o perderá se perder os dois jogos que se seguem. E esse jogo com o Porto passou a ter uma importância decisiva para a classificação final do Braga neste campeonato.



Resta dizer que, para o Benfica, seria quase desastroso acabar esta época em terceiro lugar. Penso que quando chegarmos ao fim da época identificaremos três factores especialmente importantes para a perda de um campeonato que, até Dezembro, estava setenta por cento ganho:

- ter começado a época um mês antes dos outros, o que, se por um lado lhe permitiu começar melhor a época e ir, por exemplo (creio eu), empatar às Antas, também lhe roubou, claramente, fôlego no inverno;

- ter avançado na Champions acima das expectativas, ao contrário dos seus dois principais rivais (que vão, por isso, chegar a Abril com menos seis ou sete jogos a sério nas pernas e na cabeça;

- não ter conseguido, em Janeiro, acrescentar um ou dois lugares de profundidade real ao seu plantel, nomeadamente com um defesa central que ermitisse não ter de jogar com o Jardel e um bom extremo, com gás suficiente para abrir, por si só, pelo menos um jogo daqueles que o Benfica empatou a zero, nomeadamente em Coimbra ou em Olhão.



Se acabar em segundo, o primeiro destes problemas fica resolvido. Se acabar em terceiro, as hipóteses de fazer uma época em crescendo, a chegar relativamente bem aos últimos jogos, ficam praticamente eliminadas logo de início.



Também resta dizer que os gajos do Braga estão todos cagados por terem chegado a primeiro. Bastou olhar para as caras deles.

Sempre quero ver como é que se vão comportar na Luz. Mas até adivinho que vaiser o Benfica-Braga mais fácil, para o Benfica, dos últimos anos. Wait and see

*

Num assunto relacionado, assisti a uma boa parte do jogo do Granada com o Sevilha. Para ver o Franco Jara, só por curiosidade.

Como é que um jogador que é apenas igual aos outros numa equipa de fundo da tabela de Espanha, que não mostra nenhuma característica distintiva, que não se destaca, pode fazer parte das soluções de um clube como o Benfica?

De que é que estamos a falar?

Que espécie de lógica é que nos leva a considerar, sequer, a hipótese de ter um jogador assim no Benfica?

Só pergunto isto porque a lógica do Jara é a mesma lógica do Emerson, do Jardel, do Capdevilla, do César Peixoto, do Bruno César e de tantos, tantos outros ao longo dos anos.

Só há uma hipótese racional de um jogador assim servir para o Benfica: estar completamente subvalorizado por uma questão conjectural, como uma lesão ou uma zanga séria com o clube em que esteja. O que é raríssimo.

Vamos colocar as coisas dentro da perspectiva certa: para se jogar no Benfica, não serve, por exemplo, um suplente do Braga, nem serve sequer um titular do Braga – serve um jogador CLARAMENTE MELHOR QUE OS OUTROS no Braga, ou em qualquer outro clube à excepção dos que joguem nas 15 ou 20 melhores equipas do mundo. E isto tendo 18, 23 28 ou 33 anos. Que tipo de mais-valia real é que pode trazer para o Benfica, de facto, um suplente do Corinthians, um suplente do Villarreal ou um tipo que não consegue sequer acabar um jogo no Granada sem se distinguir dos outros?

Isto não é ser simplista – isto é senso-comum.

Um Emerson, um Capdevilla, um Jardel, um Bruno César (Não me lixem com o Bruno César, ok? Só não é um jogador vulgar porque está no Benfica. Se vocês o vissem a jogar no campeonato brasileiro era igual a mais 100 gajos) só estão, no Benfica, a fazer duas coisas: a ocupar um lugar que não lhes pertence, impedindo que outros melhores lá estejam, e a consumir recursos.

Como um clube resiste a uma política de contratações tão displicente e tão estúpida (é a única palavra que me ocorre para a repetição dos mesmos erros nas mesmas condições, sofrendo as mesmas consequências, ano após ano), isso sim, é um verdadeiro milagre.

domingo, 11 de março de 2012

Mata surreal

O que teria uma equipa madura e completa feito hoje na Mata Real?

Teria aproveitado o momento do jogo em que o adversário lhe permitiu ganhá-lo, ou seja, os primeiros 25 minutos, em que, graças à capacidade de Saviola e Bruno César jogarem entre linhas, teve tempo e espaço para marcar não um mas vários golos. Porquê uma equipa madura? Porque só uma equipa madura consegue ver o jogo tal como ele está a decorrer, e não como ele deveria decorrer, e porque só uma equipa madura, vendo as condições em que este jogo estava a ser jogado, perceberia que, mais do que atacar em velocidade, teria sido eficiente jogar com um pouco mais de calma e resolver as coisas tecnicamente, acertando bem os passes, chegando ao remate em boas condições. Uma equipa madura, com cabecinha, teria tido não cinco ou seis oportunidades nesses 25 minutos mas uma ou duas, e numa delas teria feito o golo. É uma questão simples de cérebro ou falta dele.

Teria, no caso de isso não ter resultado, percebido que, após os primeiros 5 minutos da segunda parte, teria de gastar outros 5 minutos a recolocar o jogo nas condições que lhe permitissem a vitória. Fez exactamente o contrário. Entrou numa corrida a pé com o Paços de Ferreira, perdendo a vantagem técnica que teria SE soubesse adoptar uma estratégia que lhe permitisse colocar a contenda nesses termos.

Após o 2-1, com o jogo completamente aberto, teria procurado situações de futebol apoiado – pelo menos 3 jogadores num quadrado imaginário com 5 metros de lado, com bola no pé, de maneira a poder pressionar imediatamente a bola se a perdesse – e procurando o contacto para provocar a falta. A precisar de marcar, o mais importante para uma equipa é como tratar da bola. A precisar de defender, o mais importante é como tratar o espaço. Passa a ser um jogo territorial. Porque nem se marca golos sem bola nem se sofre golos de baliza a baliza. O Benfica continuou a jogar como se estivesse empatado, na correria.

Após a expulsão, acabou o jogo. Permitir o empate nessa situação, frente a uma equipa inevitavelmente cansada e desmoralizada, teria sido o cúmulo da estupidez. Caraças, quanto mais não fosse permitir um remate teria sido idiota. E o que é que o Benfica faz?
Faltas. Abriu ao Paços a única porta que poderia ter para marcar um golo, dando-lhe a vantagem territorial. Pobre.

Fintas em vez de passes, maus controlos de bola, más opções, jogadores que não aparecem para receber a bola quando são precisos, jogadores a ocupar os espaços de outros, incapacidade de manter uma linha de jogo coerente, sobretudo na primeira parte. Alguma coisa de novo em relação ao que se passava em Outubro? Só o resultado. Mas o resultado não é causa, é consequência. E analisar o jogo considerando o resultado é o erro que faz com que, mais tarde, o resultado também não venha.

A coisa acabou bem? Acabou perfeitamente. Há algum benfiquista que não esteja contente? Não. Podia ter acabado de maneira muito diferente? Sem dúvida. Pode sempre, claro, mesmo quando se faz tudo bem feito. Mas hoje podia MESMO. Bastava ter entrado aquela do Melgarejo, aquela do Michel, etc, etc, etc.

Se perguntarem ao Jesus, ou a qualquer benfiquista mais aliviado, como é o Benfica ganhou, hoje, um jogo que aos 60 minutos estava perdido, todos terão uma resposta para dar. Mas é mentira. Ninguém sabe. Hoje, houve pequeno milagre, não só pela forma como aconteceu como pelo momento em que aconteceu.


Notas finais:

- vendo Capdevilla a jogar, é pura fantasia ter Emerson a titular do Benfica. O que Capdevilla poderá, eventualmente, não ter em resistência física, compensa largamente na abordagem ao jogo. Não há aflição quando tem a bola nos pés, não compromete a equipa com opções idiotas, sabe o que fazer, sabe quando o pode fazer, e não parece ter a ilusão de Emerson em ser Roberto Carlos, algo que teria evitado muitos dissabores ao Benfica ao longo da época. Jesus vai voltar a pôr Emerson na próxima jornada. E voltará a fazer mal. Capdevilla, um defesa-esquerdo mediano, é, ainda assim, o melhor defesa-esquerdo do Benfica.

- Jardel, com bola, é um risco permanente. Como Emerson. O melhor defesa que já conheci foi o Zidane. Porquê? Porque dali ela só saía com bom destino.

- não comecem já a ter orgasmos como Melgarejo. Melgarejo tem jogado com frequência, está com a pedalada toda, tem uma equipa a jogar para ele, em contra-ataque, com espaço, e não tem absolutamente pressão nenhuma em cima. Este não é o Melgarejo do Benfica. O Melgarejo do Benfica teria uma oportunidade de três em três semanas para jogar, durante 20 ou 30 minutos. Não teria ritmo de jogo, pelo que tudo o que dependesse da sua velocidade (que é a base do seu jogo) ficaria muito afectado, e teria de ser pelos fundamentos que ele ganharia um lugar na equipa. Jogaria sempre com pouco espaço. E teria uma tonelada de pressão em cima, porque no Benfica ninguém lhe iria pagar para atirar bolas ao poste mas para marcar golos e ganhar jogos.

- o Nélson Oliveira continua a pensar que a forma de marcar golos é atirar-se para o chão. Ridículo. Multinha por cada mergulho, que aprende logo, porque ou ninguém lhe explica ou, se alguém explica, ele não entende.

- ver o Cardozo a pedir centros para a área, a jogar contra nove, a dois minutos do fim e a ganhar por 2-1, define a inteligência e a concentração de um jogador no objectivo colectivo. Qual é a palavra, mesmo? Ah, sim. Ridículo.


Última palavra: será… a estrelinha?

sexta-feira, 2 de março de 2012

A lição fundamental

Não quero saber do fora-de-jogo. Não quero mesmo. Mesmo.

Vou ser mais claro: metam o fora-de-jogo no cu. Mas mesmo todos. Quem acha que o Benfica perdeu por causa do fora-de-jogo que meta a opinião no cu. Podem meter o vosso comentário aqui em baixo, é serventia da casa, mas não se esqueçam de a meter, juntamente com o fora-de-jogo, no cu. Não se sintam insultados os que já falaram do fora-de-jogo, porque ainda não li comentários nenhuns ao jogo, e vocês sabem que não digo por mal. Mas metam mesmo o fora-de-jogo no cu.



Do que eu quero saber é disto: fundamentos.



FUNDAMENTOS.



Por exemplo?

Por exemplo a jogada em que o Gaitán tenta virar-se para a baliza, perde a bola, sem cobertura, o James arranca e o Porto corre 70 metros sem oposição para marcar o golo. O Gaitán pode ter três pés, mas sem alguém que lhe ensine o que NÃO SE PODE FAZER num jogo de futebol, será sempre um jogador de segunda.



Com 2-1 o Benfica tem o jogo ganho. É o Benfica que o perde. Porquê? Porque, numa situação em que tem o campeonato no bolso, a jogar em casa, contra uma equipa ajoelhada, não tem a capacidade, simples, de fazer o mais essencial do futebol de qualquer equipa grande, que é segurar a vantagem com bola num jogo equilibrado, com ritmo e jogando pelo seguro. Não a tem. Ao fim de dois anos e meio com Jesus, não a tem. E não a terá.

Como acontece quase sempre, num jogo concentram-se os problemas acumulados. Em qualquer actividade, a pressão detecta todas as fragilidades do material. Pequenas rupturas rasgam completamente e tornam-se grandes falhas, pelas quais uma estrutura acaba por ruir, e quanto maior a estrutura mais facilmente cai. E quais são essas pequenas frechas? A falta de fundamentos sólidos.

Hoje ficaram à vista as fragilidades de Jesus, que levou um banho táctico e só não perdeu o jogo antes do intervalo porque o Porto é uma equipa a jogar a 70 por cento do seu potencial e não soube acabar o serviço depois do 1-0. Bastou ao Porto fazer o que outras equipas já fizeram e meter uma linha de três jogadores subida a meio-campo para aniquilar o jogo do Benfica, que nunca teve meio-campo.

Soluções? Poucas, e más. Pontapé para a frente e fé no ressalto. Só a relativa mediocridade da equipa do Porto, repito, a impediu de acabar com o jogo na primeira parte.

E já não falo, sequer, do inacreditável bloqueio após a expulsão. Com Matic no banco põe Gaitán a defesa-esquerdo. Gaitán?! O jogador com menos instinto defensivo da equipa? O jogador mais irresponsável, que perde outra bola, perfeitamente controlada, que dá o livre do golo, quando não havia outra forma de pensar senão em guardá-la para, pelo menos, não perder o campeonato naqueles 5 minutos? A que propósito? Por ser canhoto?!!! Matic no meio-campo. Javi a central. Miguel Vitor a defesa-esquerdo. Quem é que não vê isto? Quem? Jesus.

Também já não vou à escolha da equipa. Não tenho conhecimentos tácticos para tanto. Mas que se lixe, vou mesmo: o Benfica começa a perder o meio-campo, e o jogo, na escolha do 11. Só isso.

Viu-se a fragilidade de Emerson. Meu Deus, e que fragilidade. Vejam-no, por exemplo, a defender no segundo golo do Porto.

Viu-se a inexistência de verdadeiras opções no meio-campo.

Viu-se a ausência de extremos reais e de uma corrente de jogo capaz de os municiarem solução de vantagem.



Mas viu-se, sobretudo, e repito, a falta de capacidade colectiva de compreender o jogo, de aplicar o que o jogo precisava a cada altura. Viu-se, resumidamente, sabem o quê? Falta de classe.

Classe.

A capacidade de fazer o que é preciso, quando é preciso. Ou pelo menos de o tentar.

É que nem sequer se viu um indício de que os jogadores, em campo, tivessem a consciência do que precisavam de fazer, quanto menos tentarem-no. Fizeram o jogo ao deus-dará, como fazem sempre, porque nunca houve, nestes dois anos e meio, para já não ir mais longe, um treinador que percebesse que, no meio do que é preciso fazer para se ir ganhando jogo a jogo, é preciso educar uma equipa para melhorar nos fundamentos.

Educar, aqui, é a palavra-chave. Não é martelar, é educar. Construir. Edificar. E para isso é preciso olhar pelo menos cinco centímetros à frente da semana que vem.



O Benfica não pode despedir Jorge Jesus. Não deve fazê-lo. Nem agora nem no fim da época. Mas deve arranjar maneira de uma equipa qualquer do estrangeiro lhe fazer uma proposta que ele não possa recusar, e tem de ter, senão já pelo menos nos próximos três meses, alguém potencialmente melhor do que ele para meter à frente da equipa.

Entre tudo o que é preciso fazer para recuperar os fundamentos do jogo – desde os critérios prioritários nas contratações à metodologia de preparação – a questão da equipa técnica não é a menos relevante. O Benfica tem de encontrar um treinador que consiga fazer a equipa evoluir. Tão simples como isto. Porque Jesus atingiu o seu limite de conhecimentos, e a equipa que ele montou não dá mais do que isto.

Quem aqui vem, sabe que não estou a ser um abutre. Façam-me essa justiça, se fizerem favor. Eu não sou dos que quer correr com o treinador ao primeiro fracasso. Mas neste caso não é um castigo a ninguém. É, apenas, um acto de gestão inevitável, e necessário, para a evolução da equipa. Não se pode fazer um clube refém de um homem que atingiu o seu limite técnico. Vocês sabem que eu dizia isto quando o Benfica estava à frente, quando andava toda a gente embriagada. Eu, embriagado andei, é a natureza do benfiquista, mas mesmo embriagado explanei, não uma, mas várias vezes, o que pensava em relação a Jesus.

Hoje, sinto-me autorizado a dizer que tinha razão. Que tenho razão. E convém recordar o que me dá razão antes que uma vitória frente ao Zenit apague a memória desta noite. Vão reler os textos que têm o link, e dar-me-ão razão. Está lá tudo.

É pegar nas coisas boas que o Jesus trouxe, arranjar maneira de as preservar no interior da estrutura quando ele sair, e procurar alguém que traga mais valor. Tão simples e tão pouco dramático como isto.



Mantenho o que disse: o Porto, ganhando quatro pontos na Luz, deu a volta ao campeonato, e tem 90 por cento de hipóteses reais de o ganhar. Ou seja, é quase impossível não o ganhar. Estranhamente, apesar de tudo, não consigo deixar de pensar que os 10 por cento do Benfica podem valer 100, mas admito que, neste momento, seja já mais uma profissão de fé que propriamente uma crença. No fundo o que eu quero dizer é que continuo a acreditar, mas por nenhuma razão racional, apenas porque acredito.

Sem dramas. Há uma época para acabar e o baile continua.

Agora, para quem não tiver decidido exorcizar-me, fica um aviso: aqui na Religião Nacional, hoje, dia 2 de Março de 2012, começa a época de 2012/13.

O Jesus, o Orelhas, esse pessoal todo, incluindo vocês, pode continuar na frequência 2011/12. Eu, que mando aqui, acabei de entrar na frequência 2012/13.

Fugir para a frente? Fugir à realidade?

Talvez sim.

Eu prefiro chamar-lhe espírito construtivo.

É nas derrotas que se revela a nossa capacidade de vir a vencer. Acredito nisso com todas as moléculas do meu corpo. É quando perco que mais vontade tenho de ganhar, e que maior motivação tenho para encontrar outras formas de ganhar. Não conheço a derrota. Sei que ela existe, já a senti a passar por mim, mas nunca a vi.